![]() |
| by Katherine Dunn |
Está tudo certo e tudo bem quando não temos culpa.
Na semana passada, uma amiga revelou-me que desejava viajar durante o período do carnaval, mas não tinha com quem deixar seus bichinhos... Bem, eu poderia ter dito que não podia ajudá-la, mas isso seria mentira: eu podia!
Então, passei o carnaval cuidando de animais e não me arrependo, e ainda agradeço pela oportunidade de aprendizado que tal experiência passou a representar. Afinal, eu já cuidara apenas de gatos, animais que eu conheço de longa data...
Pode ser que você não conheça essa função de cuidar de animais na ausência do dono: trata-se de algo muito próximo àquela que concerne a uma babá, só que de PETs. Trata-se também de algo intenso, porque você deixa uma rotina e entra em outra na qual alguns seres vivos ficam sob sua responsabilidade, simples assim.
Então, o aquário não pode ficar muito tempo sem ração: o peixe é um ser esfaimado.
No caso das calopsitas, elas exigem os mesmos cuidados, mais o dever de se lembrar de não abrir janelas.
O gato precisa de ração, água, limpeza da caixa de areia e calor humano.
Os dois cachorrinhos tudo o que desejam é atenção e passear na calçada, pois são bagunceiros e animados como rapazes na adolescência.
E, assim, se você passa quatro dias só cuidando dos bichinhos, você percebe que algo diferente está acontecendo com você e é quando esse contato especial com seres vivos, dependentes, e que demandam cuidados (mesmo quando saudáveis) proporciona um aprendizado sem igual.
Eu resumiria a descoberta fundamental que fiz nesse carnaval assim: cuidar de um animal é um ensaio para cuidar de gente e vice-versa. E, como em tudo, também nesse gênero de ação é preciso amar.
O mais significativo, então, acontece, você descobre que quem ama é amado.
Os bichinhos, devido a sua maneira singela – talvez ainda rudimentar – de demonstrar sentimentos, podem nos comprovar plenamente esse axioma.


