segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tem gente que bebe e está morrendo!

Outro dia, eu falei aqui sobre uma conversa que eu tive com uma mãe de um alcoólatra e penso que eu talvez tenha sido radical, no desfecho da conversa, assim como também fui um tanto judicioso, além de bastante religioso (o que conferiu ao meu texto um paradoxo: afinal religiosidade, de verdade, não combina com julgamento, embora a maioria dos religiosos não consiga entender isso...)
O que importa daquela postagem, no entanto, é que nela uma amiga fez um comentário dizendo que acreditava que não se precisaria rezar tanto como eu sugeria, mas, quem sabe, tão somente convidar o rapaz alcoólatra para uma entidade como a dos Alcoólicos Anônimos. E ela tinha toda razão, of course!
Pois bem, sexta-feira passada, eu saí com uns amigos (na verdade, um casal de amigos) e quando eles chegaram para me encontrar - tínhamos combinado beber qualquer coisa em um barzinho - o cara chegou no encontro, para lá de bêbado. E foi tudo tão desagradável! Foi, exatamente, aquela circunstância típica de quando você fica com dó-e-raiva-da-pessoa-ao-mesmo-tempo. A moça estava constrangida e eu aborrecido, porque eu não estava com paciência para aturar o amigo bêbado... Ele ficou falando bobagens e tocando o tempo todo na gente. Um horror!

Realmente, é preciso entender que há aqueles que devem evitar o primeiro gole, sempre!

Como a vida é feita de felizes coincidências, conheci, no último domingo, dois senhores que frequentam a A.A. (Alcoólicos Anônimos), há muito tempo. Um deles, com 74 anos, já frequenta o grupo há 10 anos. Ele deu um depoimento emocionante: disse que começou a beber muito cedo, lá na roça, e que chegou a beber durante 43 anos, o mesmo tempo que durava seu casamento, quanto, então, o filho, já moço e casado, sugeriu que ele entrasse para a A.A. Ele contava, emocionado, que essa atitude mudou sua vida. Na verdade, ela lhe deu uma sobrevida, porque vários órgãos do corpo já ficaram muito comprometidos, por tantos anos de bebedeira.
O outro Senhor, que também ouvi, era mais jovem, com 53 anos, e já estava há 20 anos na A.A. Mas algo que ele fez questão de enfatizar é que, na irmandade que frequentam, qualquer um, mesmo alguém com tanto tempo sem beber, é considerado tão doente quanto aquele que acaba de chegar. Todos eles se apoiam e se ajudam, para que nenhum deles possa vir a dar o primeiro gole hoje, agora. Afinal, o futuro é aberto e incerto para quem é alcoólatra (Assim como para todos nós, não é mesmo?).
Muito emocionado, ele dizia que muitas vezes a própria esposa que, em geral, motiva o marido a procurar a AA, depois que o marido para de beber, e mesmo por um curto tempo, é já a primeira a desmotivar o companheiro, quando o vê arrumado e se preparando para ir a uma reunião. Muitas vezes, enciumadas, as esposas se ressentem de vê-los saindo, ou os convidam a ficar em casa, para assistir a um capítulo da novela ou ao jogo de futebol!
A verdade é que as reuniões são importantíssimas.
Eu fiquei emocionado também, inclusive com o princípio de tudo: a irmandade dos Alcoólicos Anônimos começou nos EUA com uma dupla de amigos que perceberam que ao ficarem conversando sobre o problema do alcoolismo que vivenciavam, assim, não bebiam. E é esse o princípio que impera até hoje.
Esse senhor disse-nos que está firme na resolução tomada de nunca beber o primeiro gole, mesmo que esse ano ele tenha tido motivos sérios e fortes para querer beber um trago: ficou desempregado faltando apenas dois anos para ele se aposentar, perdeu a esposa, que faleceu em seus braços, e ainda soube que a mãe, lá no interior do Brasil, também faleceu...
Ele pedia que divulgássemos o trabalho dessa irmandade porque há, afinal, nos botecos do Brasil, muitos alcoólatras e que estão passando o seu tempo, se destruindo, destruindo suas vidas e a de suas famílias, quando, muitas vezes, tudo o que queriam, ao menos inicialmente, era uma companhia para conversar.
Bem, sabemos todos: eles correm o risco de perder qualquer companhia, com tudo o mais, quando se tornam alcoólatras...
Importante - O único requisito para tornar-se membro da A.A. é o desejo de parar de beber. Amém!

Nenhum comentário:

Postar um comentário