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domingo, 19 de julho de 2009

Os mineiros que estão dançando, divertindo e emocionando nossas crianças






Ontem, uma amiga querida disse-me que precisava ir ver um espetáculo infantil de dança no CCBB. A minha amiga é jornalista e estaria trabalhando: o espetáculo era uma pauta para o caderno de cultura do jornal onde trabalha. Convidou-me, pois era o tipo de expediente que ela adora fazer comigo, ou seja, pura diversão.

Eu topei, tive a intuição de que seria uma coisa boa de se ver. Chegando ao Centro Cultural, as crianças já estavam curtindo a instalação de Flavia Da Rin. (vide Conoces a Flavia Da Rin?) É verdade! O trabalho dela também tem um apelo infantil, inegável. ;D

Entramos no teatro. Tratava-se do espetáculo De Esconder para Lembrar, que tem a direção geral de Marisa Monadjemi, a direção coreográfica de Denise Stutz e cenário e figurino criados pelo artista plástico e ilustrador Marcelo Xavier.

No palco, um grande mural com desenhos infantis ao fundo e um arara com roupas e apetrechos, além de inúmeros coloridos guarda-chuvas abertos no céu do palco. Durante o espetáculo, temos a impressão de que as personagens são crianças que estão se apropriando do guarda-roupa dos adultos para contar histórias e fazer suas brincadeiras.

De fato, a coisa toda é muito divertida, pois as personagens são dinâmicas até não poder mais, com seus trava-línguas, suas cantigas de roda e, claro, a dança, em que os movimentos jocosos faziam as crianças gargalharem (e a mim também!). As sensações que o espetáculo desperta são auxiliadas sempre por um ritmo musical diferente, que surge e transforma o palco. O espetáculo sugere ainda temas como o medo de escuro, de assombrações e as proibições que os adultos impõem às crianças. Tudo começa com uma brincadeira de esconde-esconde. E aí já sabemos que vai dar certo até o fim, porque os bailarinos/atores ganham as crianças de antemão: 1,2,3,15... Posso ir? Nãaao! 150, 235, 521... Posso ir? Póooode!

Há uma cena em que a personagem/menina está contando um episódio corriqueiro de seu mundo infantil e, então, ela vai chamando pessoas para compor o cenário da história ou ser as personagens. Notei que ela chamou apenas uma criança (que seria a serpente atrás da moita) e todos os demais eram adultos e que estavam também na platéia.
Pareceu-me que a mensagem subliminar era evidente: pais, tios, avós, brinquem mais com suas crianças. As crianças propriamente ditas: filhos, sobrinhos, netos e, é claro, a sua própria criança interior.

A lição que me ficou: essa nossa criança não morre nunca, desde que saibamos a essência de esconder para lembrar.

A Meia Ponta Cia de Dança tem nesse espetáculo sua nona montagem. Trata-se de um grupo mineiro, de Belo Horizonte, e que também acaba de receber o 6º Prêmio Usiminas/Sinparc nas categorias de ‘melhor bailarina’ e ‘melhor trilha sonora para espetáculos de dança’.

As apresentações são gratuitas no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, que pretende incentivar a prática da dança e ensinar novas brincadeiras para as crianças, mas eu vi o espetáculo fazendo muito mais do que isso. Ele emociona adultos e crianças. Esses mineiros são de uma delicadeza irreprochável!

As apresentações têm classificação livre e acontecem aos sábados e domingo, às 15h, até 9 de agosto. E os ingressos podem ser retirados no local a partir das 10h do dia do espetáculo.

Mais informações:
Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
(11) 3113-3651 / 3113-3652
www.bb.com.br/cultura