segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A aula de Chimamanda Adichie


Quando eu assisti a esse vídeo fiquei absolutamente encantado com essa pessoa. A dica veio de Luciana, minha amiga do blog Luciana na Cozinha.

Chimamanda Ngozi Adichie é uma pessoa inteira, verdadeira, lúcida, e uma prova de que a beleza é melhor apreciada quando ela demonstra que o ser é integral e que é possível e natural ser elegante.

Chimamanda Adichie é uma escritora nigeriana. Soube pela Wikipédia que ela nasceu em Abba, no estado de Anambra, mas cresceu na cidade universitária de Nsukka, no sudeste da Nigéria, onde se situa a Universidade da Nigéria. Seu pai era professor de Estatística na universidade, e sua mãe trabalhava como secretária no mesmo local. Quando completou dezenove anos mudou-se para os Estados Unidos da América. Depois de estudar na Universidade de Drexel, na Filadélfia, Chimamanda se transferiu para a Universidade de Connecticut. Fez estudos de escrita criativa na Universidade John Hopkins de Baltimore, e mestrado de estudos africanos na Universidade Yale.

Sim ela é uma professora universitária. E sua fala no TED nos faz desejar fazer um curso com essa mulher. Verifiquem vocês mesmos e vejam se não é essencial essa sua mensagem! \0/ Depois que eu ouvi, fiquei pensando nas muitas vezes em que eu também não incorri nos mesmos erros que ela aponta e para o qual devemos estar atentos nas nossas relações e na fruição das histórias que ouvimos sobre as pessoas e as diferentes culturas. A história nunca é uma só. Somos feitos por uma miríade delas, of course.

Será que seus romances já foram traduzidos para o Português? Devem ser fantásticos! Purple Hibiscus (Hibisco roxo), foi publicado em 2003. Half of a Yellow Sun (Meio sol amarelo), foi assim chamado em homenagem à bandeira da Biafra, e trata de antes e durante a guerra de Biafra. É premiado.

Eu acredito que todos os seres humanos do planeta terra precisam ouvir essa voz. \o/
São apenas 20 minutos de uma fala essencial. Enjoy it!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O cinema que sidera

Ontem, fui ao cinema. Fiquei emocionado já no saguão, porque eu ia assistir a um filme, no cinema. Não vejo como substituir esse prazer da sala de cinema, do ritual de aguardar o início da sessão, de estar sentado em uma poltrona de uma sala na qual estão outras pessoas e que também, como eu, quiseram um encontro com O Cinema. Não há tv de qualquer espécie que substitua aquela imensa tela em branco e que se povoa de imagens projetadas. Ainda mais quando o filme a que vamos assistir é de um grande cineasta e sábio como Alain Resnais.
Eu já falei aqui de um outro filme dele a que também vi, no ano passado, e não poderia deixar de falar desse último.
Ervas Daninhas é um filme que convida à sideração, desde a cena inicial, quando a personagem vai comprar um par de sapatos pelo simples prazer de ser tocada nos pés. Então, na sequência acontece a cena do roubo, em que a bolsa amarela fica instantes no ar, e na qual a vítima não grita por socorro. Nós só veremos o rosto dessa personagem quando ele como que flutuar na banheira. Será ainda nessa banheira que se fará o balanço da situação vivida: ao comprar um sapato de que não precisava, roubaram-lhe a bolsa, é preciso ir à delegacia de polícia, mas tão somente no dia seguinte...
Alguém encontra a carteira, que fora abandonada após o roubo em um estacionamento, e, imediatamente, inicia uma fabulação a partir do que encontrara: fotografias em documentos, parcos dados, um endereço. Isso é suficiente para que ocorra o início de uma paixão, posto que o sujeito é um solitário. Estamos falando de um filme francês, portanto, aqui pode haver pessoas muito solitárias ainda que vivam com a família.
Importante: quando a comédia é francesa você pode rir e chorar, simultaneamente... Rimos porque a vida é cômica, choramos porque constatamos que é também trágico viver.
Esse filme ainda explora aquilo de que o cinema vive mais facilmente: encontros glamourosos e até um beijo apaixonado, à guisa de happy end. Sim, há muito glamour francês e ainda o que sempre achei o mais característico desse cinema de Resnais: a demonstração da beleza que existe em qualquer pessoa comum, assim como também da libido que se mantém forte mesmo aos quarenta, cinquenta anos, para essas mesmas pessoas comuns. Graças!
Aqui, o acaso promoveu um encontro, o que sempre sidera. E mais, haverá loucura, vida e morte.
Pareceu-me, no entanto, que o que mais importava dizer afinal é que a vida permanece, na sua eterna inocência, elaborando questões em torno do desejo. Como essa: Mamãe, quando eu for gato posso comer ração como eles?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Amamos Chico Science


A primeira vez que eu ouvi o som de Chico Science e Nação Zumbi fiquei absolutamente siderado. Pensei: Então, existe vida na terra, existe artista de verdade e jovem e nascido no Brasil. O mundo está salvo!
Curti muito esse som dos únicos dois discos que ele gravou antes de morrer. E, então, ele morreu e eu chorei, como todos os fãs mundo afora.
Agora, 13 anos depois, o projeto Ocupação do Instituto Itaú Cultural, na Av. Paulista, apresenta uma exposição e eventos relacionados: é o Ocupação Chico Science, que começou ontem, 04 de fevereiro e vai até o dia 04 de abril.
Criou-se um ambiente para lembrar a vida e as experiências dessa alma criativa e que trouxe muita, muita vida para a música brasileira naquela década de 1990. Eles prometem tudo: a querida, capital do nordeste [essa é minha opinião], ou seja, a Recife das décadas de 1980 e 1990, com a sua arte urbana, o mangue, o hip hop e o maracatu e também as festas na Soparia, o computador e toda a inspiração de Chico e seus amigos, que eram chamados de mangueboys.
As exposições no Itaú Cultural são sempre interessantes porque há uma fruição e interação com o público visitante.


A curadoria promete que a exposição faz referência à cena, mas também mostra toda a trajetória de Chico Science: com objetos pessoais; imagens de arquivo; cartazes de shows e depoimentos de familiares, amigos e parceiros musicais.
Além disso, a todos os que não estão ou estarão em São Paulo, há um hotsite que irá oferecer a oportunidade de everybody conferir a homenagem. É imperdível e já sinto a emoção, sim, eu já estou emocionado.
Além disso, todos os eventos possuem entrada franca. Oba! \o/\o/\o/




O bico do beija-flor, beija a flor,
beija a flor.
E toda fauna flora grita de amor.
Quem segura o porta-estandarte
tem arte, tem arte.
E aqui passa com raça,
eletrônico,
o maracatu atômico.

Manamaué auéa aê
Manamaué auéa aê
Manamaué auéa aé
Manamauê auêa aé

Atrás do arranha-céu tem
o céu, tem o céu.
E depois tem outro céu
sem estrelas.
Em cima do guarda-chuva tem
a chuva, tem a chuva.
Que tem gotas tão lindas que
até dá vontade de comê-las.

Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê

No meio da couve-flor tem
a flor, tem a flor
Que além de ser uma flor
tem sabor
Dentro do porta-luvas tem a luva,
tem a luva
Que alguém de unhas negras
e tão afiadas
esqueceu de por

Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê

No fundo do pára-raio tem o raio,
tem o raio.
Que caiu da nuvem negra
do temporal.
Todo quadro-negro é todo negro,
é todo negro.
Eu escrevo seu nome nele
só pra demonstrar
o meu apego.

Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê

O bico do beijar flor, beija a flor,
beijar a flor.
E toda fauna flora gata de amor.
Quem segura o porta estandarte
tem arte, tem arte.
E aqui passa com raça,
eletrônico,
o maracatu atômico.

Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê

Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê
Manamauê auéa aê...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

São Paulo é também encantamento


Ontem, não consegui voltar para casa. Após uma tempestade monstruosa como só poderia ser descrita na obra de Shakespeare tivemos uma pane no transporte público dessa linda e alagada cidade. Assim, fui dormir na casa de uma amiga que mora perto da Paulista. Eu a encontrei por um acaso perdida no centro e ambos tivemos que passar pelo viaduto do Chá, subir a Xavier de Toledo e a Rua Augusta, andando, até chegar a sua casa. Um tour. Ainda bem que a brisa noturna havia dissipado as nuvens.
Hoje, na hora do almoço, outro encontro feliz: uma amiga que trabalha em outro andar do edifício em que eu também trabalho saía para fumar na rua [não podemos mais fumar dentro de nenhum lugar!]. Eu disse que pretendia comer um lanchinho em uma mercearia tradicional da Praça da Sé, porque ali eu poderia comer um doce português delicioso: o Gracinha de Cascais. Quem nunca comeu deveria experimentar.
 ;-D

Então, ela sugeriu-me que fossemos a uma casa tradicional aqui do centro a qual, que vergonha!, eu não conhecia.
Trata-se da Casa Godinho, um lugar que foi inaugurado em 1888 na mesma
praça da Sé, mas que em 1924 mudou-se para a Rua Libero Badaró e ocupa o térreo do primeiro edifício alto de São Paulo. Ele é conhecido como o avô dos arranha-céus da cidade. Inaugurado em 1924, o Edifício Sampaio Moreira só perdeu a majestade dos 13 andares que possui, alguns poucos anos depois, para o famoso Martinelli, que foi um assombro na São Paulo daquela época, com os seus 30 andares.



O lugar é puro charme. As prateleiras são todas originais, em Imbuia, os produtos todos de primeira qualidade, muitos importados de diferentes regiões do planeta. E os salgados e doces são, além de muito saborosos, bastante baratos. Comi uma generosa empada de bacalhau e uma imensa taça de mousse de chocolate. Paguei tão somente R$7,00! Para mim, só o fato de estar dentro daquele ambiente já era uma satisfação. O bom atendimento é também uma característica da casa: um senhor de cabelos brancos, muito simpático, vendo minha indecisão diante da vitrine de guloseimas sorriu e quanto finalmente me decidi ele sentenciou: Quem procura acha... (ainda todo sorrisos). Senti-me feliz porque eu que já estivera desde o dia anterior em boa companhia só atraia outras boas companhias nesse dia seguinte e ainda mesmo naquele lugar. Era como se eu tivera atravessado uma porta do tempo e caído direto num mundo de gentilezas e educação, de há 100 anos.

Fiquei pensando que devo estar sendo abençoado pelos deuses por estar tão protegido e querido num mundo que só desmorona por todos os lados a minha volta. Embora eu não tenha certeza ou não saiba ao certo se mereço tanto, fico todo agradecido e desejando que assim seja por todos os séculos dos séculos. Quão bom seria!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Exposição O Brasil de John Graz


Hoje às 13h, em São Paulo, não chovia. Pelo contrário, o sol de verão reinava por completo e saí à rua bastante contente tão somente por esse estio. Dirigi-me à Caixa Cultural da Praça da Sé. Encontrei-me, então, dentro de um imenso salão repleto de quadros na parede. Quando vi aqueles desenhos, que variavam as técnicas do grafite e guache no papel, concordei com os organizadores dessa exposição que nos falam acerca da elegância do trabalho artístico de John Louis Graz. Esse suíço, radicado no Brasil desde 1920, sorveu as paisagens, as formas e a gente brasileira criando um universo brasilianista, que, penso, nunca fora visto antes. Ele é popular, colorido, tem uma relação de observador da natureza muito refinada, porque é simples e muito, muito poético.

Eu recomendo a visita a essa exposição que também tem imagens dos móveis que ele criou, de decorações que planejou para diferentes e importantes casas paulistanas e ainda umas esculturas que são como jóias, assim como jóias propriamente e que são como esculturas...
Não é à toa que ele era chamado de artista total por unir arte, arquitetura e designer na linguagem toda própria que criou.
Recomendo, para quem não pode vir a São Paulo, conhecer o site do Instituto John Graz.
Esse é mais um artista que eu fiquei encantado em conhecer. ;-D
Clique na imagem abaixo para obter outras informações.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Victor Hugo

Eu preciso agradecer ao Alessandro do blog Livros & Afins porque ele sempre tem informações preciosíssimas sobre o mundo dos livros. Hoje, ele exibiu uma imagem de Onde Batman passa os poucos momentos em que não há crimes. Então, vejo no rodapé dessa postagem um link para outro post em que ele nos conta que o magnífico Coringa foi inspirado em um livro de Victor Hugo chamado O homem que ri.
De Victor Hugo eu só lera O Corcunda de Notre Dame, [uma amiga disse-me que o Paulo Francis (um jornalista brasileiro antiquíssimo) chamava-o "O Cordame de Notre Cunda". rsrsrs]. No entanto, o li quando eu ainda era um adolescente. Pois bem, imediatamente fiquei louco de vontade de ler Victor Hugo nesse momento da minha vida e comecei a procurar pela web o tal O homem que ri. Encontrei, em um site chamado Eflúvio Magnético, a reprodução de uns poucos capítulos do livro e comecei-lhes a leitura. Achei incrível, aterrador e emocionante. Mas isso eu já sabia que seria. Eu lembro-me perfeitamente da forte impressão que me deixou o Corcunda...
Só para que vocês saibam o contexto do trecho que li, até o ponto da passagem que trouxe para cá: ali temos uma criança que provavelmente fora abandonada em uma ilha deserta, um menino náugrafo e que encontra o cadáver de um enforcado dependurado em um precipício. Após a descrição terrível de um ataque de corvos ao cadáver, teremos a passagem a seguir e que eu reproduzo aqui porque eu achei que fala do ser criança de um modo muito, muito peculiar:

Já não corria, andava. Dizer que o encontro com um morto o fizera homem, seria limitar a impressão múltipla e confusa que experimentava. Havia nesta impressão muito mais e muito menos. Aquela forca, sobretudo turva no rudimento de compreensão que era o seu pensamento, permanecia para ele uma aparição. Como, porém, um terror dominado equivale a um robustecimento, sentiu-se mais forte. Se tivesse idade para se sondar, teria descoberto em si mil outros princípios de meditação, mas a reflexão das crianças é informe, e quanto muito sentem o travo amargo desta coisa obscura para elas a que o homem mais tarde chama de indignação. Acrescentemos que a criança tem o dom de aceitar muito rapidamente o termo de uma sensação. Os contornos longínquos e fugitivos, que constituem a amplitude das coisas dolorosas, escapam-lhes. A criança é resguardada pelo seu limite, que é a fraqueza, das comoções demasiado complexas. Vê o facto, e pouco mais ao lado dele. A dificuldade de achar suficientes as ideias parciais, não existe para a criança. O processo da vida só se instrui mais tarde, quando chega a experiência com os seus actos. É então que se dá o confronto dos grupos de factos encontrados, no decorrer do tempo; a inteligência, suficientemente informada e desenvolvida, compara; as recordações da infância reaparecem sob as paixões, como o palimpsesto por baixo dos borrões; estas recordações são pontos de apoio para a lógica; e o que era visão no cérebro da criança torna-se silogismo no cérebro do homem. A experiência, afinal, é diversa, e dá bom ou mau resultado, segundo as disposições naturais dos homens. Os bons amadurecem; os maus apodrecem.
O pequeno transpusera um quarto de légua a correr e outro quarto de légua a andar. De repente, sentiu que o estômago o importunava. Então assaltou-o um pensamento, que lhe eclipsou num instante a hedionda aparição da colina: pensou em comer. Há no Homem felizmente um animal; é ele que o chama à realidade.
Comer, porém, o quê? Comer onde? Comer de que modo?
Apalpou as algibeiras, porém, maquinalmente, porque bem sabia que as tinha vazias.
Depois apressou o passo. Não sabia para onde ia, mas apressou o passo para o albergue possível.
Esta fé numa pousada faz parte das raízes da providência no homem.
Crer numa pousada, é crer em Deus.

Preciso comprar esse livro! Agora, quero ler o livro inteiro.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Por que não sou infeliz?



Ler é uma experiência que sempre nos proporciona um deleite completamente sui generis: o de sentir a alma elevada. É sempre um aprendizado e eu estou desconfiado que tal experiência poderá nos levar a fazer a  mesma pergunta do poeta Hans Magnus Enzensberger: Por que não sou infeliz?

Eu, particularmente, não estou infeliz hoje, porque li esse soneto
da minha poeta preferida.
Querida Florbela Espanca! \o/

RÚSTICA


Ser a moça mais linda do povoado,
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A benção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à «terra da verdade»...

Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.

FLORBELA ESPANCA
Charneca em Flor
(1930)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Chainsaws&Jelly

Hoje eu estive na Rua 25 de março, que é bem pertinho de onde eu trabalho. Essa rua é muito conhecida porque é um centro de comércio popular. As pessoas sempre falam muito bem dela. rsrsrs Fazia muito tempo que eu não passava por lá. Eu tinha que comprar uma cortina que prometi dar de presente para um casal recém-casado e disseram-me que havia uma loja ali com muita variedade e bom preço. No entanto, a única loja de cortinas que encontrei estava fechada. Então, fiquei andando pela rua muito lentamente (são milhares de pessoas transitando) e... cheguei à conclusão de que não gosto desse expediente. Achei as pessoas todas estressadas no seu afã de consumir. E, assim sendo, até quem era bonito parecia feio. Também achei tudo de péssima qualidade. Uns artigos absolutamente convencionais. Não há muita criatividade ali. É uma rua toda feita de pastiches.

Voltei de lá energeticamente carregado, senti-me mal, um horror! Querem saber o que me salvou? Uma visita ao blog Chainsaws&Jelly. Trouxe todas essas imagens desse sítio que é muito mais interessante do que a 25 de março! Eles reúnem tudo o que há de mais alternativo, criativo. Eu gosto mesmo é disso, do que sai do convencional e banal e do que não é somente comercial.
As imagens pertencem a diferentes criadores, e estavam cada qual em diferentes posts, of course. Alguns desse ano e outros do ano passado. Eu fiquei um longo tempo curtindo todo o blog. Sugiro que quem quiser conhecer essas fontes visite esse blog que definitivamente não é careta!




quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Estio da alma


Sabe quando você entra em um elevador e ouve uma conversa já iniciada entre os interlocutores e, portanto, só ouve uma frase solta? Pois bem, foi o que aconteceu comigo ontem, quando ouvi um rapaz dizer: "É, tolerância zero..." Imediatamente pensei: nunca gostei desse slogan. Então, sai do elevador pensando na questão da tolerância. Creio que o substantivo ou mesmo o verbo tolerar já são suspeitos, pois se temos de tolerar... Mas são palavras que existem e como todas as palavras servem de roupagem para o espírito de uma atitude, e, portanto, um modo de ser e estar no mundo.


Era a hora do meu cafezinho e saí à rua. E, naquele momento, tínhamos um sol claro e generoso banhando os paulistanos que transitavam pelo centro. No centro de São Paulo, algumas ruas são chamadas calçadões porque nela não transitam carros, apenas pedestres. Sentindo o sol e vendo toda aquela gente descansada pelo bem-vindo intervalo da chuva, pensei que viver é uma aventura possível, apesar de tudo.
Penso que é possível porque o exercício delicado de tolerância a que somos submetidos, diariamente, já é por si só instigante. Quanta gente encontramos todos os dias, e que são verdadeiros poços de mistério, o qual se revela, aos poucos, por meio das contradições de cada um.
Em um único dia, podemos ouvir de tal pessoa um elogio e de outra um xingamento. Quiça um flerte da pessoa certa, ou mesmo da pessoa errada. Além dos aborrecimentos que virão, irremediavelmente, fruto das atitudes dessas mesmas pessoas, a cada dia. Sim, a disposição em tolerar isso tudo e o que mais vier é deveras instigante, realmente.
Sobretudo, quando sabemos que só se tolera a alguém, buscando as forças mais generosas que possam ser encontradas dentro dessa pessoa tolerante (o adjetivo é mais bonito do que o verbo, vejam só). Para muitos, essa força pode ser encontrada na própria educação, no ser civilizado, e no compartilhar as regras de urbanidade. No entanto, acho que essa polidez não é suficiente. Afinal, lembro-me de ter lido, em algum lugar, que ser polido por polidez não é educado, isso seria uma contradição que anularia a própria força e o sentido da polidez. Talvez tenha sido Merleau-Ponty quem tenha dito isso, a ver. Assim sendo, entendo que a polidez só funciona quando é predisposição verdadeira do espírito.
Resta saber como conhecermos tão bem nosso próprio espírito a ponto de ele estar afinado naquele instante mesmo no qual o que se pede é o que seria uma espécie de tarde de estio da alma. É deveras um desafio ter o espírito como essa tarde solar mesmo que a tempestade mais tormentosa se instaure em um encontro, dentro de um elevador, por exemplo. Vejam só, já não seria mais do que instigante o exercício da tolerância necessária nesse tipo de circunstância e que a própria vida, sem avisar, trata de engendrar?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Luis Melo from Lisbon

Luis Melo nasceu em Portugal em 1981. Ele gosta de pintar, tocar congas e de cozinhar comida picante. Atualmente, vive em Lisboa fazendo videogames e tocando em uma banda de música latina. Adora música cubana, jazz, funk, soulful music em geral e de dançar. Diz que quer continuar fazendo o que faz e aprender mais sobre música e ilustração, além de querer aprender a dançar salsa. Ultimamente, ele gostaria de ser grande no Japão mas ainda deve dar alguns passos na sua lista de prioridades. Ele tem também um blog o Sketchitos que eu achei muito bonito mas ali ele não postou mais nada desde outubro do ano passado.

Eu trouxe os trabalhos de que mais gostei para cá, para deleite dos nossos olhos, mas lá, no site do rapaz, você poderá ver que o seu trabalho é ainda mais rico e diverso.