segunda-feira, 7 de junho de 2010

Emma Block

Uma das coisas mais fascinantes em frequentar a internet está nos passeios que a gente pode fazer e na espiadinha que também podemos dar nas casas das pessoas, que são seus sites, blogs e afins.
Hoje fiz tal passeio, tão somente para espairecer. O segredo em encontrar as coisas que encontro, quando então costumo dar a dica por aqui, para que outros também visitem esses lugares, tal segredo é o de entrar em trilhas, em caminhos, procurando seguir nossa intuição.
Eu, em geral, abro o São Google, na opção Imagens, e escrevo palavrinhas mágicas. São mágicas pois elas têm a ver com meu estado de espírito no dia, ou melhor, traduzem aquilo de que estou necessitado. Assim, hoje, eu precisa ver ilustrações e que fossem iluminadas ou leves, então busquei: light illustration. Depois disso, você vai abrindo as janelas que achar mais adequadas. Você irá ver coisas que não tem nada a ver com o que buscas, inicialmente. Minha sugestão é sair rapidamente desses antros pelos quais você pode passar, inevitavelmente. Até que, então, uma janela se abre e você começa a tatear e vai descobrindo o mundo bacana de alguém.
Hoje encontrei isso mesmo no blog chamado a little blog of art - the art of emma block.
Gostei muito da garota. Eu seria amigo dela. ;-D
Ela é uma artista do Reino Unido e diz: I have a pencil and I know how to use it.
E sabe mesmo! Reproduzi aqui também as legendas para que vocês vissem como ela é espirituosa. \o/

By moon light and star light and lamp light I will find my way home.


Let them eat cake

I know Marie Antoinette never actually said that, but that's no reason not to eat cake.
 This is a card design for my mum's birthday.


Copper carrousel


Rain in the tuileries

sábado, 5 de junho de 2010

O Poeta e as Andorinhas. Vá ver sem medo!

Hoje vivi uma experiência fascinante de teatro. Fui assistir ao espetáculo O Poeta e as Andorinhas, no Teatro Imprensa. Eu tinha convidado uma amiga e havia dito que um amigo meu tinha achado o espetáculo muito bom e, além disso, era baseado na obra de Oscar Wilde. Mas era um espetáculo infanto-juvenil, às 16 horas, no sábado. Minha amiga me disse: Você cheirou cola de sapateiro. Oscar Wilde às 4 da tarde?!
Rimos muito e fomos verificar.
A própria filha do Silvio Santos, a Cintia Abravanel, recebe o público no Centro Cultural do Grupo Silvio Santos do qual é diretora. Achei ela muito simpática e depois de ver o espetáculo eu sai com um sentimento de gratidão por essa moça. Percebe-se que seu trabalho é feito com muito amor, carinho e verdade.
A peça é um encantamento, um respeito e um tributo inimaginável ao grande Oscar Wilde.
Trata-se de um primor de junção dos contos de fada que Wilde escreveu, mais a obra O Retrato de Dorian Gray. A cenografia de JC Serroni e os figurinos magníficos e premiados de Leo Diniz são qualquer coisa de deslumbre, de bom gosto e de um cuidado incríveis. As Andorinhas voam o tempo todo!
O texto é amarrado, urdido. É tudo muito doído também. Como diz a Abravanel: travamos contato com aquilo que somos e isso resulta num paradoxo, que mesmo sendo assim tão doído descobrimos o melhor de nós.
Aliás, o melhor da pessoa de Oscar Wilde foi trazido para as crianças e jovens. Ele ensinou a caridade em um dos contos: o do Príncipe Feliz. É extremamente tocante ver a andorinha levar o rubi, as esmeraldas, as folhas de ouro, que cobrem sua estátua, a cada um dos necessitados da cidade.
A rosa vermelha tão desejada, colhida pela entrega de uma andorinha apaixonada; a rosa tão vilmente desprezada pela amada do belo jovem.
A cena do anão se descobrindo um monstro em frente ao espelho e dilacerado de dor por não ter, então, o amor da infanta. E a infanta dizendo que queria um anão sem coração...
O horror do retrato que envelhece no lugar de Dorian Gray, que por fim descobre que mais desejava amar do que ter vivido uma imortalidade vazia...

Quem ainda não foi ver não pode imaginar a experiência vital e a lição perene que Paulo Ribeiro, o responsável pelo texto e diretor do espetáculo, e toda a sua trupe urdiram nas coxias e, majestosamente, trouxeram ao palco.
O poeta, no espetáculo, está sempre engaiolado, uma metáfora riquíssima da experiência terrível de ausência de liberdade que Oscar Wilde sofreu.

É de chorar de emoção. Eu chorei e muitos outros que lotavam o teatro. E tudo isso tem entrada franca.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fanny Ardant

Que deleite ter assistido ao programa Roda Viva, na TV Cultura, na última segunda-feira! No centro da famosa Roda estava Fanny Ardant. Esse é um programa que eu desejaria sempre rever. Porque a atriz disse coisas belíssimas como respostas às perguntas do seleto grupo que a circundou, do qual fez parte a cineasta brasileira Laís Bodanzky.
Quando lhe perguntaram o que ela estava achando do Brasil e particularmente de São Paulo, que ela não conhecera anteriormente, Fanny Ardant declarou que o que mais lhe chamou a atenção foram as árvores, em São Paulo. As árvores lhe chamaram a atenção, particularmente, porque diferentes das de Paris, por exemplo, as nossas são luxuriantes. Ela disse ter ficado imaginando o que elas pensam dessa loucura humana. Fanny Ardant acredita que um dia as árvores vão vencer. Oxalá!
Outra resposta que me pareceu inesperada foi a que ela deu quando indagada acerca do que ela teria sido, ou do que faria, se não fosse atriz. Fanny Ardant respondeu que se não fosse atriz teria um Salão de Beleza. Por quê? Porque ela gosta de encontrar pessoas e, depois desse encontro, elas se sentirem diferentes. Não foi uma resposta ótima?
Quando o assunto foi a questão da hegemonia do mercado norte-americano no universo do cinema, com seus blockbusters, além de ela ter ressaltado que o incentivo do governo francês, do Ministério da Cultura de seu país, ao cinema já é uma política consolidada há muito tempo, ela também frisou que não devemos fazer cinema pensando em se proteger ou em ser contra os blockbusters, mas verdadeiramente criar. Não se deve fazer as coisas apenas para se proteger...
Quando falou de teatro disse gostar de representar para plateias pequenas e que Teatro é para pouca gente mesmo, ou seja, o que ela chamou de essas comunidades subterrâneas...

Outras frases inesquecíveis:

Todas as pessoas são diferentes. Nunca pensei em diferenças de nacionalidade, sexualidade...

Tudo o que nos toca, emocionalmente, nos forma moralmente.

Em Paris, você pode ser muito feliz ou muito infeliz.

Dentro da minha verdade, eu não queria nada, eu queria ser.

Sempre fiz apologia da desordem, porque há muitos que fazem apologia da ordem.

Encontrei no Youtube esse vídeo que mostra um tantinho do que vimos no programa. Reparem no trecho final, trata-se de um cena do filme que ela dirigiu a favor dos ciganos e que viera lançar em São Paulo. A personagem cigana com o cigarro é tão ardantiana!



Por tudo isso, por toda a carreira: Merci beaucoup, Fanny Ardant!

terça-feira, 1 de junho de 2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Le Verrou, A Tranca.

Hoje, estou alimentando reflexões que me permitam um distanciamento de minhas preocupações presentes. Aliás, sou mestre nisso! rsrsrs Assim sendo, vou remeter, os que vêm até aqui, a essa obra que está exposta no Louvre.

Faz 15 anos que eu conheci esse quadro, através de uma reprodução, um poster emoldurado, e que havia na parede de um apartamento em que morei. Sempre achei essa cena enigmática. Afinal, ele está mesmo trancando e impedindo que a mulher saia do recinto, da alcova? Ela quer ou não quer sair? Isso é o registro de uma violência ou tão somente de um frívolo jogo de amantes?

Não é fascinante uma arte que impõe tais questões, deixando, no entanto, as respostas possíveis em aberto?

Esse pintor francês, Jean-Honoré Fragonard, pintava essas e muitas outras cenas da corte de Luís XV, bem como da burguesia emergente e do período imediatamente anterior à Revolução Francesa. Devido a essa Revolução, ele, aliás, irá morrer na miséria e esquecido. Nem por isso seus quadros deixaram de ser muito conhecidos e apreciados na História da Arte como exemplos do melhor do Rococó. Esse, Le Verrou, A Tranca, ouvi dizer, é um quadro reverenciado no Louvre, até hoje.

A verdade é que para mim, embora sempre o achei belíssimo, ele não me agradava de todo, quando convivi com aquela reprodução, que o tal apartamento ostentava em uma de suas paredes. Isso por uma impressão incômoda: a de que ele remetia a uma triste modalidade de "amor", a saber, quando no par amoroso um procura tolher a liberdade do outro. Quantos relacionamentos não são exatamente assim, não é mesmo? Fico a me interrogar: Por que fora da cama, depois de abandoná-la, os amantes padecem tanto? O incrível é que isso pode acontecer em qualquer alcova. Nessa belíssima, do século XVIII, na França, ou mesmo na de um humilde barraco, em qualquer favela brasileira, no XXI. A verdade é que a vida a dois pode ser um tormento, embora, com ou sem ele, seja sempre um aprendizado.

Para o momento, estou preferindo a companhia de um bom livro, como, aliás, é o caso do que experimenta essa outra personagem, do mesmo Fragonard. ;-D

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Fonthor de Luca


Você sabia que, no século XIX, na Bahia, algumas mulheres negras usavam cartolas?

Pois bem, eu li essa informação em uma reportagem no Diário do Comércio e que fala dessa exposição de Fonthor de Luca. Leiam! A jornalista Rita Alves escreve de um modo que sempre nos faz desejar também ver o que ela viu. Além disso, ela ouviu o criativo artista. Essa matéria interferiu diretamente na minha escolha de programação cultural para esse sábado. Eu quero ver os originais dessas Mulheres de Cartola. Ainda mais que são quadros imensos! Penso que ele deu a essas mulheres um tamanho digno, e tudo isso a partir dessa feliz inspiração: esse atrativo episódio histórico. Que celebração! Sim, são mesmo respeitáveis as 13 mulheres de cartola que estão ocupando a Mônica Filgueiras Galeria de Arte.

Rua Bela Cintra, 1.533
Segunda a Sexta, das 10h30min. às 19h30min.
Sábados 10h30min. às 15h
Entrada franca. Oba! \o/

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Anu Tuominen


Anu Tuominen nasceu em 1961 e é uma das mais originais e inovadoras artistas da Finlândia. Embora seu trabalho, frequentemente, se origine de idéias do universo da linguagem verbal, isso ocorre de modo que a elas a artista possa dar um equivalente visual. É por isso que esse trabalho sempre encanta a todos. Soube que ela é a mais internacional das artistas finlandesas. Seus trabalhos estão expostos em muitos lugares do mundo e ela está ligada a galerias muito distantes de seu recanto natal, como as do Japão. Ela tem recebido importantes prêmios, dentro e fora do seu país. Ou seja, Anu Tuominen é praticamente a Björk das artes plásticas. ;-D


Nunca ouvi falar de uma exposição dela aqui no Brasil.Que pena!  ;-(

Gostaria tanto de ver esse trabalho de perto! Eu senti o mesmo que muita gente deve sentir ao apreciá-lo: vontade de ser como ela. Artista com A maiúsculo. Ou seja, a gente sente, também aqui, aquela inveja "verde alface" de que nos fala Cecília Meireles...

Aliás, é exatamente disso que Otso Kantokorpi também fala em um texto lindo e que eu encontrei lá no seu site e que me inspirou a fazer a "maluquice" de tentar traduzir um trechinho rsrsrs

Vejam aqui e lá (please!)

Depois de muitos anos e muitas frustrações, eu finalmente encontrei uma artista que trabalha o que eu poderia genuinamente - e de certo modo antiquadamente - chamar de amor. Redescobri minha inveja infantil perdida: Porque eu não fiz isso? Isso é como eu deveria ser! Droga, por que eu não pensei nisso? [eu não disse? todo mundo pensa isso...]
Anu Tuominem é definitivamente a mais genuína bricoleur Lévi-Straussiana com a qual eu tenho me deparado na arte contemporânea.
Na infinidade de seu mercado de pulgas encontramos acumuladas, combinadas, transformadas, arranjadas, concatenadas e classificadas todas as áreas do nosso mundo visual cotidiano.
Além da imagem, ela sempre remete à linguagem, adicionando a ela um idioma visual e metafórico. Onde está o gato no amentilho? [Intraduzível: Where is the cat in the catkin? Importante: Amentilho é uma planta que tem uma floração que lembra um rabo de gato...]
O trabalho de Tuominen apresenta uma série interminável de paralelos, analogias, contínuos e hierarquias. Ela transpõe a imagem em palavras e a palavra em imagens, o público nas coisas privadas e o privado no público.
Quando Anu Tuominen começa a trabalhar em uma peça, ela é genuinamente ingênua, olhando o mundo com o espanto infantil. Ela, inocentemente, se pergunta acerca de todas as questões imagináveis, e seu corolário, corajosamente, vai posando sempre noutras coisas, estúpidas, cotidianas. Mas, observando os trabalhos finalizados, o observador não vê tão somente essa ingenuidade mas uma inovadora e madura gramatologista.
Anu Tuominen é também uma humorista, embora não fale em jogos.Um jogo contado é esvaziado, como frequentemente acontece para uma arte inicialmente incompreensível, ainda que inteligível. Os trabalhos de Tuominen não são esvaziados.
Inexoravelmente, no tempo e, mais uma vez, ela demonstra como coisas pequenas são belas e grandes - mas acima de tudo alegres e deleitosas. Seus trabalhos são apresentados dentro de um determinado mundo: nosso próprio mundo, e ainda o mundo anterior, de nossos avós, e o mundo futuro, o das nossas crianças. Tudo isso visto, fragilmente, através da superfície.
Tuominen é uma arqueóloga do conhecimento e uma jardineira da imagem, recortando, dentro de um propósito, as pequenas rotas que frequentemente fazem dois semearem um. E embora o pós-modernismo tenha nos ensinado que tudo já tenha sido feito, algo completamente novo é, às vezes, ainda criado. Anu Tuominen fez isso. Ela desenvolveu a poética da gramatologia do cotidiano.























terça-feira, 25 de maio de 2010

Andy Stanton & David Tazzyman

Ontem ganhei de uma amiga querida um livro infantil e comecei a ler no trajeto para casa. Não consegui parar de ler! É muito bom. Você tem filhos? Sobrinhos? Amiguinhos de 8, 9, 10 anos? Então, presentei-os com o Sr. Gum e os Goblins de Andy Stanton e ilustrado por David Tazzyman. Esses dois jovens pais ingleses são sensacionais. Eles estão em uma sintonia absolutamente positiva para escrever para crianças.




Andy vive no norte de Londres. Ele estudou inglês em Oxford, mas eles o expulsaram. rsrsrs David vive no sul de Londres. Gosta de futebol, críquete, biscoitos, música e desenhar. Não gosta de aipo. rsrsrs
Eles não são nada caretas e são pessoas boas, boníssimas. Só gente assim escreve para crianças com tamanha liberdade, alegria e verdadeiras boas intenções! O livro é escrito para crianças dessa geração que chegou ao mundo ainda ontem. É essa geração que já conhece o Harry Potter, não é mesmo? Eles brincam com tudo, inclusive com essa famosa personagem, quando, por exemplo, os heróis caem no poço eles dizem que só alguém como Harry Potter poderia sair dalí, não é o caso dos nossos heróis. É lógico! O livro é melhor que o do Harry Potter justamente porque deixa a magia no plano da imaginação, e, no final, a criança irá se dar conta de que o que vale na vida é tão somente saber que, como diz a personagem Sexta-Feira O’Leary: A VERDADE É UM MERENGUE DE LIMÃO!

Há algumas passagens que são hilárias:

não havia nada pior do que o Sr. Gum, nem mesmo cair acidentalmente em um vulcão cheio de professores de Matemática.

Um lugar onde a neve cai como a capa de Frankestein e o vento uiva como Drácula quando dá uma topada com o dedão do pé na mesa de centro.

Na descrição dos Goblins: Uns fedorentos, outros limpos, não, mentira, todos são fedorentos.

Um dos Goblins que tinha duas cabeças, estava lá sentado, discutindo sem parar consigo mesmo, não foi ele, foi ele sim, não foi ele.

Os nomes dos Goblins são todos absurdos do tipo Grifo, Sr. Galgo, Gargarejo, Gosmento e, de repente aparece um que se chama André Guilherme. Eu achei engraçadíssimo isso...

Só mais uma passagem: E eu devo ir armado somente com pensamentos puros, uma língua sincera e um coração cheio de coragem. Além de uma espada, no caso de todas estas coisas não funcionarem.

É leitura para a criançada chorar de rir. Claro, se as crianças forem tão legais como a Polly, a garota heroina do livro! Ela lembrou-me uma amiga que se chama... Poly!
Recomendo muito muito esse livro. É pura educação. Aliás, a educação é mesmo o pano de fundo do livro, como de todo bom livro. Os autores sugerem que as crianças (para não virarem monstrinhos...) abandonem a Escola de Tédio Doutor Chatice e frequentem a Escola Santo Pterodátilos para Pobres. Essa última é muito melhor do que a primeira, of course. Eu ainda não disse, mas esses personagens todos vão virar desenho animado do canal Nichelodeon. Achei muito bom: os desenhos do David parecem as garatujas infantis e tão cheios de vida! O livro faz parte da Coleção Galera, da Record e foi traduzido por Luiz Antonio Aguiar, acho que já é possível encontrar nas livrarias.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um game chamado Flor? Eu quero.

Sou mesmo muito muito desinformado. O que me tranquiliza é tão somente o fato de que não dá para saber tudo. O engraçado é que, nos nossos tempos, ficamos sempre com aquela tola impressão de que se não ouvimos falar a respeito de determinado assunto quanto isso aconteceu ali atrás, retomá-lo, com ar de novidade, pode soar antiquado, old fashion etc. Tudo isso é uma grande tolice, of course.
Por exemplo, somente hoje, navegando a esmo pela net, descobri um artigo da I.D. (adoro essa revista!) e lá eles falavam, em janeiro do ano passado, do lançamento de um game (que ocorreu nos EUA e Europa, em fevereiro de 2009), pela Sony, que ia na contramão do que costumam ser os games Playstation. Eu não sou de utilizar esses jogos, simplesmente porque nunca me interessei. Mas tenho uma opinião bastante desfavorável em relação a eles, se forem violentos. Só em acompanhar no noticiário (quando esse assunto é pauta de matérias voltadas para a Educação, por exemplo), fico estarrecido em saber que crianças e adolescentes ficam ensaiando, por meio desses jogos, como matar pessoas etc. Uma tristeza, um tempo muitíssimo mal empregado, uma deformação do que seria o ideal, em se tratando da educação lúdica de um ser humano.
Eu conheço um cara, por exemplo, que baixa pela internet um joguinho pífio cuja intenção é fazer um garoto voltar para casa (foi isso que eu entendi) mas no caminho a pobre da criança é lançada como se fosse uma bola (o garoto é gordinho) e ele vai caindo e se machucando e o sangue espirando. Um horror!
Pois bem, o jogo Flower (achei tão flower power esse título \o/) não é nada disso, ele é um Zen Game e o objetivo é relaxar, meditar. Tudo de que precisamos para sermos pessoas melhores. Além disso, é também muito bonito, uma joia do design de jogos. Lembrou-me umas experiências que eu de fato já vivi, dormindo, em sonho... ou será que eu estava acordado?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bom-dia. Bom Trabalho. Boa-noite. Bom descanso.

Ainda essa semana escrevi na lateral desse blog a seguinte frase: Quero muito atenuar a impressão moral dos reveses e das decepções que experimento! Uma amiga, a quem me reportei a esse respeito, mandou-me um e-mail lacônico: É facil falar. Entendi, ela queria dizer que o agir segundo esse ideal não é nada fácil. Ainda ontem, pude refletir melhor a respeito, uma vez que, no final do meu expediente, tive um pequeno aborrecimento. Como tudo que é pequeno, ele tendeu a crescer, uma vez que foi alimentado. Assim, chegando ao metrô, somente com o alimento do pensar e repensar o aborrecimento ele era já um aborrecimento adolescente.
Ao tomar o trem em direção ao subúrbio, onde moro, na estação seguinte, ele parou e não prosseguiu a viagem devido a "problemas operacionais", como são treinados a dizer, nesses casos, os operadores de trens. Então, o seguinte seguiu lotado e o aborrecido continuou a viagem sem poder se sentar. A viagem foi morosa, deu tempo de rezar todo um rosário, ler inteiramente o Caderno 2 do Estadão, incluindo os quadrinhos e o horóscopo do Quiroga.
Algo importante de ser assinalado também ocorreu: foi possível esquecer o primeiro aborrecimento e se concentrar nesse outro, ou seja, estar na rua tão tarde da noite fria, com fome etc.
Então, aconteceu, de fato, o que precisava acontecer. Ao tomar uma lotação - o último coletivo no trajeto de volta para casa - sentei-me em um banco, no fundo do micro-ônibus. Na medida em que os passageiros começaram a descer - lá pela metade do curto trajeto que eu faria - comecei a ouvir uma voz que dizia a cada passageiro, não importava quantos fossem os que descessem:
- Boa-noite. Bom descanso.
E, a cada nova parada, a mesma frase ia se repetindo, dirigida a todo aquele que descia:
- Boa-noite. Bom descanso.
Quando, por fim, chegou a minha vez, reconheci aquele jovem negro, sorridente, o cobrador da lotação. Era o mesmo que eu já ouvira dizer às pessoas, quando chegavam ao ponto final da estação de trem:
- Bom-dia. Bom trabalho.
Essa é a frase com a qual ele termina todas as viagens transportando os passageiros pela manhã, e aquela, que agora eu ouvia, era a que dizia, portanto, toda noite, ao fim da viagem de cada passageiro, no retorno de todos para os seus lares.
Esse jovem negro, cobrador de lotação, na periferia de São Paulo, sabe muito mais do que eu e minha amiga que é preciso muito atenuar a impressão moral dos reveses e das decepções que experimentamos!
Sim, falar isso é fácil. Já o que ele faz é ter a atitude que demonstra o alcance natural do ideal de uma vida melhor, quando se pode dizer a todos, sem distinção e sorrindo: Bom-dia. Bom trabalho. Boa-noite. Bom descanso.
Essa fórmula singela, que resume toda uma vida bendita. Bendito sejas, rapaz!