sexta-feira, 15 de maio de 2009

Cuide-se bem com Sophie Calle


Acabei de ser informado que esse ano a Festa Literária Internacional de Paraty (a 7a FLIP) vai ter entre seus destaques, as presenças de Chico Buarque, do britânico Richard Dawkins, do escritor e jornalista americano Gay Talese e da escritora e artista plástica francesa Sophie Calle.

Muito bom saber que ela estará entre nós. O ano passado, ela apresentou o resultado de um trabalho inspirado numa carta que ela recebeu de um namorado terminando o relacionamento. Isso mesmo, ele o fez por carta. Ela pediu a 107 mulheres para lerem a carta e todas essas mulheres, de diversas nacionalidades e profissões variadas, responderam a carta para o cara. A exposição era uma série de vídeos com as respostas dessas mulheres. A exposição ficou na Bibliothèque Nationale e se chamou Prenez soin de vous ou Cuide-se bem, a forma como o namorado terminou a carta.

Vamos combinar que essa é uma maneira ótima de elaborar o luto ou o fim de uma relação.

Eu fiquei sabendo dessa exposição no blog da Maria Lina, historiadora, mineira, parisiense desde 1983 e que tem um blog bastante charmoso chamado Conexão Paris. Quem quiser ver as imagens da exposição e o texto ótimo de Maria Lina, va lá: http://www.conexaoparis.com.br/?s=Sophie+Calle

Sophie Calle vai estar em Parati no dia 4 de julho de 2009 (sábado), às 11h45, com Grégoire Bouillier, em uma mesa chamada "Entre Quatro Paredes".

Mais informações: http://www.flip.org.br/

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ditado Popular


Estou lendo Mia Couto (vide post anterior Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra) e, durante a leitura, tenho que parar para anotar frases que encontro no romance e que, penso, funcionariam muito bem para além do contexto do romance. Eu, se Deus me desse oportunidade, gostaria de repetí-las com proveito em alguma conversa, estando reunido com gente que pudesse e precisasse ouvir tais ensinamentos. Trata-se de enunciados que são quase que axiomas, sim, lembram aqueles ditados populares que sempre nos ensinam tanto acerca da vida, da existência:


- Não sabia, Tia, que tínhamos assim tanto mulato na família.
- Meu filho, neste mundo todos somos mulatos.

Uma primeira coisa do humano é a inveja.

No charco onde a noite se espelha, o sapo acredita voar entre as estrelas.

Árvore dá sombra, pessoa dá assombro.

Você mente com tanta bondade que até Deus lhe ajuda a pecar.

Quando a terra se converte num altar, a vida se transforma numa reza.

Só sopro em vela que eu mesmo acendi.

Já outro dia, assisti a um episódio sui generis do meu cotidiano:

João abriu o arquivo do computador e ao aparecer a imagem da atriz Angelina Jolie, ele exclamou:
- Nossa, que mulher!
Um outro perguntou:
- Quem é essa?
Pedro respondeu:
- É a Angelina Jolie!
- Eu não conheço.
João novamente:
- Olha a boca dessa mulher!
Pedro:
- Eu acho um pouco exagerada... - Achou melhor não dizer que tinha trauma de gente com boca grande porque alguém assim já o beijara e, na ocasião, ele tivera a sensação de que seria engolido :(
Alguém protestou:
- Mas ela é lindíssima!
Aquele que, inicialmente, dizia não conhecer Angelina Jolie encerrou a conversa:
- Tudo bobagem! Vocês não conhecem o Ditado?
A admiração tirou a roupa e mostrou o corpo mal feito da intimidade.

Não era Mia Couto, mas esse Ditado Popular eu também tinha que anotar ;D

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mademoiselle Nouvelle Vague


13 de maio a 02 de agosto de 2009

No site da cinemateca http://www.cinemateca.com.br/ encontramos a seguinte informação: Durante os próximos meses, a Cinemateca Brasileira presta homenagem aos 50 anos da Nouvelle Vague com a realização de uma retrospectiva inédita que reconstitui o desenvolvimento da vanguarda francesa desde seus primeiros filmes. A mostra retraça o arco histórico para comprovar que a ação da Nouvelle Vague vai muito além da cronologia mencionada nos livros (1959-1962). Composta por 60 títulos e contando com películas raras do acervo da instituição, a retrospectiva exibe não apenas os filmes mais marcantes do movimento, como também trabalhos de diretores fundamentais para sua formação – como Jean Renoir e Jean Vigo – e obras cujos temas e personagens dialogam diretamente com aqueles abordados pelos cineastas da vanguarda

Por ora, eu quero conferir esse primeiro Chabrol, que nunca vi:
Nas garras do vício (Le beau Serge), de Claude Chabrol,
França, 1958, 35mm, pb, 98’ Legendas em português Exibição em 16mm
Jean-Claude Brialy, Gérard Blain, Michèle Méritz, Bernadette Lafont
Primeiro filme de Claude Chabrol, fortemente influenciado pelo cinema de Hitchcock. Jovem retorna à sua cidade natal, no interior da França, depois de doze anos. Ainda que a pequena vila seja quase a mesma, ele não consegue reconhecer seus antigos moradores. Ali, ele dedicará especial atenção a Serge, um amigo de infância, que se tornou um alcóolatra.
qui 14 18h30 sáb 16 21h00 dom 17 18h30

Também quero ver, pela primeira vez, esse Renoir:
Boudu salvo das águas (Boudu sauvé des eaux), de Jean Renoir, França, 1932, 35mm, pb, 85’ Legendas em português Exibição em 16mm
Michel Simon, Marcelle Hainia, Sévérine Lerczinska, Jean Gehret
Boudu, um vagabundo, tenta se suicidar atirando-se às águas do Sena. É salvo por um livreiro que o acolhe em sua própria casa. Longe de se mostrar grato ao gesto do homem, Boudu dedica-se, com furiosa obstinação, a subverter e destruir a ordem burguesa em que passa a viver. Obra-prima de Jean Renoir, com sequências realistas das ruas de Paris.
qui 21 20h30 sáb 23 19h00

E, ainda, desse diretor que eu tenho verdadeira paixão: nunca vi esse
O signo do leão (Le signe du lion), de Eric Rohmer,
França, 1959, 35mm, pb, 103’ Legendas em português
Jess Hahn, Michèle Girardon, Van Doude, Paul Bisci
Estreia de Eric Rohmer na direção de longas-metragens. Músico falido recebe notícia de que sua tia milionária faleceu. Supõe que receberá a herança e, para comemorar, marca uma grande festa com os amigos. No entanto, logo depois, descobre que foi deserdado da família.
qua 20 18h30 sex 22 20h00 dom 24 16h00

terça-feira, 12 de maio de 2009

New York Hotel History. Eu fui.

Conheci a exposição. Que bom que eu falei aqui antes (vide post anterior Natathalie Daoust) e, agora, posso voltar a exortar a todos que também conheçam o trabalho de Nathalie Daoust.
É tudo aquilo que diziam e um pouco mais, ou seja, há coisas que não poderão ser ditas sobre essa experiência. Como dizer que já conhecíamos esse Hotel, se nunca lá estivemos? É um Hotel de puro devaneio esse. É a reunião de muitas histórias juntas.

O trabalho de Daoust acontece em diálogo com todos os demais artistas que transformaram aqueles quartos em pura fantasia e deleite.

Um hotel que não tem nada a ver com o que os cadernos de turismo mundo afora costumam falar sobre hotéis.

Que privilégio deve ser hospedar-se no Carlton Arms Hotel e que privilégio é o de ver essa exposição em São Paulo.

Natathalie Daoust


As fotografias da série New York Hotel History, de Nathalie Daoust, fotógrafa canadense, mostram a experiência da artista quando foi convidada a habitar o espaço de um famoso hotel nova-iorquino, o Carlton Arms Hotel, que é conhecido internacionalmente pelos seus famosos quartos temáticos, ou seja, que têm tido a intervenção de vários artistas. Ela morou no Hotel durante 2 anos e suas fotos trazem imagens dessa lenda nova-iorquina.

O que dizem é que, nas fotos de Daoust, as imagens dos quartos do hotel permitem um amálgama de figuras mergulhadas em um certo onirismo, determinando um lugar em que prepondera a fantasmagoria. O que se promete é que essas fotos nos ponham em contato com esses quartos, plenos de poesia visual, e que, por conta disso, nos ponham em contato com o tempo passado e ali vivido. Assim sendo, será também um encontro com os que já passaram por ali, agora revisitados em um exercício da arte de recordar.

Pela foto acima, vejo que o trabalho não é careta. Vou conferir ainda hoje, na hora do meu almoço. Essa é definitivamente a vantagem de se morar em São Paulo e de se trabalhar no Centro. Coisas incríveis como essa são ofertadas. Em tempo: onirismo é o estado em que o espírito, em vigília, se absorve em sonhos, fantasias ou idéias quiméricas (segundo o dicionário Aurélio).

A exposição New York Hotel History fica na Caixa Cultural (Praça da Sé, 111) - Entrada franca. De terça a domingo, das 9h às 21h. De 09 de Maio a 21 de Junho de 2009.

sábado, 9 de maio de 2009

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra


Ler esse romance de um dos mais importantes escritores africanos de hoje, o moçambicano Mia Couto, é como rezar preces de um rosário infinito. É ler com a alma de joelhos, o coração elevado. É também um reencontro com uma língua portuguesa que desconhecíamos. Língua preciosa porque sem preciosismos, pura na sua riqueza poética de uma textualidade que pode lapidar jóias como essa: A vontade é de chorar. Mas não tenho idade nem ombro onde escoar tristezas. Entro na cabina do barco e sozinho-me num canto.

É uma leitura pausada: a cada palmo de texto é preciso parar, acolher as lágrimas, então, secar os olhos e, entre suspiros, retomar a leitura em que se aprende, sobretudo, o que é da ordem da magia, como nessa passagem:


- Tio, a mulher caiu no rio!

Abstinêncio fica perturbado. Ele que nunca se alterava ergue os braços, alvoroçado. Espreita as ondas, mãos crispadas na borda da embarcação. Urge que seja dado o alarme. Vou empurrando para me chegar à sala de comando. Mas, logo, alguém me sossega:

- Não caiu ninguém, foi o vento que levantou um lenço.

Sinto, então, um puxão no ombro. É Miserinha. A própria, cabeça descoberta, cabelo branqueado às mostras. Se junta a mim, rosto no rosto, num segredo:

- Não se aflija, o lenço não tombou. Eu é que lancei nas águas.

- Atirou o lenço fora? E porquê?

- Por sua causa filho. Para lhe dar sortes.

- Por minha causa? Mas esse lenço era tão lindo!
E agora, assim desperdiçado no rio...

- E depois? Há lugar melhor para deitar belezas?

O rio estava tristonho que ela nunca vira. Lhe atirara aquela alegria. Para que as águas recordassem e fluissem divinas graças.

_ E você, meu filho, vai precisar muito de boa protecção.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Povo de Santo



Quem mora na periferia de São Paulo, como eu, sempre teve um contato maior com os diferentes grupos que ali convivem, inclusive com os grupos que seguem as diferentes religiões que congregam, cada qual, seu povo dentro de suas igrejas. Isso acontece sempre e desde muito cedo na vida do morador de São Paulo. As crianças, levadas por seus familiares, frequentam o interior das igrejas católicas, ou protestantes, ou os chamados centros espíritas ou ainda os terreiros destinados aos cultos afro-brasileiros.
Na minha experiência, só frequentei, com maior assiduidade até o fim da adolescência, o interior da Igreja Católica, daí minha fé estar ligada e ter sua representação, no que posso chamar hoje, de um cristianismo todo particular, mas de base católica. Isso não significa que fecho com o que dentro dessa instituição não concordo. Ainda bem que a fé é regida por outros ditames que não o das doutrinas fechadas de cada religião. Amém.
Uma questão, que cada vez mais orienta o meu modo de pensar sobre esse Mistério - o das religiões -, é a do necessário caminho do Ecumenismo, ou seja, poder conviver com as diferenças religiosas, respeitando-as e, se possível, em diálogo.
No entanto, ninguém está nesse mundo vasto e diverso sem sofrer do mal do hábito que, de verdade, é o que gera preconceito. Proust já dizia: Não fora o hábito, a vida deveria parecer deliciosa aos seres que estivessem ameaçados de morrer a todo instante, isto é, todos os seres humanos.
Convivi, nos ensaios de um bloco de carnaval do meu bairro, com os adeptos do Candomblé e algumas vezes percebia o quanto eu era ignorante a respeito da cultura desse povo chamado povo de santo e o tempo todo, por conta disso, eu podia cometer gafes, e ser indelicado, diante das manifestações típicas do comportamento do povo de santo. A melhor maneira de melhorar nos nossos modos de ser é ainda se informando e, de preferência, com o coração aberto. Assim sendo, procurei ler um livro sobre o assunto e de pessoa gabaritada.
Trata-se do livro Xirê! - o modo de crer e de viver no Candomblé, de Rita Amaral, doutora em Antropologia Social e pós-doutorada em Etnologia Afro-Brasileira pelo Museu de Arqueologia e Etnologia, ambos pela Universidade de São Paulo, onde organizou as coleções de peças religiosas afro-brasileiras. Ela estuda as religiões de influência africana desde 1986 e fez parte da equipe de pesquisa de Reginaldo Prandi, que estudou pela primeira vez o candomblé de São Paulo. Tem diversos artigos sobre o tema e atualmente desenvolve estudos sobre antropologia e hipermídia.
Segundo Vagner Gonçalves da Silva, professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, Rita Amaral demonstra que um dos principais aspectos do candomblé – e das demais religiões de influência africana no Brasil – é o caráter festivo que impregna suas cerimônias públicas, nos quais a festa traduz em vários planos a percepção de que o contato entre o mundo dos deuses e dos homens é um momento singular e a experiência do sagrado deve ser vivida como um deleite de todos os sentidos humanos.
Nesse livro, a autora demonstra ainda que a festa revela a importância da dimensão lúdica na constituição do candomblé como religião que valoriza a alegria, o prazer, o dispêndio, a sensualidade, o corpo, a vida, gerando um estilo de vida singular e plausível de ser reconhecido pela sociedade em geral. Um dos aspectos muito importantes do livro, na minha opinião, é que sua autora apresenta o mundo do candomblé com uma riqueza enorme de detalhes cotidianos, assim, quem convive ou conviveu com o povo de santo, no cotidiano da cidade, tem esclarecido diversos aspectos da peculiaridade de seu modo de ser. Serviu-me imensamente a leitura, posso agora compreender alguns aspectos dessa manifestação religiosa que antes eu não compreendia e, portanto, tinha muito mais dificuldade para assimilá-los tão somente como traços possíveis de um modo de vida.
É preciso que admitamos, com a personagem Riobaldo, do Grande Sertão Veredas, de Guimaraes Rosa, que a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça para o total.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Belén Gache

Sugiro que conheçam o trabalho da artista e escritora argentina Belén Gache.
Um bom começo: findelmundo.com.ar/wordtoys
Inteligente, lúdico, sensível e bonito de se ver!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sessão da Tarde

Quando a TV aberta exibe comédias românticas, gosto de assisti-las na companhia de minha mãe. Em geral são aqueles filminhos despretensiosos, de fácil compreensão e com um final edificante e feliz, é claro!
Nesse último sábado, assistimos, eu e ela, a um filme exatamente desse tipo. Trata-se de Atraídos pelo Destino (It Could happen to you, 1994, direção de Andrew Bergman). O filme é estrelado por Nicolas Cage (a presença do ator seria suficiente para eu assistir ao filme), Bridget Fonda (sim, a moça é uma Fonda: neta do Henry Fonda, filha do Peter Fonda e sobrinha da Jane Fonda). Também participa do filme a atriz americana, nascida no Brooklyn e filha de pais porto-riquenhos, Rosie Perez . Uma amiga que também já assistiu ao filme, quando ele foi lançado nos cinemas, disse-me que achou péssimo uma latina fazer o papel da "bandida do filme". E ela tem toda a razão, é lógico!
No entanto, a historinha é um primor:
Um policial gente boníssima conheceu uma garçonete em uma mal dia para ela. A moça devia uma grana alta no cartão de crédito que o marido mau-caráter tinha torrado. Nem ao menos o dinheiro para o divórcio lhe restara. Já o policial jogara na loteria e, não encontrando trocados na carteira para pagar a gorjeta para a garçonete, mas apenas o bilhete da aposta, prometeu-lhe que se ganhasse dividiria o prêmio com a jovem.
O incrível aconteceu: ele ganhou na loteria e o mais incrível, simplesmente achou que devia cumprir aquela promessa. Sua esposa, ambiciosa e insuportável, apenas deixou, inicialmente, que ele o fizesse porque poderia ter talvez a vantagem de aparecer na mídia como alguém com um "coração de ouro".
Na sequência, o policial vivencia um episódio que lhe permite tornar-se um herói durante um assalto e, ferido, afasta-se do trabalho policial.
Em outra sequência, na festa promovida para os novos milionários ganhadores da loteria, Charlie Lang (Nicolas Cage) perde o navio em que a festa se dá, quando desce para ajudar Yvonne Biasi (Bridget Fonda) a pagar a corrida do táxi. Enquanto Muriel Lang (Rosie Perez) passa a festa inteira no navio - na companhia de um velhaco e nem se dá conta da falta do marido -, os protagonistas jantam e dançam e combinam encontrarem-se no dia seguinte: quando praticam boas ações - por exemplo, pagam passagens no metrô para a população - eu achei muito simpática essa ideia...
Aconteceu de tudo ser noticiado nos jornais. A mulher do policial aproveita a circunstância para pedir a separação e também contrata os melhores advogados, conseguindo ficar com tudo: o dinheiro do prêmio e, inclusive, com a parte que fora dividida com a garçonete.
Após o julgamento, absolutamente injusto, ou seja, no pior momento de suas vidas, o casal apaixonado oferece um prato de sopa a um mendigo. No entanto, não era um mendigo, mas um... jornalista disfarçado, e que, no dia seguinte, publica um comovente artigo contando aos leitores o que lhe aconteceu e sugerindo que eles ajudassem o casal enviando donativos para a lanchonete de Yvonne.
Os leitores o fizeram e o casal recuperou boa parte da grana que deixara com a ex-esposa de Lang. Essa última ficou sem nada, pois casara com aquele velhaco e que fugiu levando sua fortuna.
Vejam só que filme divertido! Na verdade, eu achei uma coisa totalmente singela (mas deve ser porque eu também tenho um lado piegas! rsrsrs) O casal é totalmente bom coração, na medida mesma do coração da minha mãe. Fico tentado a dizer: Não seria na medida mesma do coração de todos nós, ao menos quando somos ingênuos (talvez a palavra seja inocentes, a ver) e muito muito esperançosos (no sentido de que esperamos por justiça, amor, prêmios de loterias, etc etc)?

sábado, 2 de maio de 2009

Entre os Muros da Escola, o livro


Depois de ter assistido ao Filme Entre os muros da escola (vide post Entre les Murs) agora leio o livro, na tradução de Marina Ribeiro Leite, publicado pela Martins Fontes, e que deu origem ao filme. Seu autor, François Bégaudeau, é esse simpático rapaz que está no alto da capa do livro, e que também é o ator que faz o papel do professor no filme.
O livro é ainda mais denso que o filme, mas isso não tira o mérito desse último. Nesse caso de adaptação fica valendo a obviedade de que os suportes para se contar uma história, sendo diferentes, apresentam diferentes soluções para revelar o que se conta. Lendo o livro, contudo, notamos que as soluções encontradas no filme foram realmente pertinentes e perspicazes.
Uma passagem que chamou minha atenção diz respeito a uma discussão que quem já deu aula, sobretudo em escola pública, já teve oportunidade de participar, normalmente nas salas de professores, e que diz respeito ao problema da indisciplina dos alunos. Nesse tipo de situação, sempre surge a opinião, que é a do senso comum, de que tal problema se deve ao fato de que não temos mais o rigor das sanções que havia dentro da escola, por exemplo, no tempo dos nossos pais ou avós. Pois bem, essa é também uma questão tratada no livro e a colocação que o narrador nos faz é bastante simples e pontual:

[o trecho a seguir aparece depois de uma passagem em que o professor explica para os alunos o significado da palavra laxista]
laxista = permissivo
Devemos restaurar a autoridade que nossos avós conheceram na escola? Penso que devemos deixar o passado para trás e que as coisas que funcionaram bem antes talvez sejam menos eficazes agora e no futuro. Penso que cabe ao adulto se afirmar e impor suas regras segundo seus valores, e não em nome de uma moda que voltaria com força e consistiria em ser mais severo com os alunos. Ainda que a falta de assiduidade, de respeito e de muitos outros fatores que são a causa desse questionamento estejam freqüentemente presentes nos estabelecimentos, restaurar essa autoridade nos moldes dos costumes antigos seria uma boa solução? Acho que não. Os jovens de hoje não aceitariam esse tipo de autoridade. Nem sequer conseguem imaginá-la. Essa nova geração não é majoritariamente partidária de sanções, de pressão constante e intempestiva, já basta a que existe. Além do mais, em alguns países, em particular os do Terceiro Mundo, esse tipo de ensino é aplicado nas escolas, e acho que posso dizer que os alunos gostariam muito de estar no nosso lugar! Então, se é para restaurar alguma coisa por causa de nostalgia do passado, não!