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quinta-feira, 14 de novembro de 2013
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Quando todo dia éramos crianças
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| Boy in tree by Gary Undercuffler |
É que por um lado o mundo nos parecia excessivamente misterioso e, por outro, bastante hostil. Enfim, fosse para o bem ou para o mal, não sabíamos o que podíamos esperar dele.
Pois se até havia meninas mal educadas!
Dos meninos, era sabido, eles eram mesmo criaturas naturalmente exasperantes, uma vez que mesmo o mais verdadeiramente galantuomo dentre eles se tornava um selvagem, quando na companhia dos demais.
As meninas todas eram doces, mas havia aquelas que pareciam já ter sofrido e, por isso mesmo, tinham também cada qual endurecido a sua cota, deixando de lado a ternura que talvez ainda esperávamos delas. Além disso, parecia-nos que, por sua vez, elas achavam um tanto estranho que alguém como eu estivesse ainda por ali: intocado e intocável.
Pois era assim mesmo que eu me sentia nesse tempo, posto que passei minha infância toda precisando muito da proteção dos adultos de carne e osso, além da dos anjos invisíveis.
E, assim, só podia me espantar quando, no contato com as outras crianças, eu via o que havia de errado no mundo!
Lembro-me, quando já na pré-adolescência, uma prima me perguntou, entre meio que chocada, mas também um tanto quanto perversamente... Ela perguntou-me se eu já sabia como nasciam os bebês.
Embora eu fosse criança mesmo e nem soubesse tanto assim, fiquei a mirá-la, pois seu estado era de quem estava honestamente dividida entre o espanto e a tristeza, e, assim sendo, concluí que ela apenas descobrira que o mundo era algo feito de suor e lágrimas.
Eu, por meu lado, procurei sugerir que tudo aquilo era normal desde que possível!
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| "Flooded Out" collect potatoes by Gary Undercuffler |
Isso não era um risco para mim, porque eu sempre fui uma criança que reservava um profundo amor a Deus que, no entanto, eu ainda não podia compreender de modo algum, a não ser por intermédio mesmo desse amor inocente.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
This guy is an angel
Ontem, eu ainda estava me sentindo frustrado e isso por conta de um tolo episódio vivido no último sábado, quando eu tentara fazer uma omelete e a coisa toda não deu certo, pois transformou-se em famigerados ovos mexidos...rsrsrs
Embora eu estivesse desconfiado que a culpa fora da frigideira, que não era antiaderente, achei por bem conferir como um chef faz uma omelete e lembrei-me do simpático Jamie Oliver. No Youtube, encontrei-o preparando... uma omelete. Ele utilizava uma frigideira apropriada, of course, mas também explicava que há uns truquezinhos para ela manter-se inteira, além de saborosa.
Por conta desse vulgar episódio, soube, por ali mesmo, que o Oliver também participou daquelas palestras TED. Ele aliás, recebeu um Prêmio TED! Interessei-me, imediatamente, por ouvir sua fala na ocasião.
E, quando dei por mim, estava aos prantos!!!
Além de vivaz, um comunicador nato que ele é, o interesse nesse vídeo está no que ele nos conta de sua experiência magnífica em um projeto que ele desenvolve junto à comunidade americana: ele e alguns outros anjos, como ele os chamou, estão procurando reverter a calamitosa falta de educação alimentar daquele povo e que resulta em tantas mortes prematuras!
Aliás, o que acontece por lá sempre tem repercussão no mundo, e o Brasil está bem perto de viver esse horror da obesidade como um problema de ordem social. Nós também temos um monte de Mc Donald's, espalhados por inúmeras cidades: não podemos nos esquecer disso! ;-p
Ao ilustrar sua fala, ele nos mostrou, por exemplo, duas cenas no telão e que são impressionantes: na primeira, ele está sentado na cozinha de uma obesa mãe americana mostrando-lhe tudo o que cada membro da família tem ingerido: absolutely junk food! Ela toma, dolorosamente, consciência de que está matando aos poucos seus próprios filhos e ele lhe diz: sim, você está!
Em outra cena, o próprio Oliver está dando uma aula para crianças muito pequenas em uma escola e ele leva-lhes uma cesta com legumes, verduras, frutas, tudo muito fresquinho. Ao mostrar para as crianças tomates e lhes perguntar o que são, as crianças demonstram não fazer ideia alguma do que seja a tal fruta e apenas uma delas arrisca: Potatoes?
Jamie Oliver defende que devemos ensinar a cada criança sobre comida e que devemos preparar nossa comida em casa, comida fresca e saudável, na frente delas! E ele está coberto de razão.
Ele sabe do que está falando, pois é alguém que se envolve em programas sociais para a boa alimentação, dirige um restaurante que ajuda jovens em situação de risco, apresentando-lhes a gastronomia como alternativa de trabalho, além de defender a utilização de comida orgânica. Essas são suas principais bandeiras e ele tem sido reconhecido por tudo isso, no mundo inteiro e sobretudo no Reino Unido.
Sua palestra é um acontecimento, como tantas outras que temos visto nesse evento, por isso vale a pena conferi-la e também conhecer detalhes dos projetos do Jamie Oliver lá no seu site. Enjoy it!
Embora eu estivesse desconfiado que a culpa fora da frigideira, que não era antiaderente, achei por bem conferir como um chef faz uma omelete e lembrei-me do simpático Jamie Oliver. No Youtube, encontrei-o preparando... uma omelete. Ele utilizava uma frigideira apropriada, of course, mas também explicava que há uns truquezinhos para ela manter-se inteira, além de saborosa.
Por conta desse vulgar episódio, soube, por ali mesmo, que o Oliver também participou daquelas palestras TED. Ele aliás, recebeu um Prêmio TED! Interessei-me, imediatamente, por ouvir sua fala na ocasião.
E, quando dei por mim, estava aos prantos!!!
Além de vivaz, um comunicador nato que ele é, o interesse nesse vídeo está no que ele nos conta de sua experiência magnífica em um projeto que ele desenvolve junto à comunidade americana: ele e alguns outros anjos, como ele os chamou, estão procurando reverter a calamitosa falta de educação alimentar daquele povo e que resulta em tantas mortes prematuras!
Aliás, o que acontece por lá sempre tem repercussão no mundo, e o Brasil está bem perto de viver esse horror da obesidade como um problema de ordem social. Nós também temos um monte de Mc Donald's, espalhados por inúmeras cidades: não podemos nos esquecer disso! ;-p
Ao ilustrar sua fala, ele nos mostrou, por exemplo, duas cenas no telão e que são impressionantes: na primeira, ele está sentado na cozinha de uma obesa mãe americana mostrando-lhe tudo o que cada membro da família tem ingerido: absolutely junk food! Ela toma, dolorosamente, consciência de que está matando aos poucos seus próprios filhos e ele lhe diz: sim, você está!
Em outra cena, o próprio Oliver está dando uma aula para crianças muito pequenas em uma escola e ele leva-lhes uma cesta com legumes, verduras, frutas, tudo muito fresquinho. Ao mostrar para as crianças tomates e lhes perguntar o que são, as crianças demonstram não fazer ideia alguma do que seja a tal fruta e apenas uma delas arrisca: Potatoes?
Jamie Oliver defende que devemos ensinar a cada criança sobre comida e que devemos preparar nossa comida em casa, comida fresca e saudável, na frente delas! E ele está coberto de razão.
Ele sabe do que está falando, pois é alguém que se envolve em programas sociais para a boa alimentação, dirige um restaurante que ajuda jovens em situação de risco, apresentando-lhes a gastronomia como alternativa de trabalho, além de defender a utilização de comida orgânica. Essas são suas principais bandeiras e ele tem sido reconhecido por tudo isso, no mundo inteiro e sobretudo no Reino Unido.
Sua palestra é um acontecimento, como tantas outras que temos visto nesse evento, por isso vale a pena conferi-la e também conhecer detalhes dos projetos do Jamie Oliver lá no seu site. Enjoy it!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Baby meeting \o/
Hoje quando entrei no transporte público as pessoas me olharam.Ok. Não foi um olhar de repreensão, mas tampouco de aprovação. Era aquele olhar indiferente que os adultos têm uns para com os outros.
Então, entrou um jovem pai, pela porta traseira (era um amigo bonachão do motorista) e animado, carregava no colo uma bebê muito linda e meiga. A verdade é que todos os bebês são assim, não é mesmo? É absolutamente instintivo, graças a Deus, gostarmos de bebês, ainda mais se não estiverem aborrecidos ou chorando, mas apenas tranquilos.
O pai sentou-se ao meu lado e eu distraído olhava para a frente. Então, ouvi ele dizer para a bebê:
- Está rindo para o moço? Está?
Olhei na direção dos dois e a bebê sorria para mim! E ainda sorriu mais, quando eu fiz cara de simpático: aquela cara que se mostra para os bebês.
Lembrei-me, então, que sempre foi assim: os bebês me adoram. Todo bebê quando me vê fica feliz e isso deixa-me siderado, ou seja, também feliz e quase que com a indelével impressão de que sou bom, de verdade! ;-)
A verdade é que eu acho que nascemos todos mais ou menos defeituosos, mas logo que nascemos isso não parece evidente, graças a Deus! E as crianças, na fragilidade característica dos infans, são essas criaturinhas que todos temos que cuidar e amar: aliás não podemos compreender quem faça mal a uma criança, ainda mais assim na tenra idade, como também praticamente ninguém consegue perdoar quem assim procede.
Do mesmo modo, há uma compreensão de que quando os bebês olham e sorriem para um adulto é porque vêem nele essa própria vocação para a bondade.
Eu quero assim acreditar: é tão intenso e tão comum esse meu contato feliz com os bebês!
É verdade que eu também fico um pouco constrangido: Por que o baby pode ver o que eu ainda não transpareço para qualquer um?
Quem dera eu pudesse ter a coragem de ser bondoso para com todos, de ver em todos a mesma carência de cuidados e de amor que tiveram quando bebês.
Afinal, de verdade, acredito que somos todos apenas crianças crescidas.
A imagem lá em cima é de um blog de uma ilustradora que faz mil enfeitinhos para quartos de bebês! Eu não resisti e trouxe esse para cá. Vale uma visita no Allsorts! de Jenny B. Harris.
Então, entrou um jovem pai, pela porta traseira (era um amigo bonachão do motorista) e animado, carregava no colo uma bebê muito linda e meiga. A verdade é que todos os bebês são assim, não é mesmo? É absolutamente instintivo, graças a Deus, gostarmos de bebês, ainda mais se não estiverem aborrecidos ou chorando, mas apenas tranquilos.
O pai sentou-se ao meu lado e eu distraído olhava para a frente. Então, ouvi ele dizer para a bebê:
- Está rindo para o moço? Está?
Olhei na direção dos dois e a bebê sorria para mim! E ainda sorriu mais, quando eu fiz cara de simpático: aquela cara que se mostra para os bebês.
Lembrei-me, então, que sempre foi assim: os bebês me adoram. Todo bebê quando me vê fica feliz e isso deixa-me siderado, ou seja, também feliz e quase que com a indelével impressão de que sou bom, de verdade! ;-)
A verdade é que eu acho que nascemos todos mais ou menos defeituosos, mas logo que nascemos isso não parece evidente, graças a Deus! E as crianças, na fragilidade característica dos infans, são essas criaturinhas que todos temos que cuidar e amar: aliás não podemos compreender quem faça mal a uma criança, ainda mais assim na tenra idade, como também praticamente ninguém consegue perdoar quem assim procede.
Do mesmo modo, há uma compreensão de que quando os bebês olham e sorriem para um adulto é porque vêem nele essa própria vocação para a bondade.
Eu quero assim acreditar: é tão intenso e tão comum esse meu contato feliz com os bebês!
É verdade que eu também fico um pouco constrangido: Por que o baby pode ver o que eu ainda não transpareço para qualquer um?
Quem dera eu pudesse ter a coragem de ser bondoso para com todos, de ver em todos a mesma carência de cuidados e de amor que tiveram quando bebês.
Afinal, de verdade, acredito que somos todos apenas crianças crescidas.
A imagem lá em cima é de um blog de uma ilustradora que faz mil enfeitinhos para quartos de bebês! Eu não resisti e trouxe esse para cá. Vale uma visita no Allsorts! de Jenny B. Harris.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Santa Claus is coming!
Ontem, uma amiga querida, Mariana Missiaggia, que é repórter do Diário do Comércio, estava fazendo uma matéria sobre as cartas que o Papai Noel recebe todos os anos... nos Correios do Brasil. Sim, eu já sabia que as crianças fazem isso. Elas acreditam na existência do Papai Noel e, então, raciocinam: ele distribui os presentes às crianças que o pedem por meio de uma cartinha endereçada ao bom velhinho... Ele mora no Polo Norte... As cartas chegam ao destinatário via Correios... O final desse raciocínio lógico e que, então, essa empresa recebe todos os anos milhares de cartinhas, enviadas pelas crianças do Brasil, ao Papai Noel, o que mora lá no Polo Norte...
Quando eu era criança eu não me lembro de acreditar no Papai Noel. Talvez porque esse mito não foi alimentado pela minha família. Meu pai era um trabalhador, como qualquer outro, e em alguns anos eu podia receber um presente no Natal, em outros não, mas eu sempre sabia que fora o meu próprio Pai quem o comprara ou não, e o tal Papai Noel não tinha nada a ver com isso.
Contudo, não acho que a figura do Papai Noel é execrável. Aliás, muito pelo contrário. Tudo bem, sempre achei estranho que ele não troque de roupas quando vem entregar os presentes no Brasil, um país tropical e também sempre morro de dó dos velhinhos que, por serem sósias do Papai Noel, trabalham nos shoppings, no alto verão, com aquela fantasia tão desconfortável. Tadinhos!
Mas a verdade, é que Deus permitiu que as crianças fossem inocentes, para que nós pudéssemos ter profunda simpatia por elas e, então, o Papai Noel existe e ponto final!
A minha amiga que escreveu a matéria sobre as cartinhas nos Correios contou-me uma coisa de cortar o coração, por exemplo. Ela me disse que, nas cartinhas, as crianças pedem de tudo. Ab-so-lu-ta-men-te de tudo! Comumente, é claro, pedem brinquedos, mas há crianças que pedem, por exemplo, itens da ceia natalina... Ela leu uma cartinha em que uma criança pedia um frango assado. E, definitivamente, isso é de chorar.
Eu vou adotar uma das cartinhas. Leia a matéria da minha amiga aqui [Achei muito engraçado, o exemplo de uma cartinha em que a criança diz que o cachorro da casa é mansinho e que ele só corre atrás do carteiro] Faça o mesmo você também e que possamos dizer com Patrick Moberg: Santa Claus is coming!
Quando eu era criança eu não me lembro de acreditar no Papai Noel. Talvez porque esse mito não foi alimentado pela minha família. Meu pai era um trabalhador, como qualquer outro, e em alguns anos eu podia receber um presente no Natal, em outros não, mas eu sempre sabia que fora o meu próprio Pai quem o comprara ou não, e o tal Papai Noel não tinha nada a ver com isso.
Contudo, não acho que a figura do Papai Noel é execrável. Aliás, muito pelo contrário. Tudo bem, sempre achei estranho que ele não troque de roupas quando vem entregar os presentes no Brasil, um país tropical e também sempre morro de dó dos velhinhos que, por serem sósias do Papai Noel, trabalham nos shoppings, no alto verão, com aquela fantasia tão desconfortável. Tadinhos!
Mas a verdade, é que Deus permitiu que as crianças fossem inocentes, para que nós pudéssemos ter profunda simpatia por elas e, então, o Papai Noel existe e ponto final!
A minha amiga que escreveu a matéria sobre as cartinhas nos Correios contou-me uma coisa de cortar o coração, por exemplo. Ela me disse que, nas cartinhas, as crianças pedem de tudo. Ab-so-lu-ta-men-te de tudo! Comumente, é claro, pedem brinquedos, mas há crianças que pedem, por exemplo, itens da ceia natalina... Ela leu uma cartinha em que uma criança pedia um frango assado. E, definitivamente, isso é de chorar.
Eu vou adotar uma das cartinhas. Leia a matéria da minha amiga aqui [Achei muito engraçado, o exemplo de uma cartinha em que a criança diz que o cachorro da casa é mansinho e que ele só corre atrás do carteiro] Faça o mesmo você também e que possamos dizer com Patrick Moberg: Santa Claus is coming!
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
A criança e o chocolate
-Moço, posso te perguntar uma coisa?
- Pode.
- Qual a capital da França?
- Paris.
- Então, compra um chocolate para me deixar feliz.
Esse diálogo ocorreu entre mim e um garotinho com idade em torno dos seus 7, 8 anos de idade, muito muito pequenino, negro, descalço, muito muito sujinho e absolutamente abandonado.
Comprei a barra de chocolate. E, quando eu disse que achei muito inteligente, além de meigo, o recurso por ele utilizado para seduzir seu cliente, ele, continuou:
- Ah, tem outra: Qual é a capital do Brasil?
- Brasília.
- Então, compra um chocolate para eu ajudar minha família.
Aqui cabe um parêntese: eu não estou mentindo, é verdade, ele utilizou, corretamente, o pronome pessoal reto da primeira pessoa do singular (eu), antes do verbo no infinitivo (ajudar), e não o pronome pessoal oblíquo não reflexivo, tônico (mim) que é o que todo mundo faz! Eu, na verdade, não faço mais isso, desde a adolescência, quando um amigo superculto chamou-me a atenção em relação a isso e severamente! rsrsrs
Imediatamente, senti uma empatia absoluta por aquele garotinho. Ele era inteligente, sensível e sabia criar algo difícil entre os seres humanos e que é a cumplicidade. Eu ri. Porque, então, pareceu-me muito claro que eu e ele estávamos falando de algo que D.H. Hymes, num artigo chamado The ethnography of speaking, chama de competência comunicativa e que, para o especialista, é um conhecimento conjugado de normas de gramática e de normas de uso e que regula, sobretudo, a apropriação contextual das condutas.
Sim, estávamos ambos nos apropriando do contexto de nossas condutas. Ele, obedecendo a sua necessidade, seduzia por um jogo de linguagem, ao lançar mão da função da linguagem mais encantadora: a função poética. Ele o fez pelo aproveitamento da rima apropriada, tanto no par Paris/feliz como no par Brasília/família. Eu também apropriei-me da minha conduta de receptor da mensagem, ao deixar-me seduzir. Assim, achei apropriadíssimo, na atividade linguageira ali em funcionamento, rimar Paris com feliz ou Brasília com família, e, sobretudo, isso resultar da conduta de uma criança que, abandonada pelos adultos, optou por ganhar seus trocados usando o recurso de seduzir com palavras aqueles que poderiam ajudá-lo.
Nesse momento, ao menos para mim, a revelação dessa conduta do menino foi o mais importante.
Sim, eu conheço gente que optaria por dizer que isso era um absurdo, ou seja, uma criança estar abandonada, que essa criança deveria estar na escola, que os pais, blá, blá, blá e que, ainda, depois desse discurso todo, não compraria o chocolate, portanto, não deixaria a criança feliz...
Eu, de minha parte, continuo amando as criaturas humanas por essa capacidade de poder seduzir pelas palavras e também por elas permitirem-se ser um pouco mais feliz, em qualquer circunstância, por exemplo, estando abandonada em São Paulo e não em férias em Paris. ;-)
- Pode.
- Qual a capital da França?
- Paris.
- Então, compra um chocolate para me deixar feliz.
Esse diálogo ocorreu entre mim e um garotinho com idade em torno dos seus 7, 8 anos de idade, muito muito pequenino, negro, descalço, muito muito sujinho e absolutamente abandonado.
Comprei a barra de chocolate. E, quando eu disse que achei muito inteligente, além de meigo, o recurso por ele utilizado para seduzir seu cliente, ele, continuou:
- Ah, tem outra: Qual é a capital do Brasil?
- Brasília.
- Então, compra um chocolate para eu ajudar minha família.
Aqui cabe um parêntese: eu não estou mentindo, é verdade, ele utilizou, corretamente, o pronome pessoal reto da primeira pessoa do singular (eu), antes do verbo no infinitivo (ajudar), e não o pronome pessoal oblíquo não reflexivo, tônico (mim) que é o que todo mundo faz! Eu, na verdade, não faço mais isso, desde a adolescência, quando um amigo superculto chamou-me a atenção em relação a isso e severamente! rsrsrs
Imediatamente, senti uma empatia absoluta por aquele garotinho. Ele era inteligente, sensível e sabia criar algo difícil entre os seres humanos e que é a cumplicidade. Eu ri. Porque, então, pareceu-me muito claro que eu e ele estávamos falando de algo que D.H. Hymes, num artigo chamado The ethnography of speaking, chama de competência comunicativa e que, para o especialista, é um conhecimento conjugado de normas de gramática e de normas de uso e que regula, sobretudo, a apropriação contextual das condutas.
Sim, estávamos ambos nos apropriando do contexto de nossas condutas. Ele, obedecendo a sua necessidade, seduzia por um jogo de linguagem, ao lançar mão da função da linguagem mais encantadora: a função poética. Ele o fez pelo aproveitamento da rima apropriada, tanto no par Paris/feliz como no par Brasília/família. Eu também apropriei-me da minha conduta de receptor da mensagem, ao deixar-me seduzir. Assim, achei apropriadíssimo, na atividade linguageira ali em funcionamento, rimar Paris com feliz ou Brasília com família, e, sobretudo, isso resultar da conduta de uma criança que, abandonada pelos adultos, optou por ganhar seus trocados usando o recurso de seduzir com palavras aqueles que poderiam ajudá-lo.
Nesse momento, ao menos para mim, a revelação dessa conduta do menino foi o mais importante.
Sim, eu conheço gente que optaria por dizer que isso era um absurdo, ou seja, uma criança estar abandonada, que essa criança deveria estar na escola, que os pais, blá, blá, blá e que, ainda, depois desse discurso todo, não compraria o chocolate, portanto, não deixaria a criança feliz...
Eu, de minha parte, continuo amando as criaturas humanas por essa capacidade de poder seduzir pelas palavras e também por elas permitirem-se ser um pouco mais feliz, em qualquer circunstância, por exemplo, estando abandonada em São Paulo e não em férias em Paris. ;-)
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Rachael Smith is great!
Depois do jogo entre Brasil e Portugal, eu achei melhor procurar algo menos comum para curtir. Aliás, devo confessar que eu cometi uma gafe durante a partida. Eu estava assistindo ao jogo e, em determinado momento, comentei com alguém ao meu lado: Nossa que jogo violento, eles estão derrubando uns aos outros o tempo todo. Que desagradável! Então, a pessoa respondeu: Você não viu a partida anterior, entre Brasil e Costa do Marfim? Estava muito mais violenta. Ou seja, eu acabei revelando, sem querer, que eu não vira a partida do jogo do Brasil anteriormente. O que, convenhamos, no Brasil é super estranho: alguém perder qualquer partida do time brasileiro, durante a Copa, sendo brasileiro.
Como foi possível perceber, a partida de hoje acabou no zero a zero. Se os jogadores tivessem se concentrado em fazer gols e não em se machucarem, reciprocamente, talvez o resultado tivesse sido outro para qualquer um dos times em campo. Bem, nunca saberemos. rsrsrs
Pois bem, falemos de algo incomum. Talento e sensibilidade. Acabei de ler uma historinha infantil muito mais bacana de acompanhar e totalmente diferente do clima do tal jogo. rsrsrs
Trata-se do trabalho da ilustradora Rachael Smith, uma jovem de 25 anos, de Leicester, Reino Unido. Na história, ela conta a aventura de um lagarto chamado Charlie e que é um fantasma. Ele se tornou um fantasma porque um humano o matou com o pé. ;-p Antes de viver nessa condição, ele vivia na praia e comia os salgadinhos e sorvetes que os humanos derrubavam na areia. Na casa em que ele passou a viver como fantasma, ele fica amigo de um gatinho, o Mungo. Ele é super bonzinho e divide sua ração com Charlie.
Um dia, Charlie está muito triste porque não está satisfeito com sua nova existência. Como ele percebe que ninguém mais o vê a não ser Mungo, ele começa a achar que ele é um produto da imaginação do gatinho e, inclusive, começa a esquecer que já foi um lagarto e que curtia comer guloseimas na praia... Mungo, embora não seja muito experto, é um amigo bastante solidário e resolve ajudar Charlie. Se eu fosse você eu iria até o blog da Rachael Smith e leria toda a história de Charlie and Mungo, que ela postou ontem. Trouxe para cá alguns dos quadrinhos só para vocês terem uma ideia de como é divertido.
Assim sendo, um bom fim de semana e até segunda. ;-D
terça-feira, 8 de junho de 2010
Um assento e uns biscoitos
Eu viajava de volta para casa, sentado, no trem. Na minha frente, o assento reservado e de uso preferencial para deficientes, gestantes, pessoas com criança de colo, idosos, e que permanecia vago.
Então, vi um senhor de cabelos brancos sentar-se naquele assento. Ele comia biscoitos de polvilho, que retirava de um saquinho repleto deles. Parecia sentir uma tal satisfação em comer os biscoitos que sua imagem de idoso foi aos poucos, para esse observador, tomando a feição da de um garoto e esse inesperado aconteceu: tive um momento que traduzi como o de epifania.
Pareceu-me que compreendia toda uma parte do mistério. Naquele momento, era bastante nítida para mim essa existência, que começa na fragilidade do berço, do estar em um colo, quando é necessário que alguém cuide do menino homem: para que ele cresça e envelheça; quando, então, um assento será reservado ao homem menino.
É preciso completar todo o ciclo, da fragilidade primeira à fragilidade última.
A mim também me pareceu, que a razão nítida de assim o ser é porque temos todos que cuidar uns dos outros. Por isso somos filhos, somos pais, somos irmãos. Somos cada qual responsável pela construção que fazemos desses papeis, no interior das famílias (qualquer modelo que essa família tenha, desde o tradicional às novas modalidades que vamos dela conhecendo).
Já a família que a humanidade inteira também é, ela sofre tão somente por ignorar essa condição extremamente frágil de cada um dos seus membros.
É como se todos tivéssemos esquecido da criança que fomos e não quiséssemos enxergar a criança que tornamos a ser, quando o invólucro de que somos constituídos precisa de um banco reservado para que, tranquilamente, possamos continuar a viagem, comendo e ainda derrubando no chão os biscoitos de polvilho.
Então, vi um senhor de cabelos brancos sentar-se naquele assento. Ele comia biscoitos de polvilho, que retirava de um saquinho repleto deles. Parecia sentir uma tal satisfação em comer os biscoitos que sua imagem de idoso foi aos poucos, para esse observador, tomando a feição da de um garoto e esse inesperado aconteceu: tive um momento que traduzi como o de epifania.
Pareceu-me que compreendia toda uma parte do mistério. Naquele momento, era bastante nítida para mim essa existência, que começa na fragilidade do berço, do estar em um colo, quando é necessário que alguém cuide do menino homem: para que ele cresça e envelheça; quando, então, um assento será reservado ao homem menino.
É preciso completar todo o ciclo, da fragilidade primeira à fragilidade última.
A mim também me pareceu, que a razão nítida de assim o ser é porque temos todos que cuidar uns dos outros. Por isso somos filhos, somos pais, somos irmãos. Somos cada qual responsável pela construção que fazemos desses papeis, no interior das famílias (qualquer modelo que essa família tenha, desde o tradicional às novas modalidades que vamos dela conhecendo).
Já a família que a humanidade inteira também é, ela sofre tão somente por ignorar essa condição extremamente frágil de cada um dos seus membros.
É como se todos tivéssemos esquecido da criança que fomos e não quiséssemos enxergar a criança que tornamos a ser, quando o invólucro de que somos constituídos precisa de um banco reservado para que, tranquilamente, possamos continuar a viagem, comendo e ainda derrubando no chão os biscoitos de polvilho.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Andy Stanton & David Tazzyman
Ontem ganhei de uma amiga querida um livro infantil e comecei a ler no trajeto para casa. Não consegui parar de ler! É muito bom. Você tem filhos? Sobrinhos? Amiguinhos de 8, 9, 10 anos? Então, presentei-os com o Sr. Gum e os Goblins de Andy Stanton e ilustrado por David Tazzyman. Esses dois jovens pais ingleses são sensacionais. Eles estão em uma sintonia absolutamente positiva para escrever para crianças.
Andy vive no norte de Londres. Ele estudou inglês em Oxford, mas eles o expulsaram. rsrsrs David vive no sul de Londres. Gosta de futebol, críquete, biscoitos, música e desenhar. Não gosta de aipo. rsrsrs
Eles não são nada caretas e são pessoas boas, boníssimas. Só gente assim escreve para crianças com tamanha liberdade, alegria e verdadeiras boas intenções! O livro é escrito para crianças dessa geração que chegou ao mundo ainda ontem. É essa geração que já conhece o Harry Potter, não é mesmo? Eles brincam com tudo, inclusive com essa famosa personagem, quando, por exemplo, os heróis caem no poço eles dizem que só alguém como Harry Potter poderia sair dalí, não é o caso dos nossos heróis. É lógico! O livro é melhor que o do Harry Potter justamente porque deixa a magia no plano da imaginação, e, no final, a criança irá se dar conta de que o que vale na vida é tão somente saber que, como diz a personagem Sexta-Feira O’Leary: A VERDADE É UM MERENGUE DE LIMÃO!
Há algumas passagens que são hilárias:
não havia nada pior do que o Sr. Gum, nem mesmo cair acidentalmente em um vulcão cheio de professores de Matemática.
Um lugar onde a neve cai como a capa de Frankestein e o vento uiva como Drácula quando dá uma topada com o dedão do pé na mesa de centro.
Na descrição dos Goblins: Uns fedorentos, outros limpos, não, mentira, todos são fedorentos.
Um dos Goblins que tinha duas cabeças, estava lá sentado, discutindo sem parar consigo mesmo, não foi ele, foi ele sim, não foi ele.
Os nomes dos Goblins são todos absurdos do tipo Grifo, Sr. Galgo, Gargarejo, Gosmento e, de repente aparece um que se chama André Guilherme. Eu achei engraçadíssimo isso...
Só mais uma passagem: E eu devo ir armado somente com pensamentos puros, uma língua sincera e um coração cheio de coragem. Além de uma espada, no caso de todas estas coisas não funcionarem.
É leitura para a criançada chorar de rir. Claro, se as crianças forem tão legais como a Polly, a garota heroina do livro! Ela lembrou-me uma amiga que se chama... Poly!
Recomendo muito muito esse livro. É pura educação. Aliás, a educação é mesmo o pano de fundo do livro, como de todo bom livro. Os autores sugerem que as crianças (para não virarem monstrinhos...) abandonem a Escola de Tédio Doutor Chatice e frequentem a Escola Santo Pterodátilos para Pobres. Essa última é muito melhor do que a primeira, of course. Eu ainda não disse, mas esses personagens todos vão virar desenho animado do canal Nichelodeon. Achei muito bom: os desenhos do David parecem as garatujas infantis e tão cheios de vida! O livro faz parte da Coleção Galera, da Record e foi traduzido por Luiz Antonio Aguiar, acho que já é possível encontrar nas livrarias.
Andy vive no norte de Londres. Ele estudou inglês em Oxford, mas eles o expulsaram. rsrsrs David vive no sul de Londres. Gosta de futebol, críquete, biscoitos, música e desenhar. Não gosta de aipo. rsrsrs
Eles não são nada caretas e são pessoas boas, boníssimas. Só gente assim escreve para crianças com tamanha liberdade, alegria e verdadeiras boas intenções! O livro é escrito para crianças dessa geração que chegou ao mundo ainda ontem. É essa geração que já conhece o Harry Potter, não é mesmo? Eles brincam com tudo, inclusive com essa famosa personagem, quando, por exemplo, os heróis caem no poço eles dizem que só alguém como Harry Potter poderia sair dalí, não é o caso dos nossos heróis. É lógico! O livro é melhor que o do Harry Potter justamente porque deixa a magia no plano da imaginação, e, no final, a criança irá se dar conta de que o que vale na vida é tão somente saber que, como diz a personagem Sexta-Feira O’Leary: A VERDADE É UM MERENGUE DE LIMÃO!
Há algumas passagens que são hilárias:
não havia nada pior do que o Sr. Gum, nem mesmo cair acidentalmente em um vulcão cheio de professores de Matemática.
Um lugar onde a neve cai como a capa de Frankestein e o vento uiva como Drácula quando dá uma topada com o dedão do pé na mesa de centro.
Na descrição dos Goblins: Uns fedorentos, outros limpos, não, mentira, todos são fedorentos.
Um dos Goblins que tinha duas cabeças, estava lá sentado, discutindo sem parar consigo mesmo, não foi ele, foi ele sim, não foi ele.
Os nomes dos Goblins são todos absurdos do tipo Grifo, Sr. Galgo, Gargarejo, Gosmento e, de repente aparece um que se chama André Guilherme. Eu achei engraçadíssimo isso...
Só mais uma passagem: E eu devo ir armado somente com pensamentos puros, uma língua sincera e um coração cheio de coragem. Além de uma espada, no caso de todas estas coisas não funcionarem.
É leitura para a criançada chorar de rir. Claro, se as crianças forem tão legais como a Polly, a garota heroina do livro! Ela lembrou-me uma amiga que se chama... Poly!
Recomendo muito muito esse livro. É pura educação. Aliás, a educação é mesmo o pano de fundo do livro, como de todo bom livro. Os autores sugerem que as crianças (para não virarem monstrinhos...) abandonem a Escola de Tédio Doutor Chatice e frequentem a Escola Santo Pterodátilos para Pobres. Essa última é muito melhor do que a primeira, of course. Eu ainda não disse, mas esses personagens todos vão virar desenho animado do canal Nichelodeon. Achei muito bom: os desenhos do David parecem as garatujas infantis e tão cheios de vida! O livro faz parte da Coleção Galera, da Record e foi traduzido por Luiz Antonio Aguiar, acho que já é possível encontrar nas livrarias.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
A inteligência é algo que se desenvolve
Ontem, ouvi, durante uma viagem em um trem da CPTM, pessoas defendendo a pena de morte no Brasil. Vejam só! Foi, então, que me lembrei de um episódio da minha infância. Quando eu estava na terceira série do primário, eu devia ter 9 anos, aconteceu uma fatalidade na família de um dos colegas que frequentava a nossa sala de aula. Não me lembro se um tio fora assassinado... Mas fora um crime, seguido de assalto, envolvendo, portanto, uma pessoa conhecida na comunidade. Lembro-me que todos ficamos consternados com o ocorrido, mas havia alguns garotos, e mesmo algumas meninas, que falavam em vingança e que se o assassino fosse pego ele deveria ser condenado à pena de morte.
Eu lembro de ter dito na ocasião:
- Gente, não existe pena de morte no Brasil.
E, então, perguntaram-me se eu concordava com isso, com a pena de morte, eu disse que não. Disse com todas as letras:
- Não! Imaginem se eu vou concordar com isso! Matar uma pessoa!
E, então, me disseram:
- Mas ele matou o fulano, e se fosse seu pai, sua mãe?
Tanto as crianças como os adultos, que nutrem essas ideias horríveis na cabeça, sempre vêm com esses argumentos emotivos e extremados, utilizando, com a intenção de convencimento, os apelos mais pessoais possíveis. Eu continuava:
- Imaginem que isso vai acontecer com o meu pai, com a minha mãe! E mesmo se acontecesse: eu não iria querer MATAR um miserável assassino.
Eu falava, tão seriamente, que os coleguinhas ficaram desconcertados e afirmaram:
- Ah, o Júnior é um louco mesmo! [Aquele tempo eu era chamado de Júnior e de louco, vejam só!]
Eu acho que eu era uma criança bem bacana, isso sim... rsrsrs
Como diz uma amiga minha, a verdade é que se formos seguir a lei do "olho por olho, dente por dente", teremos uma multidão de caolhos e banguelas. É isso. Deus nos livre!
Quando terminei esse texto acima, fui procurar uma imagem que pudesse ilustrar o tema em questão, encontrei alguém falando em um blog do fim da pena de morte, nas Filipinas, em 2006. Uma notícia muito boa, portanto. O blog está abandonado, mas a ex-dona (será que um blog fica sem dono, depois de abandonado? Acho que não, estão lá os textos e todos assinados), ela é uma pessoa encantadora. Para ilustrar o que estou dizendo, olhem só essa outra postagem que também li e que considerei como um modo muito delicado de se queixar das pessoas. rsrsrs Essa blogueira portuguesa (bem, não deu para saber, a escrita dela é portuguesa) escrevia textos muito gostosos de ler. Tomara que ela não se incomode de eu ter trazido esse seu texto para cá. Esqueci de avisá-la de que eu faria isso, quando lhe enviei um e-mail contando que conhecera o Pópulo.
Vejam se eu não tenho razão:
novembro 04, 2006
Bichitos insignificantes
Às vezes quando andamos a passear no campo, levantamos uma pedra e encontra-se lá debaixo um bicho. Quase sempre os bichos que encontramos debaixo das pedras não são muito bonitos, eles lá sabem porque precisam da escuridão da pedra… Mas têm direito à vida, pois então! Nunca lhes faço mal e deixo-os desaparecer debaixo de outra pedra.
Aqui há uns tempos fui mordida por um insecto qualquer. Nem o vi, só dei conta do inchaço e da comichão que aquilo fazia. Andei por aí às voltas com umas pomadas e bastante aborrecida quando uma minha amiga médica me disse: "O melhor era teres posto uma pedrinha de gelo!" Imagine-se! Uma pedra de gelo, nunca me teria lembrado e coisa mais fácil e barata não há.
Acontece que na nossa vida real, ou por vezes aqui na net, de vez em quando somos mordidas por «uns bichos» que lá saem por debaixo de umas pedras e, sabe-se lá porquê, decidem morder. Não é morte de ninguém, fazem só uma certa comichão e é um tanto desagradável, mas não passa daí. Gosto bastante da técnica-da-pedra-de-gelo, ‘traduzindo’ – deixar passar algum tempo até ficar de cabeça fria. Claro que me incomoda mais quando, nessa ânsia de me irritar picar, vai apanhar por ricochete outra pessoa que não tem nada a ver comigo. Mas eu vou tentar passar o cubo de gelo aos outros e explicar-lhes que estes bichinhos que vivem debaixo das pedras são mesmo assim, taditos, não primam pela inteligência.
Emiéle
Eu lembro de ter dito na ocasião:
- Gente, não existe pena de morte no Brasil.
E, então, perguntaram-me se eu concordava com isso, com a pena de morte, eu disse que não. Disse com todas as letras:
- Não! Imaginem se eu vou concordar com isso! Matar uma pessoa!
E, então, me disseram:
- Mas ele matou o fulano, e se fosse seu pai, sua mãe?
Tanto as crianças como os adultos, que nutrem essas ideias horríveis na cabeça, sempre vêm com esses argumentos emotivos e extremados, utilizando, com a intenção de convencimento, os apelos mais pessoais possíveis. Eu continuava:
- Imaginem que isso vai acontecer com o meu pai, com a minha mãe! E mesmo se acontecesse: eu não iria querer MATAR um miserável assassino.
Eu falava, tão seriamente, que os coleguinhas ficaram desconcertados e afirmaram:
- Ah, o Júnior é um louco mesmo! [Aquele tempo eu era chamado de Júnior e de louco, vejam só!]
Eu acho que eu era uma criança bem bacana, isso sim... rsrsrs
Como diz uma amiga minha, a verdade é que se formos seguir a lei do "olho por olho, dente por dente", teremos uma multidão de caolhos e banguelas. É isso. Deus nos livre!
Quando terminei esse texto acima, fui procurar uma imagem que pudesse ilustrar o tema em questão, encontrei alguém falando em um blog do fim da pena de morte, nas Filipinas, em 2006. Uma notícia muito boa, portanto. O blog está abandonado, mas a ex-dona (será que um blog fica sem dono, depois de abandonado? Acho que não, estão lá os textos e todos assinados), ela é uma pessoa encantadora. Para ilustrar o que estou dizendo, olhem só essa outra postagem que também li e que considerei como um modo muito delicado de se queixar das pessoas. rsrsrs Essa blogueira portuguesa (bem, não deu para saber, a escrita dela é portuguesa) escrevia textos muito gostosos de ler. Tomara que ela não se incomode de eu ter trazido esse seu texto para cá. Esqueci de avisá-la de que eu faria isso, quando lhe enviei um e-mail contando que conhecera o Pópulo.
Vejam se eu não tenho razão:
novembro 04, 2006
Bichitos insignificantes
Às vezes quando andamos a passear no campo, levantamos uma pedra e encontra-se lá debaixo um bicho. Quase sempre os bichos que encontramos debaixo das pedras não são muito bonitos, eles lá sabem porque precisam da escuridão da pedra… Mas têm direito à vida, pois então! Nunca lhes faço mal e deixo-os desaparecer debaixo de outra pedra.
Aqui há uns tempos fui mordida por um insecto qualquer. Nem o vi, só dei conta do inchaço e da comichão que aquilo fazia. Andei por aí às voltas com umas pomadas e bastante aborrecida quando uma minha amiga médica me disse: "O melhor era teres posto uma pedrinha de gelo!" Imagine-se! Uma pedra de gelo, nunca me teria lembrado e coisa mais fácil e barata não há.
Acontece que na nossa vida real, ou por vezes aqui na net, de vez em quando somos mordidas por «uns bichos» que lá saem por debaixo de umas pedras e, sabe-se lá porquê, decidem morder. Não é morte de ninguém, fazem só uma certa comichão e é um tanto desagradável, mas não passa daí. Gosto bastante da técnica-da-pedra-de-gelo, ‘traduzindo’ – deixar passar algum tempo até ficar de cabeça fria. Claro que me incomoda mais quando, nessa ânsia de me irritar picar, vai apanhar por ricochete outra pessoa que não tem nada a ver comigo. Mas eu vou tentar passar o cubo de gelo aos outros e explicar-lhes que estes bichinhos que vivem debaixo das pedras são mesmo assim, taditos, não primam pela inteligência.
Emiéle
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Porque amamos os livros desde sempre
Quando eu era criança tínhamos em casa uma coleção de livros de contos de fadas. Mesmo antes de aprender a ler, eu os folheava e achava o máximo aquelas ilustrações. A criança que eu era tinha muita imaginação e, então, eu ficava criando as histórias inspirado nas ilustrações: as histórias que eu ainda não podia ler. Uma prima querida, que era um pouco mais velha, lia para mim tais histórias, quando vinha nos visitar, uma vez que os adultos de plantão já estavam um pouco aborrecidos daquelas mesmas histórias que a criança queria ouvir sempre, só mais uma vez.
Aliás, como é difícil para os adultos considerar que a noção de tempo e mesmo a de repetição, para as crianças, não são as mesmas que se tornam para quem alcançou a idade da razão... Desconfio, no entanto, que talvez eu já soubesse o que mais tarde se confirmou: que um livro encerra em uma única história narrada, mil outras que reconstruímos pela imaginação, nos diferentes momentos de leitura, de releitura.
Assim, não adianta dizer para uma criança: essa história nós já lemos. Aliás, nunca é a mesma história, aquela que lemos. Sim, que também o adulto saiba disso, afinal é sempre uma nova história, mesmo que seja sempre a mesma e infinita história, todas as histórias contadas em todos os livros.
Desde Homero, sabemos disso.
Afinal, o que nos contam os livros? As aventuras, os enganos e desenganos humanos, as lutas, as dores, as lágrimas, o suor, o dispêndio de sangue nas batalhas de sempre, o amor inconteste, as ambições, o desespero e os desvarios da paixão, os êxtases místicos. É tudo sempre o mesmo, contudo, nas variações de todos os narradores dessa grande e infinita história que se conta pela literatura.
Trata-se, vivamente, da palavra selada e guardada no livro, a palavra das almas que viveram e narraram cada qual a seu modo e sempre único. Esse é o segredo de ser sempre inaugural essa eterna repetição de histórias.
A verdade é que nossos escritores narraram e narram, o tempo todo, a alegria e a dor de ser gente.
É simples assim, o que encontramos em um livro: nós mesmos, somos os livros vivos de Fahrenheit 451.
E porquanto não o queimem ele será esse sempre companheiro para quem descobriu sua magia.
Pois bem, hoje é o seu dia. O dia do livro.
Aliás, como é difícil para os adultos considerar que a noção de tempo e mesmo a de repetição, para as crianças, não são as mesmas que se tornam para quem alcançou a idade da razão... Desconfio, no entanto, que talvez eu já soubesse o que mais tarde se confirmou: que um livro encerra em uma única história narrada, mil outras que reconstruímos pela imaginação, nos diferentes momentos de leitura, de releitura.
Assim, não adianta dizer para uma criança: essa história nós já lemos. Aliás, nunca é a mesma história, aquela que lemos. Sim, que também o adulto saiba disso, afinal é sempre uma nova história, mesmo que seja sempre a mesma e infinita história, todas as histórias contadas em todos os livros.
Desde Homero, sabemos disso.
Afinal, o que nos contam os livros? As aventuras, os enganos e desenganos humanos, as lutas, as dores, as lágrimas, o suor, o dispêndio de sangue nas batalhas de sempre, o amor inconteste, as ambições, o desespero e os desvarios da paixão, os êxtases místicos. É tudo sempre o mesmo, contudo, nas variações de todos os narradores dessa grande e infinita história que se conta pela literatura.
Trata-se, vivamente, da palavra selada e guardada no livro, a palavra das almas que viveram e narraram cada qual a seu modo e sempre único. Esse é o segredo de ser sempre inaugural essa eterna repetição de histórias.
A verdade é que nossos escritores narraram e narram, o tempo todo, a alegria e a dor de ser gente.
É simples assim, o que encontramos em um livro: nós mesmos, somos os livros vivos de Fahrenheit 451.
E porquanto não o queimem ele será esse sempre companheiro para quem descobriu sua magia.
Pois bem, hoje é o seu dia. O dia do livro.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
May you always do for others and let others do for you
Hoje, sexta-feira, graças a Deus!
Na minha hora do almoço, sai em direção à Mercearia Godinho queria comer algo muito gostoso e, depois de comer, subi em direção à Praça do Patriarca. O sol estava brilhante, o céu azul, cruzei os mortais todos: animados com a sexta-feira.
Ao chegar à Praça, parei em frente à vitrine da Livraria Martins Fontes. Quantos livros sensacionais!
Mas o que mais me chamou a atenção foi o de Bob Dylan. Belíssima capa. Eu o queria tanto! Mas nem perguntei o preço: era um livro imenso (depois descobri que não é tão caro assim, como eu pensara... rsrsrs).
Agora, lembrei-me do livro, e encontrei esse delicado vídeo no Youtube about it.
Se eu não ganhar o livro, penso em comprá-lo para dar de presente a alguém muito querido. Sou assim mesmo: gosto de compartilhar. Daí esse blog e etc. e tal.
May God bless and keep you always
May your wishes all come true
May you always do for others
And let others do for you
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young.
Na minha hora do almoço, sai em direção à Mercearia Godinho queria comer algo muito gostoso e, depois de comer, subi em direção à Praça do Patriarca. O sol estava brilhante, o céu azul, cruzei os mortais todos: animados com a sexta-feira.
Ao chegar à Praça, parei em frente à vitrine da Livraria Martins Fontes. Quantos livros sensacionais!
Mas o que mais me chamou a atenção foi o de Bob Dylan. Belíssima capa. Eu o queria tanto! Mas nem perguntei o preço: era um livro imenso (depois descobri que não é tão caro assim, como eu pensara... rsrsrs).
Agora, lembrei-me do livro, e encontrei esse delicado vídeo no Youtube about it.
Se eu não ganhar o livro, penso em comprá-lo para dar de presente a alguém muito querido. Sou assim mesmo: gosto de compartilhar. Daí esse blog e etc. e tal.
May God bless and keep you always
May your wishes all come true
May you always do for others
And let others do for you
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Muita Luz na Vila Industrial faz mover um Girassol
Nesse último sábado, após uma semana de muito trabalho e até mesmo aborrecimentos, tive uma experiência muito marcante. Fui convidado para ir a um Sarau. O mesmo amigo que me convidara de outra feita levou-me a uma Comunidade, na Vila Industrial, Zona Leste da cidade de São Paulo, onde uma moradora chamada Maria Augusta, juntamente com outros educadores, desenvolve uma experiência muito rica na Ong a que chamaram Girassol.
O meu amigo Laudecir mandou-nos hoje um e-mail em que ele descreve seus sentimentos em relação a essa experiência que vivenciamos juntos. Faço minhas suas palavras:
O que está acontecendo na Comunidade Girasol é inacreditável, mágico, havia uma disputa acirrada das crianças e adolescentes para ver quem dançava melhor (ao mesmo tempo percebia-se uma harmonia entre eles, claro, tiveram que se preparar através de ensaios, horas e horas, para poderem chegar àquelas coreografias), e para quem tinha coragem de fazer uso do microfone e ler um poema, houve fila para isso. Eles vibravam com aplausos, gritos de alegria, pelos colegas que tinham coragem de se expor; exigiam silêncio...
Fazia tempo que não vivia uma experiência assim... Algum adolescente gritou: ''lá na escola niguém lê!!!" Não é interessante essa fala !!!!??? Experiências como essa deveriam se multiplicar por aí, nos mais diferentes espaços.... Meu amigo Josafá e eu (Lau) comentávamos do reflexo positivo dessa experiência cultural na vida daquelas crianças e adolescentes... Que continuem!!!!
Ah, nossa amiga Maria Augusta estava radiante, senti tanto orgulho dela... Sabe, agora, escrevendo esse texto, sinto vontade de chorar de alegria pelo que vi e senti.
É claro que muitas outras pessoas estão envolvidas no trabalho daquela comunidade, parabenizo a todos na pessoa dessa nossa Graaaande mulher, mãe, amiga queridíssima, líder nata..... Maria Augusta!!!!
É isso mesmo. Eu só quero ainda ressaltar o trecho em que ele nos conta da fala do jovem que nos lembrou que na escola ninguém lê. O rapaz tinha toda a razão. Eu creio que isso de fato acontece, em muitas escolas (Deus nos livre que isso venha a acontecer em todas - a generalização aqui seria péssima, afinal, ainda que em menor número há professores boníssimos trabalhando em muitas escolas públicas). De qualquer modo, isso pode acontecer quando a escola não cria aquele ambiente de espontaneidade, respeito mútuo, e que propicia, a partir daquilo que o jovem gosta - no caso era evidente o prazer e o amor dos jovens da Girassol pela street dance - sim, esse é sempre o mote para que a poesia, a literatura e todas as outras referências culturais que ajudam a nos formar tenham também o seu espaço de fruição.
Uma outra coisa bastante marcante, que mostrou essa disposição sincera das crianças e jovens presentes para participar, aconteceu quando, após o intervalo, no qual tomamos um caldo verde - que umas irmãs gentilíssimas, portuguesas e de uma instituição católica, tinham oferecido ao evento - eu disse que cantaria um fado português, que eu aprendera ouvindo Ney Matogrosso e Kátia Guerreiro, a fadista que eu conhecera graças a um amigo Catalão, e que eu conheci por intermédio do meu blog.
Quando terminei de me apresentar os jovens aplaudiram entusiasmados e pediram "mais um", assim como pediram também "mais um" para a performance magnífica de Laudecir.
Eu fiquei muito emocionado porque a verdade é que todas as crianças e jovens do mundo precisam e têm sede de conhecer mais e mais. Todos nós desejamos isso, naturalmente. No entanto, a experiência do conhecimento tem de ser como essa que tivemos no último sábado: um encontro de alegria e paz, por exemplo, em torno da emoção da expressão artística e não naquela opressão que ocorre amiúde entre os muros da escola.
O meu amigo Laudecir mandou-nos hoje um e-mail em que ele descreve seus sentimentos em relação a essa experiência que vivenciamos juntos. Faço minhas suas palavras:
O que está acontecendo na Comunidade Girasol é inacreditável, mágico, havia uma disputa acirrada das crianças e adolescentes para ver quem dançava melhor (ao mesmo tempo percebia-se uma harmonia entre eles, claro, tiveram que se preparar através de ensaios, horas e horas, para poderem chegar àquelas coreografias), e para quem tinha coragem de fazer uso do microfone e ler um poema, houve fila para isso. Eles vibravam com aplausos, gritos de alegria, pelos colegas que tinham coragem de se expor; exigiam silêncio...
Fazia tempo que não vivia uma experiência assim... Algum adolescente gritou: ''lá na escola niguém lê!!!" Não é interessante essa fala !!!!??? Experiências como essa deveriam se multiplicar por aí, nos mais diferentes espaços.... Meu amigo Josafá e eu (Lau) comentávamos do reflexo positivo dessa experiência cultural na vida daquelas crianças e adolescentes... Que continuem!!!!
Ah, nossa amiga Maria Augusta estava radiante, senti tanto orgulho dela... Sabe, agora, escrevendo esse texto, sinto vontade de chorar de alegria pelo que vi e senti.
É claro que muitas outras pessoas estão envolvidas no trabalho daquela comunidade, parabenizo a todos na pessoa dessa nossa Graaaande mulher, mãe, amiga queridíssima, líder nata..... Maria Augusta!!!!
É isso mesmo. Eu só quero ainda ressaltar o trecho em que ele nos conta da fala do jovem que nos lembrou que na escola ninguém lê. O rapaz tinha toda a razão. Eu creio que isso de fato acontece, em muitas escolas (Deus nos livre que isso venha a acontecer em todas - a generalização aqui seria péssima, afinal, ainda que em menor número há professores boníssimos trabalhando em muitas escolas públicas). De qualquer modo, isso pode acontecer quando a escola não cria aquele ambiente de espontaneidade, respeito mútuo, e que propicia, a partir daquilo que o jovem gosta - no caso era evidente o prazer e o amor dos jovens da Girassol pela street dance - sim, esse é sempre o mote para que a poesia, a literatura e todas as outras referências culturais que ajudam a nos formar tenham também o seu espaço de fruição.
Uma outra coisa bastante marcante, que mostrou essa disposição sincera das crianças e jovens presentes para participar, aconteceu quando, após o intervalo, no qual tomamos um caldo verde - que umas irmãs gentilíssimas, portuguesas e de uma instituição católica, tinham oferecido ao evento - eu disse que cantaria um fado português, que eu aprendera ouvindo Ney Matogrosso e Kátia Guerreiro, a fadista que eu conhecera graças a um amigo Catalão, e que eu conheci por intermédio do meu blog.
Quando terminei de me apresentar os jovens aplaudiram entusiasmados e pediram "mais um", assim como pediram também "mais um" para a performance magnífica de Laudecir.
Eu fiquei muito emocionado porque a verdade é que todas as crianças e jovens do mundo precisam e têm sede de conhecer mais e mais. Todos nós desejamos isso, naturalmente. No entanto, a experiência do conhecimento tem de ser como essa que tivemos no último sábado: um encontro de alegria e paz, por exemplo, em torno da emoção da expressão artística e não naquela opressão que ocorre amiúde entre os muros da escola.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Carnaval e infância
foto by Eduardo Amorim
Hoje é terça-feira gorda de Carnaval. Esse ano não fui folião, embora eu goste de Carnaval. Gosto inclusive do universo das escolas de samba etc.. Contudo, quem nasce no Brasil acompanha o carnaval a vida toda e pode, um ano ou outro, abrir mão da folia e aproveitar os 4 dias de folga para um retiro. Eu estou mais para o clima de retiro do que para o de folia e foi o que fiz. Não fiquei sozinho, no entanto, fiquei com um amigo muito bacana e que tem uma conversa boa, daquelas que não cansam nunca e que são sempre proveitosas.
Esse meu amigo está vivendo a experiência excelente de ser tio de uma criança de apenas 3 anos. Ele contou-me vários epísódios de falas incríveis da garotinha e que são deliciosos de conhecer.
O tio perguntou se a criança estava sabendo que naquele dia era o aniversário da irmã dela. Ela disse que sim e, como tem apenas 3 anos e provavelmente não se lembrava dos dois últimos aniversários, saiu com essa questão:
- Tio, sabia que eu nunca faço aniversário?
Na festa de aniversário da irmã, todos estão dentro do salão de festas e o DJ está tocando alguma dessas manifestações contemporâneas do Funk Carioca e os adolescentes convidados estão dançando. O tio vê a sobrinha de 3 anos isolada, do lado de fora. Então, vai até ela:
- Vamos lá? Quer ir também?
Ela dá dois passos para trás e diz:
- Não, eu tenho medo da dança...
O tio olha para os que estão dançando lá dentro e conclui:
- Entendi... Até eu estou com medo!
Tocou o interfone, o tio foi atender. Ao voltar para a sala, a sobrinha lhe perguntou:
- Tio, quem está chegando?
- Josafá, o meu amigo.
- Josafá? Tio, qual é a cor do nome dele?
Em uma noite a criança, no seu quarto, está tendo um acesso de tosse, o Pai preocupado acende o abajur e diz:
- Nossa! Filhinha...
- É pai, eu tô zoada...
Adulto conversando ao telefone. A criança pergunta:
- Com quem você está falando?
- Com minha mãe.
- Posso falar com ela?
E ao pegar o telefone:
- Quem está falando?
Do outro lado:
- Célia.
- O que você está fazendo com seu nome?
Conversando com a tia de mais de 40 anos:
- Tia, eu não vou morrer.
- Você vai viver para sempre?
- É. Vou viver para sempre, linda e feliz. E você?
- Eu já não tenho essa certeza: de que vou ser sempre linda...
Acho que de tanto comentarmos acerca dessa criança e dessas suas falas sensacionais, acabamos por viver um momento semelhante, de quase um non sense infantil... rsrsrs Eu e meu amigo olhávamos uma revista na qual havia um ensaio fotográfico, com um modelo belíssimo. Eu olhando para o rosto do rapaz na foto, comentei:
- O ser humano é realmente um coisa linda, eu acho um aprimoramento mesmo da natureza. A cabeça em seu formato e no rosto essa combinação de dois olhos, nariz e boca. Não é mesmo?
- É. Não é como uma abóbora [e faz um gesto com a mão no ar, sugerindo a forma da abóbora], que é apenas um silhueta.
Morremos de rir. ;-D
Não foi um carnaval proveitoso esse meu, aprendendo assim tanta coisa?
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Yeondoo Jung
Eu tenho uma amiga que gosta de acompanhar esse blog, mas também muitos outros. Então, muito frequentemente ela me fala de coisas que só ela poderia encontrar navegando pelo mar da Web. Ontem, enviou-me um e-mail dizendo que achava que o trabalho de Yeondoo Jung tinha tudo a ver com o meu blog. Eu fico sempre muito agradecido, quando ela me faz tais sugestões. Pois bem, Jung é coreano e teve essa ideia que eu achei descoladíssima. Ele resolveu transformar aquelas garatujas de crianças em realidade...fotográfica! O seu ensaio chama-se Wonderlands.
Os títulos são ótimos. Trouxe aqui apenas alguns dos trabalhos, lá no seu site tem mais. Não é uma graça?
A minha amiga pescou essa informação em um blog que eu achei bem bacana, o Ya!Cult.
Os títulos são ótimos. Trouxe aqui apenas alguns dos trabalhos, lá no seu site tem mais. Não é uma graça?
A minha amiga pescou essa informação em um blog que eu achei bem bacana, o Ya!Cult.
Afternoon Naps (2004)
Cinderella (2004)
Fox Magic Trick (2004)
I want to Be a Singer (2004)
Little Red Riding Hood (2004)
Miss Sparkle Sprinkles the Magic (2005)
Modern Wedding
Sleeping Beaty (2004)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Wendy Wonsuk Lee







Se eu escrevesse um livro infantil, pediria para Wendy Wonsuk Lee, essa ilustradora que vive no Queens, em New York, ilustrá-lo.Acho que há nesse trabalho sonho, delicadeza, força (que está sobretudo nos cabelos das personagens) e muita imaginação: graças a essa capacidade tão rara de desprendimento do real. É como se um mundo próprio pudesse ser construído, sem culpa ou temor, ou quase...
Conheça outros trabalhos e converse com ela, se desejar: http://wendywlee.com/work20.html
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