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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fanny Ardant

Que deleite ter assistido ao programa Roda Viva, na TV Cultura, na última segunda-feira! No centro da famosa Roda estava Fanny Ardant. Esse é um programa que eu desejaria sempre rever. Porque a atriz disse coisas belíssimas como respostas às perguntas do seleto grupo que a circundou, do qual fez parte a cineasta brasileira Laís Bodanzky.
Quando lhe perguntaram o que ela estava achando do Brasil e particularmente de São Paulo, que ela não conhecera anteriormente, Fanny Ardant declarou que o que mais lhe chamou a atenção foram as árvores, em São Paulo. As árvores lhe chamaram a atenção, particularmente, porque diferentes das de Paris, por exemplo, as nossas são luxuriantes. Ela disse ter ficado imaginando o que elas pensam dessa loucura humana. Fanny Ardant acredita que um dia as árvores vão vencer. Oxalá!
Outra resposta que me pareceu inesperada foi a que ela deu quando indagada acerca do que ela teria sido, ou do que faria, se não fosse atriz. Fanny Ardant respondeu que se não fosse atriz teria um Salão de Beleza. Por quê? Porque ela gosta de encontrar pessoas e, depois desse encontro, elas se sentirem diferentes. Não foi uma resposta ótima?
Quando o assunto foi a questão da hegemonia do mercado norte-americano no universo do cinema, com seus blockbusters, além de ela ter ressaltado que o incentivo do governo francês, do Ministério da Cultura de seu país, ao cinema já é uma política consolidada há muito tempo, ela também frisou que não devemos fazer cinema pensando em se proteger ou em ser contra os blockbusters, mas verdadeiramente criar. Não se deve fazer as coisas apenas para se proteger...
Quando falou de teatro disse gostar de representar para plateias pequenas e que Teatro é para pouca gente mesmo, ou seja, o que ela chamou de essas comunidades subterrâneas...

Outras frases inesquecíveis:

Todas as pessoas são diferentes. Nunca pensei em diferenças de nacionalidade, sexualidade...

Tudo o que nos toca, emocionalmente, nos forma moralmente.

Em Paris, você pode ser muito feliz ou muito infeliz.

Dentro da minha verdade, eu não queria nada, eu queria ser.

Sempre fiz apologia da desordem, porque há muitos que fazem apologia da ordem.

Encontrei no Youtube esse vídeo que mostra um tantinho do que vimos no programa. Reparem no trecho final, trata-se de um cena do filme que ela dirigiu a favor dos ciganos e que viera lançar em São Paulo. A personagem cigana com o cigarro é tão ardantiana!



Por tudo isso, por toda a carreira: Merci beaucoup, Fanny Ardant!