quarta-feira, 16 de junho de 2010
Amar os Bichos
Bichos? A gente tem que gostar de todos. Eu estou buscando evoluir mais e gostar também do bicho gente, na imensa variedade que dele existe. Venho no Metrô paulistano, olhando para aquelas carinhas das pessoas e, no mínimo, tenho sentido simpatia. Afinal, todas elas compartilham comigo dessa condição de ocupantes do planeta terra. Evidentemente, e muito provavelmente, alguns desses transeuntes e desconhecidos poderiam tornarem-se, potencialmente, meus inimigos, bastaria para isso que convivessem comigo. ;-p Não porque eu seja uma pessoa difícil, mas tão somente porque é assim que acontece. Não é mesmo? E ainda assim, eu esperaria, nessa convivência, respeitá-los e, a partir da busca que tenho feito, até mesmo amá-los (vejam só: uma coisa difícil, mas que, ao que tudo indica, é melhor que seja assim), embora não poderia lhes reservar a ternura que reservo aos amigos queridos.
É por essas e outras razões, que não compreendo e lamento profundamente que existam pessoas que não respeitam os animais: os selvagens propriamente ou os nossos mais queridos cães e gatos. Houve um tempo em que eu não tinha lá muita simpatia por cachorros, embora jamais os tenha maltratado.
Mas isso é porque eu sempre tive gatos e minha cumplicidade é absoluta com os felinos. Agora, estou ampliando meu bem querer pelos bichanos: quero ter ternura também pelos cães.
Penso que um bom começo para isso seria frequentar esse lugar. Um espaço para lá de alternativo, que existe em São Paulo, e que se chama Matilha Cultural. Uma amiga contou-me que nesse coletivo está acontecendo a exposição Prá Cachorro. Com fotos de Paola Vianna, Instalações, Música, Palestras, Brinquedos, Cardápio, Informação e Adoção Prá Cachorro.
Sobre a exposição há um vídeo no vimeo. O mais bacana é ver as casinhas sensoriais que artistas fizeram para os cachorros se distraírem, enquanto seus donos veem os quadros nas paredes.
Eu também achei, no Youtube, um vídeo em que um simpático cachorro vira-lata, pretinho, deixa a Praça Roosevelt (ali ao lado) e entra para nos apresentar cada recanto do espaço cultural.
www.matilhacultural.com.br/
Rua Rego Freitas, 542 - Centro - São Paulo
Tel.: (11) 3256-2636
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Elliot Dear
Uma das maiores alegrias de minha última sexta-feira foi conhecer esse trabalho. Desenvolvo sempre um sentimento de gratidão para com os artistas e suas criações. O bem que nos fazem não tem tamanho, não é mesmo? É apenas imenso. Além disso, a fruição de um trabalho como esse permite sempre a oportunidade de ampliar os sentidos, o que nos possibilita nos tornarmos melhores e mais educados. Aliás, isso é tudo o que eu desejo para mim e para todo mundo.
Por conta disso, na sexta, eu postei um vídeo dele no facebook e os meus amigos não se manifestaram. Achei o fim! ;-D
Eu havia encontrado o vídeo no Vimeo.
Agora, encontrei uma outra versão desse mesmo trabalho no Youtube. Muito lindo e sofisticado!
No seu site, ficamos sabendo que ele faz tudo isso no estúdio do seu quarto. É bacana ver as imagens dos bastidores, da produção dos vídeos. Vejam também essas ilustrações, que lá no site estão completas.
Em um outro sítio, ele próprio nos explica que, quando começa um projeto, gosta de manter sua mente aberta. Algumas vezes, a solução que encontra é a de talvez não permanecer na ilustração bidimensional, mas também migrar para a animação, para um filme ou, ainda, em fazer uma combinação de tudo isso.
Seu trabalho, frequentemente, explora as relação entre as pessoas e os animais e, ainda, onde os limites entre eles tornam-se indistintos. Seu trabalho é bastante experimental e nele ocorre uma fusão entre 2D e 3D: ora distorcendo uma para acomodar a outra, usando a profundidade de campo e focalizando, no desenho, também o observador, permitindo à câmara criar um meio ambiente muito rico e que mistura objetos reais e fabricados.
Ele gosta de produzir um trabalho que atraia as crianças, para que elas exercitem uma imaginação serena e com contentamento, mas que, nas entrelinhas, atinja também um público mais velho.
E é isso mesmo o que acontece! Enjoy it!
Por conta disso, na sexta, eu postei um vídeo dele no facebook e os meus amigos não se manifestaram. Achei o fim! ;-D
Eu havia encontrado o vídeo no Vimeo.
Agora, encontrei uma outra versão desse mesmo trabalho no Youtube. Muito lindo e sofisticado!
No seu site, ficamos sabendo que ele faz tudo isso no estúdio do seu quarto. É bacana ver as imagens dos bastidores, da produção dos vídeos. Vejam também essas ilustrações, que lá no site estão completas.
Em um outro sítio, ele próprio nos explica que, quando começa um projeto, gosta de manter sua mente aberta. Algumas vezes, a solução que encontra é a de talvez não permanecer na ilustração bidimensional, mas também migrar para a animação, para um filme ou, ainda, em fazer uma combinação de tudo isso.
Seu trabalho, frequentemente, explora as relação entre as pessoas e os animais e, ainda, onde os limites entre eles tornam-se indistintos. Seu trabalho é bastante experimental e nele ocorre uma fusão entre 2D e 3D: ora distorcendo uma para acomodar a outra, usando a profundidade de campo e focalizando, no desenho, também o observador, permitindo à câmara criar um meio ambiente muito rico e que mistura objetos reais e fabricados.
Ele gosta de produzir um trabalho que atraia as crianças, para que elas exercitem uma imaginação serena e com contentamento, mas que, nas entrelinhas, atinja também um público mais velho.
E é isso mesmo o que acontece! Enjoy it!
sábado, 12 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Feliz Aniversário Noitão! \o/
Quando eu era adolescente eu frequentava o Cineclube Oscarito na Praça Roosevelt. Cheguei a trabalhar na portaria do Cineclube. Esse Cineclube foi o precursor de um estilo único de assistir a filmes, para os cinéfilos paulistanos: a prática do Noitão. Isso mesmo, ficar a noite inteira assistindo filmes magníficos dentro de uma sala de cinema. Entrávamos no cinema à Meia-Noite e saíamos com o dia raiando. Uma maratona para gente forte, feliz e cinéfila! Apenas notívagos muito especiais topam a parada.
Pois bem, hoje faz seis anos que o Cine Belas Artes retomou essa prática. Os noitões do Belas Artes proporcionam aos cinéfilos da nova geração isso que nós fazíamos lá na década de 80. E deu muito certo. Como o cinema é muito maior, em alguns noitões cerca de 800 a 1000 pessoas lotam as 6 salas da casa.
Hoje o noitão do Belas Artes faz aniversário - Happy Birthday! - e é véspera do dia dos namorados. Um programa para o par perfeito e os filmes resgatam essa temática.
Vejam o release que eu recebi dos meus amigos do Belas:
Sexta-feira (11/06), a partir das 23h50, comemoração de seis anos do evento, com seis filmes em homenagem ao Dia dos Namorados: os inéditos Brilho de Uma Paixão (de Jane Campion) e A Jovem Rainha Vitória (de Jean-Marc Vallée); a reprise Corações Livres (de Susanne Bier); Truques da Paquera (de Jim Fall) e Amigas de Colégio (de Lukas Moodysson), ambos voltados para a diversidade sexual; mais um filme-surpresa.
O Noitão, que nasceu em 12 de junho de 2004, reuniu três filmes em sua programação inaugural batizada de "Odeio o Dia dos Namorados". Como o próprio tema indicava, não eram filmes muito leves, pelo contrário, eram romances bem conturbados e até violentos. Os filmes? Ah, sim, eram Monster, aquele com Charlize Theron, horrorosa e possessiva, fazendo par lésbico com Christina Ricci; Corações Livres, uma história de amor muito cruel, mas lindamente filmada pela dinamarquesa Susanne Bier: e o agridoce Estação Doçura, de Percy Adlon, como filme-surpresa.
Desta vez a seleção parece mais suave, mas é melhor que ninguém se iluda muito com isso.
Brilho de Uma Paixão aborda um fato verídico, o relacionamento entre o poeta inglês John Keats e sua jovem vizinha Fanny Brawne. Esse amor, que tinha tudo para ser longo e intenso, acabou antes da hora por causa da morte precoce de um dos dois. O roteiro, baseado em poemas de Keats e em cartas trocadas entre ele e Fanny, contou ainda com o apoio de Andrew Mation, biógrafo do poeta.
A Jovem Rainha Vitória também nasceu de um acontecimento verdadeiro, iniciado quando, em 1837, uma jovem de apenas 17 anos já se preparava para ocupar o trono do Rei Guilherme IV, prestes a morrer. Mas não se trata apenas de uma história de ambição e poder. Em meio a tudo isso existia também uma grande paixão que se eternizou entre Vitória e o Príncipe Albert. O filme, dirigido pelo mesmo realizador de C. R. A . Z. Y., foi produzido por Martin Scorsese e Sarah Ferguson, tataraneta da Rainha Vitória. A cuidadosa direção de arte contou com locações no Castelo de Belvoir, e a cama vista nas cenas da lua-de-mel foi de fato utilizada pela rainha verdadeira. O figurino levou um merecido Oscar.
Bem, como costuma acontecer em todas as edições comemorativas do Noitão, há sempre um ou mais filmes reapresentados como "ícones" de noitões passados. Desta vez serão dois.
Corações Livres, que para quem não se lembra é aquele sobre os noivos que deixam de se casar porque o rapaz sofre um acidente e fica paralítico. Mas, como se isso não fosse o bastante, ele ainda vê a amada se envolver com o seu médico que, por sua vez, é um homem casado.
A outra reprise é Amigas de Colégio, um cult indispensável, cheio de vida, do qual o público do Noitão jamais se cansará. A questão da homossexualidade entre as garotas colegiais é tratada com grande delicadeza e devida naturalidade. Algo típico de Lukas Moodysson, um diretor que sabe abordar qualquer assunto com poesia e elegância, mesmo quando passa perto da escatologia ou da pieguice. Aqueles que acompanham sua filmografia já devem ter percebido isso.
Truques da Paquera é um filme que há um bom tempo não é exibido no cinema, mas é, certamente, uma boa lembrança incluí-lo nesta programação. A história é sobre um rapaz bonzinho e trabalhador, mas que sofre demais sem merecer. Sua vida é uma chatice. Ele mora com um cara grosso que não o respeita e sua carreira como compositor de peças musicais não está decolando. Ainda bem que ele tem pelo menos uma amiga, uma jovem e excêntrica atriz de talento duvidoso, mas que sempre lhe dá a maior força. Como alguma coisa tinha que acontecer um dia, certa noite o garoto resolve ir tomar umas biritas numa boate e, mesmo tímido, encara um flerte com um go-go boy gostosão. É quando ele percebe que a vida vai muito além daquele mundinho no qual ele está acostumado a se encolher, fazendo papel de coitado. O que acontece depois da balada só mesmo vendo o filme. O ator principal, Christian Campbell, é irmão da atriz Neve Campbell, e quem interpreta a melhor amiga é Tori Spelling, que ficou famosa como a Donna de Barrados no Baile.
O filme-surpresa é um misto de coisas boas e ruins que uma relação pode ter: sexo, romance, fantasia, desconfiança e traição. Vale destacar a beleza do trio principal. Os olhos agradecem!
Por mais que os seis filmes sejam tentadores, ao comprar o ingresso o espectador deve saber que só é possível assistir a três deles, e então fazer as suas opções.
Para completar a diversão, nos intervalos entre os filmes todos os espectadores participam de sorteios de brindes: convites exclusivos do Belas Artes, camisetas e filmes em DVD, entre outros mimos.
Após o final da última sessão, por volta das seis da manhã do sábado, o cinema oferece um café da manhã para todos os "sobreviventes" da maratona.
BRILHO DE UMA PAIXÃO
(Bright Star)
Reino Unido/Austrália/França, 2009, cor, 119 min., 14 anos.
Direção: Jane Campion
Elenco: Abbie Cornish, Ben Whishaw e Thomas Sangster.
Em Londres, no ano de 1818, o poeta John Keats, aos 23 anos, inicia um romance secreto com sua bela vizinha Fanny Brawne, uma estudante de moda. Mas, o relacionamento dura apenas três anos, sendo subitamente interrompido por uma tragédia. Uma história de amor real, narrada sob o ponto de vista da jovem Fanny. Filme dirigido por Jane Campion, a mesma de O Piano.
A JOVEM RAINHA VITÓRIA
(The Young Victoria)
Inglaterra/EUA, 2009, cor, 105 min., 10 anos.
Direção: Jean-Marc Vallée
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend e Paul Bettany.
Os primeiros e turbulentos anos do domínio da Rainha Victoria - o mais longo do Reino Unido e que entrou para a história como a Era Vitoriana - e seu eterno romance com o Príncipe Albert. A história, iniciada em 1837, acompanha Victoria desde os seus 17 anos, quando o seu tio, o Rei Guilherme IV, está para morrer e ela é a herdeira do trono. Este filme, produzido por Martin Scorsese e dirigido pelo mesmo realizador de C. R. A. Z.Y, ganhou o Oscar de melhor figurino.
CORAÇÕES LIVRES
(Open Hearts/Elsker Dig for Evigt)
Dinamarca, 2002, cor, 113 min., 14 anos.
Direção: Suzanne Bier
Elenco: Nikolai Lie Kaas, Sonja Richter e Mads Mikkelsen.
Um casal às vésperas do casamento é surpreendido por um atropelamento que deixa o noivo imobilizado no hospital e condenado a ficar paralítico. As juras de amor de antes são substituídas pela agressividade do rapaz que agora incentiva a sua noiva a deixá-lo e seguir sua própria vida. Arrasada e carente ela acaba se apaixonando pelo médico que os atende, casado com a mulher que causou o acidente.
AMIGAS DE COLÉGIO
(Fucking Amäl)
Suécia, 1999, cor, 89 min., 14 anos.
Direção: Lukas Moodysson
Elenco: Alexandra Dahlström, Rebecka Liljeberg e Mathias Rust.
A história de duas adolescentes muito diferentes entre si e que se descobrem apaixonadas uma pela outra, mas não sabem como assumir a relação em meio às demais garotas do colégio onde estudam, na pacata cidade de Amal, interior da Suécia.
TRUQUES DA PAQUERA
(Trick)
EUA, 1999, cor, 90 min, 14 anos.
Direção: Jim Fall
Elenco: Christian Campbell, Jean Paul Pitoc e Tori Spelling.
A vida de Gabriel está pra lá de sem graça. O rapaz não tem nem mais inspiração para seguir em sua carreira, a de compositor de trilhas para o teatro. Para piorar, divide um minúsculo apartamento com um amigo heterossexual que sempre que leva alguém para transar o deixa do lado de fora. Ele tem como única amiga uma jovem atriz canastrona que o apóia em tudo o que faz. Mas numa noite, quando Gabriel decide afogar as mágoas numa boate, acaba conhecendo um atraente go-go boy. Estimulados pelos drinks e pela música alta, os dois embarcam numa gostosa jornada repleta de descobertas e surpresas.
Pois bem, hoje faz seis anos que o Cine Belas Artes retomou essa prática. Os noitões do Belas Artes proporcionam aos cinéfilos da nova geração isso que nós fazíamos lá na década de 80. E deu muito certo. Como o cinema é muito maior, em alguns noitões cerca de 800 a 1000 pessoas lotam as 6 salas da casa.
Hoje o noitão do Belas Artes faz aniversário - Happy Birthday! - e é véspera do dia dos namorados. Um programa para o par perfeito e os filmes resgatam essa temática.
Vejam o release que eu recebi dos meus amigos do Belas:
Noitão "Seis Anos de Namoro"
Sexta-feira (11/06), a partir das 23h50, comemoração de seis anos do evento, com seis filmes em homenagem ao Dia dos Namorados: os inéditos Brilho de Uma Paixão (de Jane Campion) e A Jovem Rainha Vitória (de Jean-Marc Vallée); a reprise Corações Livres (de Susanne Bier); Truques da Paquera (de Jim Fall) e Amigas de Colégio (de Lukas Moodysson), ambos voltados para a diversidade sexual; mais um filme-surpresa.
O Noitão, que nasceu em 12 de junho de 2004, reuniu três filmes em sua programação inaugural batizada de "Odeio o Dia dos Namorados". Como o próprio tema indicava, não eram filmes muito leves, pelo contrário, eram romances bem conturbados e até violentos. Os filmes? Ah, sim, eram Monster, aquele com Charlize Theron, horrorosa e possessiva, fazendo par lésbico com Christina Ricci; Corações Livres, uma história de amor muito cruel, mas lindamente filmada pela dinamarquesa Susanne Bier: e o agridoce Estação Doçura, de Percy Adlon, como filme-surpresa.
Desta vez a seleção parece mais suave, mas é melhor que ninguém se iluda muito com isso.
Brilho de Uma Paixão aborda um fato verídico, o relacionamento entre o poeta inglês John Keats e sua jovem vizinha Fanny Brawne. Esse amor, que tinha tudo para ser longo e intenso, acabou antes da hora por causa da morte precoce de um dos dois. O roteiro, baseado em poemas de Keats e em cartas trocadas entre ele e Fanny, contou ainda com o apoio de Andrew Mation, biógrafo do poeta.
A Jovem Rainha Vitória também nasceu de um acontecimento verdadeiro, iniciado quando, em 1837, uma jovem de apenas 17 anos já se preparava para ocupar o trono do Rei Guilherme IV, prestes a morrer. Mas não se trata apenas de uma história de ambição e poder. Em meio a tudo isso existia também uma grande paixão que se eternizou entre Vitória e o Príncipe Albert. O filme, dirigido pelo mesmo realizador de C. R. A . Z. Y., foi produzido por Martin Scorsese e Sarah Ferguson, tataraneta da Rainha Vitória. A cuidadosa direção de arte contou com locações no Castelo de Belvoir, e a cama vista nas cenas da lua-de-mel foi de fato utilizada pela rainha verdadeira. O figurino levou um merecido Oscar.
Bem, como costuma acontecer em todas as edições comemorativas do Noitão, há sempre um ou mais filmes reapresentados como "ícones" de noitões passados. Desta vez serão dois.
Corações Livres, que para quem não se lembra é aquele sobre os noivos que deixam de se casar porque o rapaz sofre um acidente e fica paralítico. Mas, como se isso não fosse o bastante, ele ainda vê a amada se envolver com o seu médico que, por sua vez, é um homem casado.
A outra reprise é Amigas de Colégio, um cult indispensável, cheio de vida, do qual o público do Noitão jamais se cansará. A questão da homossexualidade entre as garotas colegiais é tratada com grande delicadeza e devida naturalidade. Algo típico de Lukas Moodysson, um diretor que sabe abordar qualquer assunto com poesia e elegância, mesmo quando passa perto da escatologia ou da pieguice. Aqueles que acompanham sua filmografia já devem ter percebido isso.
Truques da Paquera é um filme que há um bom tempo não é exibido no cinema, mas é, certamente, uma boa lembrança incluí-lo nesta programação. A história é sobre um rapaz bonzinho e trabalhador, mas que sofre demais sem merecer. Sua vida é uma chatice. Ele mora com um cara grosso que não o respeita e sua carreira como compositor de peças musicais não está decolando. Ainda bem que ele tem pelo menos uma amiga, uma jovem e excêntrica atriz de talento duvidoso, mas que sempre lhe dá a maior força. Como alguma coisa tinha que acontecer um dia, certa noite o garoto resolve ir tomar umas biritas numa boate e, mesmo tímido, encara um flerte com um go-go boy gostosão. É quando ele percebe que a vida vai muito além daquele mundinho no qual ele está acostumado a se encolher, fazendo papel de coitado. O que acontece depois da balada só mesmo vendo o filme. O ator principal, Christian Campbell, é irmão da atriz Neve Campbell, e quem interpreta a melhor amiga é Tori Spelling, que ficou famosa como a Donna de Barrados no Baile.
O filme-surpresa é um misto de coisas boas e ruins que uma relação pode ter: sexo, romance, fantasia, desconfiança e traição. Vale destacar a beleza do trio principal. Os olhos agradecem!
Por mais que os seis filmes sejam tentadores, ao comprar o ingresso o espectador deve saber que só é possível assistir a três deles, e então fazer as suas opções.
Para completar a diversão, nos intervalos entre os filmes todos os espectadores participam de sorteios de brindes: convites exclusivos do Belas Artes, camisetas e filmes em DVD, entre outros mimos.
Após o final da última sessão, por volta das seis da manhã do sábado, o cinema oferece um café da manhã para todos os "sobreviventes" da maratona.
BRILHO DE UMA PAIXÃO
(Bright Star)
Reino Unido/Austrália/França, 2009, cor, 119 min., 14 anos.
Direção: Jane Campion
Elenco: Abbie Cornish, Ben Whishaw e Thomas Sangster.
Em Londres, no ano de 1818, o poeta John Keats, aos 23 anos, inicia um romance secreto com sua bela vizinha Fanny Brawne, uma estudante de moda. Mas, o relacionamento dura apenas três anos, sendo subitamente interrompido por uma tragédia. Uma história de amor real, narrada sob o ponto de vista da jovem Fanny. Filme dirigido por Jane Campion, a mesma de O Piano.
A JOVEM RAINHA VITÓRIA
(The Young Victoria)
Inglaterra/EUA, 2009, cor, 105 min., 10 anos.
Direção: Jean-Marc Vallée
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend e Paul Bettany.
Os primeiros e turbulentos anos do domínio da Rainha Victoria - o mais longo do Reino Unido e que entrou para a história como a Era Vitoriana - e seu eterno romance com o Príncipe Albert. A história, iniciada em 1837, acompanha Victoria desde os seus 17 anos, quando o seu tio, o Rei Guilherme IV, está para morrer e ela é a herdeira do trono. Este filme, produzido por Martin Scorsese e dirigido pelo mesmo realizador de C. R. A. Z.Y, ganhou o Oscar de melhor figurino.
CORAÇÕES LIVRES
(Open Hearts/Elsker Dig for Evigt)
Dinamarca, 2002, cor, 113 min., 14 anos.
Direção: Suzanne Bier
Elenco: Nikolai Lie Kaas, Sonja Richter e Mads Mikkelsen.
Um casal às vésperas do casamento é surpreendido por um atropelamento que deixa o noivo imobilizado no hospital e condenado a ficar paralítico. As juras de amor de antes são substituídas pela agressividade do rapaz que agora incentiva a sua noiva a deixá-lo e seguir sua própria vida. Arrasada e carente ela acaba se apaixonando pelo médico que os atende, casado com a mulher que causou o acidente.
AMIGAS DE COLÉGIO
(Fucking Amäl)
Suécia, 1999, cor, 89 min., 14 anos.
Direção: Lukas Moodysson
Elenco: Alexandra Dahlström, Rebecka Liljeberg e Mathias Rust.
A história de duas adolescentes muito diferentes entre si e que se descobrem apaixonadas uma pela outra, mas não sabem como assumir a relação em meio às demais garotas do colégio onde estudam, na pacata cidade de Amal, interior da Suécia.
TRUQUES DA PAQUERA
(Trick)
EUA, 1999, cor, 90 min, 14 anos.
Direção: Jim Fall
Elenco: Christian Campbell, Jean Paul Pitoc e Tori Spelling.
A vida de Gabriel está pra lá de sem graça. O rapaz não tem nem mais inspiração para seguir em sua carreira, a de compositor de trilhas para o teatro. Para piorar, divide um minúsculo apartamento com um amigo heterossexual que sempre que leva alguém para transar o deixa do lado de fora. Ele tem como única amiga uma jovem atriz canastrona que o apóia em tudo o que faz. Mas numa noite, quando Gabriel decide afogar as mágoas numa boate, acaba conhecendo um atraente go-go boy. Estimulados pelos drinks e pela música alta, os dois embarcam numa gostosa jornada repleta de descobertas e surpresas.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Igrejas de Madeira do Paraná

Quem trabalha no centro de São Paulo e quer estar retirado por alguns minutos dos excessos desse centro aturdido que é o da nossa cidade, muito irá ganhar se visitar a exposição Igrejas de Madeira do Paraná. A princípio, tão somente, por que você irá se sentir em um outro mundo.
De calma, serenidade e fé sincera. O mais marcante é a singeleza do gesto de quem construiu as igrejas como marcos de saudade, como exercícios de reiteração da identidade de cada cultura ali espelhada.
Tais igrejas estão na zona rural do Paraná. A arquiteta Maria Cristina Wolff de Carvalho nos conta, no catálogo, que os imigrantes europeus, no XIX, tinham pressa em erguê-las, daí serem de madeira. Segundo ela, tal pressa era justificada porque essas pessoas estavam isoladas em pequenas propriedades distantes umas das outras e as igrejas significavam a possibilidade de reunião, de troca de experiências e notícias, de encontros e namoro (...) Nelas se davam os ritos de passagem e, em suma, toda a vida social do grupo.
Elas são também um encanto para os olhos. E o mais surpreendente é que estão tão conservadas. Chamou-me a atenção os vasos de samambaias no interior de algumas delas. Samambaia combina com Igreja que é uma beleza. ;-D Penso que somente ao retratar tamanha fragilidade com amor, como o fez Nego Miranda, é que se pode alcançar esse brilho na simplicidade e que nos revela a riqueza da devoção desse povo.
A exposição está na Caixa Cultural, da Praça da Sé.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Um assento e uns biscoitos
Eu viajava de volta para casa, sentado, no trem. Na minha frente, o assento reservado e de uso preferencial para deficientes, gestantes, pessoas com criança de colo, idosos, e que permanecia vago.
Então, vi um senhor de cabelos brancos sentar-se naquele assento. Ele comia biscoitos de polvilho, que retirava de um saquinho repleto deles. Parecia sentir uma tal satisfação em comer os biscoitos que sua imagem de idoso foi aos poucos, para esse observador, tomando a feição da de um garoto e esse inesperado aconteceu: tive um momento que traduzi como o de epifania.
Pareceu-me que compreendia toda uma parte do mistério. Naquele momento, era bastante nítida para mim essa existência, que começa na fragilidade do berço, do estar em um colo, quando é necessário que alguém cuide do menino homem: para que ele cresça e envelheça; quando, então, um assento será reservado ao homem menino.
É preciso completar todo o ciclo, da fragilidade primeira à fragilidade última.
A mim também me pareceu, que a razão nítida de assim o ser é porque temos todos que cuidar uns dos outros. Por isso somos filhos, somos pais, somos irmãos. Somos cada qual responsável pela construção que fazemos desses papeis, no interior das famílias (qualquer modelo que essa família tenha, desde o tradicional às novas modalidades que vamos dela conhecendo).
Já a família que a humanidade inteira também é, ela sofre tão somente por ignorar essa condição extremamente frágil de cada um dos seus membros.
É como se todos tivéssemos esquecido da criança que fomos e não quiséssemos enxergar a criança que tornamos a ser, quando o invólucro de que somos constituídos precisa de um banco reservado para que, tranquilamente, possamos continuar a viagem, comendo e ainda derrubando no chão os biscoitos de polvilho.
Então, vi um senhor de cabelos brancos sentar-se naquele assento. Ele comia biscoitos de polvilho, que retirava de um saquinho repleto deles. Parecia sentir uma tal satisfação em comer os biscoitos que sua imagem de idoso foi aos poucos, para esse observador, tomando a feição da de um garoto e esse inesperado aconteceu: tive um momento que traduzi como o de epifania.
Pareceu-me que compreendia toda uma parte do mistério. Naquele momento, era bastante nítida para mim essa existência, que começa na fragilidade do berço, do estar em um colo, quando é necessário que alguém cuide do menino homem: para que ele cresça e envelheça; quando, então, um assento será reservado ao homem menino.
É preciso completar todo o ciclo, da fragilidade primeira à fragilidade última.
A mim também me pareceu, que a razão nítida de assim o ser é porque temos todos que cuidar uns dos outros. Por isso somos filhos, somos pais, somos irmãos. Somos cada qual responsável pela construção que fazemos desses papeis, no interior das famílias (qualquer modelo que essa família tenha, desde o tradicional às novas modalidades que vamos dela conhecendo).
Já a família que a humanidade inteira também é, ela sofre tão somente por ignorar essa condição extremamente frágil de cada um dos seus membros.
É como se todos tivéssemos esquecido da criança que fomos e não quiséssemos enxergar a criança que tornamos a ser, quando o invólucro de que somos constituídos precisa de um banco reservado para que, tranquilamente, possamos continuar a viagem, comendo e ainda derrubando no chão os biscoitos de polvilho.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Emma Block
Uma das coisas mais fascinantes em frequentar a internet está nos passeios que a gente pode fazer e na espiadinha que também podemos dar nas casas das pessoas, que são seus sites, blogs e afins.
Hoje fiz tal passeio, tão somente para espairecer. O segredo em encontrar as coisas que encontro, quando então costumo dar a dica por aqui, para que outros também visitem esses lugares, tal segredo é o de entrar em trilhas, em caminhos, procurando seguir nossa intuição.
Eu, em geral, abro o São Google, na opção Imagens, e escrevo palavrinhas mágicas. São mágicas pois elas têm a ver com meu estado de espírito no dia, ou melhor, traduzem aquilo de que estou necessitado. Assim, hoje, eu precisa ver ilustrações e que fossem iluminadas ou leves, então busquei: light illustration. Depois disso, você vai abrindo as janelas que achar mais adequadas. Você irá ver coisas que não tem nada a ver com o que buscas, inicialmente. Minha sugestão é sair rapidamente desses antros pelos quais você pode passar, inevitavelmente. Até que, então, uma janela se abre e você começa a tatear e vai descobrindo o mundo bacana de alguém.
Hoje encontrei isso mesmo no blog chamado a little blog of art - the art of emma block.
Gostei muito da garota. Eu seria amigo dela. ;-D
Ela é uma artista do Reino Unido e diz: I have a pencil and I know how to use it.
E sabe mesmo! Reproduzi aqui também as legendas para que vocês vissem como ela é espirituosa. \o/
Hoje fiz tal passeio, tão somente para espairecer. O segredo em encontrar as coisas que encontro, quando então costumo dar a dica por aqui, para que outros também visitem esses lugares, tal segredo é o de entrar em trilhas, em caminhos, procurando seguir nossa intuição.
Eu, em geral, abro o São Google, na opção Imagens, e escrevo palavrinhas mágicas. São mágicas pois elas têm a ver com meu estado de espírito no dia, ou melhor, traduzem aquilo de que estou necessitado. Assim, hoje, eu precisa ver ilustrações e que fossem iluminadas ou leves, então busquei: light illustration. Depois disso, você vai abrindo as janelas que achar mais adequadas. Você irá ver coisas que não tem nada a ver com o que buscas, inicialmente. Minha sugestão é sair rapidamente desses antros pelos quais você pode passar, inevitavelmente. Até que, então, uma janela se abre e você começa a tatear e vai descobrindo o mundo bacana de alguém.
Hoje encontrei isso mesmo no blog chamado a little blog of art - the art of emma block.
Gostei muito da garota. Eu seria amigo dela. ;-D
Ela é uma artista do Reino Unido e diz: I have a pencil and I know how to use it.
E sabe mesmo! Reproduzi aqui também as legendas para que vocês vissem como ela é espirituosa. \o/
By moon light and star light and lamp light I will find my way home.
Let them eat cake
I know Marie Antoinette never actually said that, but that's no reason not to eat cake.
This is a card design for my mum's birthday.
Copper carrousel
Rain in the tuileries
sábado, 5 de junho de 2010
O Poeta e as Andorinhas. Vá ver sem medo!
Hoje vivi uma experiência fascinante de teatro. Fui assistir ao espetáculo O Poeta e as Andorinhas, no Teatro Imprensa. Eu tinha convidado uma amiga e havia dito que um amigo meu tinha achado o espetáculo muito bom e, além disso, era baseado na obra de Oscar Wilde. Mas era um espetáculo infanto-juvenil, às 16 horas, no sábado. Minha amiga me disse: Você cheirou cola de sapateiro. Oscar Wilde às 4 da tarde?!
Rimos muito e fomos verificar.
A própria filha do Silvio Santos, a Cintia Abravanel, recebe o público no Centro Cultural do Grupo Silvio Santos do qual é diretora. Achei ela muito simpática e depois de ver o espetáculo eu sai com um sentimento de gratidão por essa moça. Percebe-se que seu trabalho é feito com muito amor, carinho e verdade.
A peça é um encantamento, um respeito e um tributo inimaginável ao grande Oscar Wilde.
Trata-se de um primor de junção dos contos de fada que Wilde escreveu, mais a obra O Retrato de Dorian Gray. A cenografia de JC Serroni e os figurinos magníficos e premiados de Leo Diniz são qualquer coisa de deslumbre, de bom gosto e de um cuidado incríveis. As Andorinhas voam o tempo todo!
O texto é amarrado, urdido. É tudo muito doído também. Como diz a Abravanel: travamos contato com aquilo que somos e isso resulta num paradoxo, que mesmo sendo assim tão doído descobrimos o melhor de nós.
Aliás, o melhor da pessoa de Oscar Wilde foi trazido para as crianças e jovens. Ele ensinou a caridade em um dos contos: o do Príncipe Feliz. É extremamente tocante ver a andorinha levar o rubi, as esmeraldas, as folhas de ouro, que cobrem sua estátua, a cada um dos necessitados da cidade.
A rosa vermelha tão desejada, colhida pela entrega de uma andorinha apaixonada; a rosa tão vilmente desprezada pela amada do belo jovem.
A cena do anão se descobrindo um monstro em frente ao espelho e dilacerado de dor por não ter, então, o amor da infanta. E a infanta dizendo que queria um anão sem coração...
O horror do retrato que envelhece no lugar de Dorian Gray, que por fim descobre que mais desejava amar do que ter vivido uma imortalidade vazia...
Quem ainda não foi ver não pode imaginar a experiência vital e a lição perene que Paulo Ribeiro, o responsável pelo texto e diretor do espetáculo, e toda a sua trupe urdiram nas coxias e, majestosamente, trouxeram ao palco.
O poeta, no espetáculo, está sempre engaiolado, uma metáfora riquíssima da experiência terrível de ausência de liberdade que Oscar Wilde sofreu.
É de chorar de emoção. Eu chorei e muitos outros que lotavam o teatro. E tudo isso tem entrada franca.
Rimos muito e fomos verificar.
A própria filha do Silvio Santos, a Cintia Abravanel, recebe o público no Centro Cultural do Grupo Silvio Santos do qual é diretora. Achei ela muito simpática e depois de ver o espetáculo eu sai com um sentimento de gratidão por essa moça. Percebe-se que seu trabalho é feito com muito amor, carinho e verdade.
A peça é um encantamento, um respeito e um tributo inimaginável ao grande Oscar Wilde.
Trata-se de um primor de junção dos contos de fada que Wilde escreveu, mais a obra O Retrato de Dorian Gray. A cenografia de JC Serroni e os figurinos magníficos e premiados de Leo Diniz são qualquer coisa de deslumbre, de bom gosto e de um cuidado incríveis. As Andorinhas voam o tempo todo!
O texto é amarrado, urdido. É tudo muito doído também. Como diz a Abravanel: travamos contato com aquilo que somos e isso resulta num paradoxo, que mesmo sendo assim tão doído descobrimos o melhor de nós.
Aliás, o melhor da pessoa de Oscar Wilde foi trazido para as crianças e jovens. Ele ensinou a caridade em um dos contos: o do Príncipe Feliz. É extremamente tocante ver a andorinha levar o rubi, as esmeraldas, as folhas de ouro, que cobrem sua estátua, a cada um dos necessitados da cidade.
A rosa vermelha tão desejada, colhida pela entrega de uma andorinha apaixonada; a rosa tão vilmente desprezada pela amada do belo jovem.
A cena do anão se descobrindo um monstro em frente ao espelho e dilacerado de dor por não ter, então, o amor da infanta. E a infanta dizendo que queria um anão sem coração...
O horror do retrato que envelhece no lugar de Dorian Gray, que por fim descobre que mais desejava amar do que ter vivido uma imortalidade vazia...
Quem ainda não foi ver não pode imaginar a experiência vital e a lição perene que Paulo Ribeiro, o responsável pelo texto e diretor do espetáculo, e toda a sua trupe urdiram nas coxias e, majestosamente, trouxeram ao palco.
O poeta, no espetáculo, está sempre engaiolado, uma metáfora riquíssima da experiência terrível de ausência de liberdade que Oscar Wilde sofreu.
É de chorar de emoção. Eu chorei e muitos outros que lotavam o teatro. E tudo isso tem entrada franca.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Fanny Ardant
Que deleite ter assistido ao programa Roda Viva, na TV Cultura, na última segunda-feira! No centro da famosa Roda estava Fanny Ardant. Esse é um programa que eu desejaria sempre rever. Porque a atriz disse coisas belíssimas como respostas às perguntas do seleto grupo que a circundou, do qual fez parte a cineasta brasileira Laís Bodanzky.
Quando lhe perguntaram o que ela estava achando do Brasil e particularmente de São Paulo, que ela não conhecera anteriormente, Fanny Ardant declarou que o que mais lhe chamou a atenção foram as árvores, em São Paulo. As árvores lhe chamaram a atenção, particularmente, porque diferentes das de Paris, por exemplo, as nossas são luxuriantes. Ela disse ter ficado imaginando o que elas pensam dessa loucura humana. Fanny Ardant acredita que um dia as árvores vão vencer. Oxalá!
Outra resposta que me pareceu inesperada foi a que ela deu quando indagada acerca do que ela teria sido, ou do que faria, se não fosse atriz. Fanny Ardant respondeu que se não fosse atriz teria um Salão de Beleza. Por quê? Porque ela gosta de encontrar pessoas e, depois desse encontro, elas se sentirem diferentes. Não foi uma resposta ótima?
Quando o assunto foi a questão da hegemonia do mercado norte-americano no universo do cinema, com seus blockbusters, além de ela ter ressaltado que o incentivo do governo francês, do Ministério da Cultura de seu país, ao cinema já é uma política consolidada há muito tempo, ela também frisou que não devemos fazer cinema pensando em se proteger ou em ser contra os blockbusters, mas verdadeiramente criar. Não se deve fazer as coisas apenas para se proteger...
Quando falou de teatro disse gostar de representar para plateias pequenas e que Teatro é para pouca gente mesmo, ou seja, o que ela chamou de essas comunidades subterrâneas...
Outras frases inesquecíveis:
Todas as pessoas são diferentes. Nunca pensei em diferenças de nacionalidade, sexualidade...
Tudo o que nos toca, emocionalmente, nos forma moralmente.
Em Paris, você pode ser muito feliz ou muito infeliz.
Dentro da minha verdade, eu não queria nada, eu queria ser.
Sempre fiz apologia da desordem, porque há muitos que fazem apologia da ordem.
Encontrei no Youtube esse vídeo que mostra um tantinho do que vimos no programa. Reparem no trecho final, trata-se de um cena do filme que ela dirigiu a favor dos ciganos e que viera lançar em São Paulo. A personagem cigana com o cigarro é tão ardantiana!
Por tudo isso, por toda a carreira: Merci beaucoup, Fanny Ardant!
Quando lhe perguntaram o que ela estava achando do Brasil e particularmente de São Paulo, que ela não conhecera anteriormente, Fanny Ardant declarou que o que mais lhe chamou a atenção foram as árvores, em São Paulo. As árvores lhe chamaram a atenção, particularmente, porque diferentes das de Paris, por exemplo, as nossas são luxuriantes. Ela disse ter ficado imaginando o que elas pensam dessa loucura humana. Fanny Ardant acredita que um dia as árvores vão vencer. Oxalá!
Outra resposta que me pareceu inesperada foi a que ela deu quando indagada acerca do que ela teria sido, ou do que faria, se não fosse atriz. Fanny Ardant respondeu que se não fosse atriz teria um Salão de Beleza. Por quê? Porque ela gosta de encontrar pessoas e, depois desse encontro, elas se sentirem diferentes. Não foi uma resposta ótima?
Quando o assunto foi a questão da hegemonia do mercado norte-americano no universo do cinema, com seus blockbusters, além de ela ter ressaltado que o incentivo do governo francês, do Ministério da Cultura de seu país, ao cinema já é uma política consolidada há muito tempo, ela também frisou que não devemos fazer cinema pensando em se proteger ou em ser contra os blockbusters, mas verdadeiramente criar. Não se deve fazer as coisas apenas para se proteger...
Quando falou de teatro disse gostar de representar para plateias pequenas e que Teatro é para pouca gente mesmo, ou seja, o que ela chamou de essas comunidades subterrâneas...
Outras frases inesquecíveis:
Todas as pessoas são diferentes. Nunca pensei em diferenças de nacionalidade, sexualidade...
Tudo o que nos toca, emocionalmente, nos forma moralmente.
Em Paris, você pode ser muito feliz ou muito infeliz.
Dentro da minha verdade, eu não queria nada, eu queria ser.
Sempre fiz apologia da desordem, porque há muitos que fazem apologia da ordem.
Encontrei no Youtube esse vídeo que mostra um tantinho do que vimos no programa. Reparem no trecho final, trata-se de um cena do filme que ela dirigiu a favor dos ciganos e que viera lançar em São Paulo. A personagem cigana com o cigarro é tão ardantiana!
Por tudo isso, por toda a carreira: Merci beaucoup, Fanny Ardant!
terça-feira, 1 de junho de 2010
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