O cinema está vivo! Fiquei muito feliz ao constatar isso, ontem, na sessão de Luzes na Escuridão de Aki Kaurismaki (em cartaz na Sala Oscar Niemeyer, do Belas Artes). Quem quiser saber, com profundidade, acerca da importância dos irmãos Kaurismaki para o cinema contemporâneo e para o conhecimento que o mundo passou a ter do cinema Finlandês: leia a crítica de Luiz Carlos Merten, no Estadão.
Eu, aqui, só poderei falar das minhas impressões muito pessoais em relação ao filme. ;-D
Quando o filme começou, compreendi que o protagonista e todos os outros personagens não iam falar muito e que, portanto, nós veríamos um filme paradigma de Cinema, ou seja, em que o que importa é o que podemos ver e ler na obra, a partir dos recursos que constituem propriamente essa arte: as tomadas, a luz, a fotografia, a direção e atuação dos atores, tudo isso amalgamado no que o roteiro e a montagem permitem entrever da história que se conta e que, por isso mesmo, por essa felicidade que constitui a obra cinematográfica como um todo, é que ela terá repercussão direta no nosso coração.
Quando o filme resulta de toda essa miríade de recursos bem empregados e, portanto, funcionando perfeitamente bem, não é preciso saber, tecnicamente, acerca de nada disso, mas tão somente emocionar-se com o resultado: se você é uma alma sensível à arte que ali se impõe.
Outro aspecto em Luzes na Escuridão que alegra quem viveu boa parte de sua vida na escuridão das salas de cinema e já viu nelas muita luz: esse é um filme contemporâneo, mas que remete diretamente ao cinema dos grandes diretores. Por exemplo, também percebi que o filme era, inclusive, um filme noir. Para mim isso remeteu, em muitas passagens, à atmosfera de uma espécie particular de noir: aquela que já vimos nos filmes de Fassbinder, por exemplo. Além disso, notei que havia também qualquer coisa de Cabíria naquela personagem central. Por exemplo, no modo frágil como ele se deixa arrastar pela vilã. A cara dele, parafraseando Caetano, não deixa de ser ela também um coração de Jesus...
Lembrei-me até mesmo de Win Wenders, quando ele nos sugeria que as pessoas comuns têm qualquer coisa de anjo, assim como esses têm qualquer coisa de gente comum, principalmente se essa gente é pária nesse mundo. É o caso, por exemplo, do garotinho negro que cuida do cachorro e, ao fim, até mesmo do segurança, a personagem central.
Por fim, há uma coisa ainda mais importante em Luzes na Escuridão e incomensurável em todo bom cinema: ele é um filme que fala do amor. O filme nos ensina que o amor é uma conquista lenta e que, estando nesse mundo socialmente injusto em que vivemos, ainda que possamos ser vítimas das circunstâncias as mais incontroláveis, mais intensamente o seremos, enquanto não compreendermos os nossos limites (sobretudo no campo material) e também que o nosso isolamento e a falta de amor próprio, tais circunstâncias, nos impedem de aceitar que sejamos amados por quem tão somente nos quer estender a mão.
terça-feira, 11 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
A Divina
No último dia 7, muitos lembraram que faz 20 anos que não temos mais a presença física de Eliseth Cardoso entre nós. Por exemplo, a Rolling Stone, que fala do relançamento de um importante livro que é a biografia da cantora.
A Folha de hoje, por sua vez, fala de um musical que estreia amanhã, no Frei Caneca, centrado nessa grande personagem da nossa música.
Ela foi uma cantora que quase completou 70 anos de carreira e as novas gerações mal ouviram falar na sua existência! Eliseth era eclética e cantou de tudo, mas foi o samba o gênero em que se fixou, de um modo como ninguém mais pode fazê-lo. Ela era única. Tamanha personalidade resultou que a chamavam por diferentes epítetos. Acho todos lindos:
A Noiva do Samba-Canção,
Lady do Samba (pelo seu donaire ao cantar),
ou ainda, Machado de Assis da Seresta.
Mulata Maior (esse, eu acho maravilhoso).
A Magnífica (apelido dado por Mister Eco), e
A Enluarada (por Hermínio Bello de Carvalho).
O mais adorável, no entanto, foi o criado por Haroldo Costa e que é aquele que permaneceu para sempre ligado ao nome da cantora –
A Divina.
A Divina Eliseth Cardoso faleceu em 07 de Maio de 1990 e, como tudo que é da ordem do Divino, merece um eterno tributo.
Sei lá, Mangueira
(Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho)
Mangueira
Teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou...
Vista assim do alto
Mais parece um céu no chão
Sei lá
Em Mangueira a poesia
Feito um mar se alastrou
E a beleza do lugar
Pra se entender
Tem que se achar
Que a vida não é só isso que se vê
É um pouco mais
Que os olhos não conseguem perceber
E as mãos não ousam tocar
E os pés recusam pisar
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Não sei se toda a beleza
De que lhes falo
Sai tão somente do meu coração
Em Mangueira a poesia
Num sobe-desce constante
Anda descalça ensinando
Um modo novo da gente viver
De pensar e sonhar, de sofrer
Sei lá não sei
Sei lá não sei não
A Mangueira é tão grande
Que nem cabe explicação
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá ...
A Folha de hoje, por sua vez, fala de um musical que estreia amanhã, no Frei Caneca, centrado nessa grande personagem da nossa música.
Ela foi uma cantora que quase completou 70 anos de carreira e as novas gerações mal ouviram falar na sua existência! Eliseth era eclética e cantou de tudo, mas foi o samba o gênero em que se fixou, de um modo como ninguém mais pode fazê-lo. Ela era única. Tamanha personalidade resultou que a chamavam por diferentes epítetos. Acho todos lindos:
A Noiva do Samba-Canção,
Lady do Samba (pelo seu donaire ao cantar),
ou ainda, Machado de Assis da Seresta.
Mulata Maior (esse, eu acho maravilhoso).
A Magnífica (apelido dado por Mister Eco), e
A Enluarada (por Hermínio Bello de Carvalho).
O mais adorável, no entanto, foi o criado por Haroldo Costa e que é aquele que permaneceu para sempre ligado ao nome da cantora –
A Divina.
A Divina Eliseth Cardoso faleceu em 07 de Maio de 1990 e, como tudo que é da ordem do Divino, merece um eterno tributo.
Sei lá, Mangueira
(Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho)
Mangueira
Teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou...
Vista assim do alto
Mais parece um céu no chão
Sei lá
Em Mangueira a poesia
Feito um mar se alastrou
E a beleza do lugar
Pra se entender
Tem que se achar
Que a vida não é só isso que se vê
É um pouco mais
Que os olhos não conseguem perceber
E as mãos não ousam tocar
E os pés recusam pisar
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Não sei se toda a beleza
De que lhes falo
Sai tão somente do meu coração
Em Mangueira a poesia
Num sobe-desce constante
Anda descalça ensinando
Um modo novo da gente viver
De pensar e sonhar, de sofrer
Sei lá não sei
Sei lá não sei não
A Mangueira é tão grande
Que nem cabe explicação
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá ...
Marcadores:
cantora,
dica de livro,
dica de site,
dica de teatro,
Eliseth Cardoso,
Folha de S. Paulo,
modos de ser,
MPB,
música,
Revista Rolling Stone
sábado, 8 de maio de 2010
Dia das Mães antecipado ou todo dia é dia de mãe e filho
Antecipei o dia das mães aqui em casa.
Na verdade, todo dia tem sido o dia da mãe e do filho, morando juntos, sob o mesmo teto. O maior presente que tenho buscado dar, diariamente, à minha mãe tem sido o respeito e carinho que ela merece e, sobretudo, a paciência que, em geral, nós mais jovens ou tão somente na meia idade nem sempre conseguimos ter com os idosos, que passam a ter um ritmo bastante diferente do que julgamos normal, tão somente porque é o ritmo normal para nós mesmos. Esse exercício de aprender a lidar com o ritmo das ações em geral do idoso é, no entanto, o mais fascinante porque tal aprendizado é o de vivenciar o amor filial, o mais puramente possível.
Digo que antecipei o dia das mães, porque comprei os presentes hoje e não esperei o dia de amanhã para a entrega dos mesmos.
Comprar os presentes do dia das mães foi uma experiência muito agradável, porque todo mundo estava no shopping comprando exatamente esse presente. E foi bonito ver os filhos de todas as idades mobilizados nessa tarefa. Embora a loja de perfumes, por exemplo, estivesse lotada, senti que todos estavam calmos e pacientes ali, compradores e vendedores. Foi muito civilizado aguardar que o rapaz do caixa chamasse as pessoas pelo nome e depois o assistente que fazia o embrulho para presente também repetir o nome da pessoa para entregar a mercadoria. Nunca tinha visto esse tipo de organização num estabelecimento comercial e achei bonito que os filhos fossem chamados pelo nome. Quantos deles não tiveram seus nomes justamente escolhidos pela própria mãe? Era o meu caso.
O mais comovente foi chegar em casa e entregar os presentes para minha mãe. Ela não cabia em si de contente: e não sei até agora se ela gostou mais do perfume ou da roupa que lhe dei. É que mãe gosta mesmo é de amar e ser amada.
Você já comprou o presente da sua mãe?
O Alessandro Martins, blogueiro de Curitiba, escreveu um texto lindo em homenagem ao dia. Recomendo a leitura: é emocionante. Está lá no Cracatoa, seu blog de contos, crônicas e outros escritos do gênero propriamente literário.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
A inteligência é algo que se desenvolve
Ontem, ouvi, durante uma viagem em um trem da CPTM, pessoas defendendo a pena de morte no Brasil. Vejam só! Foi, então, que me lembrei de um episódio da minha infância. Quando eu estava na terceira série do primário, eu devia ter 9 anos, aconteceu uma fatalidade na família de um dos colegas que frequentava a nossa sala de aula. Não me lembro se um tio fora assassinado... Mas fora um crime, seguido de assalto, envolvendo, portanto, uma pessoa conhecida na comunidade. Lembro-me que todos ficamos consternados com o ocorrido, mas havia alguns garotos, e mesmo algumas meninas, que falavam em vingança e que se o assassino fosse pego ele deveria ser condenado à pena de morte.
Eu lembro de ter dito na ocasião:
- Gente, não existe pena de morte no Brasil.
E, então, perguntaram-me se eu concordava com isso, com a pena de morte, eu disse que não. Disse com todas as letras:
- Não! Imaginem se eu vou concordar com isso! Matar uma pessoa!
E, então, me disseram:
- Mas ele matou o fulano, e se fosse seu pai, sua mãe?
Tanto as crianças como os adultos, que nutrem essas ideias horríveis na cabeça, sempre vêm com esses argumentos emotivos e extremados, utilizando, com a intenção de convencimento, os apelos mais pessoais possíveis. Eu continuava:
- Imaginem que isso vai acontecer com o meu pai, com a minha mãe! E mesmo se acontecesse: eu não iria querer MATAR um miserável assassino.
Eu falava, tão seriamente, que os coleguinhas ficaram desconcertados e afirmaram:
- Ah, o Júnior é um louco mesmo! [Aquele tempo eu era chamado de Júnior e de louco, vejam só!]
Eu acho que eu era uma criança bem bacana, isso sim... rsrsrs
Como diz uma amiga minha, a verdade é que se formos seguir a lei do "olho por olho, dente por dente", teremos uma multidão de caolhos e banguelas. É isso. Deus nos livre!
Quando terminei esse texto acima, fui procurar uma imagem que pudesse ilustrar o tema em questão, encontrei alguém falando em um blog do fim da pena de morte, nas Filipinas, em 2006. Uma notícia muito boa, portanto. O blog está abandonado, mas a ex-dona (será que um blog fica sem dono, depois de abandonado? Acho que não, estão lá os textos e todos assinados), ela é uma pessoa encantadora. Para ilustrar o que estou dizendo, olhem só essa outra postagem que também li e que considerei como um modo muito delicado de se queixar das pessoas. rsrsrs Essa blogueira portuguesa (bem, não deu para saber, a escrita dela é portuguesa) escrevia textos muito gostosos de ler. Tomara que ela não se incomode de eu ter trazido esse seu texto para cá. Esqueci de avisá-la de que eu faria isso, quando lhe enviei um e-mail contando que conhecera o Pópulo.
Vejam se eu não tenho razão:
novembro 04, 2006
Bichitos insignificantes
Às vezes quando andamos a passear no campo, levantamos uma pedra e encontra-se lá debaixo um bicho. Quase sempre os bichos que encontramos debaixo das pedras não são muito bonitos, eles lá sabem porque precisam da escuridão da pedra… Mas têm direito à vida, pois então! Nunca lhes faço mal e deixo-os desaparecer debaixo de outra pedra.
Aqui há uns tempos fui mordida por um insecto qualquer. Nem o vi, só dei conta do inchaço e da comichão que aquilo fazia. Andei por aí às voltas com umas pomadas e bastante aborrecida quando uma minha amiga médica me disse: "O melhor era teres posto uma pedrinha de gelo!" Imagine-se! Uma pedra de gelo, nunca me teria lembrado e coisa mais fácil e barata não há.
Acontece que na nossa vida real, ou por vezes aqui na net, de vez em quando somos mordidas por «uns bichos» que lá saem por debaixo de umas pedras e, sabe-se lá porquê, decidem morder. Não é morte de ninguém, fazem só uma certa comichão e é um tanto desagradável, mas não passa daí. Gosto bastante da técnica-da-pedra-de-gelo, ‘traduzindo’ – deixar passar algum tempo até ficar de cabeça fria. Claro que me incomoda mais quando, nessa ânsia de me irritar picar, vai apanhar por ricochete outra pessoa que não tem nada a ver comigo. Mas eu vou tentar passar o cubo de gelo aos outros e explicar-lhes que estes bichinhos que vivem debaixo das pedras são mesmo assim, taditos, não primam pela inteligência.
Emiéle
Eu lembro de ter dito na ocasião:
- Gente, não existe pena de morte no Brasil.
E, então, perguntaram-me se eu concordava com isso, com a pena de morte, eu disse que não. Disse com todas as letras:
- Não! Imaginem se eu vou concordar com isso! Matar uma pessoa!
E, então, me disseram:
- Mas ele matou o fulano, e se fosse seu pai, sua mãe?
Tanto as crianças como os adultos, que nutrem essas ideias horríveis na cabeça, sempre vêm com esses argumentos emotivos e extremados, utilizando, com a intenção de convencimento, os apelos mais pessoais possíveis. Eu continuava:
- Imaginem que isso vai acontecer com o meu pai, com a minha mãe! E mesmo se acontecesse: eu não iria querer MATAR um miserável assassino.
Eu falava, tão seriamente, que os coleguinhas ficaram desconcertados e afirmaram:
- Ah, o Júnior é um louco mesmo! [Aquele tempo eu era chamado de Júnior e de louco, vejam só!]
Eu acho que eu era uma criança bem bacana, isso sim... rsrsrs
Como diz uma amiga minha, a verdade é que se formos seguir a lei do "olho por olho, dente por dente", teremos uma multidão de caolhos e banguelas. É isso. Deus nos livre!
Quando terminei esse texto acima, fui procurar uma imagem que pudesse ilustrar o tema em questão, encontrei alguém falando em um blog do fim da pena de morte, nas Filipinas, em 2006. Uma notícia muito boa, portanto. O blog está abandonado, mas a ex-dona (será que um blog fica sem dono, depois de abandonado? Acho que não, estão lá os textos e todos assinados), ela é uma pessoa encantadora. Para ilustrar o que estou dizendo, olhem só essa outra postagem que também li e que considerei como um modo muito delicado de se queixar das pessoas. rsrsrs Essa blogueira portuguesa (bem, não deu para saber, a escrita dela é portuguesa) escrevia textos muito gostosos de ler. Tomara que ela não se incomode de eu ter trazido esse seu texto para cá. Esqueci de avisá-la de que eu faria isso, quando lhe enviei um e-mail contando que conhecera o Pópulo.
Vejam se eu não tenho razão:
novembro 04, 2006
Bichitos insignificantes
Às vezes quando andamos a passear no campo, levantamos uma pedra e encontra-se lá debaixo um bicho. Quase sempre os bichos que encontramos debaixo das pedras não são muito bonitos, eles lá sabem porque precisam da escuridão da pedra… Mas têm direito à vida, pois então! Nunca lhes faço mal e deixo-os desaparecer debaixo de outra pedra.
Aqui há uns tempos fui mordida por um insecto qualquer. Nem o vi, só dei conta do inchaço e da comichão que aquilo fazia. Andei por aí às voltas com umas pomadas e bastante aborrecida quando uma minha amiga médica me disse: "O melhor era teres posto uma pedrinha de gelo!" Imagine-se! Uma pedra de gelo, nunca me teria lembrado e coisa mais fácil e barata não há.
Acontece que na nossa vida real, ou por vezes aqui na net, de vez em quando somos mordidas por «uns bichos» que lá saem por debaixo de umas pedras e, sabe-se lá porquê, decidem morder. Não é morte de ninguém, fazem só uma certa comichão e é um tanto desagradável, mas não passa daí. Gosto bastante da técnica-da-pedra-de-gelo, ‘traduzindo’ – deixar passar algum tempo até ficar de cabeça fria. Claro que me incomoda mais quando, nessa ânsia de me irritar picar, vai apanhar por ricochete outra pessoa que não tem nada a ver comigo. Mas eu vou tentar passar o cubo de gelo aos outros e explicar-lhes que estes bichinhos que vivem debaixo das pedras são mesmo assim, taditos, não primam pela inteligência.
Emiéle
terça-feira, 4 de maio de 2010
Doug + Mike Starn on the Roof: Big Bambú
Acho o máximo o que o Metropolitan promove no seu teto. Eu me lembro quando foi a vez do Jeff Koons, agora, o museu convidou os irmãos, e gêmeos idênticos, Mike e Doug Starn para ocuparem o jardim supenso do Metropolitan Museum of Art, com uma instalação a que os artistas chamaram Big Bambú: You Can’t, You Don’t, and You Won’t Stop.
Muito boa essa metáfora: Big Bang? No. Big Bambú.
A ideia é essa mesma: eles estão armando uma monumental estrutura feita de bambus e que será continuamente construída durante todo o tempo da exposição nessa primavera e verão em New York. Aliás, até perto de outubro (se o tempo deixar). Eles dizem assim mesmo o período da exposição: April, 27, 2010-October, 31, 2010 (weather permitting).
Tal escultura, portanto, será sempre mutável e crescente, enquanto durar a sua exposição. Os visitantes poderão andar por uma plataforma e ver a floresta de bambus, bem como os artistas em pleno trabalho, em intervalos regulares, quando serão auxiliados por um grupo de alpinistas que também participa.
Achei belíssimas essas fotos, nas quais podemos ver que a tal estrutura vai crescendo para o alto e para os lados, e tem como pano de fundo a cidade e o Central Park.
Os gêmeos nasceram em New Jersey, em 1961, e fazem um trabalho de colaboração mútua, no qual combinam trabalhos de escultura, fotografia, pintura, vídeo e instalações. Seus trabalhos têm repercussão internacional e estão em coleções públicas e privadas em todo o mundo. Entre suas exibições solo estão Gravity of Light (2004, 2008), Absorption + Transmission (2005, 2006), Behind Your Eye (2004), Sphere of Influence (1994) Mike ande Dourg Starn: Selected Works 1985-87 (1988) e The Christ Series (1988) . Além de serem bons no que fazem, bem como para dar títulos aos seus trabalhos (eu acho ! ;-D), os artistas vivem e trabalham por ali mesmo, em New York. I have enjoyed myself enormously.\o/\o/\o/
Espero que um amigo meu, que vai para NY dentro de algumas semanas, não perca isso (está me ouvindo caríssimo?) e se alguém mais, que agora tenha ficado sabendo, passar pela Big Aplle: Go there please!
Muito boa essa metáfora: Big Bang? No. Big Bambú.
A ideia é essa mesma: eles estão armando uma monumental estrutura feita de bambus e que será continuamente construída durante todo o tempo da exposição nessa primavera e verão em New York. Aliás, até perto de outubro (se o tempo deixar). Eles dizem assim mesmo o período da exposição: April, 27, 2010-October, 31, 2010 (weather permitting).
Tal escultura, portanto, será sempre mutável e crescente, enquanto durar a sua exposição. Os visitantes poderão andar por uma plataforma e ver a floresta de bambus, bem como os artistas em pleno trabalho, em intervalos regulares, quando serão auxiliados por um grupo de alpinistas que também participa.
Achei belíssimas essas fotos, nas quais podemos ver que a tal estrutura vai crescendo para o alto e para os lados, e tem como pano de fundo a cidade e o Central Park.
Os gêmeos nasceram em New Jersey, em 1961, e fazem um trabalho de colaboração mútua, no qual combinam trabalhos de escultura, fotografia, pintura, vídeo e instalações. Seus trabalhos têm repercussão internacional e estão em coleções públicas e privadas em todo o mundo. Entre suas exibições solo estão Gravity of Light (2004, 2008), Absorption + Transmission (2005, 2006), Behind Your Eye (2004), Sphere of Influence (1994) Mike ande Dourg Starn: Selected Works 1985-87 (1988) e The Christ Series (1988) . Além de serem bons no que fazem, bem como para dar títulos aos seus trabalhos (eu acho ! ;-D), os artistas vivem e trabalham por ali mesmo, em New York. I have enjoyed myself enormously.\o/\o/\o/
Espero que um amigo meu, que vai para NY dentro de algumas semanas, não perca isso (está me ouvindo caríssimo?) e se alguém mais, que agora tenha ficado sabendo, passar pela Big Aplle: Go there please!
domingo, 2 de maio de 2010
Whatever works
Quem não gosta de Woody Allen é porque ainda não pode gostar. E tudo bem. Ontem, na sala Candido Portinari do Belas Artes, lotada, todo mundo ali demonstrou que já podia gostar e mesmo quem não gostou está no caminho: afinal, foi assistir ao filme Whatever Works, o mais recente lançamento, em São Paulo, do Diretor genial.
Sim, Woody Allen, nós podemos ser tão inteligentes a ponto de compreender tudo e achar que nada disso faz sentido: a randow event nossa existência! Então, nós também podemos nos lançar do alto do edifício. E podemos não morrer, por isso mesmo.
Além disso, mesmo achando todos inferiores e mergulhados no nosso narcisismo absoluto, estenderemos a mão, num gesto de caridade. E ainda que não saibamos, nesse momento, estaremos sendo caridosos com o humano em nós.
Podemos nos encantar com a simplicidade que se se reveste em atenção e carinho e cuidados. Sobretudo, com a simplicidade desse gesto, compreendendo, assim, que fora só uma passagem, enfim, whatever works. E quando, achando que perdemos mais uma vez, com tal experiência, podemos novamente nos lançar no abismo para, então, encontrarmos outra seara. Ou seja, ainda o que só podemos chamar, por ora, Whatever works.
Woody Allen é verdade! Nova York (eu acho que São Paulo também...) pode ser o lugar de elaboração profunda do ser: o lugar de passagem onde, por exemplo, um casal careta e já separado possa encontrar as novas possibilidades, enfim, a experiência necessária que sempre acontece, ou seja, Whatever works.
E caríssimo: sim, eles nos assistem, mesmo que aqueles que nos rodeiam não acreditem nisso. Eu entendi que tal alusão não era tão somente metalinguagem no seu filme. Obrigado por essa experiência amorosa, feliz e genial de cinema e de vida.
Sim, Woody Allen, nós podemos ser tão inteligentes a ponto de compreender tudo e achar que nada disso faz sentido: a randow event nossa existência! Então, nós também podemos nos lançar do alto do edifício. E podemos não morrer, por isso mesmo.
Além disso, mesmo achando todos inferiores e mergulhados no nosso narcisismo absoluto, estenderemos a mão, num gesto de caridade. E ainda que não saibamos, nesse momento, estaremos sendo caridosos com o humano em nós.
Podemos nos encantar com a simplicidade que se se reveste em atenção e carinho e cuidados. Sobretudo, com a simplicidade desse gesto, compreendendo, assim, que fora só uma passagem, enfim, whatever works. E quando, achando que perdemos mais uma vez, com tal experiência, podemos novamente nos lançar no abismo para, então, encontrarmos outra seara. Ou seja, ainda o que só podemos chamar, por ora, Whatever works.
Woody Allen é verdade! Nova York (eu acho que São Paulo também...) pode ser o lugar de elaboração profunda do ser: o lugar de passagem onde, por exemplo, um casal careta e já separado possa encontrar as novas possibilidades, enfim, a experiência necessária que sempre acontece, ou seja, Whatever works.
E caríssimo: sim, eles nos assistem, mesmo que aqueles que nos rodeiam não acreditem nisso. Eu entendi que tal alusão não era tão somente metalinguagem no seu filme. Obrigado por essa experiência amorosa, feliz e genial de cinema e de vida.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Ser compassivo
Eu conheço alguém que por algum motivo muito obscuro para mim, provavelmente, me odeia. Diria mesmo que muito provavelmente, porque tal pessoa procura, mesmo na mais ínfima oportunidade que lhe seja propícia, reiterar o sentimento de profundo desgosto em conviver comigo.
Eu, por minha vez, gosto muito de mim mesmo. E, inclusive, também não tenho nada de concreto contra tal pessoa. A não ser o fato de que, eu, gostando de mim, não vejo nenhum motivo para que alguém me odeie, portanto, tão somente esse sentimento contrário ao daquele e que resulta nessa minha incompreensão absoluta de que alguém me odeie. Aliás, sempre que perscruto meu coração, concluo que não tenho lhe dado motivos para alimentar tamanho ódio. No entanto, seu ódio é até mesmo mais forte do que o bom senso e que, posso notar, esse ser também possui noutras circunstâncias.
Observando essa personagem de agora, lembro-me de todos os que também me odiaram, em maior ou menor grau, nessa minha vida, que já vai no alto de seus 42 anos. Não foram muitas pessoas, é verdade, e cada qual parecia ter sempre motivos muito obscuros para odiar a mim. Como podem notar o meu amor próprio é inegável. Por outro lado, como não consigo, deliberadamente, odiar a ninguém, acabo por perceber que fico sempre no escuro, quando sou eu o alvo de tal desamor.
O que é possível fazer? Em tal circunstância, penso que o silêncio, primeiramente, é sempre a melhor atitude diante dos surtos odientos daquele ser, por exemplo. Quando então, ele exala seus miasmas, e, portanto, quando sua vibração negativa será muito próxima do insuportável. Também penso que não se deve chorar, por mais penalizados que fiquemos diante de tal expressão. Mas, sobretudo, não devemos nos contaminar com o ódio, afinal seria horrível odiar alguém tão somente porque esse alguém nos odeia.
E mais, há segredo aí. Quero acreditar que, no infinito do obscuro, o que nos pode salvar de um quadro ainda mais lamentável é nos mantermos o máximo possível à margem, mas elevando um clamor aos céus para que esse ser seja feliz! Tão feliz a ponto de, quiça, nos esquecer e também a esse ódio que, tão veementemente, nutre por esse pobre odiado e, sobretudo, que esse último considere a possibilidade de lhe ser útil, caso ele venha a precisar - pela graça das circunstâncias insopitáveis - de nossa ajuda. Mas, sobretudo que consigamos ter, então, uma atitude de respeito tão grande no momento desse socorro que nem a mais leve lembrança do ódio daquele seja sentida por quelqu’un.
Eu, por minha vez, gosto muito de mim mesmo. E, inclusive, também não tenho nada de concreto contra tal pessoa. A não ser o fato de que, eu, gostando de mim, não vejo nenhum motivo para que alguém me odeie, portanto, tão somente esse sentimento contrário ao daquele e que resulta nessa minha incompreensão absoluta de que alguém me odeie. Aliás, sempre que perscruto meu coração, concluo que não tenho lhe dado motivos para alimentar tamanho ódio. No entanto, seu ódio é até mesmo mais forte do que o bom senso e que, posso notar, esse ser também possui noutras circunstâncias.
Observando essa personagem de agora, lembro-me de todos os que também me odiaram, em maior ou menor grau, nessa minha vida, que já vai no alto de seus 42 anos. Não foram muitas pessoas, é verdade, e cada qual parecia ter sempre motivos muito obscuros para odiar a mim. Como podem notar o meu amor próprio é inegável. Por outro lado, como não consigo, deliberadamente, odiar a ninguém, acabo por perceber que fico sempre no escuro, quando sou eu o alvo de tal desamor.
O que é possível fazer? Em tal circunstância, penso que o silêncio, primeiramente, é sempre a melhor atitude diante dos surtos odientos daquele ser, por exemplo. Quando então, ele exala seus miasmas, e, portanto, quando sua vibração negativa será muito próxima do insuportável. Também penso que não se deve chorar, por mais penalizados que fiquemos diante de tal expressão. Mas, sobretudo, não devemos nos contaminar com o ódio, afinal seria horrível odiar alguém tão somente porque esse alguém nos odeia.
E mais, há segredo aí. Quero acreditar que, no infinito do obscuro, o que nos pode salvar de um quadro ainda mais lamentável é nos mantermos o máximo possível à margem, mas elevando um clamor aos céus para que esse ser seja feliz! Tão feliz a ponto de, quiça, nos esquecer e também a esse ódio que, tão veementemente, nutre por esse pobre odiado e, sobretudo, que esse último considere a possibilidade de lhe ser útil, caso ele venha a precisar - pela graça das circunstâncias insopitáveis - de nossa ajuda. Mas, sobretudo que consigamos ter, então, uma atitude de respeito tão grande no momento desse socorro que nem a mais leve lembrança do ódio daquele seja sentida por quelqu’un.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Marie Hippenmeyer
Sinto-me privilegiado por trabalhar no Pátio do Colégio, ao lado da Praça da Sé, e poder frequentar, na hora do almoço, a Caixa Cultural que fica ali.
Ontem, fui ver o ensaio fotográfico de Marie Hippenmeyer, suiça de nascimento, mas que vive há muito tempo no Brasil. O título original do ensaio é Noir Blanc, no qual temos uma série de imagens P&B e que ela captou através de uma câmara fotográfica Diana 6x6, presente de Pierre Devin, curador da exposição. (Eu não conhecia a câmara , mas descobri uma informação importante about it aqui.)
Aliás, muito bom o texto do curador no catálogo da exposição, ali, ele nos diz, por exemplo, que o uso de uma tecnologia pobre só é interessante formalmente através de um olhar rico.
Marie Hippenmeyer pôde escapar, segundo Devin, dos obstáculos que a tecnologia digital trouxe com seu aparecimento maciço. Segundo ele, atualmente, Hippenmeyer:
procura comunicar seu questionamento sobre a insuportável leveza do ser. O olhar não é somente testemunha. Pode também ser o lugar do prazer, da nostalgia dos jogos sobre as formas e seu imaginário. Algumas cenas nos tocam sem que saibamos por quê: tocam nosso inconsciente individual ou coletivo. Temos vontade de fotografá-las, nem que seja apenas para melhor compreendê-las com o passar do tempo.
Achei singela e verdadeira essa descrição do que acontece na arte da fotografia. Sejamos, então, tocados pelas imagens de Marie Hippenmeyer.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Um fotógrafo que também curte grafite
Eu gosto de street art, gosto de grafite. E isso já é paixão antiga. Desde a minha adolescência eu ficava siderado quando vinha ao centro da cidade, ou na região da Paulista, e via os grafites do artista plástico Alex Vallauri e, tempos depois, do Maurício Villaça.
Além de mim, Graças!, tem muito mais gente que gosta desse tipo de manifestação. Um exemplo de aficionado por grafite, e que acabo de descobrir, é o carioca que vive em NY, o jovem fotógrafo Gabriel Mendes, idealizador do projeto Urban Puns. Ele produz uma série de imagens sui generis, nos cenários da street art,em várias cidades. Sua ideia foi a de fotografar desconhecidos, transeuntes, mas cujo resultado revela uma simbiose entre as pessoas e os murais de grafite clicados.
Trouxe para cá as imagens que mais apreciei, mas lá no seu site tem muito mais.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Mais Teatro para o Brasil!
Participar da blogosfera pode ser uma experiência bem mais interessante do que tão somente ter um blog pessoal e, com o risco de tudo o que é pessoal , promover e cultivar a satisfação do próprio ego, ou seja, ser tão egoísta no mundo virtual quanto possamos ser no mundo não virtual.
Um exemplo oposto a esse, é o do que acontece hoje: a blogagem coletiva a favor da, em apoio à Campanha Mais Teatro Brasil! Agradeço ao Alessandro do Livro & Afins por nos chamar a todos para participar.
Vejamos o que acontece. Muitos de nós, por exemplo, que moramos em São Paulo, um dos polos mais desenvolvidos economicamente, podemos participar, estando aqui, do que também acontece no universo da cultura em geral, ou seja, acompanhamos nele esse mesmo gigantesco desenvolvimento, inclusive no número de peças de teatro em cartaz.
Eu contei, em um dos guias de espetáculos e eventos de um jornal da cidade, e ali estão enumerados, só para essa semana, cerca de 80 espetáculos de teatro em cartaz. Isso sem contar os trabalhos de grupos alternativos ou que não dispõem de espaço para a divulgação de suas montagens teatrais em jornais.
Um outro exemplo: no sábado, fui à exposição de Andy Warhol na Estação Pinacoteca e, depois de visitar a exposição, enquanto me encaminhava para o Belas Artes para ver o filme Alice no País das Maravilhas, pude ver o que acontecia na parede do Conjunto Nacional, na Av. Paulista, ou seja, a exposição das fotos de Marcel Gautherot, feitas durante a construção de Brasília, projetadas nas paredes externas do edifício. Portanto, na cidade de São Paulo, a população pode respirar nas ruas, além do ar poluído, as variadas manifestações do universo da cultura.
Em São Paulo, entre as peças em cartaz, há aquelas que, devido ao valor do ingresso, a grande maioria das pessoas não pode comparecer. São os tais musicais a la Broadway, cujos ingressos podem chegar a 200 reais, ou as peças com os atores globais, que também costumam ter seus ingressos caros: acima de 50 reais.
Mas, a maioria das peças, tem o seu preço médio entre 15 e 30 reais. Se a pessoa for estudante, pagará meia-entrada. Além disso, eu também contei, no tal guia cultural foram divulgados dez espetáculos com entrada franca, ou seja, só não vai ao teatro quem não quer. Simples assim.
No entanto, saindo do eixo São Paulo-Rio de Janeiro, esse cenário muda de figura.
Por exemplo, segundo o pessoal que organiza essa campanha, em todo o Estado do Tocantins, cuja população estimada é de 1,250 milhão de habitantes, há apenas uma sala de teatro! E em todo o Estado de Rondônia, cuja população estimada é de 1,5 milhão de habitantes, há apenas três salas de teatro...
E mais: 95% de toda população brasileira nunca esteve em um teatro!
Apenas 16% dos municípios brasileiros têm salas de espetáculos!
Assim sendo, penso que todos devemos apoiar essa campanha sensata.
No site oficial da campanha, você vai encontrar este texto do qual reproduzo aqui o pequeno trecho abaixo, mas mais do que isso você encontrará onde assinar e marcar o seu apoio. Faça isso, por favor!
A Campanha é um grande manifesto nacional que tem como missão fundamental a inclusão sociocultural, educacional e digital, incentivando e disseminando arte, cultura e entretenimento de Norte a Sul do Brasil, tendo como base fundamental o Teatro!
Objetivo da Campanha:
Colher o maior número de assinaturas possível para dar entrada, junto ao Congresso Nacional, num Projeto de Lei de Iniciativa Popular, para que seja obrigatória a construção de um "Centro Integrado de Cultura" em cada município, cuja população seja superior a 25 mil habitantes.
A ideia central é permitir que populações inteiras, que nunca tiveram contato com espetáculos de qualidade, ou mesmo espaços destinados à arte e à cultura – em sua imensa maioria restritas ao eixo Rio - São Paulo –, passem a ter acesso as mais diversas formas de expressão artístico-culturais, fomentando e desenvolvendo entre estas populações, um hábito tão fundamental para a formação do caráter de um povo, como é a cultura!
Para que um país seja justo socialmente, o desenvolvimento humano e social de sua população tem que acompanhar o desenvolvimento econômico do país.
Assinar:
Postagens (Atom)


































