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domingo, 12 de julho de 2009

Cuide de você


Ontem fui ao Sesc Pompeia ver a exposição Cuide de Você, de Sophie Calle.
Fiquei tão contente da famosa exposição, após ter passado por Paris, Nova York, Veneza e Canadá, ter chegado a São Paulo, finally.
O mote da exposição, como já tive oportunidade de dizer por aqui (Cuide-se bem com Sophie Calle), foi uma carta (ontem descobri que foi um e-mail!) que Sophie recebeu de um ex-namorado, o escritor Grégoire Bouillier, rompendo o relacionamento (a gente recebe a cópia do texto do e-mail, traduzido, logo no início da exposição). Sophie, então, convidou 107 mulheres, famosas e anônimas, amigas ou estranhas, para analisar, interpretar e, assim, “responder” à mensagem daquele texto, e também de seus subtextos.
O rol de mulheres é o máximo: inclui a mãe da artista, a compositora Laurie Anderson, a DJ Miss Kittin, as atrizes Jeanne Moreau, Victoria Abril e Maria de Medeiros e várias profissionais: linguista, revisora, sexóloga, juíza, delegada, taróloga, antropóloga, designer, assistente social, criminologista, clarividente etc. É engraçadinho o vídeo da papagaio fêmea repetindo Prenez soin de vous...
Eu senti uma certa generosidade no evento. Generosidade da artista ao se expor, afinal ela levou o que também costumamos chamar “um pé na bunda”. Há também a generosidade de todas as mulheres que participam com sua solidariedade, formando um painel de análises que realmente disseca aquele e-mail do rapaz, e com isso temos um panorama riquíssimo de respostas, algumas técnicas, outras mais acadêmicas, muitas performáticas. No fundo, todas emocionais.
O vídeo com a Jeanne Moreau é uma sensação. Também gostei muito de uma garotinha de 10 ou 12 anos, que ao ler o e-mail concluiu que aquele homem é triste. Ela foi a mais delicada e eu acho que ela tem toda a razão!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Festa Literária Internacional de Paraty


Tudo indica que, ontem, a abertura da FLIP foi mesmo uma beleza. Eu estou acompanhando o evento pela internet.
No blog do evento, Bruno Zeni assina um post e conta que a Conferência de Abertura da FLIP teve como tema a poesia de Manuel Bandeira e que o professor e crítico Davi Arrigucci Jr. falou sobre a importância do alumbramento (epifania, êxtase, a "emoção diferente da poesia") na obra do autor pernambucano que morou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro.
Zeni conta-nos ainda que foi no morro do Curvelo, em Santa Teresa, no Rio, que se deu a viravolta na vida de Bandeira, uma verdadeira guinada que fez com que sua poesia passasse a atentar para a simplicidade do cotidiano. Foi ali, no pé do morro carioca, que o autor deixou de lado o sentimento "cabotino da piedade de si mesmo", numa "superação do sentimentalismo" que vai dar na poesia humilde, atenta ao que a vida simples tem de mais sublime.
Bruno Zeni ainda escreve que, para Arrigucci, a poesia de Bandeira é marcada pela convivência e pelo diálogo entre o alto e o baixo, o interior e o espaço de fora, entre o quarto e a rua. Bandeira deixa "o ruído do mundo humilde" penetrar nos sentimentos elevados do alumbramento.

Já da minha parte, o que posso dizer é que o bom de gostar de poetas e escritores é que a gente pode matar saudades deles, simplesmente relendo-os.

Selecionei dois poemas de Bandeira que eu adoro:

Arte de Amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

*****
Quando estás vestidas,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.)

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Em tempo: pelo site da flip http://www.flip.org.br/ é possível acompanhar as palestras e mesas redondas ao vivo.
Eu não posso deixar de ver e ouvir a participação de Sophie Calle (vide Cuide-se bem com Sophie Calle). Tal participação acontece no próximo sábado, às 11h45min.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Cuide-se bem com Sophie Calle


Acabei de ser informado que esse ano a Festa Literária Internacional de Paraty (a 7a FLIP) vai ter entre seus destaques, as presenças de Chico Buarque, do britânico Richard Dawkins, do escritor e jornalista americano Gay Talese e da escritora e artista plástica francesa Sophie Calle.

Muito bom saber que ela estará entre nós. O ano passado, ela apresentou o resultado de um trabalho inspirado numa carta que ela recebeu de um namorado terminando o relacionamento. Isso mesmo, ele o fez por carta. Ela pediu a 107 mulheres para lerem a carta e todas essas mulheres, de diversas nacionalidades e profissões variadas, responderam a carta para o cara. A exposição era uma série de vídeos com as respostas dessas mulheres. A exposição ficou na Bibliothèque Nationale e se chamou Prenez soin de vous ou Cuide-se bem, a forma como o namorado terminou a carta.

Vamos combinar que essa é uma maneira ótima de elaborar o luto ou o fim de uma relação.

Eu fiquei sabendo dessa exposição no blog da Maria Lina, historiadora, mineira, parisiense desde 1983 e que tem um blog bastante charmoso chamado Conexão Paris. Quem quiser ver as imagens da exposição e o texto ótimo de Maria Lina, va lá: http://www.conexaoparis.com.br/?s=Sophie+Calle

Sophie Calle vai estar em Parati no dia 4 de julho de 2009 (sábado), às 11h45, com Grégoire Bouillier, em uma mesa chamada "Entre Quatro Paredes".

Mais informações: http://www.flip.org.br/