terça-feira, 28 de setembro de 2010

Michelangelo Pistoletto

Ontem, quando cheguei em casa, descobri, pela web, uma galeria de Viena chamada Galerie Mezzanin. E, dentre os artistas que estão com trabalhos expostos na Galeria, descobri Michelangelo Pistoletto, cujo trabalho chamou-me especialmente a atenção. Isso se deu por que quando vi as primeiras imagens pensei que fossem quadros pintados em tela convencional, no entanto, isso ocorreu quando vira somente o primeiro, uma vez que as paredes da galeria são brancas e parecia, portanto, uma tela branca na qual se pintara as grades de uma cerca e um aviso de "Danger" no seu centro.
No entanto, notei que era possível ver que as imagens se comunicavam entre os quadros, ou seja, que dependendo do ângulo em que os quadros foram fotografados, vemos o reflexo de um quadro no outro. Então, pensei, claro são espelhos!
No texto que apresenta o artista, fiquei sabendo que ele é um dos mais influentes do século XX e que fez aquela série de trabalhos expostos ali, especialmente para a galeria, mas que ela foi inspirada nas suas pinturas em espelhos, um projeto que se originou na década de 60.
Na verdade, ele é um ícone do que se chamou, na Itália, de Arte Povera (ao pé da letra “arte pobre”). Trata-se de um movimento que preconizou, na pintura, a utilização de materiais não convencionais como areia, madeira, sacos, jornais, cordas, terra, e trapos... desejando, com isso, "empobrecer" a pintura e, assim, eliminar quaisquer barreiras entre a arte e o dia a dia das pessoas. Foi nesse período, que Pistoletto produziu seus primeiros trabalhos no espelho, ou ainda, essa Venus of the Rags, 1967, ("Venus dos Trapos"), aí ao lado.
Essa nova série de pinturas no espelho, da Galerie Mezzanin, eu achei incrível. No quadro que temos a cerca, o observador necessariamente estará do outro lado dela! Ou quando vemos o jovem atirando a pedra, somos ao mesmo tempo testemunha dessa ação e impotentes, o mesmo ocorre quando vemos a jovem socorrendo um outro que foi ferido, estaremos observando a cena, de dentro dela, mas sem poder interferir, ou mesmo quando estivermos espiando por sobre os ombros do grupo de manifestantes (que estão de costas) e sem sabermos qual é a causa que perseguem, uma vez que o cartaz que empunham também está sendo visto do verso, e nós estaremos de encontro ao grupo... Isso sem contar com o fato de a bandeira da paz ser também a do arco-íris (para além da causa gay, sempre achei que arco-íris é paz).
Há no texto de apresentação do artista no site da galeria e que li em inglês, uma passagem em que o próprio Pistoletto faz uma reflexão acerca desse trabalho:

Eu acredito que a primeira experiência figurativa real do homem é o reconhecimento de sua própria imagem no espelho: a ficção na qual ele chega mais perto da realidade. Mas isso não dura muito tempo até que o reflexo comece a reenviá-lo às mesmas incógnitas, às mesmas questões, aos mesmos problemas, como a realidade em si mesma: incógnitas e questões, pelas quais o homem é impelido a repropor-se na forma de imagens. (...) Estética e realidade talvez se idenfiquem mutuamente; mas cada uma permanece dentro de sua própria autonomia vital.

Pistoletto tem, ainda, na sua cidade natal, Biella, um projeto chamado Cittadellarte, que acontece no amplo espaço das instalações de uma antiga tecelagem e que é marcado pela interdisciplinaridade e pelo apoio a jovens artistas, à jovem arte. Por fim, também descobri que, proximamente, de novembro de 2010 a janeiro de 2011, acontecerá uma Retrospectiva do artista no Philadelphia Museum of Art.



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