Vejam que interessante: acabei de saber que um coletivo de dança da Alemanha, a Companhia de dança contemporânea Cocoon Dance irá contribuir artisticamente para a revitalização de um teatro em São Paulo, o Teatro Mars, na Bela Vista.
A Cocoon Dance, sediada em Berlim, participa a partir de amanhã de três pólos importantes para as artes do corpo em São Paulo, ou seja, simultaneamente, a responsabilidade da apresentação cênica do espetáculo Dating Your Enemy, a revitalização do Teatro Mars, e ainda a pesquisa e montagem de novo espetáculo, com a participação de artistas brasileiros e que integra um projeto de colaboração de artistas das duas cidades envolvidas, ou seja, o Cocoon Dance em São Paulo - Projeto 2011, que promoverá um trabalho, nos anos de 2010/2011, com a participação de performers e apresentação dos dois países. O elenco brasileiro será formado, através de Audições, seguidas de Oficinas, com as técnicas e metodologias utilizadas durante os processos de criação da companhia. Tal projeto ocorre em parceria com o Goethe-Institut São Paulo, bem como com o Teatro Mars.
Dating Your Enemy é uma releitura da peça Na Selva das Cidades - Im Dickcht der Städte -escrita em 1924, pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht. O Brasil conheceu uma montagem dessa peça, em 1969, by José Celso Martinez Correa, do Teatro Oficina. Para mim, essas referências são mais do que suficientes para querer ver o espetáculo!
A Companhia de dança contemporânea Cocoon Dance foi fundada em 2000, por ocasião do Festival Off em Avignon, por Rafaële Giovanola e Rainald Endrass. Trata-se de um ensemble de artistas vindos de grandes companhias como Ballet Frankfurt William Forsythe e Tanztheater Wuppertal Pina Bausch. É uma característica do grupo emprestar sua criatividade e personalidade em produções mais independentes.
No release que recebi, fui informado que serão duas as apresentações do espetáculo, nos dias 15 e 16 de Outubro (Sexta-Feira e Sábado), às 21 horas. Esse espetáculo simboliza o início do projeto de revitalização do Teatro Mars, na Bela Vista, devolvendo à cidade de São Paulo, um espaço destinado ao estudo, à pesquisa, a experimentação e a performance das diversas manifestações da dança.
Dating Your Enemy
Bailarinos: Joris Camelin, Martin Inthamoussú.
Coreografia e Direção: Rafaële Giovanola.
Vídeo: Ralph Goertz
Desenho de Luz: Marc Brodeur.
Concepção: Rainald Endraß
Teatro Mars – Rua João Passalacqua, 80 – Bela Vista.
Tel:. (11) 3105 8950
Reservas por e-mail: info @spdance.com.br
Lotação: 200 lugares
Duração: 50 min.
Ingresso: R$40,00 e R$20,00
Importante:
Quem não puder ir à noite ao teatro, mas estiver visitando a Bienal, vai poder conferir uma performance desse mesmo grupo na 29ª Bienal de São Paulo. Será o Cocoondance para os Terreiros da Bienal.
O ponto de invenção e reunião de Roberto Loeb e Kboco - Dito, Não Dito, Interdito e o labirinto dos frágeis mecanismos de representação de Carlos Teixeira - O Outro, o Mesmo, serão o palco de duas versões deste embate brechtiniano nos Terreiros da Bienal.
29ª Bienal de Artes de São Paulo
Parque do Ibirapuera/ Portão 3.
Sábado - 16 de outubro de 2010
Duas Apresentações: às 13 horas e às 17 horas.
Terreiros: O Dito, Não dito, Interdito e O Outro, o Mesmo.
Entrada Grátis.
Informações:
bienalsp@fbsp.org.br
(55 11) 5576 7600
http://www.bienalsp.org.br/
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
O Poeta e as Andorinhas. Vá ver sem medo!
Hoje vivi uma experiência fascinante de teatro. Fui assistir ao espetáculo O Poeta e as Andorinhas, no Teatro Imprensa. Eu tinha convidado uma amiga e havia dito que um amigo meu tinha achado o espetáculo muito bom e, além disso, era baseado na obra de Oscar Wilde. Mas era um espetáculo infanto-juvenil, às 16 horas, no sábado. Minha amiga me disse: Você cheirou cola de sapateiro. Oscar Wilde às 4 da tarde?!
Rimos muito e fomos verificar.
A própria filha do Silvio Santos, a Cintia Abravanel, recebe o público no Centro Cultural do Grupo Silvio Santos do qual é diretora. Achei ela muito simpática e depois de ver o espetáculo eu sai com um sentimento de gratidão por essa moça. Percebe-se que seu trabalho é feito com muito amor, carinho e verdade.
A peça é um encantamento, um respeito e um tributo inimaginável ao grande Oscar Wilde.
Trata-se de um primor de junção dos contos de fada que Wilde escreveu, mais a obra O Retrato de Dorian Gray. A cenografia de JC Serroni e os figurinos magníficos e premiados de Leo Diniz são qualquer coisa de deslumbre, de bom gosto e de um cuidado incríveis. As Andorinhas voam o tempo todo!
O texto é amarrado, urdido. É tudo muito doído também. Como diz a Abravanel: travamos contato com aquilo que somos e isso resulta num paradoxo, que mesmo sendo assim tão doído descobrimos o melhor de nós.
Aliás, o melhor da pessoa de Oscar Wilde foi trazido para as crianças e jovens. Ele ensinou a caridade em um dos contos: o do Príncipe Feliz. É extremamente tocante ver a andorinha levar o rubi, as esmeraldas, as folhas de ouro, que cobrem sua estátua, a cada um dos necessitados da cidade.
A rosa vermelha tão desejada, colhida pela entrega de uma andorinha apaixonada; a rosa tão vilmente desprezada pela amada do belo jovem.
A cena do anão se descobrindo um monstro em frente ao espelho e dilacerado de dor por não ter, então, o amor da infanta. E a infanta dizendo que queria um anão sem coração...
O horror do retrato que envelhece no lugar de Dorian Gray, que por fim descobre que mais desejava amar do que ter vivido uma imortalidade vazia...
Quem ainda não foi ver não pode imaginar a experiência vital e a lição perene que Paulo Ribeiro, o responsável pelo texto e diretor do espetáculo, e toda a sua trupe urdiram nas coxias e, majestosamente, trouxeram ao palco.
O poeta, no espetáculo, está sempre engaiolado, uma metáfora riquíssima da experiência terrível de ausência de liberdade que Oscar Wilde sofreu.
É de chorar de emoção. Eu chorei e muitos outros que lotavam o teatro. E tudo isso tem entrada franca.
Rimos muito e fomos verificar.
A própria filha do Silvio Santos, a Cintia Abravanel, recebe o público no Centro Cultural do Grupo Silvio Santos do qual é diretora. Achei ela muito simpática e depois de ver o espetáculo eu sai com um sentimento de gratidão por essa moça. Percebe-se que seu trabalho é feito com muito amor, carinho e verdade.
A peça é um encantamento, um respeito e um tributo inimaginável ao grande Oscar Wilde.
Trata-se de um primor de junção dos contos de fada que Wilde escreveu, mais a obra O Retrato de Dorian Gray. A cenografia de JC Serroni e os figurinos magníficos e premiados de Leo Diniz são qualquer coisa de deslumbre, de bom gosto e de um cuidado incríveis. As Andorinhas voam o tempo todo!
O texto é amarrado, urdido. É tudo muito doído também. Como diz a Abravanel: travamos contato com aquilo que somos e isso resulta num paradoxo, que mesmo sendo assim tão doído descobrimos o melhor de nós.
Aliás, o melhor da pessoa de Oscar Wilde foi trazido para as crianças e jovens. Ele ensinou a caridade em um dos contos: o do Príncipe Feliz. É extremamente tocante ver a andorinha levar o rubi, as esmeraldas, as folhas de ouro, que cobrem sua estátua, a cada um dos necessitados da cidade.
A rosa vermelha tão desejada, colhida pela entrega de uma andorinha apaixonada; a rosa tão vilmente desprezada pela amada do belo jovem.
A cena do anão se descobrindo um monstro em frente ao espelho e dilacerado de dor por não ter, então, o amor da infanta. E a infanta dizendo que queria um anão sem coração...
O horror do retrato que envelhece no lugar de Dorian Gray, que por fim descobre que mais desejava amar do que ter vivido uma imortalidade vazia...
Quem ainda não foi ver não pode imaginar a experiência vital e a lição perene que Paulo Ribeiro, o responsável pelo texto e diretor do espetáculo, e toda a sua trupe urdiram nas coxias e, majestosamente, trouxeram ao palco.
O poeta, no espetáculo, está sempre engaiolado, uma metáfora riquíssima da experiência terrível de ausência de liberdade que Oscar Wilde sofreu.
É de chorar de emoção. Eu chorei e muitos outros que lotavam o teatro. E tudo isso tem entrada franca.
domingo, 19 de julho de 2009
Os mineiros que estão dançando, divertindo e emocionando nossas crianças


Ontem, uma amiga querida disse-me que precisava ir ver um espetáculo infantil de dança no CCBB. A minha amiga é jornalista e estaria trabalhando: o espetáculo era uma pauta para o caderno de cultura do jornal onde trabalha. Convidou-me, pois era o tipo de expediente que ela adora fazer comigo, ou seja, pura diversão.
Eu topei, tive a intuição de que seria uma coisa boa de se ver. Chegando ao Centro Cultural, as crianças já estavam curtindo a instalação de Flavia Da Rin. (vide Conoces a Flavia Da Rin?) É verdade! O trabalho dela também tem um apelo infantil, inegável. ;D
Entramos no teatro. Tratava-se do espetáculo De Esconder para Lembrar, que tem a direção geral de Marisa Monadjemi, a direção coreográfica de Denise Stutz e cenário e figurino criados pelo artista plástico e ilustrador Marcelo Xavier.
No palco, um grande mural com desenhos infantis ao fundo e um arara com roupas e apetrechos, além de inúmeros coloridos guarda-chuvas abertos no céu do palco. Durante o espetáculo, temos a impressão de que as personagens são crianças que estão se apropriando do guarda-roupa dos adultos para contar histórias e fazer suas brincadeiras.
De fato, a coisa toda é muito divertida, pois as personagens são dinâmicas até não poder mais, com seus trava-línguas, suas cantigas de roda e, claro, a dança, em que os movimentos jocosos faziam as crianças gargalharem (e a mim também!). As sensações que o espetáculo desperta são auxiliadas sempre por um ritmo musical diferente, que surge e transforma o palco. O espetáculo sugere ainda temas como o medo de escuro, de assombrações e as proibições que os adultos impõem às crianças. Tudo começa com uma brincadeira de esconde-esconde. E aí já sabemos que vai dar certo até o fim, porque os bailarinos/atores ganham as crianças de antemão: 1,2,3,15... Posso ir? Nãaao! 150, 235, 521... Posso ir? Póooode!
Há uma cena em que a personagem/menina está contando um episódio corriqueiro de seu mundo infantil e, então, ela vai chamando pessoas para compor o cenário da história ou ser as personagens. Notei que ela chamou apenas uma criança (que seria a serpente atrás da moita) e todos os demais eram adultos e que estavam também na platéia.
Pareceu-me que a mensagem subliminar era evidente: pais, tios, avós, brinquem mais com suas crianças. As crianças propriamente ditas: filhos, sobrinhos, netos e, é claro, a sua própria criança interior.
A lição que me ficou: essa nossa criança não morre nunca, desde que saibamos a essência de esconder para lembrar.
A Meia Ponta Cia de Dança tem nesse espetáculo sua nona montagem. Trata-se de um grupo mineiro, de Belo Horizonte, e que também acaba de receber o 6º Prêmio Usiminas/Sinparc nas categorias de ‘melhor bailarina’ e ‘melhor trilha sonora para espetáculos de dança’.
As apresentações são gratuitas no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, que pretende incentivar a prática da dança e ensinar novas brincadeiras para as crianças, mas eu vi o espetáculo fazendo muito mais do que isso. Ele emociona adultos e crianças. Esses mineiros são de uma delicadeza irreprochável!
As apresentações têm classificação livre e acontecem aos sábados e domingo, às 15h, até 9 de agosto. E os ingressos podem ser retirados no local a partir das 10h do dia do espetáculo.
Mais informações:
Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
(11) 3113-3651 / 3113-3652
www.bb.com.br/cultura
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