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sábado, 10 de julho de 2010

Lições da mulher

Quando uma amiga, que acabei de conhecer, soube que eu estava lendo Ana Karenina, de Tolstói, presenteou-me com o DVD da versão cinematográfica do romance. O filme foi rodado em 1948 e dirigido por Julien Duvivier, tendo a magnífica Vivien Leigh no papel principal. Quando comecei a assistir,  fiquei encantado com a adaptação. Era possível ver o romance que estou lendo: todo ele ali, vivo nas imagens e cheio de lições de interpretação, do próprio romance naquela nova linguagem, dos atores na tela, enfim.
Obviamente, eu ainda não terminei o romance, que é imenso e, então, da metade para o fim do filme, fiquei sabendo o que ainda irá acontecer também nas páginas do livro que ora leio.
Que trágico fim! E que lição tristíssima, a vida da personagem encerra.
Só não fiquei ainda mais abalado com o desfecho do drama, porque um amigo apresentou-me uma cantora turca ainda essa semana e eu estava impregnado de uma outra lição feminina e que desejo compartilhar.
As mulheres são sempre sensacionais. Eu penso assim. Ana Karenina, sem dúvida, sobretudo se tem o rosto lindo de Vivien Leigh... Mas também essa cantora pop da Turquia e que é sensacional. Seu nome é Işın Karaca.
Quando eu ouvi essa música, que compartilho por aqui, fiquei impressionado com a voz, belíssima, mas também com o que me pareceu a lição de um drama e que estaria sendo representado por meio da personagem de uma mulher que está aborrecida e só, em um quarto, fazendo suas malas. (Aliás, fiquei sabendo que a cantora também estudou teatro). Ela só tem a sua própria consciência (representada pelo seu duplo, do outro lado do espelho. Ou será um anjo?) com quem passa a ponderar, nesse momento de aflição.
Pedi a meu amigo Enric que traduzisse do turco a mensagem da música. Ele disse que o turco não é assim tão fácil... (lógico!) Mas arranjou-me uma tradução para o inglês. Merci Enric! ;-D

Eu já estou quase aprendendo a cantar a música de tanto que a ouvi! I hope you enjoy it too.






Yetinmeyi Bilir misin?

Yetinmeyi bilir misin,
Sana verdiği kadarıyla hayatın?
Hoş, bilsen de bilmesen de
Yara bere içinde bu yollardan geçeceksin

Kazanmayı isterdim, kaybetmeyi değil
Ama olmadı yar
Kendini kayırıyor her insan önce
Bu yüzden aşka kıyar

Giderim, alışığım gitmelere
Direndi bu can ne bitmelere
Giderim, alışığım gitmelere
Gerek yok isyan etmelere

Do you know being satisfied
with how much the life gave you?
Well, Whether you know, or not
You will pass by these streets with wounds

I would like to win, not lose
But it wasnt like that darling
Every person gives herself a preferential treatment
so He/She sacrifice (to abandon) the love

I'll go, i m used on going
This soul resisted how many ends
I'll go, I'm used on going
There is no need to revolt

Você tem estado satisfeita
com o tanto que a vida lhe proporcionou?
Bem, saiba, ou não,
você passará por esses caminhos sofridos.

Eu gostaria de vencer e não perder.
Mas não foi assim, querida...
Cada um dá a si mesmo um tratamento especial.
E, então, sacrifica o amor.

Eu prosseguirei, tenho prosseguido.
Esse espírito resistiu a quantos términos...
Eu prosseguirei, tenho prosseguido.
Não é preciso revoltar-me.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fanny Ardant

Que deleite ter assistido ao programa Roda Viva, na TV Cultura, na última segunda-feira! No centro da famosa Roda estava Fanny Ardant. Esse é um programa que eu desejaria sempre rever. Porque a atriz disse coisas belíssimas como respostas às perguntas do seleto grupo que a circundou, do qual fez parte a cineasta brasileira Laís Bodanzky.
Quando lhe perguntaram o que ela estava achando do Brasil e particularmente de São Paulo, que ela não conhecera anteriormente, Fanny Ardant declarou que o que mais lhe chamou a atenção foram as árvores, em São Paulo. As árvores lhe chamaram a atenção, particularmente, porque diferentes das de Paris, por exemplo, as nossas são luxuriantes. Ela disse ter ficado imaginando o que elas pensam dessa loucura humana. Fanny Ardant acredita que um dia as árvores vão vencer. Oxalá!
Outra resposta que me pareceu inesperada foi a que ela deu quando indagada acerca do que ela teria sido, ou do que faria, se não fosse atriz. Fanny Ardant respondeu que se não fosse atriz teria um Salão de Beleza. Por quê? Porque ela gosta de encontrar pessoas e, depois desse encontro, elas se sentirem diferentes. Não foi uma resposta ótima?
Quando o assunto foi a questão da hegemonia do mercado norte-americano no universo do cinema, com seus blockbusters, além de ela ter ressaltado que o incentivo do governo francês, do Ministério da Cultura de seu país, ao cinema já é uma política consolidada há muito tempo, ela também frisou que não devemos fazer cinema pensando em se proteger ou em ser contra os blockbusters, mas verdadeiramente criar. Não se deve fazer as coisas apenas para se proteger...
Quando falou de teatro disse gostar de representar para plateias pequenas e que Teatro é para pouca gente mesmo, ou seja, o que ela chamou de essas comunidades subterrâneas...

Outras frases inesquecíveis:

Todas as pessoas são diferentes. Nunca pensei em diferenças de nacionalidade, sexualidade...

Tudo o que nos toca, emocionalmente, nos forma moralmente.

Em Paris, você pode ser muito feliz ou muito infeliz.

Dentro da minha verdade, eu não queria nada, eu queria ser.

Sempre fiz apologia da desordem, porque há muitos que fazem apologia da ordem.

Encontrei no Youtube esse vídeo que mostra um tantinho do que vimos no programa. Reparem no trecho final, trata-se de um cena do filme que ela dirigiu a favor dos ciganos e que viera lançar em São Paulo. A personagem cigana com o cigarro é tão ardantiana!



Por tudo isso, por toda a carreira: Merci beaucoup, Fanny Ardant!