sábado, 9 de outubro de 2010

Emmas Glück

Ontem, estive no Belas Artes, que promove toda segunda sexta-feira do mês o melhor evento de cinema na cidade. O Noitão Belas Artes. O público paga um ingresso e vê da meia-noite em diante, até três filmes. Dois deles são declarados na programação do Noitão e um é sempre um filme surpresa. O tema do Noitão de ontem foi "Revelações da Mostra". Quando cheguei ao cinema, meu amigo que é o programador do Noitão disse-me: Você já assistiu ao filme A Alegria de Emma? É de um diretor alemão chamado Sven Taddicken. Veja. Você vai gostar é um filme em que, no começo, as pessoas são feias e que no final se tornam lindas.
Eu interessei-me, de imediato, pareceu-me que, então, seria um filme que tratava de transformação.
E, sim, é disso mesmo que se trata.
O filme nos convida a refletir acerca das infinitas possibilidades que a vida apresenta quando estamos encurralados, postos diante de uma situação extrema.
Por exemplo, quando sabemos que é certo que vamos morrer. Na verdade, todos já sabemos disso, mas acontece que  Max (Jürgen Vogel), o personagem principal do filme, fica sabendo que tem uma doença e, então, a morte está próxima.
Algo assim assusta, uma vez que nos faz entrar em desespero.
Nas circunstâncias do filme sua inconsequência faz com que ele entre na vida de Emma, uma moça que vive sozinha em uma fazenda, com seus animais.
Ela tem um vizinho citadino que é policial e apaixonado por ela e que representa a voz que também traz uma circunstância de situação limite: ela terá que perder a fazenda pois está assoberbada de dívidas.
Quando o personagem principal, literalmente, despenca no seu quintal com todo o dinheiro que roubou de um amigo. Inicialmente, Emma (Jördis Triebel)  parece ser estrategista: salva o rapaz do acidente, acha o dinheiro e o esconde, põe fogo no carro...
Mas a vida é o tempo todo uma surpresa e somos nós que nos conduzimos por meio de nossas ações em meio a essas surpresas.
Não haverá dinheiro no mundo que devolva a vida! Nós somos feitos para amar! Então, um casal se faz, e a mulher pode ser forte porque ama, o homem pode ser frágil porque mortal. O amigo pode perdoar. O policial pode esperar.
O mais importante de tudo: morrer não é o fim, é uma continuidade que se entrelaça pelo lugar cativo no coração de quem cuidou e amou até o fim para sempre.
Quando o filme acabou, eu e todos na sala de cinema estávamos enlevados de emoção.
Desconfio que esse público era o público-alvo do filme: inteligente e sensível.
Eu, particularmente, senti que tinha entendido tudo e para para além da minha própria compreensão. Quando sai no saguão do cinema, falei para o meu amigo: Cinema de verdade é isso, e não podemos contar com o que não é um cinema assim: o de Alegria de Emma. Eu lamento tanto que mais pessoas não tenham visto!
Meu amigo disse que aquela era uma oportunidade rara para conhecer tal obra.
A primeira vez que ele foi apresentado no Brasil foi na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo , depois foi lançado nos cinemas, com apenas uma única cópia e que percorreu algumas poucas capitais brasileiras. Ele não foi lançado em DVD. Ou seja, é uma obra-prima e que quase não foi vista. ;-(
Eu desconfio que eu precisava ter visto, e isso se deu ontem como que por acaso, portanto, eu agradeço ao Belas Artes pela oportunidade. Eu agradeço aos meus amigos todos. Eu desejo que um dia vocês todos que lêem esse post possam saber do que eu estou falando. ;-)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A aproximação possível

Acho muito importante compreender que ainda temos muito a aprender.

Aprender, por exemplo, a nos relacionarmos melhor, e viver, portanto, a apreensão de um dos sentidos da existência: o da compreensão profunda de que as pessoas são diferentes umas das outras, definitivamente.

O elogio à diferença não é uma atitude fácil de se ter, ou mesmo algo que pudesse ser apreendido tão somente racionalmente, e, portanto, que se resolveria apenas porque eu sei que as pessoas são diferentes e eu tenho que respeitá-las como são. Não.

Penso que eu, por exemplo, preciso, para aceitá-las completamente, vê-las e pensar: eu também poderia ser assim, talvez eu já tenha sido assim, ou se eu não souber ao certo quem eu quero ser, posso, inclusive, vir a ser assim mesmo.

Essa aproximação lenta em direção à pessoa tão diferente assim de mim, já seria suficiente para eu não julgá-la em erro, por não ser igual a mim.

Como eu desejaria viver isso e com uma tamanha verdade que isso até me assustasse só por não ser possível, a-pa-ren-te-men-te.

Oh, obrigado por eu existir e estar buscando alcançar isso mesmo - a aproximação que não fere e nem mata, a aproximação possível, aquela que só pode ter como nome: amor.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Que prazer ler On the Road!

Eu continuo na minha missão de leitor e que impus a mim mesmo. Ler todos os romances mais importantes da literatura universal, enquanto eu for vivo. Acho que será tarefa para uma vida inteira mesmo, ainda mais que nunca sabemos quando essa vida de agora termina. Assim sendo, eu só sabia que eu também precisaria ler On the Road - Pé na estrada, de Jack Kerouac. Uma amiga emprestou-me o livro, uma primeira edição da tradução brasileira publicada pela antiga editora brasiliense. Tal tradução é de Eduardo Bueno e Antonio Bivar: dois beatniks brasileiros. Aliás, concordo com o Bivar, acho que deve ter acontecido exatamente o que ele diz, em uma nota final da tradução: "Santo Kerouac do céu nos sorria aprovando a dupla perfeita para a tarefa.[da tradução] Peninha e eu: On the Roadies forever."

Eu sempre soube que o Kerouac é um escritor incrível, da geração beat etc. e tal... Mas, como é diferente quando a gente lê uma obra por conta própria e sem se preocupar com as referências críticas ou com a história “por trás” do romance ou do autor...
Simplesmente, porque desse modo, fico eu, sozinho, na companhia desse autor e da personagem que narra sua história e, portanto, observando essa louca aventura sem rumo e sem objetivo definido, e que é a vida dessa personagem. Tal personagem é alguém que sofre a condição humana e é feliz. É alguém que se permite experimentar o amor. É também alguém que não tem preconceitos, que está perdido, mas que se encontra consigo mesmo, o tempo todo, graças ao fato de que sente uma profunda admiração e compaixão por todas as pessoas que cruzam seu caminho. É, sobretudo, alguém solidário e, como vive essa solidariedade em verdade, permite-se também ser um filósofo.
Acho que nós outros, que vivemos nos nossos dias, não podemos mais ter a experiência riquíssima que tal personagem vive no romance, ela e alguns de seus companheiros, simplesmente porque estamos muito distantes do desprendimento necessário para isso. Mas resta-nos a alegria de ler esse registro histórico de toda uma geração, e de admirar o fato de que eles viveram, mais intensamente, do que todas as gerações anteriores e que também as posteriores poderiam viver.Como podem ver, estou tomado pelo livro! rsrsrs

Vejam lá se eu não tenho motivos para tanto, tão somente conhecendo esses excertos que selecionei durante a leitura para compartilhar com todos vocês:

Mas nesta época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop - pode-se ver um brilho azul e intenso até todos "aaaaaaah!"...

Garotas e rapazes da América têm curtido momentos realmente tristes quando estão juntos; a artificialidade os força a se submeterem imediatamente ao sexo, sem os devidos diálogos preliminares. Nada de galanteios - mas sim um profundo diálogo de almas, pela vida que é sagrada e cada momento precioso...


A única coisa pela qual ansiamos em nossos dias de vida, e que nos faz gemer e suspirar e nos submetermos a todos os tipos de dóceis náuseas, é a lembrança de uma alegria perdida que provavelmente fora experimentada no útero e que somente poderá ser reproduzida (apesar de odiarmos admitir isso) na morte...


No Carro, enquanto dirigíamos de volta à sua velha casa, ele falou: “Algum dia a humanidade compreenderá que, na verdade, estamos em contato constante com os mortos e com o outro mundo, seja ele qual for; nesse exato instante, se tivéssemos força de vontade suficiente, poderíamos prever o que vai acontecer nos próximos cem anos e seríamos capazes de agir para evitar todas as espécies de catástrofes. Quando um homem morre, seu cérebro passa por uma mutação sobre a qual não sabemos nada agora mas que será bastante clara algum dia, se os cientistas se ligarem nisso. Só que por enquanto esses filhos da puta só estão interessados em descobrir como explodir o planeta...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Laurie Anderson - I in U / Eu em Tu

Hoje, descobri algo sen-sa-ci-o-nal. Que haverá uma exposição com trabalhos de Laurie Anderson, no CCBB de São Paulo. Aqui, ao lado de onde eu trabalho, no centro da cidade. Será a primeira exposição individual da artista no Brasil.

Descobri essa informação no site da Globo News. A repórter Bianca Ramoneda foi até o estúdio de Laurie Anderson, em Manhattan, e estrevistou a artista.

Se ainda existe alguém no mundo que não conheça Laurie Anderson, então, que esse alguém corra para lá, primeiro ao site, para ver e ouvir a entrevista e, claro, depois ao CCBB para ver a exposição. Laurie Anderson é uma artista multimídia, desde muito antes de as pessoas imaginarem que isso pudesse existir. Ela desenha, fotografa, cria instalações sonoras, objetos e. lógico, faz música. O violino é um companheiro inseparável de suas performances por que Laurie acha que esse é o instrumento que mais se aproxima da voz feminina. Ela se considera uma contadora de histórias e a tecnologia é um instrumento para que ela possa contar essas histórias todas que tem para contar.
Algumas passagens do depoimento da artista, nessa entrevista, emocionaram-me, particularmente. Cito, a minha maneira, dois momentos:
1) Quando ela diz que os EUA são um país muito apocalíptico. Para Laurie, as pessoas falam muito em fim do mundo, por lá, mas não falam em fim do capitalismo... Sobretudo, isso de fim do mundo é incansável, porque eles são muito fundamentalistas, acreditam em céu e inferno, e, então, crêem no fim do mundo: em Cristo descendo à terra, de corpo e alma, e determinando o fim do mundo. Eu concordo com a atriz que não há nada mais patético do que isso. Ela também disse que o consumismo: essa coisa de querer possuir uma casa, um computador etc. e etc.é a tônica contemporânea, ninguém fala em ajudar ao outro, por exemplo, mas em possuir para si. Enquanto que, quando ela era jovem, seus amigos não pensavam em possuir nada, mas pensavam apenas em criar.
2) Também achei emocionante ela dizer que está casada há 19 anos com Lou Reed e que ela o acha mais generoso do que ela própria, pois quando vão ao teatro, por exemplo, ela, às vezes, não gosta da peça, fala mal de uma determinada interpretação no 2º ato... e ele diz: mas o ator que fazia o papel do avô era muito bom. Além disso, ela não se lembrava de uma única vez que ele pudesse tê-la aborrecido, nesses 19 anos, o que é um privilégio uma vez que há pessoas que são aborrecidas estando apenas há 10 minutos conosco! rsrsrs

Eu fiquei emocionado por que ela é uma artista que se manteve coerente em relação a toda a sua carreira e seu trabalho. É alguém que continua afirmando o que há de melhor em ser artista: fazer esse mesmo trabalho. Ela, aos 64 anos, continua verdadeira e jovem. Prometa-me que você irá até o site da Globo News e verá a entrevista toda!





I in U / Eu em Tu - Laurie Anderson
Mostra restrospectiva da artista norte-americana, elaborada exclusivamente para o CCBB.

Conjunto de obras originais composto de instalações, fotografias, desenhos, vídeos, músicas e documentações de performances e criações produzidas desde os anos 70 até os dias atuais.
Curador: Marcello Dantas
Local: CCBB - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo
Período: 12 de outubro a 26 de dezembro
terça a domingo
10h às 20h

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A criança e o chocolate

-Moço, posso te perguntar uma coisa?

- Pode.
- Qual a capital da França?
- Paris.
- Então, compra um chocolate para me deixar feliz.

Esse diálogo ocorreu entre mim e um garotinho com idade em torno dos seus 7, 8 anos de idade, muito muito pequenino, negro, descalço, muito muito sujinho e absolutamente abandonado.
Comprei a barra de chocolate. E, quando eu disse que achei muito inteligente, além de meigo, o recurso por ele utilizado para seduzir seu cliente, ele, continuou:
- Ah, tem outra: Qual é a capital do Brasil?
- Brasília.
- Então, compra um chocolate para eu ajudar minha família.
Aqui cabe um parêntese: eu não estou mentindo, é verdade, ele utilizou, corretamente, o pronome pessoal reto da primeira pessoa do singular (eu), antes do verbo no infinitivo (ajudar), e não o pronome pessoal oblíquo não reflexivo, tônico (mim) que é o que todo mundo faz! Eu, na verdade, não faço mais isso, desde a adolescência, quando um amigo superculto chamou-me a atenção em relação a isso e severamente! rsrsrs
Imediatamente, senti uma empatia absoluta por aquele garotinho. Ele era inteligente, sensível e sabia criar algo difícil entre os seres humanos e que é a cumplicidade. Eu ri. Porque, então, pareceu-me muito claro que eu e ele estávamos falando de algo que D.H. Hymes, num artigo chamado The ethnography of speaking, chama de competência comunicativa e que, para o especialista, é um conhecimento conjugado de normas de gramática e de normas de uso e que regula, sobretudo, a apropriação contextual das condutas.
Sim, estávamos ambos nos apropriando do contexto de nossas condutas. Ele, obedecendo a sua necessidade, seduzia por um jogo de linguagem, ao lançar mão da função da linguagem mais encantadora: a função poética. Ele o fez pelo aproveitamento da rima apropriada, tanto no par Paris/feliz como no par Brasília/família. Eu também apropriei-me da minha conduta de receptor da mensagem, ao deixar-me seduzir. Assim, achei apropriadíssimo, na atividade linguageira ali em funcionamento, rimar Paris com feliz ou Brasília com família, e, sobretudo, isso resultar da conduta de uma criança que, abandonada pelos adultos, optou por ganhar seus trocados usando o recurso de seduzir com palavras aqueles que poderiam ajudá-lo.
Nesse momento, ao menos para mim, a revelação dessa conduta do menino foi o mais importante.
Sim, eu conheço gente que optaria por dizer que isso era um absurdo, ou seja, uma criança estar abandonada, que essa criança deveria estar na escola, que os pais, blá, blá, blá e que, ainda, depois desse discurso todo, não compraria o chocolate, portanto, não deixaria a criança feliz...
Eu, de minha parte, continuo amando as criaturas humanas por essa capacidade de poder seduzir pelas palavras e também por elas permitirem-se ser um pouco mais feliz, em qualquer circunstância, por exemplo, estando abandonada em São Paulo e não em férias em Paris. ;-)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Michelangelo Pistoletto

Ontem, quando cheguei em casa, descobri, pela web, uma galeria de Viena chamada Galerie Mezzanin. E, dentre os artistas que estão com trabalhos expostos na Galeria, descobri Michelangelo Pistoletto, cujo trabalho chamou-me especialmente a atenção. Isso se deu por que quando vi as primeiras imagens pensei que fossem quadros pintados em tela convencional, no entanto, isso ocorreu quando vira somente o primeiro, uma vez que as paredes da galeria são brancas e parecia, portanto, uma tela branca na qual se pintara as grades de uma cerca e um aviso de "Danger" no seu centro.
No entanto, notei que era possível ver que as imagens se comunicavam entre os quadros, ou seja, que dependendo do ângulo em que os quadros foram fotografados, vemos o reflexo de um quadro no outro. Então, pensei, claro são espelhos!
No texto que apresenta o artista, fiquei sabendo que ele é um dos mais influentes do século XX e que fez aquela série de trabalhos expostos ali, especialmente para a galeria, mas que ela foi inspirada nas suas pinturas em espelhos, um projeto que se originou na década de 60.
Na verdade, ele é um ícone do que se chamou, na Itália, de Arte Povera (ao pé da letra “arte pobre”). Trata-se de um movimento que preconizou, na pintura, a utilização de materiais não convencionais como areia, madeira, sacos, jornais, cordas, terra, e trapos... desejando, com isso, "empobrecer" a pintura e, assim, eliminar quaisquer barreiras entre a arte e o dia a dia das pessoas. Foi nesse período, que Pistoletto produziu seus primeiros trabalhos no espelho, ou ainda, essa Venus of the Rags, 1967, ("Venus dos Trapos"), aí ao lado.
Essa nova série de pinturas no espelho, da Galerie Mezzanin, eu achei incrível. No quadro que temos a cerca, o observador necessariamente estará do outro lado dela! Ou quando vemos o jovem atirando a pedra, somos ao mesmo tempo testemunha dessa ação e impotentes, o mesmo ocorre quando vemos a jovem socorrendo um outro que foi ferido, estaremos observando a cena, de dentro dela, mas sem poder interferir, ou mesmo quando estivermos espiando por sobre os ombros do grupo de manifestantes (que estão de costas) e sem sabermos qual é a causa que perseguem, uma vez que o cartaz que empunham também está sendo visto do verso, e nós estaremos de encontro ao grupo... Isso sem contar com o fato de a bandeira da paz ser também a do arco-íris (para além da causa gay, sempre achei que arco-íris é paz).
Há no texto de apresentação do artista no site da galeria e que li em inglês, uma passagem em que o próprio Pistoletto faz uma reflexão acerca desse trabalho:

Eu acredito que a primeira experiência figurativa real do homem é o reconhecimento de sua própria imagem no espelho: a ficção na qual ele chega mais perto da realidade. Mas isso não dura muito tempo até que o reflexo comece a reenviá-lo às mesmas incógnitas, às mesmas questões, aos mesmos problemas, como a realidade em si mesma: incógnitas e questões, pelas quais o homem é impelido a repropor-se na forma de imagens. (...) Estética e realidade talvez se idenfiquem mutuamente; mas cada uma permanece dentro de sua própria autonomia vital.

Pistoletto tem, ainda, na sua cidade natal, Biella, um projeto chamado Cittadellarte, que acontece no amplo espaço das instalações de uma antiga tecelagem e que é marcado pela interdisciplinaridade e pelo apoio a jovens artistas, à jovem arte. Por fim, também descobri que, proximamente, de novembro de 2010 a janeiro de 2011, acontecerá uma Retrospectiva do artista no Philadelphia Museum of Art.



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Vamos elevar a alma para alcançar a de André Abujamra!

Eu sou fã de André Abujamra. E, ontem, vi que estava passando, na TV Cultura, o programa Ensaio e... era com ele.
Acho sensacional ele ser um cara com aquela presença de ator shakespeareano, com cara de rei nórdico, uns olhos imensos e verdes, mas que, quando canta... é também um garoto, menino mesmo e demonstra o que ele é completamente: uma Alma boa!
Suas composições são sempre de uma verdade sem igual porque ela reside na alegria. Aliás, esse é o nome do seu último trabalho, MAFARO. Ele diz que tal palavra quer dizer alegria na língua do Zimbabwe. rsrsrs
Desde Os mulheres negras, e depois na banda Karnac, e até agora, quando está no seu terceiro álbum solo, o que podemos ouvir vindo da sua cabeça e do seu coração são essas composições que ensinam as pessoas a serem gente boa como ele próprio é gente boa. ;-)
No programa, eu gostei de ouvir ele falando tudo o que falou, of course.

Mas achei ainda mais incrível a passagem em que ele comentou que o pai (o ator Antônio Abujamra) lhe dissera que ele fazia músicas muito intelectualizadas e que ele deveria, portanto, fazer uma música que todo mundo entendesse, uma música de amor... Ele não estava namorando e pensou: como eu vou fazer uma música para quem eu não conheço? É isso... vou fazer uma música de amor para quem eu ainda não conheço. E fez a música Elevador! Aliás, ele cantou a música para sua atual esposa, depois que ele a conheceu, e ela se apaixonou! ;-)
O mais engraçado dessa história é que a música não é do tipo que a maioria das pessoas pudesse compreender como uma música de amor... rsrsrs
A verdade é que quem vive, pensa e sonha diferente é diferente. Simples assim.
Salve essa diferença da alma que não tem cor. Salve Abujamra!

Há sete meses atrás, victorsabbag postou no Youtube esse vídeo que ele próprio, provavelmente, gravou em um show do artista. Vejam se a música Elevador não é mesmo ótima!



Elevador
Composição: André Abujamra

Essa Canção é pra você
Mesmo antes de eu te conhecer

Será que a gente já se cruzou
Eu agachei você passou
Desci no 7 você subiu no 8
No mesmo elevador

Será que a gente mora perto?
Será que a gente mora longe?
Onde você está?
Por que você se esconde?

Essa pausa é natural
Coração pequeninim
Como será que se é
Eu te espero junto a mim
Eu sei que você existe
Por isso não estou triste
E posso até esperar meu amor
Que quando for eu vou saber
Quem é você

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Salve Beethoven! Salve Heliópolis!

Eu tenho verdadeira paixão por essa Sinfônica. E, agora, eles estão virando gente grande de verdade! Pela primeira vez, os jovens da Sinfônica Heliópolis, integrantes do Instituto Baccarelli (instituição que oferece formação musical para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social), vão se apresentar no tradicional Festival Beethovenfest, em Bonn, na Alemanha.
Quer saber acerca da emoção e também da importância que essa oportunidade representa para esses jovens? Então, leia a reportagem de Rita Alves, no DCultura do Diário do Comércio. A jornalista foi conversar com os jovens da orquestra e também com o maestro responsável por todo o trabalho junto à Sinfônica: Roberto Tibiriçá.
Um jovem afirmou, nessa reportagem, algo que eu também acredito, quando o assunto é música erudita: "Música erudita é assim, as pessoas vão gostando aos poucos. A melhor coisa a se fazer é levar alguém para assistir a uma orquestra e sentir a vibração. Assim ela vai gostando, aprendendo, pesquisando e quando vê, já está apaixonada". Não deixe de ler a reportagem no link acima! Sobretudo, se você for como eu, pois eu choro de emoção quando vejo gente jovem tendo oportunidade, descobrindo seu talento e alimentando sonho e esperança. Salve Heliópolis! Salve Beethoven! \o/

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Conversa com a mãe de um alcoólatra

Toda mãe sempre se preocupa com os filhos. É um fato. Graças a Deus! Eu conheço uma mãe que porque sofreu muito com o alcoolismo do falecido marido, também se preocupa demasiadamente com um de seus filhos, que parece andar pela mesma trilha do pai.
Eu, à guisa de confortá-la, disse-lhe que devemos rezar pela pessoa em questão, mas disse também a ela que mais do isso nada poderemos fazer.
Afinal, só fazemos o mal (inclusive o mal que fazemos a nós mesmos) por egoísmo e por orgulho. Beber em excesso é sempre um mal, uma vez que a pessoa fica fora de si. Se isso resulta em um suposto prazer e aquele que bebe só consegue ver nisso o tal prazer, penso que ele está sendo vítima do seu próprio egoísmo. Afinal, ele não vê que seus atos de bêbado aborrecem a todos os outros? E, nessa mesma fonte do egoísmo, vem beber o sentimento do orgulho – são ambos companheiros inseparáveis. Se não posso ver o monstro no qual o excesso de bebida pode me transformar é porque sou orgulhoso: talvez eu não queira me envergonhar perante a mim mesmo...
Nada disso adianta: sem regeneração o pobre bêbado está fadado a ser condenado pelo seu egoísmo e orgulho. Como, aliás, todo aquele que se entrega a tais sentimentos. É triste, mas é isso.
Ah, eu também, disse outra coisa para a mãe. Não devemos julgá-lo em demasia, não é mesmo? Afinal, todos nós já vivemos as consequências desses mesmos defeitos, ainda que possamos não ter canalizado seus sintomas em direção ao alcoolismo. O egoísmo e o orgulho mascaram-se de todas as formas. Assim sendo, o ideal é ter paciência com esse filho e rezar por ele, esperando que ele próprio se canse de sofrer. Portanto, temos que ter confiança. Sempre acabamos por aprender. Aliás, como eu já ouvi do meu anjo da guarda:

O mal não é uma necessidade fatal para ninguém, e não parece irresistível senão àqueles que a ele se abandonam com satisfação. Se temos vontade de fazê-lo, podemos ter também a de fazer o bem.

Por isso, mãe, é que temos que rezar e pedir a Deus para resistir a tudo que nos faça mal, não é mesmo?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Shira Sella

Eu, ontem, encontrei esses trabalhos da ilustradora Shira Sella, que também é designer e mora em Montreal, no Canadá. Ela tem um website no qual está exposto todo o seu belíssimo trabalho. Ela diz trabalhar tanto com os recursos tradicionais, como com os meios digitais, e ama usar tintas, grafite e pastel, além de softwares próprios para ilustração.
O trabalho de Shira pode ser encontrado em galerias e boutiques dos EUA, Canadá, Austrália, Reino Unido e também on-line. Você pode inclusive comprá-los. Eu queria um para mim. ;-)

Vendo essas garotas de suas ilustrações, eu lembrei-me das brincadeiras da própria infância que eu vivi. Essa coisa de calçar sapatos dos adultos, de riscar o chão ou curtir balões e afins. rsrsrs