sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Um livro para o irmãozinho ou a irmãzinha

Eu tenho uma sobrinha linda e que tem apenas três aninhos de idade. A Amanda, como ela se chama, nasceu educada. No último fim de semana, eu a presenteei com 4 livrinhos infantis, de contos da carochinha... Ela ficou muito feliz, pediu para eu ler repetidas vezes a mesma história. rsrsrs
E, quando teve que ir embora, me disse:
- Muito obrigada pelos livros, titio!
Pois bem, essa minha sobrinha tem uma irmãzinha de apenas 1 ano de idade, e, outro dia, ela estava reclamando... da irmãzinha!
Eu fiquei comovido e porque conheço bem essa história, eu também tenho um irmão apenas dois anos mais novo do que eu e, lembro-me que, na infância, foi muito triste para mim quando ele apareceu em cena. rsrsrs
Houve até um tempo em que eu não concordava com os casais que têm filhos, seguidamente, muito provavelmente por conta desse trauma.
Mas, hoje, eu sei que os filhos podem vir mediante um planejamento, como podem vir de qualquer modo. E, então, por favor, também há mistério aí...
Pois bem, para os casais que já têm um filho e que programaram ou não a vinda de um segundo, e para o caso de ele vir de qualquer modo, para essa nave que é o planeta terra: bem, saibam que é sempre bom preparar, para essa tal novidade, aquele que veio antes, ou seja, que chegou por aqui primeiro.
Um livro infantil muito adequado para esse momento é o de Letícia Wierzchowski. A autora é mais conhecida pela sua obra A Casa das Sete Mulheres, que já foi levada às telas da Rede Globo de Televisão. Mas ela também escreve para crianças. E, agora, acaba de lançar Semente de Gente, pela série Galerinha, da Editora Record. Ela começa o livro de uma maneira bastante singela:

Era uma vez um menino
vendo crescer uma semente.
 Não era semente de planta,
era semente de gente.

Daí até o final, acompanhamos a espera da mãe, dos pais e do menino até a chegada do bebê. Há muita expectativa e muita lição de como é possível aprender a dividir as coisas e a multiplicar o amor.
Uma outra passagem que nos dá bem o tom do livro:

O menino acordou assustado
pensando na semente que crescia:
não precisava ser muito avançada,
com design europeu
e outras ousadias.
Era melhor um bebê básico,
com dois braços, duas pernas,
uma cabeça e dois olhos.
parecido com ele:
era isso que o menino queria.

E eu quase acrescentaria: e era isso que ele teria. rsrsrs
As ilustrações do livro são de autoria do artista plástico Virgilio Neves e são de uma riqueza sem igual. E, por isso mesmo, eu resolvi trazer alguns desses quadros para cá.

Enjoy it!







 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Adriana Calcanhotto salvou meu dia!

Eu estou aprendendo a desconfiar dos percalços da vida, ao menos dos que se dão na minha vida. Talvez porque eu tenho procurado alimentar uma posição mais positiva diante dela e, assim sendo, desconfio das coisas negativas que possam me ocorrer durante esse meu percurso nesse mundo. Não serão tais coisas, também elas, acontecimentos oportunos para eu exercitar a mais delicada das virtudes que é a da paciência?
O mais interessante é que por ter exercitado essa tal desconfiança, talvez por isso mesmo, por ora, o máximo de ruim que tem acontecido comigo se estende em uma faixa muito estreita e limitada de acontecimentos: acordei e meu computador não funcionava mais, ou não tirei aquela nota que esperava na tarefa escolar, ou perdi uma joia, ou mordi uma fruta que estava passada.
Cada um desses episódios é pequeno em si mesmo, mas é claro, posso tornar tudo isso, se eu quiser, em um sofrimento e tanto, de fato. Afinal, a vida é feita de mil picadas de agulha: e é difícil, sem dúvida, aceitar esse estado de coisas.
No entanto, há milhares de outros pequenos acontecimentos, fugidios e que contribuem para aliviar isto que se assemelha a um calvário todo pessoal, ou seja, a vida de cada um.
Eu, hoje, estava quase querendo me entregar a um sentimento de enfado porque o meu computador parou de funcionar, porque blá, blá, blá. Então, aconteceu de eu entrar em um Café, no centro da cidade, e, assim que eu pus os pés no estabelecimento comercial, a música ambiente mudou e era a voz de Adriana Calcanhotto cantando Vambora.
Eu fiquei emocionado porque essa canção já foi trilha sonora de momentos felizes da minha vida, no passado, e ouvi-la, em qualquer tempo, é entregar-me imediatamente a uma doce nostalgia.
É uma canção bastante romântica, delicada, a voz da cantora é doce e a sua própria figura, lembrar-mo-nos dela, já colabora para a criação de uma atmosfera de bondade e encantamento.
Então, eu me vi também cantando e, portanto, feliz novamente, naquele momento. ;-)
Penso que uma das coisas mais significativas da minha geração é que nós sempre tivemos uma canção da MPB para compor a trilha sonora de diferentes momentos da nossa vida. Então, essa postagem é para essa gente que sabe do que eu estou falando. ;-)

Enjoy it!




Vambora
Composição: Adriana Calcanhotto

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida
Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva...

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz...

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Kris Atomic

Quem frequenta esse blog sabe o quanto eu gosto do trabalho de ilustradores. Penso que é porque esse é um tipo de trabalho bastante criativo, of course, e no qual a pessoa, ao mesmo tempo em que utiliza o resultado do seu trabalho como lhe apraz - portanto, inclusive para ganhar o pão - ela também cria, simultaneamente, um mundo próprio, sem igual, e pelo qual a sua marca pessoal passa a circular.
Afinal, o desejo de dizer ao mundo a que veio é, enfim, algo que pode ser conquistado pelo artista.
Ontem, navegando pela web, encontrei o site dessa ilustradora e acho que ela é alguém que está trilhando esse mesmo caminho.
Kristina, no seu site, se apresenta como uma ilustradora freelancer, fotógrafa, blogueira, diz ainda que ama gatos, que é uma ávida leitora, além de ser filha única, gostar de tomar chá e ser usuária de fichários (da marca Filofax). Ela também é fã de Stephen Fry.
Ela graduou-se, o ano passado, em Ilustração, na Camberwell College of Arts.
A artista vive em Brighton, com seu namorado Andrew e sua gatinha Matilda.
Por fim, ela nos diz que Kris Atomic é um alter ego inevitável para quem tem um sobrenome muito comprido e impronunciável (e um fraco por Loira).
Ela diz que está disponível para trabalhos como freelancer e também para um chá da tarde.
Eu gostei muito dessas suas Russian ladies, mas lá no seu blog tem muito mais!



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

terça-feira, 30 de novembro de 2010

De Gardel a Calamaro

Eu quero terminar o mês de novembro ouvindo um tango!
E quero compartilhá-lo por aqui.
Um amigo recomendou-me que eu ouvisse esse jovem extraordinário: Andrés Calamaro

O que me parece mais engraçado é que ele é um roqueiro argentino e que já tem uma estrada considerável, canta desde de a década de 80, mas é desconhecido no Brasil. A verdade é que nós, brasileiros, não temos o hábito de acompanhar a música em língua espanhola... Infelizmente!

No vídeo, em que o conheci, ele está cantando um famoso tango argentino. O meu amigo catalão, Enric, disse-me que, si, Mano a Mano es un tango de Carlos Gardel! Eu, ignorante, não sabia...

A interpretação do jovem é intensa, verdadeira. Lá no Youtube alguém, provavelmente um argentino, postou o seguinte comentário: “Calamaro tiene voz para cantar tango... eso hay ke aceptarlo
Devemos aceitar e aplaudir!

Enjoy it!




Rechiflao en mi tristeza, te evoco y veo que has sido
de mi pobre vida paria sólo una buena mujer
tu presencia de bacana puso calor en mi nido
fuiste buena, consecuente, y yo sé que me has querido
como no quisiste a nadie, como no podrás querer.
e dio el juego de remanye cuando vos, pobre percanta,
gambeteabas la pobreza en la casa de pensión:
hoy sos toda una bacana, la vida te ríe y canta,
los morlacos del otario los tirás a la marchanta
como juega el gato maula con el misero ratón.
Hoy tenés el mate lleno de infelices ilusiones
te engrupieron los otarios, las amigas, el gavión
la milonga entre magnates con sus locas tentaciones
donde triunfan y claudican milongueras pretensiones
se te ha entrado muy adentro en el pobre corazón.
Nada debo agradecerte, mano a mano hemos quedado,
no me importa lo que has hecho, lo que hacés ni lo que harás;
los favores recibidos creo habértelos pagado
y si alguna deuda chica sin querer se había olvidado
en la cuenta del otario que tenés se la cargás.
Mientras tanto, que tus triunfos, pobres triunfos pasajeros,
sean una larga fila de riquezas y placer;
que el bacán que te acamala tenga pesos duraderos
que te abrás en las paradas con cafishios milongueros
y que digan los muchachos: “Es una buena mujer”.
Y mañana cuando seas deslocado mueble viejo
y no tengas esperanzas en el pobre corazón
si precisás una ayuda, si te hace falta un consejo
acordate de este amigo que ha de jugarse el pellejo
p’ayudarte en lo que pueda cuando llegue la ocasión.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tem gente que bebe e está morrendo!

Outro dia, eu falei aqui sobre uma conversa que eu tive com uma mãe de um alcoólatra e penso que eu talvez tenha sido radical, no desfecho da conversa, assim como também fui um tanto judicioso, além de bastante religioso (o que conferiu ao meu texto um paradoxo: afinal religiosidade, de verdade, não combina com julgamento, embora a maioria dos religiosos não consiga entender isso...)
O que importa daquela postagem, no entanto, é que nela uma amiga fez um comentário dizendo que acreditava que não se precisaria rezar tanto como eu sugeria, mas, quem sabe, tão somente convidar o rapaz alcoólatra para uma entidade como a dos Alcoólicos Anônimos. E ela tinha toda razão, of course!
Pois bem, sexta-feira passada, eu saí com uns amigos (na verdade, um casal de amigos) e quando eles chegaram para me encontrar - tínhamos combinado beber qualquer coisa em um barzinho - o cara chegou no encontro, para lá de bêbado. E foi tudo tão desagradável! Foi, exatamente, aquela circunstância típica de quando você fica com dó-e-raiva-da-pessoa-ao-mesmo-tempo. A moça estava constrangida e eu aborrecido, porque eu não estava com paciência para aturar o amigo bêbado... Ele ficou falando bobagens e tocando o tempo todo na gente. Um horror!

Realmente, é preciso entender que há aqueles que devem evitar o primeiro gole, sempre!

Como a vida é feita de felizes coincidências, conheci, no último domingo, dois senhores que frequentam a A.A. (Alcoólicos Anônimos), há muito tempo. Um deles, com 74 anos, já frequenta o grupo há 10 anos. Ele deu um depoimento emocionante: disse que começou a beber muito cedo, lá na roça, e que chegou a beber durante 43 anos, o mesmo tempo que durava seu casamento, quanto, então, o filho, já moço e casado, sugeriu que ele entrasse para a A.A. Ele contava, emocionado, que essa atitude mudou sua vida. Na verdade, ela lhe deu uma sobrevida, porque vários órgãos do corpo já ficaram muito comprometidos, por tantos anos de bebedeira.
O outro Senhor, que também ouvi, era mais jovem, com 53 anos, e já estava há 20 anos na A.A. Mas algo que ele fez questão de enfatizar é que, na irmandade que frequentam, qualquer um, mesmo alguém com tanto tempo sem beber, é considerado tão doente quanto aquele que acaba de chegar. Todos eles se apoiam e se ajudam, para que nenhum deles possa vir a dar o primeiro gole hoje, agora. Afinal, o futuro é aberto e incerto para quem é alcoólatra (Assim como para todos nós, não é mesmo?).
Muito emocionado, ele dizia que muitas vezes a própria esposa que, em geral, motiva o marido a procurar a AA, depois que o marido para de beber, e mesmo por um curto tempo, é já a primeira a desmotivar o companheiro, quando o vê arrumado e se preparando para ir a uma reunião. Muitas vezes, enciumadas, as esposas se ressentem de vê-los saindo, ou os convidam a ficar em casa, para assistir a um capítulo da novela ou ao jogo de futebol!
A verdade é que as reuniões são importantíssimas.
Eu fiquei emocionado também, inclusive com o princípio de tudo: a irmandade dos Alcoólicos Anônimos começou nos EUA com uma dupla de amigos que perceberam que ao ficarem conversando sobre o problema do alcoolismo que vivenciavam, assim, não bebiam. E é esse o princípio que impera até hoje.
Esse senhor disse-nos que está firme na resolução tomada de nunca beber o primeiro gole, mesmo que esse ano ele tenha tido motivos sérios e fortes para querer beber um trago: ficou desempregado faltando apenas dois anos para ele se aposentar, perdeu a esposa, que faleceu em seus braços, e ainda soube que a mãe, lá no interior do Brasil, também faleceu...
Ele pedia que divulgássemos o trabalho dessa irmandade porque há, afinal, nos botecos do Brasil, muitos alcoólatras e que estão passando o seu tempo, se destruindo, destruindo suas vidas e a de suas famílias, quando, muitas vezes, tudo o que queriam, ao menos inicialmente, era uma companhia para conversar.
Bem, sabemos todos: eles correm o risco de perder qualquer companhia, com tudo o mais, quando se tornam alcoólatras...
Importante - O único requisito para tornar-se membro da A.A. é o desejo de parar de beber. Amém!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Santa Claus is coming!

Ontem, uma amiga querida, Mariana Missiaggia, que é repórter do Diário do Comércio, estava fazendo uma matéria sobre as cartas que o Papai Noel recebe todos os anos... nos Correios do Brasil. Sim, eu já sabia que as crianças fazem isso. Elas acreditam na existência do Papai Noel e, então, raciocinam: ele distribui os presentes às crianças que o pedem por meio de uma cartinha endereçada ao bom velhinho... Ele mora no Polo Norte... As cartas chegam ao destinatário via Correios... O final desse raciocínio lógico e que, então, essa empresa recebe todos os anos milhares de cartinhas, enviadas pelas crianças do Brasil, ao Papai Noel, o que mora lá no Polo Norte...
Quando eu era criança eu não me lembro de acreditar no Papai Noel. Talvez porque esse mito não foi alimentado pela minha família. Meu pai era um trabalhador, como qualquer outro, e em alguns anos eu podia receber um presente no Natal, em outros não, mas eu sempre sabia que fora o meu próprio Pai quem o comprara ou não, e o tal Papai Noel não tinha nada a ver com isso.
Contudo, não acho que a figura do Papai Noel é execrável. Aliás, muito pelo contrário. Tudo bem, sempre achei estranho que ele não troque de roupas quando vem entregar os presentes no Brasil, um país tropical e também sempre morro de dó dos velhinhos que, por serem sósias do Papai Noel, trabalham nos shoppings, no alto verão, com aquela fantasia tão desconfortável. Tadinhos!
Mas a verdade, é que Deus permitiu que as crianças fossem inocentes, para que nós pudéssemos ter profunda simpatia por elas e, então, o Papai Noel existe e ponto final!
A minha amiga que escreveu a matéria sobre as cartinhas nos Correios contou-me uma coisa de cortar o coração, por exemplo. Ela me disse que, nas cartinhas, as crianças pedem de tudo. Ab-so-lu-ta-men-te de tudo! Comumente, é claro, pedem brinquedos, mas há crianças que pedem, por exemplo, itens da ceia natalina... Ela leu uma cartinha em que uma criança pedia um frango assado. E, definitivamente, isso é de chorar.
Eu vou adotar uma das cartinhas. Leia a matéria da minha amiga aqui [Achei muito engraçado, o exemplo de uma cartinha em que a criança diz que o cachorro da casa é mansinho e que ele só corre atrás do carteiro] Faça o mesmo você também e que possamos dizer com Patrick Moberg: Santa Claus is coming!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Terrarium by Paula Hayes at MoMA

Quando eu soube dessa instalação de Paula Hayes, no saguão do MoMA, em New York, eu lembrei-me que na minha infância eu achava uma delícia essa prática de plantar plantinhas em vidros, ou seja, o chamado terrarium. Eu tinha um. É interessante essa forma de possuir um jardim porque, de fato, ali temos exposta uma paisagem em miniatura e que é cultivada. As crianças em geral adoram! Eu, por exemplo, ficava imaginando os seres liliputianos que pudessem passear por aquelas miniflorestas. rsrsrsr

Nesse vídeo bacana, que mostra os bastidores da montagem da instalação, a artista vai nos explicando qual foi sua intenção, ou seja, em que conceito se baseia seu trabalho. Além disso, é possível ver que após idealizar as formas dos contêineres é bastante trabalhoso construí-los e para isso são necessários inúmeros colaboradores até a sua conclusão final, e, portanto, para que tudo saia a contento.

Eu penso que quem tiver oportunidade de ir a New York, nessa estação, deveria conferir de perto tal instalação.
No site do MoMA, encontrei esse pequeno texto de apresentação do trabalho e que verti para o português:

Desde a década de noventa, Paula Hayes, artista e paisagista estabelecida em New York, tem produzido esculturas botânicas – vasos moldados organicamente feitos de vidro soprado, silicone, ou acrílico e recheados com uma rica variedade de plantas – que se ampliam a partir do clássico terrarium, por meio de seus contêineres imaginativos e dos universos microcósmicos que eles contém.


Hayes concebeu uma instalação para o saguão do Museu que inclui uma escultura horizontal de aproximadamente 4 metros e meio de comprimento, fixa na parede, e um estrutura livre, contendo uma forma oval e que vai do chão até o teto. De forma orgânica e contendo uma variedade de plantas vivas, os vasos adicionarão uma alegre vitalidade para o saguão, dando vida ao espaço durante o inverno.





Nocturne of the Limax maximus at MoMA
17 de Novembro de 2010 a 28 de Fevereiro de 2011
New York
Museum of Modern Art
Museum Lobby

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

We are Golden!

Ontem, pela manhã, cheguei em casa, após um sábado animadíssimo!

Primeiro, porque fui a uma festa, no sábado à tarde, e ao sair da festa encontrei uma amiga querida, de Brasília, e fomos juntos ao Planeta Terra Festival 2010. Logo depois de chegar ao PlayCenter, eu e a minha amiga nos perdemos! Um do outro, é claro!

Então, assisti ao show do Mika apenas na companhia de centenas de fâs do pop star britânico.

Fiquei feliz até não poder mais, porque descobri que eu não sou o único fã brasileiro do Mika. Até, então, eu achava que só eu, nesse país, era fã do cara. Afinal, no meio em que eu vivo, toda vez que falo do Mika ninguém o conhece, ninguém sabe de quem se trata e eu fico sem poder explicar para essas pessoas... Até começo a cantar as canções, mas não funciona porque as canções do Mika só ele mesmo é quem pode cantar e dançar animadamente.
Ou... as centenas de pessoas que cantaram e dançaram no sábado, em sua companhia, aqui em São Paulo.
Fiquei emocionado, como já era de se esperar. Um cantor, quando profissional e verdadeiro, em um show, é pura doação: ele doa o seu trabalho, aquilo que pôde produzir, as letras das canções. Ele doa energia, espontaneidade. Mas isso só acontece, sobretudo se ele tem amor para dar.
Li uma reportagem, hoje, dizendo que o show do Mika foi o melhor do Festival. E, embora eu não tenha ficado para ver as outras bandas (rsrsrs), acho que só pode ter sido mesmo. Também li, que o público do Mika era um público devoto. E foi exatamente isso o que eu senti. As pessoas todas dançavam e cantavam suas músicas.
Eu já falei aqui que eu acho que, por trás da aparente simplicidade e descontração das letras do Mika, há uma mensagem seríssima. Basta prestar atenção em Blame it on the girls, por exemplo:

Blame it on the girls who know what to do
Blame it on the boys who keep hitting on you
Blame it on your mother for the things she said
Blame it on your father but you know he's dead

Quantos de nós não desejamos apenas achar o culpado? Quando, em geral, está nas nossas mãos reverter qualquer quadro de desamor!

Penso que o pop sobrevive de pessoas que conseguem ser groovie e, ser isso, ao menos para mim, é conseguir com animação, positividade, dizer o que as pessoas mais precisam ouvir, uma vez que no nosso cotidiano apressado não podemos, muitas vezes, dizer, naturalmente, para as outras pessoas, por exemplo:

Relax! Take it easy!


You are beautiful!


I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?

Say love, say love!


We are not what you think we are
We are golden, we are golden.

No domingo, pós-show, senti um certo vazio: aquele típico do dia seguinte a uma grande festa. rsrsrs Vocês acreditam que eu estava quase ficando triste!?
Então, alguém chamava no portão da minha casa e quando eu fui atender, era um jovem dizendo:
- Moço, eu preciso de ajuda. Eu estou desempregado. Eu não vou pedir dinheiro, só preciso de um pouco de feijão para alimentar meus filhos.
Eu disse:

- Claro, só um instante!

Voltei com um quilo de feijão.

- Deus lhe pague! (ele me disse sorrindo, feliz. Sim, ele ficou feliz!)
- Amém.

Depois que ele se foi, eu chorei um pouquinho, o suficiente para limpar qualquer tristesa do coração e, então, entendi que o que acontecera era um momento Golden! Eu, o rapaz necessitado, os anjos que nos aproximaram: éramos todos Golden!

Penso isso mesmo: que podemos ser para os outros aquilo que eles gostariam, sim, que fôssemos, sobretudo quando minimamente generosos: como quem ajuda a matar a fome de quem pede a sua porta; e, também, como quem faz o melhor show em um Parque de Diversões.
Ao menos para mim, isso tudo é o que deveríamos querer dizer quando dizemos: We are Golden! ou Love!


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Vão-se os anéis...

Estou experimentando algo totalmente novo para mim aos 42, quase 43 anos de idade. Perdoar no piloto automático. Como é isso? Eu explico. Acabo de descobrir, por exemplo, que me roubaram livros importantíssimos: um deles era o Dicionário de Análise do Discurso, de Patrick Charaudeau e Dominique Maingueneau. Eu o estava utilizando, com bastante frequência, durante a elaboração da minha monografia, no curso de pós-graduação lá na PUC. O livro não era da Biblioteca, mas do meu próprio acervo. Algo bacana, portanto! Menos mal!
Aliás, penso que é disso mesmo que se trata em todo esse episódio: um mal sempre em menor grau, a começar pelo que vem de mim, que só pretendo ser do bem. ;-)
Inicialmente, eu demorei a acreditar que tinham pegado os 4 livros da minha mesa de trabalho, afinal eu não trabalho em uma rodoviária ou aeroporto... Pensei: Será que os levei para casa? Não, eu não os levara, não estão em minha casa. Assim sendo, uma pobre criatura de Deus os tomou de mim. E porque essa criatura é tão divina quanto eu próprio, embora, provavelmente, um tantinho distante do seu criador (não é mesmo?), eu devo perdoá-la.
E devo fazê-lo porque quero ser alguém melhor do que eu seria se viesse a fazer muito barulho em torno do episódio! Estou fazendo um barulhinho por aqui, mas acho que talvez isso seja perdoável. A ver.
Além disso, vejam como tenho sorte: nesse e-xa-to momento não preciso mais dos livros. E também sei, graças a Deus, que poderei comprá-los novamente, no futuro.

De verdade, eu não posso maldizer uma pessoa que rouba livros! ;-)
Eu até já fui amigo de uma moça que roubava livros (embora ela os roubasse nas livrarias... rsrsrs)

Quando não perdoamos e ainda espezinhamos, maldizendo (mesmo um desconhecido, afinal, eu não sei quem é o ladrão), penso que não poderemos ter a única recompensa que desejáramos acima de todas: comungar da liberdade de um mundo sem desejos mesquinhos!
E, por fim, o episódio lembrou-me de um outro. Quando criança, ouvi pela primeira vez o velho ditado: vão-se os anéis e ficam os dedos! Eu me lembro que, na ocasião, fiquei maravilhado com o sentido dessas palavras. E continuo até hoje maravilhado com esse mesmo sentido.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Monica Rizzolli

Hoje, fiquei sabendo dessa exposição e, quando vi as imagens de alguns dos 11 quadros que estão expostos nessa individual de pintura de Monica Rizzolli, pensei que o tema me atraia por conta do líquido precioso que aqui está sendo integrado à figura humana e desse modo com o alcance de um alto poder simbólico. O nome da exposição, aliás, tem tudo a ver com essa figura mesma, posto que a exposição chama-se Queda.


Procurando informações sobre a artista, a encontrei concedendo uma entrevista deliciosa de se ouvir. Ela é uma jovem natural de São Carlos. Graduada em Artes Plásticas pela UNESP. Vive e trabalha em São Paulo.

São marcas do seu trabalho a presença da figura humana é verdade, mas também o contorno, a linha, e penso que isso ocorre, possivelmente, como representação de nossos limites.

Ver esse seu trabalho me fez pensar que o “barato” que ela diz na entrevista sentir apenas quando a obra está pronta, ou seja, quando o processo acabou, nós também, que podemos apreciar esse trabalho, o sentimos e, no entanto, sem nenhum esforço, assim mesmo como ele resulta e se nos apresenta devido a tais obras.

Também gostei do vídeo que mostra a artista pintando um dos quadros que estão na exposição.

Queda, individual de pintura de Monica Rizzolli
16 de novembro a 4 de dezembro de 2010
Central Galeria de Arte Contemporânea
Avenida Rebouças, 1.545 - Jardim América - São Paulo
Horários: terça a sexta, das 11 às 19 horas e sábados, das 11 às 18 horas
Entrada franca
http://www.centralgaleriadearte.com/