Mais do que a fazer poesia eu gostaria de aprender a fazer uma prece. Nela, eu colocaria o desejo de ser de outro planeta ou o de alcançar uma vida em outro planeta. Esse seria um planeta de seres tão evoluídos que não seriam sequer visíveis...
Embora seja um desejo válido, não sei se ele é possível de figurar numa prece. Sim, descubro agora, lamentavelmente, é também um desejo que soa prepotente, afinal, por que eu não poderia, meramente, viver entre os terráqueos, aceitando as limitações de cada qual que anda por aqui, a começar pelas minhas próprias?
Assim sendo, comecemos tudo de novo: Obrigado, meu Deus, por viver nesse planeta Terra, auxilia-me a cumprir a minha tarefa por aqui mesmo, junto aos outros, meus iguais, colegas de planeta. Amém.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
O rapaz de bem partiu
Há brasileiros que são muito muito especiais. Johnny Alf era um deles, era e continuara sendo embora tenha falecido ontem.
Ele foi um dos precursores da bossa nova, na década de 50, ao cantar Céu e mar e Rapaz de bem, pois essas canções antecipam características do movimento bossanovista. Suas canções sempre mesclaram jazz e samba. Ele amava os musicais americanos e suas trilhas, de George Gershwin e Cole Porter. No Jazz, Nat King Cole foi sua grande inspiração. Por tudo isso, por seu legado, eu só posso admirar esse grande cantor, pianista e compositor.
Rapaz de Bem também é o nome do seu primeiro LP, lançado em 1961. São considerados seus clássicos Ilusão à Toa e O Que É Amar. No ano em que eu nasci, 1967, ele gravou aquele que seria seu grande sucesso, Eu e a Brisa. Como todo artesão, Alf gravou apenas 13 álbuns, em mais de 40 anos. Eu tenho um amigo que foi ao seu penúltimo show, em maio de 2009, o último foi em agosto do mesmo ano, no Teatro do Sesi.
Meu amigo chegou a fazer um post aqui nesse blog, inspirado na emocionante experiência que foi aquele show. Felipe Carrilho considera Jonnhy Alf como alguém que merecia muito mais reconhecimento em relação à bossa nova do que teve e ele diz o porquê lindamente em Johnny Alf e o pathos bossanovista
Ele foi um dos precursores da bossa nova, na década de 50, ao cantar Céu e mar e Rapaz de bem, pois essas canções antecipam características do movimento bossanovista. Suas canções sempre mesclaram jazz e samba. Ele amava os musicais americanos e suas trilhas, de George Gershwin e Cole Porter. No Jazz, Nat King Cole foi sua grande inspiração. Por tudo isso, por seu legado, eu só posso admirar esse grande cantor, pianista e compositor.
Rapaz de Bem também é o nome do seu primeiro LP, lançado em 1961. São considerados seus clássicos Ilusão à Toa e O Que É Amar. No ano em que eu nasci, 1967, ele gravou aquele que seria seu grande sucesso, Eu e a Brisa. Como todo artesão, Alf gravou apenas 13 álbuns, em mais de 40 anos. Eu tenho um amigo que foi ao seu penúltimo show, em maio de 2009, o último foi em agosto do mesmo ano, no Teatro do Sesi.
Meu amigo chegou a fazer um post aqui nesse blog, inspirado na emocionante experiência que foi aquele show. Felipe Carrilho considera Jonnhy Alf como alguém que merecia muito mais reconhecimento em relação à bossa nova do que teve e ele diz o porquê lindamente em Johnny Alf e o pathos bossanovista
quinta-feira, 4 de março de 2010
Você precisa ouvir Tula Pilar e aplaudi-la
Uma amiga querida que leu o post anterior enviou-me um link de uma entrevista que a escritora e poetisa Tula Pilar deu para a Rádio Unesp. A minha amiga disse: Veja como um sarau pode mudar a vida de alguém. E é verdade, Tula Pilar conta que foi participando de saraus em Taboão da Serra que ela começou a ter a coragem necessária para mostrar sua produção escrita e que sempre existiu na sua vida.
A entrevista é emocionante porque ela tem um modo muito doce e agradável de revelar o quanto a esperança e a perseverança são importantes, sobretudo quando as condições materiais não são favoráveis, quando se é uma mulher negra, e tendo três filhos e criando as crianças sozinha.
Tula Pilar é mineira e uma passagem que eu achei bastante reveladora foi o que ela nos contou da sua experiência como empregada doméstica em Minas e, depois, em São Paulo. Ela conta que achou muito diferente o modo das famílias abastadas que contratam empregados domésticos tratar seus empregados, aqui em São Paulo, em relação ao modo como essas famílias se relacionam com seus empregados lá em Minas Gerais. Uma coisa que era um horror e que assistiu, quando viveu essa experiência, é que aqui em São Paulo se a empregada doméstica fica doente ela é simplesmente mandada embora do emprego. Ela também observou que os ricos paulistanos preferem jogar fora o que está sobrando do que dar para que a empregada leve para casa, para sua família. Eu tenho predileção pelos mineiros e sei muito bem do que Pilar estava falando. Ela própria é mineira e só podia ser: eu, paulistano, acho que quem é de Minas Gerais já está a meio caminho do céu. rsrsrsr
Outra passagem que eu achei comovente: quando ela contou-nos que um grupo de sarau organizado estava viajando a pé, de São Paulo para Curitiba (gente destemida!), e eles iam parando nos lugares, nas cidades do interior dos dois estados. Ela disse que foi uma comoção quando, depois de uma apresentação de seus poemas, uma criança de apenas 6 anos a abraçou e a elogiou, Pilar ficou toda emocionada e satisfeita. A educadora é dessas pessoas abençoadas que sabem dar importância para o que de verdade tem importância nessa vida: o poder das palavras, a comunhão das pessoas, em torno de eventos positivos, e as delicadezas insuspeitas...
E o rap que ela fez para o filho de apenas 12 anos, então? É de chorar de emoção. Absoluta Lição de Vida essa Tula Pilar. Não deixem de ouvir a entrevista aqui. Eu não preciso dizer mais nada, ela é quem tem a dizer. ;-D
A entrevista é emocionante porque ela tem um modo muito doce e agradável de revelar o quanto a esperança e a perseverança são importantes, sobretudo quando as condições materiais não são favoráveis, quando se é uma mulher negra, e tendo três filhos e criando as crianças sozinha.
Tula Pilar é mineira e uma passagem que eu achei bastante reveladora foi o que ela nos contou da sua experiência como empregada doméstica em Minas e, depois, em São Paulo. Ela conta que achou muito diferente o modo das famílias abastadas que contratam empregados domésticos tratar seus empregados, aqui em São Paulo, em relação ao modo como essas famílias se relacionam com seus empregados lá em Minas Gerais. Uma coisa que era um horror e que assistiu, quando viveu essa experiência, é que aqui em São Paulo se a empregada doméstica fica doente ela é simplesmente mandada embora do emprego. Ela também observou que os ricos paulistanos preferem jogar fora o que está sobrando do que dar para que a empregada leve para casa, para sua família. Eu tenho predileção pelos mineiros e sei muito bem do que Pilar estava falando. Ela própria é mineira e só podia ser: eu, paulistano, acho que quem é de Minas Gerais já está a meio caminho do céu. rsrsrsr
Outra passagem que eu achei comovente: quando ela contou-nos que um grupo de sarau organizado estava viajando a pé, de São Paulo para Curitiba (gente destemida!), e eles iam parando nos lugares, nas cidades do interior dos dois estados. Ela disse que foi uma comoção quando, depois de uma apresentação de seus poemas, uma criança de apenas 6 anos a abraçou e a elogiou, Pilar ficou toda emocionada e satisfeita. A educadora é dessas pessoas abençoadas que sabem dar importância para o que de verdade tem importância nessa vida: o poder das palavras, a comunhão das pessoas, em torno de eventos positivos, e as delicadezas insuspeitas...
E o rap que ela fez para o filho de apenas 12 anos, então? É de chorar de emoção. Absoluta Lição de Vida essa Tula Pilar. Não deixem de ouvir a entrevista aqui. Eu não preciso dizer mais nada, ela é quem tem a dizer. ;-D
segunda-feira, 1 de março de 2010
Muita Luz na Vila Industrial faz mover um Girassol
Nesse último sábado, após uma semana de muito trabalho e até mesmo aborrecimentos, tive uma experiência muito marcante. Fui convidado para ir a um Sarau. O mesmo amigo que me convidara de outra feita levou-me a uma Comunidade, na Vila Industrial, Zona Leste da cidade de São Paulo, onde uma moradora chamada Maria Augusta, juntamente com outros educadores, desenvolve uma experiência muito rica na Ong a que chamaram Girassol.
O meu amigo Laudecir mandou-nos hoje um e-mail em que ele descreve seus sentimentos em relação a essa experiência que vivenciamos juntos. Faço minhas suas palavras:
O que está acontecendo na Comunidade Girasol é inacreditável, mágico, havia uma disputa acirrada das crianças e adolescentes para ver quem dançava melhor (ao mesmo tempo percebia-se uma harmonia entre eles, claro, tiveram que se preparar através de ensaios, horas e horas, para poderem chegar àquelas coreografias), e para quem tinha coragem de fazer uso do microfone e ler um poema, houve fila para isso. Eles vibravam com aplausos, gritos de alegria, pelos colegas que tinham coragem de se expor; exigiam silêncio...
Fazia tempo que não vivia uma experiência assim... Algum adolescente gritou: ''lá na escola niguém lê!!!" Não é interessante essa fala !!!!??? Experiências como essa deveriam se multiplicar por aí, nos mais diferentes espaços.... Meu amigo Josafá e eu (Lau) comentávamos do reflexo positivo dessa experiência cultural na vida daquelas crianças e adolescentes... Que continuem!!!!
Ah, nossa amiga Maria Augusta estava radiante, senti tanto orgulho dela... Sabe, agora, escrevendo esse texto, sinto vontade de chorar de alegria pelo que vi e senti.
É claro que muitas outras pessoas estão envolvidas no trabalho daquela comunidade, parabenizo a todos na pessoa dessa nossa Graaaande mulher, mãe, amiga queridíssima, líder nata..... Maria Augusta!!!!
É isso mesmo. Eu só quero ainda ressaltar o trecho em que ele nos conta da fala do jovem que nos lembrou que na escola ninguém lê. O rapaz tinha toda a razão. Eu creio que isso de fato acontece, em muitas escolas (Deus nos livre que isso venha a acontecer em todas - a generalização aqui seria péssima, afinal, ainda que em menor número há professores boníssimos trabalhando em muitas escolas públicas). De qualquer modo, isso pode acontecer quando a escola não cria aquele ambiente de espontaneidade, respeito mútuo, e que propicia, a partir daquilo que o jovem gosta - no caso era evidente o prazer e o amor dos jovens da Girassol pela street dance - sim, esse é sempre o mote para que a poesia, a literatura e todas as outras referências culturais que ajudam a nos formar tenham também o seu espaço de fruição.
Uma outra coisa bastante marcante, que mostrou essa disposição sincera das crianças e jovens presentes para participar, aconteceu quando, após o intervalo, no qual tomamos um caldo verde - que umas irmãs gentilíssimas, portuguesas e de uma instituição católica, tinham oferecido ao evento - eu disse que cantaria um fado português, que eu aprendera ouvindo Ney Matogrosso e Kátia Guerreiro, a fadista que eu conhecera graças a um amigo Catalão, e que eu conheci por intermédio do meu blog.
Quando terminei de me apresentar os jovens aplaudiram entusiasmados e pediram "mais um", assim como pediram também "mais um" para a performance magnífica de Laudecir.
Eu fiquei muito emocionado porque a verdade é que todas as crianças e jovens do mundo precisam e têm sede de conhecer mais e mais. Todos nós desejamos isso, naturalmente. No entanto, a experiência do conhecimento tem de ser como essa que tivemos no último sábado: um encontro de alegria e paz, por exemplo, em torno da emoção da expressão artística e não naquela opressão que ocorre amiúde entre os muros da escola.
O meu amigo Laudecir mandou-nos hoje um e-mail em que ele descreve seus sentimentos em relação a essa experiência que vivenciamos juntos. Faço minhas suas palavras:
O que está acontecendo na Comunidade Girasol é inacreditável, mágico, havia uma disputa acirrada das crianças e adolescentes para ver quem dançava melhor (ao mesmo tempo percebia-se uma harmonia entre eles, claro, tiveram que se preparar através de ensaios, horas e horas, para poderem chegar àquelas coreografias), e para quem tinha coragem de fazer uso do microfone e ler um poema, houve fila para isso. Eles vibravam com aplausos, gritos de alegria, pelos colegas que tinham coragem de se expor; exigiam silêncio...
Fazia tempo que não vivia uma experiência assim... Algum adolescente gritou: ''lá na escola niguém lê!!!" Não é interessante essa fala !!!!??? Experiências como essa deveriam se multiplicar por aí, nos mais diferentes espaços.... Meu amigo Josafá e eu (Lau) comentávamos do reflexo positivo dessa experiência cultural na vida daquelas crianças e adolescentes... Que continuem!!!!
Ah, nossa amiga Maria Augusta estava radiante, senti tanto orgulho dela... Sabe, agora, escrevendo esse texto, sinto vontade de chorar de alegria pelo que vi e senti.
É claro que muitas outras pessoas estão envolvidas no trabalho daquela comunidade, parabenizo a todos na pessoa dessa nossa Graaaande mulher, mãe, amiga queridíssima, líder nata..... Maria Augusta!!!!
É isso mesmo. Eu só quero ainda ressaltar o trecho em que ele nos conta da fala do jovem que nos lembrou que na escola ninguém lê. O rapaz tinha toda a razão. Eu creio que isso de fato acontece, em muitas escolas (Deus nos livre que isso venha a acontecer em todas - a generalização aqui seria péssima, afinal, ainda que em menor número há professores boníssimos trabalhando em muitas escolas públicas). De qualquer modo, isso pode acontecer quando a escola não cria aquele ambiente de espontaneidade, respeito mútuo, e que propicia, a partir daquilo que o jovem gosta - no caso era evidente o prazer e o amor dos jovens da Girassol pela street dance - sim, esse é sempre o mote para que a poesia, a literatura e todas as outras referências culturais que ajudam a nos formar tenham também o seu espaço de fruição.
Uma outra coisa bastante marcante, que mostrou essa disposição sincera das crianças e jovens presentes para participar, aconteceu quando, após o intervalo, no qual tomamos um caldo verde - que umas irmãs gentilíssimas, portuguesas e de uma instituição católica, tinham oferecido ao evento - eu disse que cantaria um fado português, que eu aprendera ouvindo Ney Matogrosso e Kátia Guerreiro, a fadista que eu conhecera graças a um amigo Catalão, e que eu conheci por intermédio do meu blog.
Quando terminei de me apresentar os jovens aplaudiram entusiasmados e pediram "mais um", assim como pediram também "mais um" para a performance magnífica de Laudecir.
Eu fiquei muito emocionado porque a verdade é que todas as crianças e jovens do mundo precisam e têm sede de conhecer mais e mais. Todos nós desejamos isso, naturalmente. No entanto, a experiência do conhecimento tem de ser como essa que tivemos no último sábado: um encontro de alegria e paz, por exemplo, em torno da emoção da expressão artística e não naquela opressão que ocorre amiúde entre os muros da escola.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Não tem o que dizer? Faça um elogio.
Ontem, alguém, que eu mal conheço, encontrou-me no elevador e vendo duas marcas de ferimentos no meu braço, exclamou:
- Foi briga isso?
Sempre que ouço uma frase absurda, invasiva e de mal gosto dirigida a minha pessoa eu não me contenho: começo a rir [acho até que é um cacoete, do tipo nervoso]. Dessa vez, após o riso, justifiquei:
- Não, foi um acidente doméstico, queimei-me no forno do fogão de casa. ;-p
Acho incrível esse tipo de situação. Parece-me algo tão patético! A única validade de sua ocorrência é que podemos tirar alguma lição desse tipo de episódio. Eu procuro ir colecionando esses desagravos gratuitos de outrem para comigo para que eu mesmo possa jamais fazê-los a outrem. Sim, porque querer que essas pessoas não o façam é tolice. Cada qual faz o que pode fazer. Aliás, é uma questão de educação. Se pensarmos bem, jamais deveríamos emitir uma frase que possa desagradar nosso interlocutor. Ainda mais assim, em pleno elevador, e a partir da visão de uma pista tão falsa, como as queimaduras no meu braço...
Eu procuro de coração, nessas situações sociais em que absolutamente nada precisa ser dito, mas podendo fazê-lo, tão somente lançar um elogio, como:
- Que linda esta sua blusinha de estampa petit poá!
- Foi briga isso?
Sempre que ouço uma frase absurda, invasiva e de mal gosto dirigida a minha pessoa eu não me contenho: começo a rir [acho até que é um cacoete, do tipo nervoso]. Dessa vez, após o riso, justifiquei:
- Não, foi um acidente doméstico, queimei-me no forno do fogão de casa. ;-p
Acho incrível esse tipo de situação. Parece-me algo tão patético! A única validade de sua ocorrência é que podemos tirar alguma lição desse tipo de episódio. Eu procuro ir colecionando esses desagravos gratuitos de outrem para comigo para que eu mesmo possa jamais fazê-los a outrem. Sim, porque querer que essas pessoas não o façam é tolice. Cada qual faz o que pode fazer. Aliás, é uma questão de educação. Se pensarmos bem, jamais deveríamos emitir uma frase que possa desagradar nosso interlocutor. Ainda mais assim, em pleno elevador, e a partir da visão de uma pista tão falsa, como as queimaduras no meu braço...
Eu procuro de coração, nessas situações sociais em que absolutamente nada precisa ser dito, mas podendo fazê-lo, tão somente lançar um elogio, como:
- Que linda esta sua blusinha de estampa petit poá!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O desassossego dadivoso de Fernando Pessoa
Acabei de ganhar um livro! \o/ Não é um livro qualquer. É um de Fernando Pessoa. E não é um livro qualquer de Pessoa, é o Livro do Desassossego. Fernando Pessoa vivia uma depressão a que chamou "profunda e calma" quando o escreveu. Para quem não sabe, trata-se de um livro de prosa. Eu nunca o li, só conheço a poesia de Pessoa. Já espero uma prosa profundíssima e poética. Richard Zenith diz, na introdução, que Pessoa trabalhou nesta obra durante o resto da vida, mas quanto mais a "preparava", mais inacabada ficava. Inacabada e inacabável. Sem enredo ou plano para cumprir, os seus horizontes foram alargando, os seus confins ficaram cada vez mais incertos, a sua existência enquanto livro cada vez menos viável - como, aliás, a existência de Pessoa enquanto pessoa.
Imaginem só o que não deve ser a experiência de ler um livro assim, escrito como se fora um testamento da própria condição humana do poeta?
Para tanto, ou para que possam ter um aperitivo dessa experiência, dois excertos, de páginas do Livro do Desassossego, as quais abro ao acaso (penso que essa atitude tem tudo a ver com Pessoa! ;-D):
A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, essse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.(...)
Nenhuma ideia brilhante consegue entrar em circulação se não agregando a si qualquer elemento de estupidez. O pensamento colectivo é estúpido porque é colectivo: nada passa as barreiras do colectivo sem deixar nelas, como real de água, a maior parte da inteligência que traga consigo.
Na mocidade somos dois: há em nós a coexistência da nossa inteligência própria, que pode ser grande, e a da estupidez da nossa experiência, que forma uma segunda inteligência inferior. Só quando chegamos a outra idade se dá em nós a unificação. Daí a acção sempre fruste da juventude - devida, não à sua inexperiência, mas à sua não-unidade.
Ao homem superiormente inteligente não resta hoje outro caminho que o da abdicação.
Ah, se todo deprimido fosse assim como Fernando Pessoa!
Imaginem só o que não deve ser a experiência de ler um livro assim, escrito como se fora um testamento da própria condição humana do poeta?
Para tanto, ou para que possam ter um aperitivo dessa experiência, dois excertos, de páginas do Livro do Desassossego, as quais abro ao acaso (penso que essa atitude tem tudo a ver com Pessoa! ;-D):
A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, essse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.(...)
Nenhuma ideia brilhante consegue entrar em circulação se não agregando a si qualquer elemento de estupidez. O pensamento colectivo é estúpido porque é colectivo: nada passa as barreiras do colectivo sem deixar nelas, como real de água, a maior parte da inteligência que traga consigo.
Na mocidade somos dois: há em nós a coexistência da nossa inteligência própria, que pode ser grande, e a da estupidez da nossa experiência, que forma uma segunda inteligência inferior. Só quando chegamos a outra idade se dá em nós a unificação. Daí a acção sempre fruste da juventude - devida, não à sua inexperiência, mas à sua não-unidade.
Ao homem superiormente inteligente não resta hoje outro caminho que o da abdicação.
Ah, se todo deprimido fosse assim como Fernando Pessoa!
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Mai Fujimoto
Sabe quando você está muito muito cansado, com sono e desejando paz e silêncio? Eu estou assim, agora mesmo. As demandas físicas a que me referi são insistentes, mas terão de permanecer ainda por algumas horas sem serem saciadas, portanto, a paz e o silêncio do meu quarto devo encontrar somente mais tarde. Ossos do ofício, of course. Não estou triste e nem aborrecido com esse dia trabalhoso que acabei por ter, é tão somente fadiga. Diga-se de passagem que nesse estado, quase de letargia, não poderia postar nada que pedisse muita reflexão, ou raciocínio. Assim, fui em busca de algo suave para compartilhar com todos que visitam esse sítio.
Vejam que surpresa boa: estou encantado com essas imagens que encontrei no artreview Essa artista conquistou-me com seu trabalho. Pode haver algo mais suave e pleno de significado? Trata-se de Mai Fujimoto, ela é uma artista de Santo André - SP. É possivel notar nessas imagens um evidente acento oriental. No entanto, mais do que isso, percebo que se trata de um trabalho que, verdadeiramente, intriga por sua simplicidade e seu aspecto contemplativo... Creio que se trata de algo que tão somente se alcança a partir de um refinamento interior, ou seja, algo que não poderia ser alcançado por qualquer um, não é mesmo?
Vejam que surpresa boa: estou encantado com essas imagens que encontrei no artreview Essa artista conquistou-me com seu trabalho. Pode haver algo mais suave e pleno de significado? Trata-se de Mai Fujimoto, ela é uma artista de Santo André - SP. É possivel notar nessas imagens um evidente acento oriental. No entanto, mais do que isso, percebo que se trata de um trabalho que, verdadeiramente, intriga por sua simplicidade e seu aspecto contemplativo... Creio que se trata de algo que tão somente se alcança a partir de um refinamento interior, ou seja, algo que não poderia ser alcançado por qualquer um, não é mesmo?
Sinto-me mais descansado e em paz, sem dúvida.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
J.M. Coetzee e seu Homem lento
Enquanto vivo, leio. Há muitas atividades prazerosas nessa vida. As que dizem respeito ao prazer físico são imediatamente identificáveis: comer, dormir etc. Nesse etc. cabe uma pletora de atividades, não é mesmo? Mas, eu tenho para mim, as atividades intelectuais são ainda mais prazerosas. O físico participa dessas últimas como instrumento. Afinal, eu preciso sentir-me bem, fisicamente, para ler, por exemplo. Não devo estar com sono, ou com fome, ou cansado. No entanto, ontem eu estava em luta noturna com meu sono. E isso porque eu estava lendo Homem lento, de J.M.Coetzee e já era mais de meia-noite. Mas como eu poderia abandonar Paul Rayment e Marianna justamente naquela hora!? São as personagens desse livro.
Coetzee é prêmio Nobel e, sim, eu não sabia disso e nem o conhecia, uma vez que nunca lera nada desse premiadíssimo escritor sul-africano e que, atualmente, mora na Australia. A história do romance, inclusive, se passa nesse país. No início do livro, temos a cena do atropelamento de Paul Rayment, um homem com mais de sessenta anos e que, por conta disso (ter sido atropelado e ter mais de sessenta nos), tem uma perna amputada. Solitário, passa a viver essa nova experiência, com todas as agruras de quem é obrigado a mudar o modo de viver, a partir de uma fatalidade. Qualquer outra pessoa criando uma história, tendo como princípio esse tipo de situação, poderia pecar por excesso: de sentimentalismo, ou de pieguice e sabe-se lá do que mais! Nesse caso, não. Coetzee consegue prender o leitor o tempo todo na teia de reflexões e experiências cotidianas da personagem. O melhor de tudo é o foco narrativo do texto, pois temos um narrador em 3a pessoa, que conta a história, mas há momentos que já não sabemos mais quem está falando: ocorre as tais focalizações, em seus desvios. Então, ora é a personagem quem está falando em meio à fala do narrador, ora quem fala é o próprio narrador como se fosse a personagem, ou ainda por ela, ou seja, contar uma história torna-se uma variada combinação de enunciadores na teia narrativa.
O tal trecho que não me deixava fechar os olhos para o prazer físico do sono era quando Rayment com os olhos vendados (por exigência da parceira) se encontra com Marianna, que, por sua vez, é deficiente visual, para a primeira experiência sexual, após o acidente. Conheçam esse excerto e vejam se eu não tenho razão de permanecer acordado e lendo Coetzee:
Quanto tempo faz que ela perdeu a visão? Será decente perguntar? E será decente passar para a próxima pergunta: se fez amor desde que aconteceu?Foi a experiência que ensinou a ela que seus olhos devastados aniquilarão o desejo de um homem?
Eros. Por que a visão do belo chama à vida? Por que o espetáculo do horrendo estrangula o desejo? Será que a relação com o belo nos eleva, nos torna pessoas melhores, ou será abraçando os doentes, os mutilados, os repulsivos que melhoramos a nós mesmos? Que perguntas! Será por isso que Costello juntou os dois: não pela comédia vulgar de um homem e uma mulher com partes do corpo ausentes fazendo o possível para se encaixar, mas a fim de, uma vez removida a questão sexual, poderem ter uma aula de filosofia, deitados um nos braços do outro discursando sobre a beleza, o amor e a bondade?
E, de uma forma ou de outra, em meio a tudo isso - o constrangimento, o evitar, o filosofar, para não falar de uma tentativa dele de desatar o nó da gravata, que começou a sufocá-lo (por que está de gravata?) -, de alguma forma, desajeitados, mas não tão desajeitados quanto poderiam ser, envergonhados, mas não tão envergonhados a ponto de se paralisarem, eles conseguem deslizar para o ato físico ao qual se comprometeram vacilantes, um ato que embora não o ato de sexo conforme entendido no geral é assim mesmo um ato de sexo e que, apesar do membro truncado de um lado e do olho perdido do outro, se desenrola com alguma prontidão do começo para o meio e para o fim, quer dizer, em todas as suas partes naturais.
Não é belíssimo?
Coetzee é prêmio Nobel e, sim, eu não sabia disso e nem o conhecia, uma vez que nunca lera nada desse premiadíssimo escritor sul-africano e que, atualmente, mora na Australia. A história do romance, inclusive, se passa nesse país. No início do livro, temos a cena do atropelamento de Paul Rayment, um homem com mais de sessenta anos e que, por conta disso (ter sido atropelado e ter mais de sessenta nos), tem uma perna amputada. Solitário, passa a viver essa nova experiência, com todas as agruras de quem é obrigado a mudar o modo de viver, a partir de uma fatalidade. Qualquer outra pessoa criando uma história, tendo como princípio esse tipo de situação, poderia pecar por excesso: de sentimentalismo, ou de pieguice e sabe-se lá do que mais! Nesse caso, não. Coetzee consegue prender o leitor o tempo todo na teia de reflexões e experiências cotidianas da personagem. O melhor de tudo é o foco narrativo do texto, pois temos um narrador em 3a pessoa, que conta a história, mas há momentos que já não sabemos mais quem está falando: ocorre as tais focalizações, em seus desvios. Então, ora é a personagem quem está falando em meio à fala do narrador, ora quem fala é o próprio narrador como se fosse a personagem, ou ainda por ela, ou seja, contar uma história torna-se uma variada combinação de enunciadores na teia narrativa.
O tal trecho que não me deixava fechar os olhos para o prazer físico do sono era quando Rayment com os olhos vendados (por exigência da parceira) se encontra com Marianna, que, por sua vez, é deficiente visual, para a primeira experiência sexual, após o acidente. Conheçam esse excerto e vejam se eu não tenho razão de permanecer acordado e lendo Coetzee:
Quanto tempo faz que ela perdeu a visão? Será decente perguntar? E será decente passar para a próxima pergunta: se fez amor desde que aconteceu?Foi a experiência que ensinou a ela que seus olhos devastados aniquilarão o desejo de um homem?
Eros. Por que a visão do belo chama à vida? Por que o espetáculo do horrendo estrangula o desejo? Será que a relação com o belo nos eleva, nos torna pessoas melhores, ou será abraçando os doentes, os mutilados, os repulsivos que melhoramos a nós mesmos? Que perguntas! Será por isso que Costello juntou os dois: não pela comédia vulgar de um homem e uma mulher com partes do corpo ausentes fazendo o possível para se encaixar, mas a fim de, uma vez removida a questão sexual, poderem ter uma aula de filosofia, deitados um nos braços do outro discursando sobre a beleza, o amor e a bondade?
E, de uma forma ou de outra, em meio a tudo isso - o constrangimento, o evitar, o filosofar, para não falar de uma tentativa dele de desatar o nó da gravata, que começou a sufocá-lo (por que está de gravata?) -, de alguma forma, desajeitados, mas não tão desajeitados quanto poderiam ser, envergonhados, mas não tão envergonhados a ponto de se paralisarem, eles conseguem deslizar para o ato físico ao qual se comprometeram vacilantes, um ato que embora não o ato de sexo conforme entendido no geral é assim mesmo um ato de sexo e que, apesar do membro truncado de um lado e do olho perdido do outro, se desenrola com alguma prontidão do começo para o meio e para o fim, quer dizer, em todas as suas partes naturais.
Não é belíssimo?
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Federico García Lorca e Mayte Martín
Peço perdão por trazer esse vídeo do Youtube porque, definitivamente, eu não gosto dessas imagens com as quais algumas pessoas gostam de "ilustrar" gravações de canções. Sinceramente eu preferia ter disponibilizado aqui tão somente o arquivo em MP3. Será que isso é possível? Alguém saberia ensinar-me?
Sugiro que vocês ouçam a canção acompanhando tão somente o poema (não fiquem olhando para as imagens do vídeo! A não ser que queiram se divertir um pouco com a morte de cada metáfora de Lorca... rsrsrs)
Na verdade, estou sendo maldoso, desnecessariamente, a pessoa fofa que postou o vídeo no Youtube estava na viagem dela. É uma pessoa sensível, gosta da música, da cantora ou do poeta e isso é o que está valendo. Se eu quisesse "algo" melhor que eu mesmo produzisse e ponto final. rsrsrs O importante é que o vídeo e, principalmente, a canção está disponível nesse web querida que todos amamos, não é mesmo? Saibam que a tradução do poema é de autoria de William Agel de Mello, e que é o tradutor responsável pela minha edição da obra do poeta, publicada pela Martins Fontes.
Ainda uma última informação que, ao menos para mim, foi muito importante saber: Gacela (Gazel, em Português), segundo o Dicionário Houaiss, é um gênero de poesia amorosa dos persas e dos árabes, estruturado em dísticos, com a mesma rima funcionando para os dois versos do primeiro dístico e para o segundo verso dos demais.
Enjoy it!
GACELA DEL AMOR IMPREVISTO
Nadie comprendía el perfume
de la oscura magnolia de tu vientre.
Nadie sabía que martirizabas
un colibrí de amor entre los dientes.
Mil caballitos persas se dormían
en la plaza con luna de tu frente,
mientras que yo enlazaba cuatro noches
tu cintura, enemiga de la nieve.
Entre yeso y jazmines, tu mirada
era un pálido ramo de simientes.
Yo busqué, para darte, por mi pecho
las letras de marfil que dicen siempre.
siempre, siempre: jardín de mi agonía,
tu cuerpo fugitivo para siempre,
la sangre de tus venas en mi boca,
tu boca ya sin luz para mi muerte.
GAZEL DO AMOR IMPREVISTO
Ninguém compreendia o perfume
da escura magnólia de teu ventre.
Ninguém sabia que martirizavas
entre os dentes um colibri de amor.
Mil cavalinhos persas dormiam
na praça com luar de tua fronte,
enquanto eu enlaçava quatro noites
tua cintura, inimiga da neve.
Entre gesso e jasmins, o teu olhar
em um pálido ramo de sementes.
Eu procurei, para dar-te, em meu leito
as letras de marfim que dizem sempre,
sempre, sempre: jardim de minha agonia,
teu corpo fugitivo para sempre,
o sangue de tuas veias em minha boca,
tua boca já sem luz para minha morte.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
O (des)equilíbrio do mundo
No mundo há tanta coisa que acontece. E tudo sempre acontece à nossa revelia, of course. É bom acostumar-mo-nos, no sentido de que não devemos nos desesperar, mas, por outro lado, não podemos deixar de repudiar o que, definitivamente, não é alto astral.
Acho surreal, por exemplo, conhecer um pedido que, graças, enviaram-me by e-mail. Solicitaram-me que eu assinasse uma petição para fazer coro com todos os que estão horrorizados com uma projeto de lei na Uganda, que pretende levar à prisão perpétua ou ainda à pena de morte a todo aquele que fizer sexo com uma pessoa do mesmo sexo. Sim! É esse o teor da lei em questão e que, Deus nos livre, pode ser aprovada. Nem quis saber quem são os loucos que estão por trás desse horror, ou seja, que tipo exatamente de gente fundamentalista, extremista, com uma visão de mundo tão estreita que não respeita alguém que não seja heterossexual, e, simplesmente, queira banir do mundo tal pessoa. Você poderá encontrar mais informações nesse artigo da AfricanFiles. Eu assinei a petição organizada pelo pessoal da Avaaz.org.. Esse pessoal, que eu acho bem bacana, diz que se um número expressivo de pessoas, de vários países, manifestarem seu repúdio, o país em questão não poderá promover esse horror. Assine também, please! Além disso, há um gadget, no alto, à direita que leva à pagina para os donativos à causa. Qualquer quantia pode ajudar: se nós ajudarmos será possível lançar campanhas de rádio, anúncios de jornal e campanhas de outdoors para mostrar a milhões de ugandenses a verdade e sensibilizá-los para a necessidade de proteger os direitos humanos.
Por outro lado, há um outro tipo de coisa que também acontece, nesse mesmo mundo, e que é absolutamente alto astral. Ontem, eu estava assistindo à competição de patinação no gelo, nas Olimpíadas de Inverno - Vancouver 2010. Que coisa mais linda aqueles casais deslizando e fazendo coisas impossíveis para nós outros. ;-D
Os rapazes eram sempre esguios, altos, fortes e as moças delicadíssimas e, ainda assim, fortíssimas. Afinal é o que se espera dos atletas, que com todo um preparo, durante um longo treinamento, buscam em uma única apresentação, em determinado evento, os louros da vitória. Eu devo confessar que chorei toda vez que um dos parceiros, deslizando no gelo, caiu e a dupla perdeu os tais preciosos pontos. No entanto, minha emoção era ainda maior porque essa pessoa continuava a coreografia como se nada tivesse acontecido, e mesmo com um lindo sorriso no rosto.
Também chorei em saber do mal absoluto que preparam em Uganda. Mas sei que a força vital de todos os que hoje são vítimas, tão somente por causa de sua orientação sexual, irá imperar, e isso, simplesmente, porque tal como os saltos, círculos e giros em espiral dos bailarinos no gelo, essa força é muito mais bonita de se ver e, eu acredito, ela é de uma ordem superior.
Acho surreal, por exemplo, conhecer um pedido que, graças, enviaram-me by e-mail. Solicitaram-me que eu assinasse uma petição para fazer coro com todos os que estão horrorizados com uma projeto de lei na Uganda, que pretende levar à prisão perpétua ou ainda à pena de morte a todo aquele que fizer sexo com uma pessoa do mesmo sexo. Sim! É esse o teor da lei em questão e que, Deus nos livre, pode ser aprovada. Nem quis saber quem são os loucos que estão por trás desse horror, ou seja, que tipo exatamente de gente fundamentalista, extremista, com uma visão de mundo tão estreita que não respeita alguém que não seja heterossexual, e, simplesmente, queira banir do mundo tal pessoa. Você poderá encontrar mais informações nesse artigo da AfricanFiles. Eu assinei a petição organizada pelo pessoal da Avaaz.org.. Esse pessoal, que eu acho bem bacana, diz que se um número expressivo de pessoas, de vários países, manifestarem seu repúdio, o país em questão não poderá promover esse horror. Assine também, please! Além disso, há um gadget, no alto, à direita que leva à pagina para os donativos à causa. Qualquer quantia pode ajudar: se nós ajudarmos será possível lançar campanhas de rádio, anúncios de jornal e campanhas de outdoors para mostrar a milhões de ugandenses a verdade e sensibilizá-los para a necessidade de proteger os direitos humanos.
Por outro lado, há um outro tipo de coisa que também acontece, nesse mesmo mundo, e que é absolutamente alto astral. Ontem, eu estava assistindo à competição de patinação no gelo, nas Olimpíadas de Inverno - Vancouver 2010. Que coisa mais linda aqueles casais deslizando e fazendo coisas impossíveis para nós outros. ;-D
Os rapazes eram sempre esguios, altos, fortes e as moças delicadíssimas e, ainda assim, fortíssimas. Afinal é o que se espera dos atletas, que com todo um preparo, durante um longo treinamento, buscam em uma única apresentação, em determinado evento, os louros da vitória. Eu devo confessar que chorei toda vez que um dos parceiros, deslizando no gelo, caiu e a dupla perdeu os tais preciosos pontos. No entanto, minha emoção era ainda maior porque essa pessoa continuava a coreografia como se nada tivesse acontecido, e mesmo com um lindo sorriso no rosto.
Também chorei em saber do mal absoluto que preparam em Uganda. Mas sei que a força vital de todos os que hoje são vítimas, tão somente por causa de sua orientação sexual, irá imperar, e isso, simplesmente, porque tal como os saltos, círculos e giros em espiral dos bailarinos no gelo, essa força é muito mais bonita de se ver e, eu acredito, ela é de uma ordem superior.
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