Vejam que interessante: acabei de saber que um coletivo de dança da Alemanha, a Companhia de dança contemporânea Cocoon Dance irá contribuir artisticamente para a revitalização de um teatro em São Paulo, o Teatro Mars, na Bela Vista.
A Cocoon Dance, sediada em Berlim, participa a partir de amanhã de três pólos importantes para as artes do corpo em São Paulo, ou seja, simultaneamente, a responsabilidade da apresentação cênica do espetáculo Dating Your Enemy, a revitalização do Teatro Mars, e ainda a pesquisa e montagem de novo espetáculo, com a participação de artistas brasileiros e que integra um projeto de colaboração de artistas das duas cidades envolvidas, ou seja, o Cocoon Dance em São Paulo - Projeto 2011, que promoverá um trabalho, nos anos de 2010/2011, com a participação de performers e apresentação dos dois países. O elenco brasileiro será formado, através de Audições, seguidas de Oficinas, com as técnicas e metodologias utilizadas durante os processos de criação da companhia. Tal projeto ocorre em parceria com o Goethe-Institut São Paulo, bem como com o Teatro Mars.
Dating Your Enemy é uma releitura da peça Na Selva das Cidades - Im Dickcht der Städte -escrita em 1924, pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht. O Brasil conheceu uma montagem dessa peça, em 1969, by José Celso Martinez Correa, do Teatro Oficina. Para mim, essas referências são mais do que suficientes para querer ver o espetáculo!
A Companhia de dança contemporânea Cocoon Dance foi fundada em 2000, por ocasião do Festival Off em Avignon, por Rafaële Giovanola e Rainald Endrass. Trata-se de um ensemble de artistas vindos de grandes companhias como Ballet Frankfurt William Forsythe e Tanztheater Wuppertal Pina Bausch. É uma característica do grupo emprestar sua criatividade e personalidade em produções mais independentes.
No release que recebi, fui informado que serão duas as apresentações do espetáculo, nos dias 15 e 16 de Outubro (Sexta-Feira e Sábado), às 21 horas. Esse espetáculo simboliza o início do projeto de revitalização do Teatro Mars, na Bela Vista, devolvendo à cidade de São Paulo, um espaço destinado ao estudo, à pesquisa, a experimentação e a performance das diversas manifestações da dança.
Dating Your Enemy
Bailarinos: Joris Camelin, Martin Inthamoussú.
Coreografia e Direção: Rafaële Giovanola.
Vídeo: Ralph Goertz
Desenho de Luz: Marc Brodeur.
Concepção: Rainald Endraß
Teatro Mars – Rua João Passalacqua, 80 – Bela Vista.
Tel:. (11) 3105 8950
Reservas por e-mail: info @spdance.com.br
Lotação: 200 lugares
Duração: 50 min.
Ingresso: R$40,00 e R$20,00
Importante:
Quem não puder ir à noite ao teatro, mas estiver visitando a Bienal, vai poder conferir uma performance desse mesmo grupo na 29ª Bienal de São Paulo. Será o Cocoondance para os Terreiros da Bienal.
O ponto de invenção e reunião de Roberto Loeb e Kboco - Dito, Não Dito, Interdito e o labirinto dos frágeis mecanismos de representação de Carlos Teixeira - O Outro, o Mesmo, serão o palco de duas versões deste embate brechtiniano nos Terreiros da Bienal.
29ª Bienal de Artes de São Paulo
Parque do Ibirapuera/ Portão 3.
Sábado - 16 de outubro de 2010
Duas Apresentações: às 13 horas e às 17 horas.
Terreiros: O Dito, Não dito, Interdito e O Outro, o Mesmo.
Entrada Grátis.
Informações:
bienalsp@fbsp.org.br
(55 11) 5576 7600
http://www.bienalsp.org.br/
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
Muita Luz na Vila Industrial faz mover um Girassol
Nesse último sábado, após uma semana de muito trabalho e até mesmo aborrecimentos, tive uma experiência muito marcante. Fui convidado para ir a um Sarau. O mesmo amigo que me convidara de outra feita levou-me a uma Comunidade, na Vila Industrial, Zona Leste da cidade de São Paulo, onde uma moradora chamada Maria Augusta, juntamente com outros educadores, desenvolve uma experiência muito rica na Ong a que chamaram Girassol.
O meu amigo Laudecir mandou-nos hoje um e-mail em que ele descreve seus sentimentos em relação a essa experiência que vivenciamos juntos. Faço minhas suas palavras:
O que está acontecendo na Comunidade Girasol é inacreditável, mágico, havia uma disputa acirrada das crianças e adolescentes para ver quem dançava melhor (ao mesmo tempo percebia-se uma harmonia entre eles, claro, tiveram que se preparar através de ensaios, horas e horas, para poderem chegar àquelas coreografias), e para quem tinha coragem de fazer uso do microfone e ler um poema, houve fila para isso. Eles vibravam com aplausos, gritos de alegria, pelos colegas que tinham coragem de se expor; exigiam silêncio...
Fazia tempo que não vivia uma experiência assim... Algum adolescente gritou: ''lá na escola niguém lê!!!" Não é interessante essa fala !!!!??? Experiências como essa deveriam se multiplicar por aí, nos mais diferentes espaços.... Meu amigo Josafá e eu (Lau) comentávamos do reflexo positivo dessa experiência cultural na vida daquelas crianças e adolescentes... Que continuem!!!!
Ah, nossa amiga Maria Augusta estava radiante, senti tanto orgulho dela... Sabe, agora, escrevendo esse texto, sinto vontade de chorar de alegria pelo que vi e senti.
É claro que muitas outras pessoas estão envolvidas no trabalho daquela comunidade, parabenizo a todos na pessoa dessa nossa Graaaande mulher, mãe, amiga queridíssima, líder nata..... Maria Augusta!!!!
É isso mesmo. Eu só quero ainda ressaltar o trecho em que ele nos conta da fala do jovem que nos lembrou que na escola ninguém lê. O rapaz tinha toda a razão. Eu creio que isso de fato acontece, em muitas escolas (Deus nos livre que isso venha a acontecer em todas - a generalização aqui seria péssima, afinal, ainda que em menor número há professores boníssimos trabalhando em muitas escolas públicas). De qualquer modo, isso pode acontecer quando a escola não cria aquele ambiente de espontaneidade, respeito mútuo, e que propicia, a partir daquilo que o jovem gosta - no caso era evidente o prazer e o amor dos jovens da Girassol pela street dance - sim, esse é sempre o mote para que a poesia, a literatura e todas as outras referências culturais que ajudam a nos formar tenham também o seu espaço de fruição.
Uma outra coisa bastante marcante, que mostrou essa disposição sincera das crianças e jovens presentes para participar, aconteceu quando, após o intervalo, no qual tomamos um caldo verde - que umas irmãs gentilíssimas, portuguesas e de uma instituição católica, tinham oferecido ao evento - eu disse que cantaria um fado português, que eu aprendera ouvindo Ney Matogrosso e Kátia Guerreiro, a fadista que eu conhecera graças a um amigo Catalão, e que eu conheci por intermédio do meu blog.
Quando terminei de me apresentar os jovens aplaudiram entusiasmados e pediram "mais um", assim como pediram também "mais um" para a performance magnífica de Laudecir.
Eu fiquei muito emocionado porque a verdade é que todas as crianças e jovens do mundo precisam e têm sede de conhecer mais e mais. Todos nós desejamos isso, naturalmente. No entanto, a experiência do conhecimento tem de ser como essa que tivemos no último sábado: um encontro de alegria e paz, por exemplo, em torno da emoção da expressão artística e não naquela opressão que ocorre amiúde entre os muros da escola.
O meu amigo Laudecir mandou-nos hoje um e-mail em que ele descreve seus sentimentos em relação a essa experiência que vivenciamos juntos. Faço minhas suas palavras:
O que está acontecendo na Comunidade Girasol é inacreditável, mágico, havia uma disputa acirrada das crianças e adolescentes para ver quem dançava melhor (ao mesmo tempo percebia-se uma harmonia entre eles, claro, tiveram que se preparar através de ensaios, horas e horas, para poderem chegar àquelas coreografias), e para quem tinha coragem de fazer uso do microfone e ler um poema, houve fila para isso. Eles vibravam com aplausos, gritos de alegria, pelos colegas que tinham coragem de se expor; exigiam silêncio...
Fazia tempo que não vivia uma experiência assim... Algum adolescente gritou: ''lá na escola niguém lê!!!" Não é interessante essa fala !!!!??? Experiências como essa deveriam se multiplicar por aí, nos mais diferentes espaços.... Meu amigo Josafá e eu (Lau) comentávamos do reflexo positivo dessa experiência cultural na vida daquelas crianças e adolescentes... Que continuem!!!!
Ah, nossa amiga Maria Augusta estava radiante, senti tanto orgulho dela... Sabe, agora, escrevendo esse texto, sinto vontade de chorar de alegria pelo que vi e senti.
É claro que muitas outras pessoas estão envolvidas no trabalho daquela comunidade, parabenizo a todos na pessoa dessa nossa Graaaande mulher, mãe, amiga queridíssima, líder nata..... Maria Augusta!!!!
É isso mesmo. Eu só quero ainda ressaltar o trecho em que ele nos conta da fala do jovem que nos lembrou que na escola ninguém lê. O rapaz tinha toda a razão. Eu creio que isso de fato acontece, em muitas escolas (Deus nos livre que isso venha a acontecer em todas - a generalização aqui seria péssima, afinal, ainda que em menor número há professores boníssimos trabalhando em muitas escolas públicas). De qualquer modo, isso pode acontecer quando a escola não cria aquele ambiente de espontaneidade, respeito mútuo, e que propicia, a partir daquilo que o jovem gosta - no caso era evidente o prazer e o amor dos jovens da Girassol pela street dance - sim, esse é sempre o mote para que a poesia, a literatura e todas as outras referências culturais que ajudam a nos formar tenham também o seu espaço de fruição.
Uma outra coisa bastante marcante, que mostrou essa disposição sincera das crianças e jovens presentes para participar, aconteceu quando, após o intervalo, no qual tomamos um caldo verde - que umas irmãs gentilíssimas, portuguesas e de uma instituição católica, tinham oferecido ao evento - eu disse que cantaria um fado português, que eu aprendera ouvindo Ney Matogrosso e Kátia Guerreiro, a fadista que eu conhecera graças a um amigo Catalão, e que eu conheci por intermédio do meu blog.
Quando terminei de me apresentar os jovens aplaudiram entusiasmados e pediram "mais um", assim como pediram também "mais um" para a performance magnífica de Laudecir.
Eu fiquei muito emocionado porque a verdade é que todas as crianças e jovens do mundo precisam e têm sede de conhecer mais e mais. Todos nós desejamos isso, naturalmente. No entanto, a experiência do conhecimento tem de ser como essa que tivemos no último sábado: um encontro de alegria e paz, por exemplo, em torno da emoção da expressão artística e não naquela opressão que ocorre amiúde entre os muros da escola.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
38 Festival Internacional de Danças Folclóricas. Eu fui.

Ontem, fui ao 38º Festival Internacional de Danças Folclóricas. Uma amiga que dança em um grupo que estimula a arte da dança grega, em São Paulo, o Zorbás, iria se apresentar nesse festival. A princípio, fui para prestigiar minha amiga, ver especificamente a dança grega que eu acho linda, enfim, para conferir. E pude conferir muito mais! ;-DO evento ocorreu no teatro da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social, que fica no bairro da Liberdade , bairro tradicional da colônia japonesa na nossa city.
Ao chegar, já fiquei encantado com o saguão que estava repleto de gente, muitas vestidas com os figurinos dos grupos que iriam se apresentar, havia também barraquinhas com comidas típicas de cada país: África do Sul, Itália, Grécia, Alemanha, Suiça, entre outros.
Quando o evento foi aberto, achei muito emocionante o momento em que a apresentadora pediu que todos cantássemos o Hino Nacional Brasileiro, que foi cantado sem o acompanhamento da música, portanto, a capella. Isso foi significativo porque as pessoas todas que estavam ali eram os imigrantes de todos esses países, os avós e os pais e seus filhos e netos nascidos no Brasil. Portanto, era uma celebração de cada cultura em particular, mas com essa clareza de deferência ao país que os abrigou.
É muito emocionante esse lado de São Paulo que, como já nos disse o poeta, "é como o mundo todo".
Então, iniciaram-se as apresentações: os bailarinos que representavam as Nações Africanas fizeram uma bonita apresentação com aquela força de expressão e com todo o poder da percussão e que só os ritmos africanos conseguem. O trabalho do Grupo Cultural Afro II procura aliar à tradição da dança negra, que tem sua origem na religiosidade e na magia, os novos elementos que retratam o caos urbano e as contradições da modernidade, segundo a apresentadora. E foi isso mesmo o que se viu!
Depois tivemos o Grupo Souham de Dança do Ventre e Folclórica Árabe, representando o Líbano e Nações Árabes - não é meigo que um grupo de lindas moças brasileiras, descendentes de Libaneses e Árabes, possa lindamente representar essas nações nesse tipo de festival?
Depois foi a vez da Hungria ser representada pelo Grupo de Danças Folclóricas Húngaras Pántlika. Aqui achei significativa a expressão dos pares. A origem das quadrilhas de nossas festas juninas estão nessas danças antigas, folclóricas, desses países da Europa e que se ligam a antigos rituais de fertilidade e expressam ricamente as relações humanas, sobretudo a sempre difícil relação do casal: homem e mulher.
O Brasil foi representado pelas danças gaúchas, depois tivemos a Finlândia, o Chile Lindo, a Alemanha, Nostra Itália, e o riquíssimo Ballet Folclórico Boliviano, com aquelas canções indígenas em que os instrumentos de sopro fazem toda a diferença. Na primeira dança, os dançarinos usavam um arranjo imenso na cabeça, na forma de flores, emplumadas, e que giravam de um modo magnífico. Depois tivemos a Russia que emocionou porque nesse grupo havia crianças e adolescentes, pessoas de diferentes tamanhos! Lembrou-me as Matrioskas. ;D
Por fim, o grupo Zorbás, os descendentes dos helenos que eu havia ido prestigiar. Eles abriram com um número emocionante, em que uma cantora cantava uma canção para uma dança que se chamava Detós Horós e o grupo de bailarinos, que dançavam com os braços antecruzados, segurando velas, repetia uma espécie de refrão. Eles fecharam de um modo apoteótico com a famosa quebra dos pratos (bom saber: a minha amiga disse que não se faz mais isso na Grécia, agora se atiram pétalas de flores.)
Depois tive que ir embora, não vi os demais grupos. :p
Mas como tudo o que vi emocionou-me deveras, esse blogueiro que vos fala pensa ter aprendido uma lição: a de que aquelas pessoas todas amam e cultivam suas diferenças, mas, pareceu-me, isso também alimenta o amor que elas têm pelo país que as acolheu, o que é muito bonito de se ver. Também uma certeza foi confirmada: a de que nós brasileiros amamos esse "mundo todo de gente", e, ainda mais, quando dançam e celebram a vida!
sábado, 25 de julho de 2009
A frustração de Carlos Saura
Carlos Saura (de camisa azul e câmera fotográfica). Foto by Bernardo Pérez.Ontem, eu estava andando na chuva, protegido por um guarda-chuva e também por um casaco: os termômetros marcavam 13º, em São Paulo. Entrei na banca de jornais, pois pretendia aguardar o destempero dos céus passar. Foi quando vi em um jornal uma chamada pequena:
Carlos Saura por bulerías
El cineasta ultima el espectáculo 'Flamenco hoy' y vuelve al género de sus amores.
Notei que estava lendo o jornal espanhol El País. Imediatamente, fui tomado pela comoção de uma lembrança carinhosa: a de quanto aprecio Carlos Saura e sua obra. O que conheço dela, afinal é imensa: ele filma desde a década de 50!
Mas quanta alegria, emoção e momentos de pura exaltação do espírito devo a esse diretor, simplesmente porque vi nas telas:
Ana y los lobos (1972).
Cría cuervos (1975) - Prêmio Especial do Juri, no Festival de Cannes.
Mamá cumple cien años (1979) - indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Bodas de sangre (1981).
Carmen (1983); indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Prêmio do Jurado no Festival de Cannes.
El amor brujo (1986).
¡Ay, Carmela! (1990); vencedor de 13 Prêmios Goya.
Sevillanas (1991).
Flamenco (1995).
Como é possível perceber, não vi nada do que ele produziu na duas décadas anteriores e tenho inúmeras lacunas, afinal, só pude ver o que chegou ao Brasil nesse período. Também não vi nada do que ele tem produzido nessa década atual, por exemplo, e não é pouco, sei de ao menos uns cinco títulos. De qualquer modo, esse cineasta é incansável.
Agora ele está dirigindo esse espetáculo, Flamenco Hoy, que estreia em agosto, em Madri. Eu li a matéria do El País, embora não tenha comprado o jornal. ;p Li na edição on-line. Alí, Gregorio Belinchón escreve:
En mitad del ardoroso julio madrileño, en una de las salas de los Teatros del Canal de la Comunidad de Madrid, Saura, infatigable a sus 77 años, va encajando con pasión de furibundo flamenco y precisión de relojero los ingredientes de Flamenco hoy. Asiste casi todas las mañanas a los ensayos, y allí habla con López Linares de las luces y con Laura Martínez de la escenografía. Los dos han trabajado ya con el aragonés - quién iba a decir que uno de Huesca iba a hacer tanto por el flamenco y el baile moderno español con filmes como Bodas de sangre, Carmen, El amor brujo, Sevillanas, Flamenco o Iberia-, y le entienden perfectamente.
Outra passagem da excelente matéria e que achei belíssima, é quando, entrevistado, Saura nos diz:
"Desde joven me atrajo el flamenco. Incluso en algún momento quise ser bailaor... Soy un fracasado, porque la profesora, que era una vieja gitana maravillosa, me dijo: 'Mira, Saura, mejor dedícate a otra cosa'. Por eso hago películas, para curar mi frustración. Esa frustración me ha dado mucho juego en la carrera; pero me gustaría cantar, bailar o tocar la guitarra. En fin, ya es tarde".
Assim, descubro que sou grato a essa vieja gitana maravillosa e ao bailaor frustrado, certamente.
A matéria é excelente, muitíssimo bem escrita e o espanhol, convenhamos, é ao menos uma língua bastante legível para nosotros que hablamos portunhol. :p
Lá no site de El País você irá ver um vídeo com o ensaio desse espetáculo. Imperdível!
Va lá: http://www.elpais.com/articulo/revista/agosto/Carlos/Saura/bulerias/elpeputec/20090724elpepirdv_1/Tes
domingo, 19 de julho de 2009
Os mineiros que estão dançando, divertindo e emocionando nossas crianças


Ontem, uma amiga querida disse-me que precisava ir ver um espetáculo infantil de dança no CCBB. A minha amiga é jornalista e estaria trabalhando: o espetáculo era uma pauta para o caderno de cultura do jornal onde trabalha. Convidou-me, pois era o tipo de expediente que ela adora fazer comigo, ou seja, pura diversão.
Eu topei, tive a intuição de que seria uma coisa boa de se ver. Chegando ao Centro Cultural, as crianças já estavam curtindo a instalação de Flavia Da Rin. (vide Conoces a Flavia Da Rin?) É verdade! O trabalho dela também tem um apelo infantil, inegável. ;D
Entramos no teatro. Tratava-se do espetáculo De Esconder para Lembrar, que tem a direção geral de Marisa Monadjemi, a direção coreográfica de Denise Stutz e cenário e figurino criados pelo artista plástico e ilustrador Marcelo Xavier.
No palco, um grande mural com desenhos infantis ao fundo e um arara com roupas e apetrechos, além de inúmeros coloridos guarda-chuvas abertos no céu do palco. Durante o espetáculo, temos a impressão de que as personagens são crianças que estão se apropriando do guarda-roupa dos adultos para contar histórias e fazer suas brincadeiras.
De fato, a coisa toda é muito divertida, pois as personagens são dinâmicas até não poder mais, com seus trava-línguas, suas cantigas de roda e, claro, a dança, em que os movimentos jocosos faziam as crianças gargalharem (e a mim também!). As sensações que o espetáculo desperta são auxiliadas sempre por um ritmo musical diferente, que surge e transforma o palco. O espetáculo sugere ainda temas como o medo de escuro, de assombrações e as proibições que os adultos impõem às crianças. Tudo começa com uma brincadeira de esconde-esconde. E aí já sabemos que vai dar certo até o fim, porque os bailarinos/atores ganham as crianças de antemão: 1,2,3,15... Posso ir? Nãaao! 150, 235, 521... Posso ir? Póooode!
Há uma cena em que a personagem/menina está contando um episódio corriqueiro de seu mundo infantil e, então, ela vai chamando pessoas para compor o cenário da história ou ser as personagens. Notei que ela chamou apenas uma criança (que seria a serpente atrás da moita) e todos os demais eram adultos e que estavam também na platéia.
Pareceu-me que a mensagem subliminar era evidente: pais, tios, avós, brinquem mais com suas crianças. As crianças propriamente ditas: filhos, sobrinhos, netos e, é claro, a sua própria criança interior.
A lição que me ficou: essa nossa criança não morre nunca, desde que saibamos a essência de esconder para lembrar.
A Meia Ponta Cia de Dança tem nesse espetáculo sua nona montagem. Trata-se de um grupo mineiro, de Belo Horizonte, e que também acaba de receber o 6º Prêmio Usiminas/Sinparc nas categorias de ‘melhor bailarina’ e ‘melhor trilha sonora para espetáculos de dança’.
As apresentações são gratuitas no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, que pretende incentivar a prática da dança e ensinar novas brincadeiras para as crianças, mas eu vi o espetáculo fazendo muito mais do que isso. Ele emociona adultos e crianças. Esses mineiros são de uma delicadeza irreprochável!
As apresentações têm classificação livre e acontecem aos sábados e domingo, às 15h, até 9 de agosto. E os ingressos podem ser retirados no local a partir das 10h do dia do espetáculo.
Mais informações:
Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
(11) 3113-3651 / 3113-3652
www.bb.com.br/cultura
terça-feira, 14 de julho de 2009
The Pilobolus's Shadows

Vá, por favor, até www.metacafe.com/watch/2048357/pilobolus/
Não foi possível trazer o vídeo para cá :p
De qualquer modo, não deixe de ver nesse site um vídeo promocional do Pilobolus: trata-se de uma pequena amostra do espetáculo Dog-ID que acabou de estrear em Nova York.
Beautiful! Beautiful! Beautiful!
sexta-feira, 22 de maio de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
O Cinema de Maya Deren
Hoje, Domingo de Páscoa, tive o imenso prazer de conhecer o cinema de Maya Deren. Essa moça fez seis curta-metragens entre os anos 40 e 50. E todos estavam lá, na mostra que a Caixa Cultural São Paulo, na Praça da Sé, promoveu de 5a passada até esse domingo. Eram pouquíssimos os presentes e a sessão teve uma aura de coisa para eleitos. Aliás, é um cinema tão radical na sua proposta que sempre foi e será para poucos. Maya Deren, do início dos anos 40 até sua súbita morte em 1961, foi a definidora da vanguarda no cinema americano.
O primeiro filme, Meshes of the afternoon (1943-1959, pb, 14 min.) nos toma desde o seu início. Ficamos comovidos, paralisados, apreensivos e aguardando o sinistro que virá. A atmosfera é de irrealidade e por isso mesmo é tão verdadeiro. O seguinte, foi At Land (1944, pb, 15min.) é também irrealidade pura e com um senso de humor único, proveniente da atmosfera de sonho. Como bailarina ela dança no cinema, ou melhor, seu cinema é pura dança física e corporal e cheio de alma. São filmes que flertam intensamente com o abismo do ser. Ela está para o cinema, como Virginia Woolf ou Clarice Lispector estão para a Literatura, sem dúvida.
Talvez o que mais eu tenha sentido foi isso: a magia feminina, pura, perturbadora. Comungando com a vida na mesma intensidade que com a morte. É um cinema de puro corpo e alma. É também o que somos convidados a ir sentindo com os demais filmes, que então, apresentam outros atores, bailarinos (que fazem do seu cinema a dança da imagem ou uma imagem que pode ser dança): A Study in Choreography for Camera (1945, 4 min.); Ritual in Transfigured Time (nesse até mesmo Anaïs Nin aparece na tela, 1945-46, 15 min.); Meditation on Violence (1948, 12 min.) e The very Eye of Night (1952-1959, 15 min.). Todos PB. O catálogo da mostra informou que os filmes de Maya Deren estão disponíveis no site da Mystic Fire Vídeo. Isso significa que o DVD com todos os curtas pode ser pedido nesse site. Vai lá: http://www.mysticfire.com/
O primeiro filme, Meshes of the afternoon (1943-1959, pb, 14 min.) nos toma desde o seu início. Ficamos comovidos, paralisados, apreensivos e aguardando o sinistro que virá. A atmosfera é de irrealidade e por isso mesmo é tão verdadeiro. O seguinte, foi At Land (1944, pb, 15min.) é também irrealidade pura e com um senso de humor único, proveniente da atmosfera de sonho. Como bailarina ela dança no cinema, ou melhor, seu cinema é pura dança física e corporal e cheio de alma. São filmes que flertam intensamente com o abismo do ser. Ela está para o cinema, como Virginia Woolf ou Clarice Lispector estão para a Literatura, sem dúvida.
Talvez o que mais eu tenha sentido foi isso: a magia feminina, pura, perturbadora. Comungando com a vida na mesma intensidade que com a morte. É um cinema de puro corpo e alma. É também o que somos convidados a ir sentindo com os demais filmes, que então, apresentam outros atores, bailarinos (que fazem do seu cinema a dança da imagem ou uma imagem que pode ser dança): A Study in Choreography for Camera (1945, 4 min.); Ritual in Transfigured Time (nesse até mesmo Anaïs Nin aparece na tela, 1945-46, 15 min.); Meditation on Violence (1948, 12 min.) e The very Eye of Night (1952-1959, 15 min.). Todos PB. O catálogo da mostra informou que os filmes de Maya Deren estão disponíveis no site da Mystic Fire Vídeo. Isso significa que o DVD com todos os curtas pode ser pedido nesse site. Vai lá: http://www.mysticfire.com/
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