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terça-feira, 17 de setembro de 2013

There’s how much sugar in that coffee?

via Silver Quill Antiques

Hoje pela manhã, registrei no coração o seguinte diálogo saudável, com um amigo querido:

- Eu agora tomo café sem açúcar: é que estou diminuindo o consumo de açúcar.
- Mesmo?
-Sim, eu percebi que quando eu tomava café pela manhã eu o adoçava com duas colherinhas de açúcar e, no escritório, onde eu também tomo café,  eram mais duas colherinhas de açúcar a cada vez.
Conclui que eu estava ingerindo uma colher (de sopa) de açúcar por dia, no mínimo.
Separadamente, a gente nem imagina uma coisa dessas, mas se colocássemos uma colher (de sopa) de açúcar na boca, todos os dias, a gente perceberia que isso é um absurdo!

- Nossa! Como a gente é ignorante, não? Afinal, quanta coisa precisamos aprender a observar para diminuir o nosso mal-estar no mundo!

sábado, 15 de setembro de 2012

Biblioteca cura a dor d'alma


Quando eu era adolescente, durante um tempo, eu fui muito à Biblioteca Mário de Andrade, porque,  então, o teatro municipal estava passando por reformas e um programa de divulgação da música lírica intitulado Vesperais Líricas havia, provisoriamente, se transferido para o auditório da biblioteca. Ali tinha sido instalado um piano e, em torno dele, cantores líricos cantavam árias de óperas diversas, as mais famosas.
Portanto, eu ia à biblioteca municipal não para ler, mas para ouvir música.
Depois, já estudando na universidade, fui a essa biblioteca diversas vezes para pesquisar, mas, então, estávamos na década de 90 e ela sofria abandono e descaso. O prédio sempre foi lindo, contudo, se deteriorava frente à inação do poder público municipal naquela gestão, que, como em tantas outras, não dava atenção ao problemas do universo da cultura de um modo geral.
Na década seguinte, eu não a frequentei, mas imagino que a coisa deve mesmo ter chegado a um tal ponto de descaso, que a administração, que por fim a reformou, foi obrigada a fazê-lo. E, ainda bem que o fizeram: a Mário de Andrade está linda! A reforma alterou para melhor todas as instalações, respeitando o patrimônio arquitetônico: ficou muito parecido com o que fizeram também com a Pinacoteca.
Como estou de férias do trabalho, pude essa semana ir ali e usufruir dessas novas instalações.
Fiquei tão emocionado!
Como todo mundo, acho absolutamente fundamental que o patrimônio público seja conservado, atualizado, e sirva à comunidade. Pois bem, é isso o que está acontecendo com a nossa biblioteca, a mais querida do pedaço. Foi bacana também observar as pessoas com seus laptops nas mesinhas, as tomadas estarem à disposição e, claro, no setor de circulação todos livros ao alcance da mão... E também ver a biblioteca cheia de gente jovem, estudando como sempre.
Aliás, acho comovente ver gerações de estudantes que se renovam. Paramos pouco para pensar nisso. Por exemplo, no fato de que eu, quando adolescente, estive ali, mas agora os adolescentes são outros e que a casa que abriga todas essas gerações em torno do conhecimento é a mesma. De cara nova, graças!, mas a própria casa idealizada pelo grande escritor cuja figura é homenageada no nome que a biblioteca ostenta em sua fachada.
Agora, preciso dizer o mais importante: quando eu estive na biblioteca, fui ali em busca de lenitivo para uma espécie de tristeza que queria se instalar em meu espírito... Sim! Mas não deixei  isso acontecer e foi a biblioteca que me ajudou nesse intento. Lendo um livro durante umas três horas tanta coisa aprendi! E, o mais importante, o espaço para a amargura não se fez na minh'alma. É que tal espaço foi logo ocupado pela matéria de que o livro tratava: era um compêndio de artigos sobre educação, como poderia ter sido as histórias de Sherlock Holmes, não importa. O livro e a biblioteca cumpriram seu papel, como sempre cumprirão.

Isso aconteceu anteontem. Ontem, fui visitar uma dentista para ter uma consulta.
Quando eu sentei na cadeira e de boca aberta, esperava que ela me dissesse coisas horríveis sobre a minha saúde bucal. Às vezes, vamos ao médico não esperando a cura, mas apenas a confirmação do mal.
Vejam como somos tolos! A cirurgiã dentista, ao contrário, disse-me que todos os problemas que encontrou seriam solucionados e que para tudo tinha jeito (se fosse minha mãe já emendaria: só não tem jeito para a morte! kkkk)
E eu fiquei tão feliz!
Para celebrar essa alegria, postei no facebook:

Quero muito agradecer a Deus e a uma amiga queridíssima [que não frequenta o facebook] uma felicidade que pude sentir hoje. 
Tenho certeza que a amizade é coisa divina! ♥

Renovo aqui o mesmo sentimento e meu desejo sincero de que mais gente possa conhecer essas alegrias que aqui descrevi e que são todas feitas de renovação.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

About Silence and Angels

Anjo Esquecido - Paul Klee (1939)
Hoje, quando acordei, achei que eu estava novamente com os olhos afetados pelo surto de conjuntivite que acometeu a cidade de São Paulo já faz uns dois meses.

Corri para o mesmo hospital especializado no qual fora atendido anteriormente.

Lá chegando, vi uma multidão na sala de espera. Isso mesmo: inúmeras pessoas. Peguei a senha para o atendimento e abri meu Bliss, de Katherine Mansfield. As atendentes a toda hora chamavam grupos de pacientes que levavam para outras alas do hospital, a fim de, com isso, agilizarem um pouco mais o atendimento, necessariamente moroso com tanta gente!

Fui conduzido com um desses grupos para outro andar, e, depois de passar pela triagem, retornei ao primeiro andar, aguardei um tanto mais e, depois, uma senhora apareceu dizendo que iria chamar umas trinta pessoas, as quais seriam conduzidas novamente para um outro andar para serem, finalmente, chamadas, cada qual, por um dos médicos.

Ao chamar o nome de uma senhora, o qual verdadeiramente era “Salvadora”, ela chamou-lhe Salvador. A senhora a corrigiu e, imediatamente, ela se desculpou. Depois, ao chamar meu próprio nome, ela não o pronunciou da forma devida (as pessoas sempre se confundem em relação à pronúncia do meu nome, elas não o pronunciam como uma palavra oxítona, que é o usual e também correto, ao menos em português, mas o fazem como se fosse palavra paroxítona e fica estranho. rsrsrs).

Eu também a corrigi, mas apenas para me certificar de que era meu mesmo o nome chamado.

Ao nos conduzir para o andar, ela pediu-nos desculpas mais uma vez:

- Vocês me desculpem não falar o nome com correção, mas como podem ver o hospital está superlotado e estamos procurando providenciar o melhor atendimento... O problema é que nosso pronto-socorro atende em média 350 pacientes por dia, e, devido ao surto de conjuntivite na cidade, estamos atendendo mais de 1.500 pacientes por dia. Nossa sorte é que todos os médicos estão colaborando muito.

Essa fala me desabou. Fiquei a ponto de chorar.
Em primeiro lugar, por que ser bem tratado me emociona! Ser mal tratado não me leva às lágrimas não! No passado, inclusive, eu também tratava mal aquela pessoa que me tratasse com desconsideração. rsrsrs Hoje, não faço mais isso: parei de utilizar a ultrapassada lei do “olho por olho, dente por dente”. No máximo, procuro olhar para a tal pessoa como o olhar de quem está vendo alguém que precisa de ajuda e até me proponho a ajudá-la e desde que ela aceite, of course.

Agora, quando me tratam tão bem, fico emocionado! Por que a fala corretíssima dessa senhora nos leva a pensar em tanta coisa! Por exemplo, se apenas um surto de conjuntivite já mobilizava ali tanta gente, e exigia tanto, em um hospital bacana como aquele, o que não será a realidade de um surto de doença mais grave e em condições bem menos favoráveis!

Sim, como pode ser emocionante o trabalho dos profissionais de saúde!
Afinal, somos todos tão frágeis!
Eu tenho para mim, que um hospital é um lugar privilegiado para se contar o número de anjos que temos no presente e também onde é possível já imaginar o número daqueles anjos que ainda teremos no futuro! Penso que um hospital é um lugar de silêncio, também, por que é no silêncio que nascem os anjos.