quinta-feira, 31 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Alessandro Gottardo
Como é belo e realmente convidativo o trabalho do ilustrador italiano Alessandro Gottardo, que tem tido destaque em importantes jornais e revistas, incluindo The New York Times, The Wall Street Journal, TIME, The Economist e Newsweek, entre outros.
Além do prestígio de ter suas ilustrações em tais publicações importantes, o artista também é premiadíssimo. Dentre os inúmeros prêmios que já recebeu, levou para casa a medalha de ouro da Sociedade de Ilustradores de Nova York, em 2009.
Gottardo aprendeu que basta uma abordagem minimalista e que, portanto, não é preciso ir por um longo caminho para se contar uma história. Assim, ele vai tirando tudo o que é desnecessário, excessivo, o que permite que ele vá destilando suas ideias, criando formas mais básicas e nos provando que mesmo conceitos complicados podem ser ilustrados de uma maneira surpreendentemente simples.
Todas essas informações acerca desse trabalho eu obtive na postagem de Alice, uma garota que escreve no blog My Modern Met e eu concordo com a interpretação que ela deu a esse trabalho muito simples, é verdade, mas ao mesmo tempo delicioso de apreciar, sobretudo, por sua inventividade. Na postagem de Alice você encontrará ainda um link de uma entrevista que ela fez com o artista. Veja lá e enjoy it!
terça-feira, 22 de maio de 2012
Epifanias em nossos desertos
Outro dia eu falei por aqui que eu descobrira muito
recentemente que Mary Westmacott e Agatha Christie são a mesma pessoa. É que eu lera, então, Filha é filha. Pois
bem, agora li Ausência na primavera, romance acerca do qual a própria autora
teria dito: O livro que eu sempre quis escrever.
Eu penso que ela estava coberta de razão por ter desejado escrever esse livro no
qual acompanhamos uma dona de casa inglesa, bem provinciana, mas que ao voltar de
Bagdá, onde fora visitar uma filha casada, encontra-se tendo que aguardar uma
conexão de um trem, no meio do deserto, para que possa voltar à sua cidadezinha
inglesa.
Embora essa pobre mulher tenha todos os defeitos comuns às mães e esposas que se acham muito dedicadas e corretas e ela ainda tenha os defeitos comuns àquelas que são perfeitamente inglesas, o fato é que, ao se deparar consigo mesma, no meio desse deserto, ela só pôde encontrar, como, aliás, aconteceria com qualquer outro cristão, seus próprios
fantasmas.
E, então, como é rica e emocionante a experiência do exame de consciência que Agatha Christie descreve! Vamos combinar, que tal exame é sempre bonito quando autêntico e, diga-se de passagem, não é possível fugir dele a certa altura: para todo mundo em algum momento ele ocorrerá! Contudo, a oportunidade para que
isso aconteça na vida de cada um é sempre misteriosa. Por que comigo? É a primeira pergunta que fazemos. Para em seguida nos perguntarmos também: Por que agora e não antes? Por que, por que, por quê?
Trata-se também de um livro do qual não é possível fazer uma
sinopse, pois como sintetizar toda uma vida que se conta em flashbacks, após
uma epifania no meio do deserto!?
Para suscitar o interesse de vocês, vou apenas transcrever um
trecho formidável e que se dá quando Joan, a protagonista, finalmente está voltando para
casa e em companhia de sua companheira de cabine e que é uma aristocrata ótima! Na ocasião, elas têm esse diálogo:
- É verdade eu passei por uma experiência bastante
perturbadora.
-Ach, é mesmo? O que foi? Um homem?
-Não, certamente não.
-Que bom. É tão comum ser um homem, e realmente no fim fica
um pouco chato.
-Eu estava sozinha na pousada em Tell Abu Hami, um lugar
horrível, cheio de moscas, latas e rolos de arame farpado, e muito sombrio e
escuro no interior.
- Isso é necessário por causa do calor no verão, mas eu sei
o que você quer dizer.
-Eu não tinha ninguém para conversar e logo em seguida terminei
os livros e... e fiquei... de um jeito muito estranho.
- Sim, sim, isso poderia muito bem ocorrer. É interessante a
sua história. Continue.
- Comecei a descobrir coisas a meu respeito. Coisas que
nunca percebi antes. Ou melhor, coisas que sabia, mas nunca quis reconhecer. Não
consigo explicar a você.
- Oh mas você consegue. É bem fácil. Eu vou compreender.
O interesse de Sasha era tão natural, tão despretensioso,
que Joan se viu falando com impressionante falta de restrições. Já que falar
sobre seus sentimentos e relações pessoais era tão natural para Sasha, começou a
parecer natural para Joan.
Ela começou a falar com menos hesitação, a descrever seu desconforto,
seus temores, e seu pânico final.
- Atrevo-me a dizer que isso parecerá absurdo, mas achei que
estava perdida por completo, sozinha, que até mesmo Deus me havia abandonado.
- Sim, todos sentem isso em algum momento. Eu própria já me
senti assim. É muito sombrio, muito terrível.
Não é maravilhoso que todo mundo possa se sentir assim, em algum momento, e
que cada um de nós tenha que se resolver consigo mesmo? Podemos verificar que isso acontece, na verdade, em uma tradição de relatos e que remonta, só para ficar na modernidade ocidental, desde o que nos conta Dante Alighieri até, por que não?, esse de Mary Westmacott.
;-)
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Penelope Dullaghan
Penelope Dullaghan é uma ilustradora e é também uma instrutora de yoga.
Talvez por isso seja tão agradável olhar seus desenhos, afinal, um trabalho deve alimentar o outro e nós é que ganhamos com isso. ;-)
Ela nos conta no seu site que começou a trabalhar com ilustração, em 2004, e que fundou um site com um parceiro para divulgar artistas, ilustradores entre outros. Vejam que fofo o princípio da coisa toda: We believe that every person has a little creative bone in their body, and Illustration Friday just gives a no-pressure, fun excuse to use it [Acreditamos que cada pessoa tem um ossinho criativo em seu corpo, e o Illustration Friday, sem pressão, apenas dá uma desculpa divertida para você usá-lo].
Quem quiser adquirir originais de Penelope também pode fazê-lo por aqui.
Talvez por isso seja tão agradável olhar seus desenhos, afinal, um trabalho deve alimentar o outro e nós é que ganhamos com isso. ;-)
Ela nos conta no seu site que começou a trabalhar com ilustração, em 2004, e que fundou um site com um parceiro para divulgar artistas, ilustradores entre outros. Vejam que fofo o princípio da coisa toda: We believe that every person has a little creative bone in their body, and Illustration Friday just gives a no-pressure, fun excuse to use it [Acreditamos que cada pessoa tem um ossinho criativo em seu corpo, e o Illustration Friday, sem pressão, apenas dá uma desculpa divertida para você usá-lo].
Quem quiser adquirir originais de Penelope também pode fazê-lo por aqui.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Para onde um concerto me leva
![]() |
| Orchestre National du Capitole de Toulouse |
Ver e ouvir um concerto na Sala São
Paulo é sempre um momento especial da minha vida. É como eu sinto tal experiência, portanto, sempre que
acontece de eu estar sentado naquela sala para experimentar esse tipo de deleite.
Para além de sentir uma certa atmosfera do lugar, eu, talvez por ser muito idealista, fico ali imaginando todo o tempo que foi necessário para a humanidade chegar a esse tipo
de excelência na experiência artística.
E, então, já estou tomado de emoção
antes mesmo das luzes da plateia se apagarem. Trata-se de uma emoção pura e que
se deve ao que há de sublime em um aspecto essencial da condição humana, ou seja, sua capacidade de criação no universo da arte: não tenho dúvida alguma
a esse respeito.
Ontem, apresentava-se na sala de
concertos a Orchestre National du
Capitole de Toulouse, sob a regência de Tugan Sokhiev, e que, segundo o amigo que me cedeu o ingresso, é
muito reconhecida, sobretudo, na execução das peças de Berlioz, aliás, foi com uma sinfonia desse compositor que encerraram a apresentação.
![]() |
| Nijinski by Léon Bakst |
O programa iniciou-se com Claude
Debussy e o seu Prélude à l’après midi d’un
faune. Uma peça que, sempre que ouço, como aliás é o que deve acontecer com
muita gente, sou remetido ao balé L'après-midi
d'un faune, coreografado por Vaslav Nijinski para os Ballets Russes e que tinha por fundo exatamente essa delicada
composição de Debussy. O mais interessante é
que são, tanto a peça de Debussy quanto o balé de Nijinski, releituras do poema
A Tarde de um Fauno, de Mallarmé.
As três peças do programa tinham
em comum a presença da flauta e das arpas, instrumentos que não são comumente
explorados em concertos e que fazem tanta falta na nossa vida! Talvez porque sempre nos
relembram dessa atmosfera que nos dão os elementos do vento e da água na natureza: tão
reconfortantes, vivificantes!
![]() |
| Bertrand Chamayou |
A segunda peça, o Concerto para piano e orquestra em sol maior,
de Maurice Ravel, teve a graça, beleza e precisão do piano e que só foi possível que se desse desse modo por ser tocado pelo solista convidado: o pianista Bertrand Chamayou, natural de Toulouse, e já prestigiadíssimo, mesmo
sendo ainda muito jovem. O movimento que mais me emocionou foi o segundo
movimento do Concerto, o Adágio Assai, no qual o piano tocou sozinho em 33 compassos tudo o que é doçura e passividade até que
surgiu um oboé e que, embora em outra tonalidade, nos soou absolutamente
natural. Vejam só!
E o que dizer da Symphonie Fantastique, opus 14, de Hector Berlioz? Seu
movimento final, Songe d’une nuit du
Sabbat. Larghetto – Allegro assai, é simplesmente um espanto! Não há
como não compreender, ouvindo-a, que os gênios são absolutamente contumazes em seus
devaneios e paixões, e se sempre nos surpreendem é por nos remeter àquilo que nós também
teríamos de potencial expressivo e de majestosa sublimação. Contudo, se não
estivéssemos tão ocupados em atender as pequenas paixões cotidianas e que não podem ainda
transcender nada. Tal circunstância acontece por nos faltar também o mero reconhecimento de que poderemos criá-las, as paixões... recriando-as. Isso poderá se dar quando assumirmos todo o nosso potencial de entrega ao que
é em essência do universo espiritual. Até lá só nos resta aplaudir o exemplo do gênio, bem como o talento de seus intérpretes.
Um concerto na Sala São Paulo
representa para mim, além da fruição do espetáculo, motivos e razões para ser levado a pensar em tudo isso e um pouco mais. ;-)
quinta-feira, 10 de maio de 2012
kinds of melancholy
Ontem eu fique um tanto
melancólico, não comigo mesmo, afinal, eu não tinha motivo pessoal algum para
estar melancólico, graças a Deus! O motivo era tão somente saber que pessoas
amigas passavam por dificuldades contra as quais eu não poderia nada fazer.
Há,
de qualquer modo, um tênue liame entre você ser solidário com o outro em sua
dor e tomar para si as tais dores dos outros, uma vez que você mesmo não teria
motivo algum para alimentar tristeza, além dessa solidariedade natural.
Eu
penso que isso é até um risco. Afinal, toda dor resulta de alguma causa, mas, às
vezes, ela acontece por motivos desconhecidos imediatamente, no cenário
visível. Nesse caso, é preciso ser maduro e apenas ter uma disposição de
espírito favorável para que tudo se conforme da melhor maneira possível,
sabendo sempre que os atores envolvidos diretamente na dificuldade é que
poderão agir: somos expectadores atentos e solidários tão somente e
evidentemente!
Uma
melancolia alegre também existe. ;-)
Por
exemplo, uma amiga me contou que ao dispor as bonequinhas de pano de minha mãe
na vitrine de um bazar que promovia na páscoa passada, observou que senhoras
muito humildes, provavelmente nascidas nos sertões brasileiros, passavam, na calçada, rumo ao hospital próximo dali e estancavam diante das bonequinhas. Pois bem, tais senhoras viam
as bonequinhas e paravam diante delas estarrecidas, emocionadas, colocando a
mão no peito e diziam não acreditar que viam ali as mesmíssimas bonequinhas ou
que uma avó ou que uma mãe fizera na infância para as meninas que eram então naqueles tempos remotos,
uma até lembrava: “a minha o cachorro malvado destruiu com os dentes!” e voltava a ser a menina indignada com tal violência irracional.
Minha
amiga dizia que as cenas eram comoventes, de cortar o coração, e que até vendeu
alguns exemplares a preços simbólicos, porque o que ela viu diante dela foram imagens muito concretas de comoções d’alma , resultantes de reminiscências
femininas, ou seja, de um tipo de despertar próprio de uma memória afetiva sem igual. Experiência que só pode ser compreendida em seu âmago por quem é delicado nesse testemunhar, solidariamente, uma lembrança de
amor.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Cotidiano possível das emoções
Hoje, eu estava ouvindo o Programa Manhã Cultura, na Rádio Cultura FM, quando em um
determinado momento o entrevistado do dia por Gioconda Bordon falou que Mozart, por exemplo, teria composto suas peças mais
luminosas quando em sua vida pessoal ele passava por experiências dolorosas.
Isso me fez pensar em quão interessantes são esses artistas
que, no momento mais tortuoso da vida pessoal, conseguem especialmente desenvolver
peças luminosas, transcendentes.
Provavelmente isso represente uma sabedoria que implica no
desenvolvimento da capacidade de elaboração dos diferentes veios emotivos da
subjetividade.
Afinal, a vida suscita a cada momento uma emoção particular
e que, evidentemente, vem acompanhada da expressão que lhe é peculiar. Mas escrever
ou compor qualquer coisa é também deixar um legado: qual será a expressividade
desse legado, que emoção essencial ele irá conter? Talvez o artista se faça
esse questionamento, mesmo que inconscientemente.
De qualquer modo, penso que não é preciso ser alguém do
perfil daquele que deixa um legado para a Humanidade (caso de um Mozart) para
também elaborar a expressividade da emoção que se queira passar na conjunção,
por exemplo, das relações cotidianas.
A escolha pela luminosidade – e, sim, não se espera que ela possa
ocorrer full time – talvez seja o
momento mais especial das experiências cotidianas. Porque tal escolha cria a
abertura, no centro da vida comum, de uma espécie de portal para uma dimensão
espiritual absolutamente desconhecida, sobretudo quando estamos mergulhados no afã
das fatigantes querelas do dia a dia.
domingo, 29 de abril de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Lendo sobre Francisco
Terminei agora mesmo de ler um livro que muito me ensinou.
Trata-se de uma biografia. Amo tais livros que contam a vida de
alguém que mereceu ter sua vida contada. Essa biografia tem um apelo
especial porque se trata da vida de um santo. Estou falando de Francisco de Assis, o santo relutante,
de Donald Spoto. O teólogo renomado escreveu o livro para demonstrar que toda a
vida de Francisco foi de vivência e de elaboração de um processo de conversão, ou seja, essa última não se deu da noite para o dia e daí o “relutante” do título.
O mais importante é que ele utilizou fontes e arquivos inexplorados
de Roma, Assis, Greccio e Florença e, inclusive, os únicos escritos de próprio
punho de São Francisco e que sobreviveram até os nossos dias.
Eu comecei a ler tal livro, porque o encontrei por um acaso na
livraria e justamente quando eu tinha acabado de assistir ao filme Irmão Sol e Irmã Lua (Fratello Sole, Sorella Luna), de Franco
Zeffirelli. Um amigo emprestara-me o DVD dizendo que eu devia assistir ao famoso filme, porque ele
sabia que eu iria gostar, que era a minha cara. Vejam só! kkkk
O interessante é que, após ler o livro, percebemos que o filme foi bastante fiel a essa história ou ao menos às passagens mais famosas da vida de São Francisco: sua vida libertina na juventude; a participação nas cruzadas; o episódio do abandono da família e do abraço absoluto com a pobreza, quando, então, fica nu na frente do bispo, na praça do vilarejo; o início exemplar da reconstrução da pobre capela onde se deu a sua primeira epifania; a relação de amizade com Santa Clara, bem como toda a vida de abnegação e caridade com os pobres, leprosos e ainda, evidentemente, com os animais.
No entanto, minha decisão em ler o livro ocorreu, sobretudo, depois de eu ter lido esse
trecho de sua Introdução, onde o autor nos diz que:
Francisco nasceu em 1182 e morreu em 1226, aos 44 anos. Hoje
em dia, acharíamos que desapareceu no apogeu; naquela época, era considerado
afortunado por ter vivido tanto tempo. Dois anos após sua morte, foi proclamado
santo. A canonização por decreto pode ser uma forma astuciosa de apropriar-se
de pessoas notáveis, domesticá-las e isolá-las, transformando-as em propriedade
do catolicismo oficial. Francisco, porém, continua a ser de certa forma
maravilhosamente embaraçoso para a Igreja e para o mundo. Sua vida e seu
exemplo – e não, devo frisar, qualquer coisa que especificamente ele tenha dito
ou escrito – possuem uma integridade que desafia nossos preconceitos sobre o
que constitui uma vida de virtude, sem falar de uma forma respeitável de
encarar a religião.
Agora, que terminei a leitura, vejo que o exemplar está todo
riscado. ;-)
É que gosto de marcar as passagens que me tocam profundamente, como, por exemplo, mais essa outra:
É que gosto de marcar as passagens que me tocam profundamente, como, por exemplo, mais essa outra:
Será nossa obsessão contemporânea com a perfeição física
menos patológica do que o comportamento do asceta? Novecentos anos depois de
Francisco, as pessoas desejam estar satisfeitas consigo mesmas – anseio fadado à
decepção, ou pelo menos somente a uma satisfação temporária. Mas, numa época de fé,
a negação do físico tinha o objetivo de tonificar o espírito, e não o corpo, de
modo que, libertado da indolência e da dependência no prazer da boa comida e
bebida, o espírito ficasse preparado e disposto, não a um novo guarda-roupa ou
a um romance ideal, e sim ao esclarecimento íntimo, um prelúdio à oração. Nesse
ponto, todas as religiões do mundo concordam: é necessário certo domínio sobre
as inclinações da carne para que floresça a vida espiritual.
Quanto a Francisco, podemos desejar que suas penitências autoinfligidas não tivessem sido tão imprudentes. Isso talvez porque preferimos que os santos ou sejam perfeitos em todos os aspectos, ou sejam tão comuns que se conformem a nossa própria estatura e não desafiem nossa indolência espiritual. Mas os santos na verdade são heroicamente apaixonados, e assim como os amantes, às vezes se tornam excêntricos, ou mesmo ultrapassam seus limites; afinal, a santidade não exclui a humanidade. Acima de tudo, entretanto, os santos mantêm os olhos fixos em Deus. Permanecem fiéis, e é por isso que são santos, não por serem invariavelmente modelos de conduta polida ou mesmo imitável.
Não é preciso dizer que chorei em muitas passagens, tomado
de carinho e respeito por esse exemplo de ser espiritualizado ao grau máximo.
Por fim, no momento derradeiro da passagem por esse planeta dessa personagem gloriosa da história humana, Donald Spoto, após descrever os últimos instantes de São
Francisco, nos diz à guisa de fecho da história:
A radiosa luz azulada da tarde brilhou por sobre o vale e
cobriu as colinas acima de Assis. Ao descrever seus últimos momentos, os amigos
de Francisco nunca esqueceram um último detalhe: "Muitos pássaros, chamados
cotovias, esvoaçaram por sobre o teto da cabana onde ele jazia, fazendo círculos
e cantando".
Por essas poucas passagens, e que fiz questão de trazer para
cá, penso que já é possível perceber que temos aqui um livro magnífico e à altura do
biografado! Leitura edificante no grau absoluto pois nos fala de alguém querido, amado e... santo.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Namastê at work
Em todos os dias úteis, quem trabalha vai trabalhar e quando trabalha em um espaço comum, ou seja, no qual se encontram também outras
pessoas, essas são as pessoas com as quais se encontrará todos esses dias, inevitavelmente.
Assim sendo, eu sou da opinião que somos responsáveis pelo modo como chegamos no ambiente de trabalho, logo cedo, portanto, como nos
apresentamos diante de tais pessoas, tal circunstância já determina, ao menos inicialmente,
a relação que se estabelece com esses colegas do ambiente de trabalho em seus desdobramentos.
Muito se fala em etiqueta, em comportamento social no mundo
corporativo etc. e tal. Tudo isso pode ser válido, dentro de limites, mas o que
vale mesmo é como você se relaciona primeiramente consigo.
Acho mais produtivo, para que entendam do que estou falando,
contar o que já me aconteceu em um dia desses.
Eu estava no metrô, indo para o trabalho, quando encontrei uma grande amiga que, como eu, acredita em anjo da guarda e estávamos conversando acerca da necessidade de
entender as pessoas, de não nos aborrecermos por qualquer coisa. Enfim, um papo
de gente que deseja ser mais equilibrada etc. e tal.
Cheguei, então, no trabalho, nutrido desse tipo de
pensamento, de reflexão, quando encontrei uma colega minha preocupada com
qualquer coisa muito séria que havia acontecido: um problema que dizia respeito
às nossas atividades em comum e responsabilidades. Dizia-se aflita e que tínhamos cometido um erro! Algo que, enfim, poderia ser causa de transtornos sem fim, ou seja, um verdadeiro terror!
![]() |
| Babou (Isabelle Huppert), personagem de Copacabana, nossa inspiração para essa postagem! Sua atitude é totalmente Namastê |
Ao saber dos liames da situação, calmamente, procurei contorná-la, buscando fazer com que todos compreendessem simplesmente o que acontecera, quando buscamos, então assumir o erro, lamentar o episódio, compreender a causa do equívoco, reiterar o desejo pela melhora nos procedimentos pelos quais somos responsáveis. Tudo
simples assim, porque assim é que tinha que ser.
Definitivamente, diante de um aborrecimento eu tenho duas opções
apenas: de fato me aborrecer, ou então, fazer a escolha de não me aborrecer.
Estou optando impreterivelmente por essa última.
Assinar:
Postagens (Atom)
























.jpg)
.jpg)
