Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Aprendendo a amar

Todos nós estamos sempre aprendendo a amar, porque ninguém jamais nasceu sabendo como é isso de amar. Ontem, eu tive uma espécie de epifania que agora pela manhã eu tomei como lição do que seja vivenciar o amor em suas dificuldades.

Amar é... estar num parquinho com seus instrumentos de folguedo - gangorras, balanços, escorregadores etc. - e cerca de umas vinte crianças felizes por estarem ali, todas correndo e utilizando  os recursos do local e você sendo o único adulto responsável por elas. Acreditem, é realmente um misto de bem-estar tenso. Sua primeira preocupação é que elas não se machuquem. Os brinquedos de repente parecem ser perigosos e as brincadeiras todas igualmente perigosíssimas. E, então, você descobre que estar no mundo é uma brincadeira perigosa, embora absolutamente necessária por isso mesmo. Até que aparece a primeira criança chorando.

Nesse caso em questão, era um garoto loirinho que vinha em minha direção, cercado por todos os amiguinhos:

- O que foi que aconteceu?
- A gente estava brincando de pega-pega e ele foi pego e começou a chorar.
- Mas o que vocês fizeram a ele? ( Aqui fala o adulto desconfiado de que o problema não poderia ser tão simples...rs)
- Nada. Ele foi pego...
O menino derramava lágrimas sentidas e eu, por minha vez, senti que o problema era este tão somente.
- Querido, quando a gente brinca de pega-pega é assim mesmo: a gente corre de alguém que quer nos pegar como todos os outros estão correndo e... a gente pode ser pego, mas a partir deste momento, você se torna o pegador e aí é só correr atrás de todos os outros até achar alguém que possa ser pego também. Entendeu?
Ele entendeu. E imediatamente o choro estancou e, a partir daí já se tornara o pegador e a brincadeira continuou.
Amar é... compreender que as crianças estão aprendendo a viver no mundo e que elas ainda não sabem coisas muito simplórias, aparentemente.

Mais um alerta de choro e ranger de dentes e que vinha da área dos balanços.
Uma garotinha sentada no chão, enquanto dois ou três amiguinhos se prostravam em volta, consternados. Mais uma prova de que o amor é instintivo nas crianças e que a forma básica e primitiva de sua revelação é mesmo em meio ao sofrimento do outro.

- O que foi que aconteceu?

Esta pergunta é a prova do interesse do adulto pelo caso e precisa ser dita de maneira agradável aos ouvidos, revelando ao mesmo tempo que estamos preocupados, mas seguros de que podemos resolver qualquer problema. Tudo isso só pode ser indicado pela cadência sonora da frase, o que parece ser incrível...hahaha
- Ela caiu.
O choro era copioso, mas ela parecia não ter sofrido nenhuma lesão. Apenas o joelho estava levemente vermelho. Não havia sangue. Ela também conseguia mover-se e andar. Sentamos no banquinho debaixo da árvore, para lhe dizer, enquanto enxugávamos as lágrimas do seu rosto:

half moon
- Fique calma, o momento mais traumático já passou, que foi a queda em si mesma. Esta dorzinha que você está sentindo agora tenderá a diminuir. Seja bem-vinda ao planeta terra, aqui é um lugar onde a gente se machuca bastante, mas esta experiência é importante porque nos torna mais fortes a cada queda. Acredite em mim, a gente vive isso ao longo de toda a vida, e a experiência não precisa ser assim tão dramática. ok?

Ela foi se acalmando como quem acredita que aquele adulto parece ter razão, embora a gente não esteja entendendo muito bem ainda o que ele está dizendo.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

A pergunta que não deveria ser feita

Quando eu era mais jovem, eu achava normal e louvável que se declarasse a orientação sexual e estranhava quando alguém não se declarava, por exemplo, homossexual.

Isso tinha a ver com o fato de eu já ter sofrido preconceito de pessoas muito queridas justamente após elas terem descoberto por terceiros a minha verdadeira orientação. Ingenuamente eu acredita que se elas tivessem sido informadas por mim, elas não teriam tido preconceito. Pobre ilusão...

Contudo, o tempo passou e hoje acho absolutamente grosseiro quando alguém me pergunta: "Você é homossexual, heterossexual ou bissexual?" Isso é ainda mais desagradável se a pergunta for feita por uma pessoa que eu mal conheço e que se sente muito à vontade em me questionar apenas por que ela já imagina qual seja a resposta e, portanto, quer apenas uma confirmação...

Foi o que aconteceu comigo outro dia e a minha reação foi:

- Meu! Jura que você está me perguntando qual é a minha orientação sexual? Você não acha falta de educação perguntar a esse respeito a uma pessoa com a qual você não tem intimidade?

O rapaz ficou meio surpreso com minha resposta e achou melhor responder, por sua vez, alguma coisa a título de esclarecimento: "Eu não tenho problemas com isso, eu não tenho preconceito."

De minha parte, achei melhor esclarecer também o seguinte:

- Ainda que isso possa ser verdade, seria interessante que você ao menos refletisse a respeito desse seu questionamento a minha pessoa. Por exemplo, eu considero muito estranho que você se sinta à vontade para fazer um pergunta de natureza íntima a alguém que você acabou de conhecer.
Além disso, há uma outro aspecto da questão - e isso talvez seja ainda mais importante. Quando você me pergunta a respeito da minha orientação é devido ao fato de que, muito provavelmente, você já tenha um palpite a esse respeito e está tão somente querendo uma confirmação... Eu não consigo, por exemplo, imaginá-lo fazendo essa mesma pergunta a alguém que você tenha certeza que é um heterossexual. Aliás, será que algum heterossexual já foi questionado sobre a sua orientação sexual? "Você é heterossexual?" Acredite: nenhum heterossexual já ouviu essa pergunta. Então, por que um homossexual precisa ne-ces-sa-ri-a-men-te se assumir homossexual ao mundo? Evidentemente que ele pode e deve, se quiser. O que eu questiono a partir da sua pergunta é: Por que as pessoas não podem simplesmente conviver com um homossexual sem questioná-lo sobre a sua vida íntima ou tão somente deixar que as questões concernentes à intimidade dessa pessoa venham à tona, naturalmente, à medida em que o tempo e o espaço do convívio permitam que se fale sobre sexo etc?
E saiba: eu não estou me sentindo ofendido (embora, nesse sentido que aqui expus, a sua pergunta seja realmente ofensiva) eu apenas estou surpreso com o fato de que uma pessoa que me parece inteligente não tenha pensado nisso tudo por conta própria. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dia do professor

Crianças em uma aula de Yoga (via Humans of Amsterdam)
Faz 13 anos que eu não leciono e com isso quero dizer que não atuo como professor, em sala de aula. Eu trabalhei, anteriormente, como professor. Foram 12 anos lecionando. Na instituição escolar é mais comum observar a incorporação destes papéis: o do aluno e o do professor. Embora há pessoas que estão nas escolas, mas que não pertencem ainda a ela ou mesmo que já não pertencem mais a esse perfil de instituição.

Para mim é mais fácil, hoje, entender o mundo todo como uma escola e que frequentamos, mais amiúde e para o nosso proveito, durante esta experiência corpórea.

Neste planeta estão aprendizes e educadores.  Evidentemente, esses papéis podem ser trocados. Não sabemos, nesta escola que é o mundo, quando deixamos de aprender e de ensinar. Com o tempo, no entanto, é possível perceber que nela quem mais aprende é quem ensina.

Sempre me surpreendo, quando me vejo sendo ainda valorizado por aqueles que em momento anterior me encontraram, na condição de professor, quando eu inclusive ainda não sabia nada saber. Foi o que me aconteceu ao acordar esta manhã: uma ex-aluna deixara uma mensagem na minha time line, no facebook:

Porque foi você, o melhor professor que tive na vida, e porque olhou para mim como todo professor deveria olhar para um aluno, e porque acreditou em mim mais do que eu mesma acreditava. Com todo respeito e admiração. Feliz dia dos professores.

Fiquei emocionado. Afinal, ela está se reportando a algo que, sem dúvida, ocorreu e que ainda pode ser uma atitude possível para o professor. Ou seja, ser um profissional que acredita, respeita e admira a pessoa do aluno naquilo que de fato representa suas possibilidades, algo que está ali como riqueza latente, como promessa de futuro eterno e bom.

Que alegria ser assim reconhecido, mas, sobretudo, tendo sido assim lá atrás, nesse passado próximo - quando também a mim parece evidente que eu assim o era - sem ter precisado “estudar” muito para isso: a não ser na própria escola da(s) vida(s). 

Ah, sim, eu também considero o tanto que há de solidariedade natural da(s) existência(s), bem como o que há aí de possível reencontro. Afinal, tem gente que a gente ama muito facilmente, graças a Deus!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Lullaby Project

Carnegie Hall

Hoje, ouvindo a rádio Cultura FM, soube por meio da coluna de Cláudia Toni, no programa Começando o Dia, de um projeto belíssimo promovido pelo Carnegie Hall, famosa casa norte-americana de concertos.

Trata-se do Lullaby Project [Lullaby significa “canção de ninar” ou “acalanto”], uma série de oficinas de composição que os músicos da casa promovem em hospitais da cidade de Nova York, em um presídio feminino em Rikers Island, e também em dois abrigos da cidade. Tais oficinas visam proporcionar uma experiência criativa para mulheres (e, às vezes, também para seus parceiros/familiares), que estão experimentando a gravidez e paternidade em situações estressantes.

As participantes são na maioria adolescentes grávidas, que recebem cuidados obstétricos e serviços de aconselhamento em hospital público, mães encarceradas em Rikers Island ou mulheres que estão grávidas e vivem e/ou têm seus filhos em abrigos públicos.

O projeto tem como objetivo oferecer um contexto positivo e criativo para as participantes, considerando o que representa para elas ser mãe em circunstâncias tão particulares. Por exemplo, sabemos que pré-adolescentes de 11, 12, 13 anos ao engravidarem podem rejeitar, e comumente o fazem, a experiência da gravidez e o próprio bebê.

Assim sendo, por meio de sessões de criação, as oficinas do Lullaby Project oferecem a oportunidade de tais jovens mães criarem uma canção de ninar ao seu próprio bebê, possibilitando assim que elas expressem e explorem seus sentimentos de ligação com essa criança que estão gerando.

Tal exercício de composição também permite às participantes desenvolverem uma nova memória em relação a essa experiência e mesmo uma herança positiva da mesma, isso tudo em um espaço criativo seguro, que possibilita o reconhecimento dos sentimentos, os quais são compartilhados por todo o grupo de participantes.

Lullaby Parade
No site do Carnegie Hall, aparece a temporada de oficinas programadas para 2013, a relação dos  locais e, respectivamente, dos músicos responsáveis:

Rikers Island (Rosa M. Singer Center). Músicos responsáveis: Thomas Cabaniss e Emeline Michel
Jacobi Medical Center. Músicos responsáveis: Thomas Cabaniss e Eagen Emily com Falu Shah
Siena House (DHS abrigo para sem tetos). Músicos responsáveis: Emily Eagen com Duo Rhone
Callaway Residence (DHS abrigo para sem tetos). Músicos responsáveis: Emily Eagen com Saskia Lane e Bhasin Meena
Bellevue Hospital Center, dois programas. Músicos responsáveis: Saskia Lane, Deidre Rodman Struck, e Lee Ann Westover com Camille Zamora

Achei essa iniciativa magnífica, emocionante, e seria maravilhoso se no Brasil tal exemplo fosse seguido, uma vez que esse tipo de circunstância: a gravidez de mães muito jovens, em situação de extrema penúria e suas dificuldades para lidar com tal experiência é, afinal, algo muito comum em todo lugar: é preciso agir em apoio a essa mães tão jovens e seus rebentos. 



sábado, 22 de dezembro de 2012

L'ange qui rit


Os anjos são mesmo seres verdadeiros e que expressam a Verdade.

É claro que quando penso em Verdade, ao menos em relação aos seres angelicais, considero que talvez possamos entendê-la tal como ouvi uma sua possível descrição ainda nessa manhã, quando o músico e ator Arrigo Barnabé – ele tem um programa admirável na rádio Cultura FM, o Supertônica –, citando Novalis, transmitiu sua mensagem de fim de ano aos ouvintes:

A poesia é o autêntico real absoluto, quanto mais poético mais verdadeiro.

Por conta disso, mesmo que os antigos tenham criado toda uma iconografia em torno dessa personagem celestial, na qual podemos ver anjos de espada em punho, alguns mais severos e outros de semblantes mais ou menos graves ou basicamente piedosos, ainda assim, gosto de pensar na companhia amiga, por exemplo, do meu anjo da guarda, em que ele se apresenta a mim de um modo muito particular,como também desejo manter meu relacionamento com esse celestial amigo.

Assim sendo, imagino meu anjo da guarda – e se eu tivesse a capacidade mística de vê-lo tenho certeza que seria assim mesmo que eu o veria – com o semblante semelhante ao daquele que se encontra no pórtico da Catedral de Notre-Dame de Reims: um anjo que sorri!

É por isso que, parafraseando o belo axioma do poeta e filósofo alemão, eu então diria que os anjos são verdadeiros, porque são seres plenos de poesia.

E, como a tradição cristã nos diz que o anjo da guarda é aquele designado para nos acompanhar em todos os momentos da nossa existência neste planeta, é compreensível que ele seja alguém que naturalmente possa sorrir e, sendo assim, os motivos de seu riso serão os mais variados.

Rêves de couleurs (2011), de Michel Quesne e Hélène Richard da Société Skerto
projeção que ocorreu durante as festividades em torno do aniversário de 800 anos da Catedral. 
A projeção buscou restaurar por minutos, as cores vivas e alegres que a Catedral e suas estátuas 
possuíam na Idade Média e que desapareceram em consequência da ação do tempo e da poluição.
Ele poderá, por exemplo, demonstrar por esse riso a natureza benévola do amigo que compreende minha pequenez e os desajustes a que estou sujeito, encontrando-me onde ainda estou, nessa situação particular de um distanciamento exato e único, esse exatamente que demarca meu lugar em relação ao Altíssimo.

Mas, o riso do meu anjo também poderá ainda ser de alegria, pois ao me ver assim tão humílimo, por minha própria condição, ainda assim percebe que, de quando em quando, demonstro amor e carinho aos outros seres da criação.

É quando, por fim, sorri de satisfação, ao notar que vou avançando em direção a essa liberdade a que somente alçam aqueles dessa própria natureza angelical.

Seres que por possuírem asas não reclamam de distâncias e se sentem satisfeitos na sua missão de proclamarem a Verdade do amor divino, sendo expressão absoluta de poesia.




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Dançar o amor

via Planet Wissen

Por vezes, costumo pensar que apenas poderiam saber acerca do sentimento presente na experiência de se dançar uma valsa tão somente os que a dançaram naquele tempo em que esse tipo de composição musical experimentou seu primeiro apogeu, fosse em Viena, fosse na Alemanha, França, Itália ou Inglaterra. 

Será mesmo que somente aqueles privilegiados poderiam compreender o tipo de enlevo aí envolvido? 

Quero tomar assim a coisa, pois esse casal, distante no tempo e espaço históricos, teria dançado a valsa quando ainda viviam compondo-as, por exemplo, os membros da família Strauss.

Segundo Ana Silvério, as composições, que lembram o que hoje é considerado a Valsa Vienense, começaram a surgir a partir da década de 70 do século XVIII, mas o marco histórico é a composição final do Segundo Ato da ópera “Una Cosa Rara”, composta por Martin y Soler em 1786, onde vários casais dançavam ao mesmo tempo. A dança não aparecia como Walzer, Waltzen ou Waltz nas partituras da ópera, mas sim como um Andante con Moto. Essa ópera, em especial essa dança, foi a grande responsável pela imensa popularidade que a Waltzen obteve nos salões de Viena nos anos 1780, espalhando-se então para o resto da Europa.

A partir daí, imagino, pode ter havido aqueles que a dançassem alheios ao movimento de absoluta cumplicidade que essa dança suscita a um casal. Deveriam, pois, existir casais que apenas a dançavam, mecanicamente, ou seja, num desperdício de tempo e de propósito.

No entanto, acredito que até hoje um casal verdadeiramente enamorado vive a dança da valsa como um momento de sublimação, embora tal traço pertença, ele também, a um jogo de sedução pelo qual se dá como que uma embriagues do sentimento. Algo completamente diferente de tudo o que possa existir fora do afeto.

Assim sendo, acredito que são eles, os afetos, que permitem a demonstração também na dança dessa eleição propriamente de sentimentos mútuos.  Seria como se por meio da valsa tais sentimentos tomassem para si uma expressão plástica que se molda, então, na atitude desses corpos de movimentarem-se com leveza e elegância sem igual. 

Evidentemente, isso acontece mesmo quando se dão aquelas voltas e rodopios arrebatadores. Aliás, por conta disso é que eles são possíveis, porque há essa condução recíproca e confiante entre os enamorados, ou seja, amor pura e simplesmente.

Burt Lancaster e Claudia Cardinale dançando uma valsa no filme ‘Il Gattopardo’,
de Luchino Visconti.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A magia da tradição do Teatro de Marionetes da República Tcheca

A primeira vez que vi o postal que divulga a exposição Gepetos de Praga - A arte viva das marionetes da República Tcheca já fiquei encantado com essa dupla linda que cavalga no mesmo cavalo. É encantadora a expressão viva dessas personagens de cavanhaque e vestidas em roupas rendadas, e que parecem ser mensageiros de algum reino, mas em missão mais do que impossível. É que são combatentes em batalha animada pela vida: olhos alertas e tendo em veludo carmim a touca, a roupa e a boca.

É assim - vivo demais - tudo o que você encontra nessa exposição: cada uma das personagens talhadas em madeira fala de uma tradição que naquele país é secular.
Na companhia de tais personagens, entramos de chofre no reino da fantasia, do imaginário dos contos de fadas: há dragões, demônios, princesas, casais coroados, cavaleiros andantes, anjos, mensageiros celestiais, ou seja, tudo o que de fato existe em algum lugar que não pode ser visível, imediatamente, mas que de algum modo essas marionetes fazem reviver, ao menos em nossa imaginação.

O mais bacana é que durante a visita você encontra monitores muito simpáticos, fazendo oficina de marionetes com crianças, com estudantes de escolas ou mesmo com o público em geral.

Eu cheguei a assistir a um teatrinho:  uma história que essas crianças criavam de improviso, em um pequeno cenário montado na exposição para esse fim. Toda a pequena plateia, composta de adolescentes, ria muito e se divertia: é que eles sentiam a magia que só pode existir onde tem espaço a arte, a cultura, o conhecimento criativo, a vida fora do lugar comum. ;-)

Bem, depois disso tudo que eu disse, espero que você não deixe conferir os Gepetos de Praga!

Caixa Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111
Agendamentos e informações: 11 3321-4400
29 de setembro a 02 de dezembro de 2012
terça a domingo, das 9h às 21h







terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pardon me


Children Dancing at a Party (Pardon Me),
1918, oil on canvas.
Norman Rockwell.
Ontem, alguém me dizia que culpa é diferente de sentimento de culpa, assim como promessa é diferente de compromisso!
Segundo esse amigo, a culpa é aquilo de que te acusam, e, então, é mesmo necessário todo o aparato daquela área do conhecimento que aprendemos a chamar de Direito para lidarmos de fato com uma culpa. Ou seja, se te acusam culpado, haverá um advogado de acusação e você pode ter um advogado de defesa, para defendê-lo da culpa que te imputam e assim, quiçá, poderá ainda provar sua inocência. É claro que se você, de fato, cometeu determinada falta poderá ser provada sua culpa. Mas a culpa continuará sempre sendo aquilo que lhe imputaram, algo que veio de fora. Somos culpados de crimes que, por um consenso e por vivermos em uma sociedade, de determinada época, chamamos de crime. E, certo, está tudo bem que seja assim, ao menos por um tempo: o da condenação penal.
Já o sentimento de culpa é matéria de foro íntimo. Eu crio o meu sentimento de culpa. Tanto é assim, que posso me preocupar com o que o outro está sentindo em relação à determinada atitude que julgo injusta e que tomei no trato com ele. Muitas vezes, mesmo pedindo perdão por uma falta, e ainda mais se o outro não me perdoa, continuo me sentindo culpado. Isso não deveria acontecer (na ausência do sentimento de culpa de fato não acontece), afinal o problema é de quem não me perdoou. Há casos bizarros de pessoas perdoadas pelo ofendido e que continuam se sentindo culpadas.
Outra coisa interessante, e que esse meu amigo também me disse, foi acerca da promessa. Fazê-la é simplesmente pedir para ter problema com o outro: não prometa nada a ninguém. Você será cobrado, necessariamente, portanto, não deveria ter prometido, sobretudo se não desejava cumprir a promessa. O descumprimento da promessa, o que quase sempre acontece, é já o início de um processo de sentimento de culpa, nesse caso absolutamente desnecessário, pois bastaria simplesmente não prometer jamais.
E por fim, há o compromisso. Trata-se aqui de uma sutil nuance e naquilo que o diferencia da atitude precedente. Mas, que coloca novamente o que é de foro íntimo em circulação, agora, porém, em sua faceta positiva. Se você quer assumir um compromisso, isso não será mais uma promessa, mas o seu próprio desejo em movimento. Não deveríamos deixar de considerar um compromisso, pois quando nos comprometemos já não prometemos apenas, somos a promessa antecipada e que se nota por essa nossa atitude e ação. Por meio dessa atitude só poderia resultar algo que chamaríamos de "culpa", se ela não fosse um compromisso com o bem comum.
(publicado originalmente no blog do Coletivo Cultural pegando o Gancho)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Estudar vale a pena mesmo!

Estudar vale a pena


Se não fosse a escola eu teria sido tão infeliz!

Sim, eu também sofria bullying na minha infância na escola, contudo isso não impedia que um movimento paralelo também acontecesse! Eu diria que se tratava de uma força que em mim crescia e que só a escola podia autorizar: a do desenvolvimento da minha inteligência.

Eu notei que isso se deu como um resultado natural, decorrente de fazermos acontecer aquilo mesmo que a escola propiciava, então, mas que, eu acredito, ainda propicia: a conquista lenta e gradual da autonomia intelectual do ser.

As crianças e também os jovens e mesmo os pais, os professores, a sociedade: todos reconhecem isso. Obviamente, isso não acontece o tempo todo entre os muros da escola, porque ela também tem seus descompassos, e ainda aqueles que são contra ela e que estão muitas vezes dentro dela: um professor relapso, preguiçoso, descompromissado e um aluno idem.

É no interior da escola que o exercício da convivência vai se fazendo e em conjunto. Lembro-me quando eu lecionei inglês para alunos da 5ª série do Ensino Fundamental, isso há muito tempo. Era na periferia de Taboão da Serra, cidade da grande São Paulo. Certa feita, entrei na sala e os alunos estavam afoitos, promovendo uma guerra de bolinhas de papel: nem notaram minha presença. Silenciosamente, eu fui andando por entre eles e fui recolhendo, um por um, todos os papéis que inundavam o chão. Aos poucos, alguns foram notando minha presença e cutucando o coleguinha mais próximo e como eu nada dizia, mas contrito continuava minha tarefa, eles foram muito lentamente se acalmando e assistindo aquele professor que recolhia todo o lixo... Transformara-me momentaneamente em faxineiro.

Quando terminei de recolher o lixo, uma tarefa que levou alguns minutos, a sala estava quieta, os alunos atônitos. O produto final foi para o lixo e eu aproveitei para tratar do tema, falar um pouco acerca do fato de que nós fazemos o lugar que habitamos, que queremos ou desejamos: ele pode ser construído ou destruído de acordo com a nossa vontade.

Penso que o mesmo se dá em relação a essa experiência de passarmos tantos anos sentados nos bancos escolares. Somos nós que fazemos disso algo que vale a pena ou não. Sem dúvida, quando aprendemos a nos dedicar aos estudos, podemos nos dedicar a tudo o mais. Seremos dedicados no trabalho, alcançaremos o sucesso pretendido, e, sim, a bagagem cultural que a escola nos oferece sempre será utilizada no nosso cotidiano.

Mesmo quando você, por ventura, perder tudo, ou caso venha a surtar em determinado período da vida, e abandone o emprego, indo para a rua, sentindo-se completamente só, ainda assim a bagagem cultural que você tenha adquirido por meio dos estudos jamais será perdida. Apenas no caso da tristeza de você vir de fato a desenvolver uma patologia como a esquizofrenia ou algo do gênero é que poderá perdê-la (ao menos momentaneamente) e, conjuntamente, o melhor uso que poderia ter feito dela.

Vale a pena estudar porque é preciso ser uma pessoa melhor, sempre. Muitos não precisam da escola para isso, os chamados autodidatas, mas esses são poucos. Quando somos aqueles que estamos na escola, precisamos e devemos aproveitar essa oportunidade. Sou da opinião que devemos sempre defendê-la, aos seus alunos, professores, a toda comunidade escolar. Portanto, quando estamos dentro da escola precisamos lembrar que somos parte dela, que a escola depende de cada um, dependerá daquilo que plantamos nela, hoje, aquilo que ela ainda possa vir a ser no futuro!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Katherine Mansfield e o bullying

Eu estou fazendo a revisão de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) na área de Pedagogia cujo tema é o bullying. Estou aprendendo muitas coisas interessantes, dentre elas a compreensão do que caracteriza o bullying, ou seja: atitudes agressivas de todas as formas, praticadas intencional e repetidamente, que ocorrem sem motivação evidente, que são adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e são executadas dentro de uma relação desigual de poder. Assim sendo, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais do bullying e que tornam possível a intimidação da vítima.

Penso que é muito bom que no início do século XXI tal preocupação venha mesmo cada vez mais à tona, e que as pessoas em geral se importem com isso, nomeando, debatendo, conversando, fazendo trabalhos, pesquisas, numa palavra, combatendo o que, sem dúvida, não deveria acontecer. Que não aconteça mais, então, e de preferência a partir de agora e sobretudo para o futuro, o qual será melhor e já nos aguarda, com certeza.

Há pessoas que acham que isso é bobagem, que se trata de mera “moda” ficar falando do “tal” bullying... Aliás, é desse modo que elas falam e pensam, e isso simplesmente porque, dizem, sempre foi assim, ou seja, quando eram crianças também sofreram bullying e nem por isso deixaram de ser adultos “normais”.

A essas pessoas (quando volta e meia as encontro) eu sempre digo: você já leu o conto The Doll’s House de Katherine Mansfield?

O conto é um primor e entre outras nuances apresenta-nos um caso de bullying sofrido por duas garotas, que são irmãs e filhas de uma serviçal de famílias abastadas, de uma determinada região (provavelmente na Nova Zelândia, onde a autora nasceu e passou sua infância), em que, na única escola local, estudam as crianças dessas mesmas famílias para as quais a mãe das garotinhas trabalha e também crianças de condição social inferior, como essas garotinhas protagonistas, as filhas da empregada.

Além de serem objeto de chacota das demais crianças ricas, que chegam a lhes perguntar se elas também serão “empregadas domésticas” quando crescerem – em uma manifestação evidente do preconceito de classe – ocorre ainda uma outra intimidação. Quando as crianças de uma daquelas famílias ganham uma Casa de Bonecas e comentam na escola, convidando seus iguais a irem visitá-las para brincarem com a novidade, deixam, é claro, as duas irmãs de fora.

Mais para perto do desfecho o pior acontece: quando, por um acaso, as duas garotinhas estão passando em frente à casa da dona da Doll’s House são chamadas pela garotinha rica para verem, finalmente, o brinquedo. O recreio dura pouquíssimo, a mãe das crianças ao chegar expulsa, com uma grosseria inominável, as pobres garotas.

Via Little Fish Toys
Nesse ponto, a arte da descrição do ocorrido, e que Mansfield nos apresenta, torna a coisa toda tão punjente que você, leitor, sente verdadeiramente qual é o verdadeiro horror do bullying e como é triste, tristíssimo, que crianças sejam suas vítimas, que qualquer um venha a ser vítima dessa agressão e que, principalmente, tal atitude agressiva possa começar em casa, sendo assim ensinada por adultos, pelos familiares, aqueles que deveriam educar para o bem comum!

Fico imaginando (e torcendo) para que abolindo o bullying da escola, isso mude também o interior das casas, e que elas possam ser como as “casas de bonecas”, no melhor sentido da palavra, ou seja, o da alegria que um brinquedo como esse representa ou ao menos representou a essas crianças todas do conto de Mansfield, que tanta alegria sentiram ao entrar em contato com essa casa.

Não vou contar o final da história, mas posso dizer que se trata de uma história de esperança, apesar de tudo! ;-D

segunda-feira, 4 de abril de 2011

About Silence and Angels

Anjo Esquecido - Paul Klee (1939)
Hoje, quando acordei, achei que eu estava novamente com os olhos afetados pelo surto de conjuntivite que acometeu a cidade de São Paulo já faz uns dois meses.

Corri para o mesmo hospital especializado no qual fora atendido anteriormente.

Lá chegando, vi uma multidão na sala de espera. Isso mesmo: inúmeras pessoas. Peguei a senha para o atendimento e abri meu Bliss, de Katherine Mansfield. As atendentes a toda hora chamavam grupos de pacientes que levavam para outras alas do hospital, a fim de, com isso, agilizarem um pouco mais o atendimento, necessariamente moroso com tanta gente!

Fui conduzido com um desses grupos para outro andar, e, depois de passar pela triagem, retornei ao primeiro andar, aguardei um tanto mais e, depois, uma senhora apareceu dizendo que iria chamar umas trinta pessoas, as quais seriam conduzidas novamente para um outro andar para serem, finalmente, chamadas, cada qual, por um dos médicos.

Ao chamar o nome de uma senhora, o qual verdadeiramente era “Salvadora”, ela chamou-lhe Salvador. A senhora a corrigiu e, imediatamente, ela se desculpou. Depois, ao chamar meu próprio nome, ela não o pronunciou da forma devida (as pessoas sempre se confundem em relação à pronúncia do meu nome, elas não o pronunciam como uma palavra oxítona, que é o usual e também correto, ao menos em português, mas o fazem como se fosse palavra paroxítona e fica estranho. rsrsrs).

Eu também a corrigi, mas apenas para me certificar de que era meu mesmo o nome chamado.

Ao nos conduzir para o andar, ela pediu-nos desculpas mais uma vez:

- Vocês me desculpem não falar o nome com correção, mas como podem ver o hospital está superlotado e estamos procurando providenciar o melhor atendimento... O problema é que nosso pronto-socorro atende em média 350 pacientes por dia, e, devido ao surto de conjuntivite na cidade, estamos atendendo mais de 1.500 pacientes por dia. Nossa sorte é que todos os médicos estão colaborando muito.

Essa fala me desabou. Fiquei a ponto de chorar.
Em primeiro lugar, por que ser bem tratado me emociona! Ser mal tratado não me leva às lágrimas não! No passado, inclusive, eu também tratava mal aquela pessoa que me tratasse com desconsideração. rsrsrs Hoje, não faço mais isso: parei de utilizar a ultrapassada lei do “olho por olho, dente por dente”. No máximo, procuro olhar para a tal pessoa como o olhar de quem está vendo alguém que precisa de ajuda e até me proponho a ajudá-la e desde que ela aceite, of course.

Agora, quando me tratam tão bem, fico emocionado! Por que a fala corretíssima dessa senhora nos leva a pensar em tanta coisa! Por exemplo, se apenas um surto de conjuntivite já mobilizava ali tanta gente, e exigia tanto, em um hospital bacana como aquele, o que não será a realidade de um surto de doença mais grave e em condições bem menos favoráveis!

Sim, como pode ser emocionante o trabalho dos profissionais de saúde!
Afinal, somos todos tão frágeis!
Eu tenho para mim, que um hospital é um lugar privilegiado para se contar o número de anjos que temos no presente e também onde é possível já imaginar o número daqueles anjos que ainda teremos no futuro! Penso que um hospital é um lugar de silêncio, também, por que é no silêncio que nascem os anjos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Os heróis da Pátria são apenas gente como a gente

Eu agora estou lendo um livro que me caiu nas mãos muito por um acaso. Eu já ouvira falar do sucesso que esse escritor, o jornalista Laurentino Gomes, e seus livros sobre o período da monarquia no Brasil estão fazendo. Ele tem tido a boa sorte do marketing dos títulos estar a seu favor, evidentemente, pois optou por nomeá-los com o ano de cada período que retratou, ou seja, primeiro foi o 1808 (ano da chegada da família real no Brasil) e agora o 1822 (ano da independência do Brasil). Mas os seus livros são muito mais do que puro marketing.
O primeiro não li ainda, mas vou ler! Comecei a ler, na sexta-feira, 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado, e agora estou na metade do livro. É um livro de narrativa fluente e agradável: essa é a primeiríssima qualidade do mesmo. A segunda é uma qualidade menos óbvia, mas que alguns livros, não muitos, podem também revelar: eu penso que esse livro foi escrito com muito amor.
E como é bom ler um livro feito assim!
Muito já se disse desse livro, assim como do anterior, em todos os canais de comunicação. Não preciso dizer muito mais, mas posso dar notícia de uma ou outra impressão de leitor.
Eu concordo, por exemplo, que as principais qualidades do autor como jornalista podem mesmo ter colaborado para aquela característica muito positiva do livro a que já me referi e que é a sua fluidez. Afinal, o livro resultou de todo um excelente trabalho de investigação, e seu autor nos conta que sua experiência em reportagens do gênero muito o ajudaram na hora de transformar todo o material investigado naquilo que se conta no livro. Aqui temos uma verdadeira aula de história, na qual as personagens do episódio da independência do Brasil aparecem vivas e dinâmicas, porque elas tornaram-se personagens verdadeiramente humanizadas, e, assim sendo, muito próximas de cada um de nós. Essa é uma particularidade que faz com que, sim, ao término de cada capítulo eu tenha estado emocionado.
Quando fui contar essa circunstância a um amigo, ele me disse que isso talvez se devesse a um certo patriotismo em mim latente. Mas não acho que eu seja assim tão patriota e tampouco que isso aconteça por se tratar da história da minha pátria. Penso que isso se dá muito mais por essa história, que de fato é a do país em que nasci e vivo, ser uma história que é feita por gente e que veio de outros lugares desse mesmo planeta que habitamos, como o próprio Dom Pedro I, um português.
Por exemplo, o livro nos faz pensar muito detidamente nessa figura de Dom Pedro I, que, com apenas 23 anos, foi um dos protagonistas do episódio da independência. Curiosamente, quando eu lia essa informação da pouco idade que ele tinha, eu estava no metrô, em frente a um rapaz que aparentava ter essa mesma idade e fiquei pensando: Imagine! Ele era da idade desse menino, aqui, de bermuda, tatoo e dreads no cabelo. Ou seja, uma pessoa comum.
Outro aspecto bastante didático do livro e que, por isso mesmo, sugere uma reflexão suplementar é quando, por exemplo, o autor compara determinado acontecimento histórico de que está a tratar com os modos como ele já foi retratado, posteriormente, por outros meios. Por exemplo, a figura de Dom Pedro I foi personagem de um filme sobre a independência, da década de 70, interpretado pelo ator Tarcisio Meira e ainda de uma minissérie na TV, tendo, então, como seu intérprete, o ator Marcos Pasquim. Representações tão distintas e mesmo polêmicas e/ou redutoras, nasceram da complexidade da personagem histórica e que suscita e poderá sempre suscitar interesse. E deve mesmo suscitar! Há uma passagem que me fez pensar que Dom Pedro poderia, por exemplo, ter pertencido a minha família:

Gostava de jogar, mas era um mau perdedor. O viajante francês Jacques Arago contou ter sido convidado pelo imperador para uma partida de bilhar quando estava no Rio de Janeiro. Conhecedora do caráter impulsivo do marido, a imperatriz Leopoldina aproximou-se do francês antes que o jogo começasse e cochichou-lhe ao ouvido: “Deixe-o ganhar algumas partidas. Meu marido é bastante colérico.” Arago, que era um excelente jogador, não lhe deu atenção e, em vez disso, ganhou todas as partidas. D. Pedro reagiu de forma desesperada produzindo “uma cena digna de pessoas perversas em uma das piores tavernas de arrabaldes”, segundo o relato do viajante. Em seguida tentou blefar, mas como continuasse a perder, abandonou o jogo irritadíssimo. “De natureza impulsiva, voluntariosa, era sujeito a súbitas alterações de humor e violentas e repentinas explosões que tornavam difícil o seu convívio”, apontou a historiadora cearense Isabel Lustosa. “Eram logo sucedidas por atitudes de franca conciliação, quando dava demonstrações exageradas de arrependimento a quem antes ofendera.”

Ler um livro de História ensina tanto! Ensina-nos inclusive a compreender que o ser humano estará mesmo sempre sujeito a se lapidar, em qualquer tempo, espaço e condição. ;-)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Educação na Escola e na Praça

Hoje, na minha hora do almoço, passei pela Praça do Patriarca, aqui no centro de São Paulo, e vi um moço, sentado em uma cadeira de rodas com seu violão e diante de um microfone, que cantava, com seu vozeirão potente e afinado, uma canção da Legião Urbana, aquela deliciosa: “Eduardo e Mônica”. Ele era acompanhado por uma bateria, que um outro músico tocava muito bem.
O cantor era um homem adulto e cadeirante.
Achei-o tão animado, verdadeiro, confiante. E fiquei feliz por isso.
Também foi inevitável imaginar que ele possa ter passado e ainda deve passar por muitas adversidades, sobretudo, aquelas que resultam da falta de apoio, o qual as pessoas com mobilidade reduzida precisam ter. Essa falta de apoio pode acontecer por parte das instâncias governamentais, ao não ampliarem ainda mais as políticas de inclusão desses cidadãos na escola, no mercado de trabalho, na vida social produtiva; ou por parte da família ou, ainda, dos indiferentes às suas dificuldades.
Independentemente disso tudo, esse homem é já um adulto e está confiante e fazendo sua parte: vendendo, pessoalmente, seus CDs, em praça pública, cantor que é.

Quando passei pelo homem, imediatamente, também associei essa circunstância a uma outra que conheci, ainda nesta manhã.

É que vivi uma experiência importante para a minha própria educação: fui conhecer a Escola NANE, no bairro de Moema. As donas da escola são pedagogas, educadoras e psicólogas, que há muito trabalham com a prática de uma Educação Regular Inclusiva e, isso, desde quando nem se sabia como nomear essa atitude destemida de quem pensa a educação para todos e, principalmente, arregaçando as mangas e fazendo com que ela aconteça.
E o que vi?
Um ambiente absolutamente agradável e no qual as pessoas todas - porteiro, recepcionista, auxiliares de limpeza, professores, coordenadores, fisioterapeutas, as diretoras/mantenedoras da escola - todos vivenciam a experiência de educar com prazer, com respeito e com verdade. Qual verdade? Aquela que permite a esses alunos, desenvolver suas capacidades, mesmo que dentro dos seus limites o que, infelizmente, não acontece em muitas escolas, e mesmo hoje, quando a educação inclusiva é lei e está no papel.
A verdade, é que, antes de algo como uma lei dizer o que deve ser feito, as pessoas precisam descobrir por si mesmas o que deve e precisa ser feito e, principalmente, como fazer isso mesmo.
É por isso que as crianças e jovens que estudam na Escola NANE estão felizes, cada qual a seu modo, e eu não tenho dúvida alguma de que isso se deve ao amor que conduziu aquelas pessoas a desempenharem tão bem os seus papéis.
Uma professora me contava que eles têm na escola um projeto que possibilita aos adolescentes deixarem de viver apenas limitados ao convívio familiar ou mesmo escolar, o que muito comumente ocorre na vida de tantos jovens nas mesmas condições. Assim, eles se organizam em grupos, acompanhados por um educador, e vivenciam saídas diversas, por exemplo, tão somente para sentarem-se em uma lanchonete em grupo ou quando festejam o aniversário de um amigo/amiga, e, assim, de programinha em programinha, passam a exercitar o convívio fora do ambiente escolar ou familiar, e, portanto, aquelas situações comuns e necessárias e que acontecem na vida de um adolescente, normalmente. Aliás, uma mãe, depois de permitir que sua filha vivenciasse essa experiência, disse para a educadora:
- Vocês devolveram a adolescência para a minha filha.
Não é muito bonito poder ouvir um agradecimento tão punjente de uma mãe, quando se é professor?
Isso só ocorre se a equipe de educadores de uma escola souber e tiver a certeza de que Educar é ensinar que toda pessoa tem o direito de viver a sua vida e de fazer dessa vida o que melhor puder fazer. Algumas pessoas precisam ainda mais desse ensino, ou seja, do ensino de que isso é possível e por esse mesmo motivo também merecem os cuidados que outras pessoas podem lhes propiciar para que vivenciem esse direito.
Isso também pode acontecer em plena praça pública, vejam só! No entanto, deveríamos nos perguntar:  em quantas praças mais, celebraríamos essa beleza, se nas escolas isso acontecesse com mais frequência?

Bom fim de semana. ;-D

terça-feira, 25 de maio de 2010

Andy Stanton & David Tazzyman

Ontem ganhei de uma amiga querida um livro infantil e comecei a ler no trajeto para casa. Não consegui parar de ler! É muito bom. Você tem filhos? Sobrinhos? Amiguinhos de 8, 9, 10 anos? Então, presentei-os com o Sr. Gum e os Goblins de Andy Stanton e ilustrado por David Tazzyman. Esses dois jovens pais ingleses são sensacionais. Eles estão em uma sintonia absolutamente positiva para escrever para crianças.




Andy vive no norte de Londres. Ele estudou inglês em Oxford, mas eles o expulsaram. rsrsrs David vive no sul de Londres. Gosta de futebol, críquete, biscoitos, música e desenhar. Não gosta de aipo. rsrsrs
Eles não são nada caretas e são pessoas boas, boníssimas. Só gente assim escreve para crianças com tamanha liberdade, alegria e verdadeiras boas intenções! O livro é escrito para crianças dessa geração que chegou ao mundo ainda ontem. É essa geração que já conhece o Harry Potter, não é mesmo? Eles brincam com tudo, inclusive com essa famosa personagem, quando, por exemplo, os heróis caem no poço eles dizem que só alguém como Harry Potter poderia sair dalí, não é o caso dos nossos heróis. É lógico! O livro é melhor que o do Harry Potter justamente porque deixa a magia no plano da imaginação, e, no final, a criança irá se dar conta de que o que vale na vida é tão somente saber que, como diz a personagem Sexta-Feira O’Leary: A VERDADE É UM MERENGUE DE LIMÃO!

Há algumas passagens que são hilárias:

não havia nada pior do que o Sr. Gum, nem mesmo cair acidentalmente em um vulcão cheio de professores de Matemática.

Um lugar onde a neve cai como a capa de Frankestein e o vento uiva como Drácula quando dá uma topada com o dedão do pé na mesa de centro.

Na descrição dos Goblins: Uns fedorentos, outros limpos, não, mentira, todos são fedorentos.

Um dos Goblins que tinha duas cabeças, estava lá sentado, discutindo sem parar consigo mesmo, não foi ele, foi ele sim, não foi ele.

Os nomes dos Goblins são todos absurdos do tipo Grifo, Sr. Galgo, Gargarejo, Gosmento e, de repente aparece um que se chama André Guilherme. Eu achei engraçadíssimo isso...

Só mais uma passagem: E eu devo ir armado somente com pensamentos puros, uma língua sincera e um coração cheio de coragem. Além de uma espada, no caso de todas estas coisas não funcionarem.

É leitura para a criançada chorar de rir. Claro, se as crianças forem tão legais como a Polly, a garota heroina do livro! Ela lembrou-me uma amiga que se chama... Poly!
Recomendo muito muito esse livro. É pura educação. Aliás, a educação é mesmo o pano de fundo do livro, como de todo bom livro. Os autores sugerem que as crianças (para não virarem monstrinhos...) abandonem a Escola de Tédio Doutor Chatice e frequentem a Escola Santo Pterodátilos para Pobres. Essa última é muito melhor do que a primeira, of course. Eu ainda não disse, mas esses personagens todos vão virar desenho animado do canal Nichelodeon. Achei muito bom: os desenhos do David parecem as garatujas infantis e tão cheios de vida! O livro faz parte da Coleção Galera, da Record e foi traduzido por Luiz Antonio Aguiar, acho que já é possível encontrar nas livrarias.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A inteligência é algo que se desenvolve

Ontem, ouvi, durante uma viagem em um trem da CPTM, pessoas defendendo a pena de morte no Brasil. Vejam só! Foi, então, que me lembrei de um episódio da minha infância. Quando eu estava na terceira série do primário, eu devia ter 9 anos, aconteceu uma fatalidade na família de um dos colegas que frequentava a nossa sala de aula. Não me lembro se um tio fora assassinado... Mas fora um crime, seguido de assalto, envolvendo, portanto, uma pessoa conhecida na comunidade. Lembro-me que todos ficamos consternados com o ocorrido, mas havia alguns garotos, e mesmo algumas meninas, que falavam em vingança e que se o assassino fosse pego ele deveria ser condenado à pena de morte.
Eu lembro de ter dito na ocasião:

- Gente, não existe pena de morte no Brasil.

E, então, perguntaram-me se eu concordava com isso, com a pena de morte, eu disse que não. Disse com todas as letras:

- Não! Imaginem se eu vou concordar com isso! Matar uma pessoa!

E, então, me disseram:

- Mas ele matou o fulano, e se fosse seu pai, sua mãe?

Tanto as crianças como os adultos, que nutrem essas ideias horríveis na cabeça, sempre vêm com esses argumentos emotivos e extremados, utilizando, com a intenção de convencimento, os apelos mais pessoais possíveis. Eu continuava:

- Imaginem que isso vai acontecer com o meu pai, com a minha mãe! E mesmo se acontecesse: eu não iria querer MATAR um miserável assassino.

Eu falava, tão seriamente, que os coleguinhas ficaram desconcertados e afirmaram:

- Ah, o Júnior é um louco mesmo! [Aquele tempo eu era chamado de Júnior e de louco, vejam só!]

Eu acho que eu era uma criança bem bacana, isso sim... rsrsrs
Como diz uma amiga minha, a verdade é que se formos seguir a lei do "olho por olho, dente por dente", teremos uma multidão de caolhos e banguelas. É isso. Deus nos livre!
Quando terminei esse texto acima, fui procurar uma imagem que pudesse ilustrar o tema em questão, encontrei alguém falando em um blog do fim da pena de morte, nas Filipinas, em 2006. Uma notícia muito boa, portanto. O blog está abandonado, mas a ex-dona (será que um blog fica sem dono, depois de abandonado? Acho que não, estão lá os textos e todos assinados), ela é uma pessoa encantadora. Para ilustrar o que estou dizendo, olhem só essa outra postagem que também li e que considerei como um modo muito delicado de se queixar das pessoas. rsrsrs Essa blogueira portuguesa (bem, não deu para saber, a escrita dela é portuguesa) escrevia textos muito gostosos de ler. Tomara que ela não se incomode de eu ter trazido esse seu texto para cá. Esqueci de avisá-la de que eu faria isso, quando lhe enviei um e-mail contando que conhecera o Pópulo.
Vejam se eu não tenho razão:

novembro 04, 2006

Bichitos insignificantes

Às vezes quando andamos a passear no campo, levantamos uma pedra e encontra-se lá debaixo um bicho. Quase sempre os bichos que encontramos debaixo das pedras não são muito bonitos, eles lá sabem porque precisam da escuridão da pedra… Mas têm direito à vida, pois então! Nunca lhes faço mal e deixo-os desaparecer debaixo de outra pedra.
Aqui há uns tempos fui mordida por um insecto qualquer. Nem o vi, só dei conta do inchaço e da comichão que aquilo fazia. Andei por aí às voltas com umas pomadas e bastante aborrecida quando uma minha amiga médica me disse: "O melhor era teres posto uma pedrinha de gelo!" Imagine-se! Uma pedra de gelo, nunca me teria lembrado e coisa mais fácil e barata não há.
Acontece que na nossa vida real, ou por vezes aqui na net, de vez em quando somos mordidas por «uns bichos» que lá saem por debaixo de umas pedras e, sabe-se lá porquê, decidem morder. Não é morte de ninguém, fazem só uma certa comichão e é um tanto desagradável, mas não passa daí. Gosto bastante da técnica-da-pedra-de-gelo, ‘traduzindo’ – deixar passar algum tempo até ficar de cabeça fria. Claro que me incomoda mais quando, nessa ânsia de me irritar picar, vai apanhar por ricochete outra pessoa que não tem nada a ver comigo. Mas eu vou tentar passar o cubo de gelo aos outros e explicar-lhes que estes bichinhos que vivem debaixo das pedras são mesmo assim, taditos, não primam pela inteligência.


Emiéle

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Da Cidade de Deus aos Campos de Lavanda do Sul da França

Sábado, na nossa aula na PUC, discutíamos a importância da avaliação na escola, sobretudo no magistério do ensino superior . Em um texto que líamos, o autor lembrava as expectativas das famílias: elas querem que a escola assegure aos filhos condições dignas de sobrevivência. Alguém dizia que, no entanto, muitas famílias nem se preocupam com a qualidade de ensino, mas com a obtenção de um certificado tão somente. Mesmo que esse documento possa, quando muito, assegurar uma vaga de gari para o cara, ou seja, ainda que ele não avance para além dessa conquista.
Uma amiga nos lembrou uma cena do filme Cidade de Deus, se eu não me engano, em que um garoto da favela retratada no filme dizia, em determinada altura, que ele não iria para a escola porque não iria ser "mais um otário de marmita", o que significava, no caso, que ele preferia se associar ao tráfico de drogas.
Fico pensando se não se trata sobretudo de escolhas e até mesmo misteriosas, na força do desejo que impulsiona cada qual a estar ou não na escola e vivenciar ou não os desdobramentos possíveis dessa experiência.
Penso que todas as escolhas são justas, no sentido lato da palavra justiça, ou seja, posso preferir ser o "otário de marmita" (afinal, preferindo trabalhar ao menos para ter o que colocar nessa marmita); ou obter o certificado que me assegura conquistar, por uma prova em concurso público, a vaga de gari, com a qual o cidadão também assegura a sua sobrevivência e a de muitos da família. Isso não é mesmo admirável?
Ou não, desejar muito mais, materialmente, e pular a experiência do aprendizado escolar, em busca do que o crime possa prometer, arriscando com isso a obter aquilo que ele mais rapidamente assegura: a morte prematura de jovens.
Há também histórias belíssimas de conquista, como a que faz, por exemplo, com que uma pessoa de origem pobre se torne doutor e diga, diante da banca de doutoramento, como um amigo também relatou: Meus pais, minha avó, meus familiares... não entendem porque eu estudo tanto e não poderiam conversar comigo a respeito dessa tese que eu estou aqui defendendo...
Eu, muito humildemente, de minha parte, como Cartola,  acho que tudo no mundo acontece e, como aconteceu de o meu coração ficar triste, ao pensar nessas questões todas, muito enigmaticamente terminarei essa crônica dizendo que o mais delicioso de tudo deve ser plantar lavanda, no sul da França... Será?

segunda-feira, 1 de março de 2010

Muita Luz na Vila Industrial faz mover um Girassol

Nesse último sábado, após uma semana de muito trabalho e até mesmo aborrecimentos, tive uma experiência muito marcante. Fui convidado para ir a um Sarau. O mesmo amigo que me convidara de outra feita levou-me a uma Comunidade, na Vila Industrial, Zona Leste da cidade de São Paulo, onde uma moradora chamada Maria Augusta, juntamente com outros educadores, desenvolve uma experiência muito rica na Ong a que chamaram Girassol.


O meu amigo Laudecir mandou-nos hoje um e-mail em que ele descreve seus sentimentos em relação a essa experiência que vivenciamos juntos. Faço minhas suas palavras:

O que está acontecendo na Comunidade Girasol é inacreditável, mágico, havia uma disputa acirrada das crianças e adolescentes para ver quem dançava melhor (ao mesmo tempo percebia-se uma harmonia entre eles, claro, tiveram que se preparar através de ensaios, horas e horas, para poderem chegar àquelas coreografias), e para quem tinha coragem de fazer uso do microfone e ler um poema, houve fila para isso. Eles vibravam com aplausos, gritos de alegria, pelos colegas que tinham coragem de se expor; exigiam silêncio...
Fazia tempo que não vivia uma experiência assim... Algum adolescente gritou: ''lá na escola niguém lê!!!" Não é interessante essa fala !!!!??? Experiências como essa deveriam se multiplicar por aí, nos mais diferentes espaços.... Meu amigo Josafá e eu (Lau) comentávamos do reflexo positivo dessa experiência cultural na vida daquelas crianças e adolescentes... Que continuem!!!!
Ah, nossa amiga Maria Augusta estava radiante, senti tanto orgulho dela... Sabe, agora, escrevendo esse texto, sinto vontade de chorar de alegria pelo que vi e senti.
É claro que muitas outras pessoas estão envolvidas no trabalho daquela comunidade, parabenizo a todos na pessoa dessa nossa Graaaande mulher, mãe, amiga queridíssima, líder nata..... Maria Augusta!!!!

É isso mesmo. Eu só quero ainda ressaltar o trecho em que ele nos conta da fala do jovem que nos lembrou que na escola ninguém lê. O rapaz tinha toda a razão. Eu creio que isso de fato acontece, em muitas escolas (Deus nos livre que isso venha a acontecer em todas - a generalização aqui seria péssima, afinal, ainda que em menor número há professores boníssimos trabalhando em muitas escolas públicas). De qualquer modo, isso pode acontecer quando a escola não cria aquele ambiente de espontaneidade, respeito mútuo, e que propicia, a partir daquilo que o jovem gosta - no caso era evidente o prazer e o amor dos jovens da Girassol pela street dance - sim, esse é sempre o mote para que a poesia, a literatura e todas as outras referências culturais que ajudam a nos formar tenham também o seu espaço de fruição.

Uma outra coisa bastante marcante, que mostrou essa disposição sincera das crianças e jovens presentes para participar, aconteceu quando, após o intervalo, no qual tomamos um caldo verde - que umas irmãs gentilíssimas, portuguesas e de uma instituição católica, tinham oferecido ao evento - eu disse que cantaria um fado português, que eu aprendera ouvindo Ney Matogrosso e Kátia Guerreiro, a fadista que eu conhecera graças a um amigo Catalão, e que eu conheci por intermédio do meu blog.
Quando terminei de me apresentar os jovens aplaudiram entusiasmados e pediram "mais um", assim como pediram também "mais um" para a performance magnífica de Laudecir.
Eu fiquei muito emocionado porque a verdade é que todas as crianças e jovens do mundo precisam e têm sede de conhecer mais e mais. Todos nós desejamos isso, naturalmente. No entanto, a experiência do conhecimento tem de ser como essa que tivemos no último sábado: um encontro de alegria e paz, por exemplo, em torno da emoção da expressão artística e não naquela opressão que ocorre amiúde entre os muros da escola.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Não tem o que dizer? Faça um elogio.

Ontem, alguém, que eu mal conheço, encontrou-me no elevador e vendo duas marcas de ferimentos no meu braço, exclamou:

- Foi briga isso?

Sempre que ouço uma frase absurda, invasiva e de mal gosto dirigida a minha pessoa eu não me contenho: começo a rir [acho até que é um cacoete, do tipo nervoso]. Dessa vez, após o riso, justifiquei:

- Não, foi um acidente doméstico, queimei-me no forno do fogão de casa. ;-p

Acho incrível esse tipo de situação. Parece-me algo tão patético! A única validade de sua ocorrência é que podemos tirar alguma lição desse tipo de episódio. Eu procuro ir colecionando esses desagravos gratuitos de outrem para comigo para que eu mesmo possa jamais fazê-los a outrem. Sim, porque querer que essas pessoas não o façam é tolice. Cada qual faz o que pode fazer. Aliás, é uma questão de educação. Se pensarmos bem, jamais deveríamos emitir uma frase que possa desagradar nosso interlocutor. Ainda mais assim, em pleno elevador, e a partir da visão de uma pista tão falsa, como as queimaduras no meu braço...

Eu procuro de coração, nessas situações sociais em que absolutamente nada precisa ser dito, mas podendo fazê-lo, tão somente lançar um elogio, como:

- Que linda esta sua blusinha de estampa petit poá!