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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Bichinhos de estimação

by Katherine Dunn

Está tudo certo e tudo bem quando não temos culpa.
Na semana passada, uma amiga revelou-me que desejava viajar durante o período do carnaval, mas não tinha com quem deixar seus bichinhos... Bem, eu poderia ter dito que não podia ajudá-la, mas isso seria mentira: eu podia!
Então, passei o carnaval cuidando de animais e não me arrependo, e ainda agradeço pela oportunidade de aprendizado que tal experiência passou a representar. Afinal, eu já cuidara apenas de gatos, animais que eu conheço de longa data...
Pode ser que você não conheça essa função de cuidar de animais na ausência do dono: trata-se de algo muito próximo àquela que concerne a uma babá, só que de PETs. Trata-se também de algo intenso, porque você deixa uma rotina e entra em outra na qual alguns seres vivos ficam sob sua responsabilidade, simples assim.
Então, o aquário não pode ficar muito tempo sem ração: o peixe é um ser esfaimado.
No caso das calopsitas, elas exigem os mesmos cuidados, mais o dever de se lembrar de não abrir janelas.
O gato precisa de ração, água, limpeza da caixa de areia e calor humano.
Os dois cachorrinhos tudo o que desejam é atenção e passear na calçada, pois são bagunceiros e animados como rapazes na adolescência.
E, assim, se você passa quatro dias só cuidando dos bichinhos, você percebe que algo diferente está acontecendo com você e é quando esse contato especial com seres vivos, dependentes, e que demandam cuidados (mesmo quando saudáveis) proporciona um aprendizado sem igual.
Eu resumiria a descoberta fundamental que fiz nesse carnaval assim: cuidar de um animal é um ensaio para cuidar de gente e vice-versa. E, como em tudo, também nesse gênero de ação é preciso amar.
O mais significativo, então, acontece, você descobre que quem ama é amado.
Os bichinhos, devido a sua maneira singela – talvez ainda rudimentar – de demonstrar sentimentos, podem nos comprovar plenamente esse axioma.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carnaval e infância


Hoje é terça-feira gorda de Carnaval. Esse ano não fui folião, embora eu goste de Carnaval. Gosto inclusive do universo das escolas de samba etc.. Contudo, quem nasce no Brasil acompanha o carnaval a vida toda e pode, um ano ou outro, abrir mão da folia e aproveitar os 4 dias de folga para um retiro. Eu estou mais para o clima de retiro do que para o de folia e foi o que fiz. Não fiquei sozinho, no entanto, fiquei com um amigo muito bacana e que tem uma conversa boa, daquelas que não cansam nunca e que são sempre proveitosas.

Esse meu amigo está vivendo a experiência excelente de ser tio de uma criança de apenas 3 anos. Ele contou-me vários epísódios de falas incríveis da garotinha e que são deliciosos de conhecer.

O tio perguntou se a criança estava sabendo que naquele dia era o aniversário da irmã dela. Ela disse que sim e, como tem apenas 3 anos e provavelmente não se lembrava dos dois últimos aniversários, saiu com essa questão:

- Tio, sabia que eu nunca faço aniversário?

Na festa de aniversário da irmã, todos estão dentro do salão de festas e o DJ está tocando alguma dessas manifestações contemporâneas do Funk Carioca e os adolescentes convidados estão dançando. O tio vê a sobrinha de 3 anos isolada, do lado de fora. Então, vai até ela:

- Vamos lá? Quer ir também?
Ela dá dois passos para trás e diz:
- Não, eu tenho medo da dança...
O tio olha para os que estão dançando lá dentro e conclui:
- Entendi... Até eu estou com medo!

Tocou o interfone, o tio foi atender. Ao voltar para a sala, a sobrinha lhe perguntou:
- Tio, quem está chegando?
- Josafá, o meu amigo.
- Josafá? Tio, qual é a cor do nome dele?

Em uma noite a criança, no seu quarto, está tendo um acesso de tosse, o Pai preocupado acende o abajur e diz:
- Nossa! Filhinha...
- É pai, eu tô zoada...

Adulto conversando ao telefone. A criança pergunta:
- Com quem você está falando?
- Com minha mãe.
- Posso falar com ela?
E ao pegar o telefone:
- Quem está falando?
Do outro lado:
- Célia.
- O que você está fazendo com seu nome?

Conversando com a tia de mais de 40 anos:

- Tia, eu não vou morrer.
- Você vai viver para sempre?
- É. Vou viver para sempre, linda e feliz. E você?
- Eu já não tenho essa certeza: de que vou ser sempre linda...

Acho que de tanto comentarmos acerca dessa criança e dessas suas falas sensacionais, acabamos por viver um momento semelhante, de quase um non sense infantil... rsrsrs Eu e meu amigo olhávamos uma revista na qual havia um ensaio fotográfico, com um modelo belíssimo. Eu olhando para o rosto do rapaz na foto, comentei:
- O ser humano é realmente um coisa linda, eu acho um aprimoramento mesmo da natureza. A cabeça em seu formato e no rosto essa combinação de dois olhos, nariz e boca. Não é mesmo?
- É. Não é como uma abóbora [e faz um gesto com a mão no ar, sugerindo a forma da abóbora], que é apenas um silhueta.

Morremos de rir. ;-D

Não foi um carnaval proveitoso esse meu, aprendendo assim tanta coisa?