sábado, 25 de julho de 2009

A frustração de Carlos Saura

Carlos Saura (de camisa azul e câmera fotográfica). Foto by Bernardo Pérez.

Ontem, eu estava andando na chuva, protegido por um guarda-chuva e também por um casaco: os termômetros marcavam 13º, em São Paulo. Entrei na banca de jornais, pois pretendia aguardar o destempero dos céus passar. Foi quando vi em um jornal uma chamada pequena:

Carlos Saura por bulerías
El cineasta ultima el espectáculo 'Flamenco hoy' y vuelve al género de sus amores.

Notei que estava lendo o jornal espanhol El País. Imediatamente, fui tomado pela comoção de uma lembrança carinhosa: a de quanto aprecio Carlos Saura e sua obra. O que conheço dela, afinal é imensa: ele filma desde a década de 50!
Mas quanta alegria, emoção e momentos de pura exaltação do espírito devo a esse diretor, simplesmente porque vi nas telas:

Ana y los lobos (1972).
Cría cuervos (1975) - Prêmio Especial do Juri, no Festival de Cannes.
Mamá cumple cien años (1979) - indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Bodas de sangre (1981).
Carmen (1983); indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Prêmio do Jurado no Festival de Cannes.
El amor brujo (1986).
¡Ay, Carmela! (1990); vencedor de 13 Prêmios Goya.
Sevillanas (1991).
Flamenco (1995).

Como é possível perceber, não vi nada do que ele produziu na duas décadas anteriores e tenho inúmeras lacunas, afinal, só pude ver o que chegou ao Brasil nesse período. Também não vi nada do que ele tem produzido nessa década atual, por exemplo, e não é pouco, sei de ao menos uns cinco títulos. De qualquer modo, esse cineasta é incansável.
Agora ele está dirigindo esse espetáculo, Flamenco Hoy, que estreia em agosto, em Madri. Eu li a matéria do El País, embora não tenha comprado o jornal. ;p Li na edição on-line. Alí, Gregorio Belinchón escreve:

En mitad del ardoroso julio madrileño, en una de las salas de los Teatros del Canal de la Comunidad de Madrid, Saura, infatigable a sus 77 años, va encajando con pasión de furibundo flamenco y precisión de relojero los ingredientes de Flamenco hoy. Asiste casi todas las mañanas a los ensayos, y allí habla con López Linares de las luces y con Laura Martínez de la escenografía. Los dos han trabajado ya con el aragonés - quién iba a decir que uno de Huesca iba a hacer tanto por el flamenco y el baile moderno español con filmes como Bodas de sangre, Carmen, El amor brujo, Sevillanas, Flamenco o Iberia-, y le entienden perfectamente.

Outra passagem da excelente matéria e que achei belíssima, é quando, entrevistado, Saura nos diz:

"Desde joven me atrajo el flamenco. Incluso en algún momento quise ser bailaor... Soy un fracasado, porque la profesora, que era una vieja gitana maravillosa, me dijo: 'Mira, Saura, mejor dedícate a otra cosa'. Por eso hago películas, para curar mi frustración. Esa frustración me ha dado mucho juego en la carrera; pero me gustaría cantar, bailar o tocar la guitarra. En fin, ya es tarde".

Assim, descubro que sou grato a essa vieja gitana maravillosa e ao bailaor frustrado, certamente.

A matéria é excelente, muitíssimo bem escrita e o espanhol, convenhamos, é ao menos uma língua bastante legível para nosotros que hablamos portunhol. :p

Lá no site de El País você irá ver um vídeo com o ensaio desse espetáculo. Imperdível!
Va lá: http://www.elpais.com/articulo/revista/agosto/Carlos/Saura/bulerias/elpeputec/20090724elpepirdv_1/Tes

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