quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sim, sim, continuamos amando Arthur Rimbaud!


"Portrait d'Arthur Rimbaud" by Picasso
Curioso isto! Eu sempre fui fã de Rimbaud, mesmo antes de ler sequer um único poema do baldo francês. É como se eu já tivesse nascido fã da figura. Bastava eu ver esse seu retratinho mais famoso para sentir carinho por ele. Ou tão somente saber que ele foi companheiro de Verlaine por um tempo, um caso de amor que, embora conturbado, é um clássico! Dois homens apaixonados em pleno século XIX e que entraram para história, dois grandes poetas! 
E, também, saber que os mais alternativos artistas do underground de todos os tempos (por exemplo, Kerouac, Patti Smith, Morrison e tantos outros) sentiram-se influenciados por sua obra ou, ao menos, por seu temperamento, enfim, isso tudo era suficiente para nos atrair ao campo de influência da figura de Rimbaud!

No entanto, fiquei assim, quase toda minha vida, cultuando uma figura que me era absolutamente desconhecida, sinceramente falando... Li qualquer coisa da sua obra, claro, mas todos sabemos: ela nem é tão extensa. Afinal, ele parou de escrever aos 20 anos! E morreu aos 37!

Pois bem, agora estou sabendo bem mais sobre o cultuado poeta. Li esta biografia brilhantemente escrita  por Jean-Baptiste Baroniam (aliás, também autor de uma biografia de Baudelaire e que igualmente foi lançada nesta coleção: Biografias L&PM Pochet). Quem assina a tradução dessa, a de Rimbaud, é Joana Canêdo, que combina uma escrita fluida ao mesmo tempo que respeitando o ritmo que seu autor impôs ao nos contar essa fascinante história de vida.

Tenho que dizer que, inicialmente, ao saber das minúcias, como aparecem no livro, não curti nem Rimbaud, nem Verlaine: achei os dois uns aloprados, pessoas insuportáveis! kkkkk
Mas a verdade é que eu também estava tendo dificuldades em aceitar e entender que o que eles viveram foi aquele tipo de transferência (como nos ensina a Psicanálise) que só podia mesmo resultar em cada um quebrar a cara...
Como é humano isso! No fundo, devo ter me identificado e nunca gostamos de imagens especulares, ou seja, que mostram o que também já vivemos mutatis mudandis, sobretudo porque desejamos continuar persistentes na mudança que ora experimentamos! ;-)

Isso tudo diz respeito à primeira parte da vida ali contada, quando os dois ainda se relacionavam, até o momento em que Verlaine vai preso por ter dado um tiro em Rimbaud. Oh!

Um tempo depois, a vida de Rimbaud transforma-se completamente, ele vira um viajante contumaz e até chega a ser “traficante” e/ou "comerciante" de armas na Abissínia: uma coisa completamente surpreendente. Notamos assim que a vida de Rimbaud foi como um filme de aventuras ou de ação tormentosa em que há ainda uns laivos épicos, a la Lawrence da Arábia...rsrsrs

Tudo muito emocionante e comovente, de qualquer modo.

Hoje, eu estava terminando o livro, e, claro, toda biografia termina com a morte do biografado: foi quando não resisti e caí em prantos, mesmo estando no interior de um vagão de trem, pois estava a caminho do trabalho. Nossa! Como é sofrida a passagem de Rimbaud desse nosso plano para outro!

Vejam que comovente, quando sua irmã está na cabeceira de seu leito. É quando o autor da biografia nos conta:

Assim como a sra. Rimbaud [a mãe do poeta], Isabelle [sua irmã] é católica fervorosa e ficaria muito aflita se Arthur expirasse sem ter podido se confessar ao capelão do hospital e sem receber a comunhão. Porém, cada vez que toca no assunto, Rimbaud recusa. Ele afirma ser ateu, ateu convicto, e repete que não crê nem em Deus, nem nos santos, nem na Igreja. E, para dar mais ênfase à sua recusa, profere xingamentos e blasfêmias. Contudo, no fim do mês de outubro, acaba aceitando que um padre venha conversar com ele. Faz isso não apenas para contentar e acalmar Isabelle, a quem ama de todo o coração, mas também porque alimenta a esperança – e depois de tudo o que tem sofrido desde que deixou a Abissínia, depois de ter tido a perna amputada – de que Deus, ou Alá, ou alguma força superior, possa curá-lo.

Leitura mais do que recomendável!

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