Quando, ontem, me contaram que Claude Chabrol tinha partido desse mundo, eu fiquei tomado pela notícia porque me lembrei dos filmes que dele vira e do quanto ele e todos os cineastas da Nouvelle Vague foram importantes para a minha formação. Também pensei que, nesse ano, já nos despedimos de dois deles: Eric Rohmer e, agora, Chabrol.
Falo isso, mas de seus filmes, dos 50 e tantos filmes que ele fez, eu só vi:
Um assunto de mulheres (Une Affaire dês Femmes), de 1988;
o genial Madame Bovary, de 1991, com “a maior atriz do mundo” - segundo o próprio Chabrol - Isabelle Ruppert;
Negócios à Parte (Rien ne Va Plus), de 1997;
A Teia de Chocolate (Merci pour le chocolat), de 2000.
Aqui, vale um parentêse: esse filme eu ajudei a divulgar, quando do lançamento no Brasil (eu trabalhava para a Pandora Filmes), e, portanto, posso dizer que foi graças a Chabrol que eu pude conhecer e conversar com Anna Mouglalis, muito jovem na ocasião e absolutamente fascinante.
Por fim, vi também A Comédia do Poder (L'ivresse du pouvoir), de 2006.
É pouco eu sei, mas o que é pouco quando tanto se aprende acerca da condição humana, e, claro, sobre a própria comédia humana, da qual os franceses tanto têm a nos dizer?
Sinto-me grato a esse cineasta como a tantos outros.
O curioso é que Chabrol, que, dizem, tinha fama de preguiçoso, trabalhou tanto! E essa é a vantagem mesma de ser artista, o fato de seu trabalho ser imensurável e, eu acredito, quando o artista passa a existir noutro plano, está de algum modo em vantagem, visto que deixou para trás um legado. Legado esse, que cabe a nós outros descobrir.
Nesse sentido, os artistas são aqueles que “materializam” a condição humana da imortalidade da alma, porque deixam para a história da humanidade, essa que se constrói para além deles, a prova dessa mesma imortalidade e que se figura por uma obra de inteligência sem par.
Foram 80 anos bem vividos, os anos de vida de Chabrol, porque vividos com essa inteligência que reverbera e, arrisco dizer, no caso dele também porque sempre vividos em muito boa companhia, ou seja, a de seus excelentes colaboradores, e, ao menos desde a década de 70, na companhia, sem dúvida fascinante, da atriz que ele também ajudou a revelar ao mundo. Por tudo isso é que lhe somos gratos e queremos render-lhe um tributo, ou seja, minimamente um pensamento de solidariedade e gratidão, dirigido ao seu espírito. Afinal, ao menos temos em comum com o gênio essa condição: a de sermos todos mortais.
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Mademoiselle Nouvelle Vague

13 de maio a 02 de agosto de 2009
No site da cinemateca http://www.cinemateca.com.br/ encontramos a seguinte informação: Durante os próximos meses, a Cinemateca Brasileira presta homenagem aos 50 anos da Nouvelle Vague com a realização de uma retrospectiva inédita que reconstitui o desenvolvimento da vanguarda francesa desde seus primeiros filmes. A mostra retraça o arco histórico para comprovar que a ação da Nouvelle Vague vai muito além da cronologia mencionada nos livros (1959-1962). Composta por 60 títulos e contando com películas raras do acervo da instituição, a retrospectiva exibe não apenas os filmes mais marcantes do movimento, como também trabalhos de diretores fundamentais para sua formação – como Jean Renoir e Jean Vigo – e obras cujos temas e personagens dialogam diretamente com aqueles abordados pelos cineastas da vanguarda
Por ora, eu quero conferir esse primeiro Chabrol, que nunca vi:
Nas garras do vício (Le beau Serge), de Claude Chabrol,
França, 1958, 35mm, pb, 98’ Legendas em português Exibição em 16mm
Jean-Claude Brialy, Gérard Blain, Michèle Méritz, Bernadette Lafont
Primeiro filme de Claude Chabrol, fortemente influenciado pelo cinema de Hitchcock. Jovem retorna à sua cidade natal, no interior da França, depois de doze anos. Ainda que a pequena vila seja quase a mesma, ele não consegue reconhecer seus antigos moradores. Ali, ele dedicará especial atenção a Serge, um amigo de infância, que se tornou um alcóolatra.
qui 14 18h30 sáb 16 21h00 dom 17 18h30
Também quero ver, pela primeira vez, esse Renoir:
Boudu salvo das águas (Boudu sauvé des eaux), de Jean Renoir, França, 1932, 35mm, pb, 85’ Legendas em português Exibição em 16mm
Michel Simon, Marcelle Hainia, Sévérine Lerczinska, Jean Gehret
Boudu, um vagabundo, tenta se suicidar atirando-se às águas do Sena. É salvo por um livreiro que o acolhe em sua própria casa. Longe de se mostrar grato ao gesto do homem, Boudu dedica-se, com furiosa obstinação, a subverter e destruir a ordem burguesa em que passa a viver. Obra-prima de Jean Renoir, com sequências realistas das ruas de Paris.
qui 21 20h30 sáb 23 19h00
E, ainda, desse diretor que eu tenho verdadeira paixão: nunca vi esse
O signo do leão (Le signe du lion), de Eric Rohmer,
França, 1959, 35mm, pb, 103’ Legendas em português
Jess Hahn, Michèle Girardon, Van Doude, Paul Bisci
Estreia de Eric Rohmer na direção de longas-metragens. Músico falido recebe notícia de que sua tia milionária faleceu. Supõe que receberá a herança e, para comemorar, marca uma grande festa com os amigos. No entanto, logo depois, descobre que foi deserdado da família.
qua 20 18h30 sex 22 20h00 dom 24 16h00
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