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terça-feira, 14 de junho de 2011

The world is nothing without a woman or a girl


Ontem, alguém me falava acerca da importância de não ouvirmos música ruim: de baixa qualidade. Por exemplo, com mensagens nas letras das canções que só convidam à discórdia e/ou ao desamor. Ou ainda que insistam na vulgaridade, na devassidão: quando, por exemplo, há um elogio ao descontrole da libido, considerado banal, e cujos resultados, sobretudo para a juventude, são sempre de dor. No Brasil, a coisa tem desandado nesse sentido e todo mundo já percebeu não é mesmo?
Então, lembrei-me imediatamente que, quando a arte é de um nível superlativo, o desenvolvimento desse mesmo instrumento, a canção, é completamente diferente e com finalidades opostas e isso justificava a minha ansiedade para ver, no domingo, o show de Sharon Jones e The Dap-Kings.
Eu e meus amigos chegamos ao local da apresentação, o Auditório Ibirapuera, quando a banda já se encontrava toda no palco e no momento exato em que entrava no palco, vestindo um vestido todo dourado, a cantora. Sharon Jones vibrava pela sua voz a condição feminina que ela representa por excelência: intensa, verdadeira, sedutora, talentosa e amorosa.
Ela cantava todo o tempo, desde o início e até o fim, sem intervalo, sem qualquer interrupção, sequer para falar, uma vez que quando precisava explicar qualquer coisa ao público [como quando quis ficar descalça ou até mesmo quando precisou calçar novamente as sandálias] ela justificava tudo o que fazia cantando... E também dançava, como alguém muito jovem, de grande vitalidade! [ela que não é nenhuma mocinha]
Aliás, algo que me tocou profundamente foi ver a plateia que se formou também quase toda ela composta de gente jovem. Jovialidade atrai juventude! Alguns sequer conheciam a cantora, mas se tornaram fãs absolutos naquele momento! E cantavam e dançavam e aplaudiam! Uma jovem perto de mim perguntou para outra: “Como é o nome dela mesmo? Sara Jane?” “Não, é Sara Jones!”
Eu não pude corrigi-las porque nesse momento Sharon Jones iria cantar o hit mais incrível que alguém pode ter no seu curriculum:

100 days, 100 nights
To know a man's heart
100 days, 100 nights
To know a man's heart
And a little more
Before he knows his own

E o que dizer da sua performance no bis? Depois dessa interpretação eu precisei ir embora, imediatamente, por que aquele momento pedia que fosse muito bem guardado no meu coração.
Ela cantou para o público em êxtase:

This is a man's world, this is a man's world
But it wouldn't be nothing, nothing without a woman or a girl.

Aliás, podemos dizer que nessa frase se resume toda a lição musical do último domingo, dia dos namorados, em São Paulo. O show de Sharon Jones é, em muitos sentidos, um convite ao entendimento do quanto a mulher deve ser respeitada, integralmente, e, sobretudo, do quanto o machismo é algo degradante. A liberdade e a força de expressão da artista não deixam de ser um libelo disso mesmo.


terça-feira, 26 de abril de 2011

Sharon Jones and The Dap-Kings

Fico sempre muito impressionado com meu desconhecimento do mundo da música. Mas a verdade é que também não sou uma pessoa fechada e que ouve apenas determinado estilo musical, por exemplo. Considero-me quase sem personalidade, no que diz respeito ao meu gosto musical. rsrsrs
Posso ouvir música clássica, com muita desenvoltura e prazer. Eduquei-me na adolescência nesse sentido. Posso também ouvir com muito prazer todas as outras manifestações musicais, como MPB, samba, bossa-nova, música caipira, folclórica, religiosa, do pop, rock, rap, soul/funk/indie music, world music, music, music, music...
Contudo, não sou muito bom para guardar nomes de bandas ou intérpretes, conjuntos etc.
Mas sou capaz de chorar ao ouvir música e muitas vezes choro mesmo!
Penso que a arte, em todas as suas manifestações, é o que desenvolve nossa sensibilidade, gosto, personalidade, nos faz mais humanos, aproxima-nos do divino, sempre presente em cada um de nós, latente.
Ontem, visitava um amigo e que tem o dom para curtir música. Ele sempre nos apresenta as melhores coisas que podemos ouvir no planeta!
Falou-me em Sharon Jones.
Você também não a conhece? Então, creio que possa estar perdendo a oportunidade de ser mais feliz.
Porque é isso o que nos traz o contato com sua música: a certeza de que é possível sim sermos mais felizes, posto que emocionados, encantados, enlevados.
Você pode ler a seu respeito em vários jornais, ou sites, eu acho que uma boa matéria about her está aqui.
Eu só quero nesse postagem fazer um registro desse talento, ter a sua passagem marcada nesse blog e, sobretudo, reforçar uma informação importante: ela vai estar entre nós, no primeiro BMW Jazz Festival, que vai acontecer no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, entre os dias 10 e 12 de junho. Eu vou. [ainda não foram confirmados, o dia exato, o horário e os preços dos ingressos. Que medo!]
Eu também já aprendi que a emoção de ouvir, ao vivo, grandes intérpretes é única e que, portanto, devemos nos dar esse tipo de presente: um alento para a vivência nesse planeta, no qual é tão necessário elaborar cada vez mais e sempre, todos os dissabores e em qualquer esfera da nossa experiência.
Também colaboram nessa tarefa comum Sharon Jones, juntamente com o grupo The Dap-Kings, um dos grupos indies mais celebrados dos EUA, com o qual ela canta.
Vejam esse hit. Enjoy it!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Tolstói e Björk falam de amor

Quem acompanha esse blog sabe que eu estive lendo o romance Ana Karênina de Tolstói, e que, em determinadas passagens, não me contive de alegria e emoção e compartilhei-as por aqui. Agora, cheguei à última página e fiquei absolutamente emocionado e para sempre admirador absoluto da genialidade do romancista russo.
Tolstói contou-nos essa triste história de uma mulher para nos falar de amor, somente de amor. E não se trata tão somente do amor entre homem e mulher, mas do amor cáritas, que se revela pelo bem que façamos ao próximo.
A personagem Liêvin, marido de Kitty, é a que serve ao autor para que ele nos apresente a possibidade de viver esse amor, o que se dá pelo exercício do bem.
Ele tem como que uma epifania, depois de muito sofrer, quando compreende algo que não pode ter explicação lógica ou racional e essa descoberta, ele nos prova, é antes de mais nada possível quando agimos segundo o bem.
Não é preciso explicar tal descoberta aos outros, basta agir de acordo com essa disposição moral e essencial para viver no amor.
Compartilho essa passagem do romance de Tolstói e também um vídeo de Björk que um amigo compartilhou, por sua vez, ontem, pelo facebook. Acho que tanto o texto de Tolstói como o vídeo de Björk estão falando da mesma coisa. Não estranhem, por favor, mas eu sempre estabeleço relações entre coisas que, aparentemente, não teriam nada a ver uma com a outra! ;-D

“Eu bem sei que as estrelas não caminham”, prosseguiu, notando a mudança que se operara na posição de um planeta que subia por detrás de uma bétula. “No entanto, incapaz de imaginar a rotação da Terra ao ver as estrelas mudarem de lugar, tenho razão quando digo que elas caminham. Teriam os astrônomos chegado a compreender tudo isso, teriam chegado a calcular alguma coisa, se por ventura houvessem tomado em consideração movimentos da Terra tão variados e complicados? As surpreendentes conclusões a que eles chegaram sobre a distância, o peso, o movimento e as revoluções dos corpos celestes não terão por ponto de partida os movimentos aparentes dos astros em torno da Terra imóvel, estes mesmos movimentos de que eu sou testemunha, como milhões de homens o foram e o serão durante séculos e que sempre podem vir a ser verificados? Pela mesma razão que as conclusões dos astrônomos seriam vãs e inexatas se não fossem deduzidas das observações do céu aparente, em relação a um único meridiano e a um único horizonte, também as minhas deduções metafísicas se veriam privadas de sentido se eu as não fundamentasse neste conhecimento do bem inerente ao coração de todos os homens e de que eu tive, pessoalmente, a revelação, graças ao cristianismo, e que sempre me será dado verificar na minha alma. As relações das outras crenças com Deus continuarão para mim insondáveis, e eu não tenho o direito de as perscrutar.”
- Que, pois tu ainda estás aí? – disse, de súbito, a voz de Kitty, que voltava para o salão. – Não tens nada que te preocupe? – insistiu ela, procurando ler no rosto do marido, à claridade das estrelas. Um relâmpago que atravessou o espaço entremostrou-lho sereno e feliz.

“Ela compreende-me”, pensou Liêvin, vendo-a sorrir. “E bem sabe em que eu estou pensando. Devo dizer-lho? Sim.”

No momento em que ia falar, Kitty interrompeu-o.

- Faze-me o favor, Kóstia – disse ela –, vai dar uma olhadela ao quarto do Sérgio Ivánovitch. Estará tudo em ordem? Ter-lhe-iam posto um lavatório novo? A mim custa-me ir lá.
- Está bem, vou – respondeu Liêvin, beijando-a.
“Não, é melhor calar-me”, decidiu ele, enquanto a mulher entrava no salão. “Este segredo só tem importância para mim, e palavra alguma o poderia explicar. Este novo sentimento não me modificou, não me deslumbrou, nem me tornou feliz, como eu supunha. Sucedeu a mesma coisa com o amor paternal, que não foi acompanhado de surpresa ou de deslumbramento. Devo chamar-lhe fé? Não sei. Sei apenas que me penetrou na alma através do sofrimento e nela se implantou com toda a firmeza.
Continuarei, sem dúvida, a impacientar-me com o meu cocheiro Ivan, a discutir inutilmente, a exprimir mal as minhas próprias idéias. Sentirei sempre uma barreira entre o santuário da minha alma e a alma dos outros, mesmo a da minha própria mulher. Sempre tornarei Kitty responsável dos meus terrores, arrependendo-me logo em seguida. Continuarei a rezar sem saber por que rezo. Que importa? A minha vida não estará mais à mercê dos acontecimentos, cada minuto da minha existência terá um sentido incontestável. Agora possuirá o sentido indubitável do bem que eu lhe sou capaz de infundir.”


 
It is so cut. Beautiful! Beautiful! Beautiful!
 
The Comet Song
 With our fingers we make million holes
We run and we fall into pot holes
On a mission to savor the world, oh!
We peek at the sky through tree holes


Comet! Oh, damn it!
The comet comes hurtling down
On a precious plot of earth


Like the bugs in mother's flower bed
We walk on long legs over the sea bed
On our mission to save the world, oh!
We need milk and cakes and a warm bed


Comet! Oh, damn it!
The comet comes hurtling down
On a precious plot of earth


Grey leaves are too much
For any mother to handle
A father must pull
His black hat down over the eyes

sábado, 10 de julho de 2010

Lições da mulher

Quando uma amiga, que acabei de conhecer, soube que eu estava lendo Ana Karenina, de Tolstói, presenteou-me com o DVD da versão cinematográfica do romance. O filme foi rodado em 1948 e dirigido por Julien Duvivier, tendo a magnífica Vivien Leigh no papel principal. Quando comecei a assistir,  fiquei encantado com a adaptação. Era possível ver o romance que estou lendo: todo ele ali, vivo nas imagens e cheio de lições de interpretação, do próprio romance naquela nova linguagem, dos atores na tela, enfim.
Obviamente, eu ainda não terminei o romance, que é imenso e, então, da metade para o fim do filme, fiquei sabendo o que ainda irá acontecer também nas páginas do livro que ora leio.
Que trágico fim! E que lição tristíssima, a vida da personagem encerra.
Só não fiquei ainda mais abalado com o desfecho do drama, porque um amigo apresentou-me uma cantora turca ainda essa semana e eu estava impregnado de uma outra lição feminina e que desejo compartilhar.
As mulheres são sempre sensacionais. Eu penso assim. Ana Karenina, sem dúvida, sobretudo se tem o rosto lindo de Vivien Leigh... Mas também essa cantora pop da Turquia e que é sensacional. Seu nome é Işın Karaca.
Quando eu ouvi essa música, que compartilho por aqui, fiquei impressionado com a voz, belíssima, mas também com o que me pareceu a lição de um drama e que estaria sendo representado por meio da personagem de uma mulher que está aborrecida e só, em um quarto, fazendo suas malas. (Aliás, fiquei sabendo que a cantora também estudou teatro). Ela só tem a sua própria consciência (representada pelo seu duplo, do outro lado do espelho. Ou será um anjo?) com quem passa a ponderar, nesse momento de aflição.
Pedi a meu amigo Enric que traduzisse do turco a mensagem da música. Ele disse que o turco não é assim tão fácil... (lógico!) Mas arranjou-me uma tradução para o inglês. Merci Enric! ;-D

Eu já estou quase aprendendo a cantar a música de tanto que a ouvi! I hope you enjoy it too.






Yetinmeyi Bilir misin?

Yetinmeyi bilir misin,
Sana verdiği kadarıyla hayatın?
Hoş, bilsen de bilmesen de
Yara bere içinde bu yollardan geçeceksin

Kazanmayı isterdim, kaybetmeyi değil
Ama olmadı yar
Kendini kayırıyor her insan önce
Bu yüzden aşka kıyar

Giderim, alışığım gitmelere
Direndi bu can ne bitmelere
Giderim, alışığım gitmelere
Gerek yok isyan etmelere

Do you know being satisfied
with how much the life gave you?
Well, Whether you know, or not
You will pass by these streets with wounds

I would like to win, not lose
But it wasnt like that darling
Every person gives herself a preferential treatment
so He/She sacrifice (to abandon) the love

I'll go, i m used on going
This soul resisted how many ends
I'll go, I'm used on going
There is no need to revolt

Você tem estado satisfeita
com o tanto que a vida lhe proporcionou?
Bem, saiba, ou não,
você passará por esses caminhos sofridos.

Eu gostaria de vencer e não perder.
Mas não foi assim, querida...
Cada um dá a si mesmo um tratamento especial.
E, então, sacrifica o amor.

Eu prosseguirei, tenho prosseguido.
Esse espírito resistiu a quantos términos...
Eu prosseguirei, tenho prosseguido.
Não é preciso revoltar-me.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Divina

No último dia 7, muitos lembraram que faz 20 anos que não temos mais a presença física de Eliseth Cardoso entre nós. Por exemplo, a Rolling Stone, que fala do relançamento de um importante livro que é a biografia da cantora.

A Folha de hoje, por sua vez, fala de um musical que estreia amanhã, no Frei Caneca, centrado nessa grande personagem da nossa música.
Ela foi uma cantora que quase completou 70 anos de carreira e as novas gerações mal ouviram falar na sua existência! Eliseth era eclética e cantou de tudo, mas foi o samba o gênero em que se fixou, de um modo como ninguém mais pode fazê-lo. Ela era única. Tamanha personalidade resultou que a chamavam por diferentes epítetos. Acho todos lindos:

A Noiva do Samba-Canção,

Lady do Samba (pelo seu donaire ao cantar),

ou ainda, Machado de Assis da Seresta.

Mulata Maior (esse, eu acho maravilhoso).

A Magnífica (apelido dado por Mister Eco), e

A Enluarada (por Hermínio Bello de Carvalho).
O mais adorável, no entanto, foi o criado por Haroldo Costa e que é aquele que permaneceu para sempre ligado ao nome da cantora –
A Divina.

A Divina Eliseth Cardoso faleceu em 07 de Maio de 1990 e, como tudo que é da ordem do Divino, merece um eterno tributo.






Sei lá, Mangueira
(Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho)

Mangueira
Teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou...

Vista assim do alto
Mais parece um céu no chão
Sei lá
Em Mangueira a poesia
Feito um mar se alastrou
E a beleza do lugar
Pra se entender
Tem que se achar
Que a vida não é só isso que se vê
É um pouco mais
Que os olhos não conseguem perceber
E as mãos não ousam tocar
E os pés recusam pisar
Sei lá não sei
Sei lá não sei

Não sei se toda a beleza
De que lhes falo
Sai tão somente do meu coração
Em Mangueira a poesia
Num sobe-desce constante
Anda descalça ensinando
Um modo novo da gente viver
De pensar e sonhar, de sofrer
Sei lá não sei
Sei lá não sei não

A Mangueira é tão grande
Que nem cabe explicação

Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá ...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Bubuiar

Quando eu estava lendo a Introdução de João Meirelles Filho para seu livro Grandes Expedições à Amazônia Brasileira, deparei-me com essa frase do autor: Ao escrever essa obra, muitas perguntas vêm à tona, de bubuia. Eu nunca tinha ouvido essa última palavra que ele empregou. Inicialmente fiquei chocado, então, eu, no alto dos meus 42 anos, desconheço uma palavra da língua portuguesa! rsrsrs

Sei que parece absurdo nutrir esse tipo de sentimento, mas pode acontecer de ficarmos aborrecidos por desconhecermos uma palavra da própria língua, ainda mais quando frequentamos o dicionário com tanta frequência, quanto eu o frequento. Evidentemente, também fiquei ao mesmo tempo feliz, como sempre acontece quando aprendo algo novo: posso agora incluir bubuia no meu vocabulário individual, que maravilha!

Descobri, então, que bubuiar é o mesmo que boiar, flutuar e que é uma palavra de origem Tupi, a língua dos nossos ancestrais indigenas, os brasileiros anteriores a todos nós.

Comentei com uma amiga que eu tinha aprendido uma palavra nova! Mania de professor que adora divulgar novos conhecimentos. rsrsrs Mas minha amiga, que não é nenhum um pouco boba, disse-me que já conhecia a palavra: "Ah, é da música da Céu!". Pronto. Fiquei siderado. Então, existe alguém que se chama Ceú e que "canta" Bubuia!
Nesse fim de semana, minha amiga enviou-me o arquivo com a música.



Compreendi tudo: há uma moça linda, cantora encantadora, que inclusive chama-se Céu. Sim, ela pode bubuiar e antes de todos nós!
;-D

Bubuia


já que não estamos aqui só a passeio
já que a vida, enfim, não é recreio
eu vou na bubuia, eu vou 

flutuo, navegando, sem tirar os pés do chão
365 dias na missão
eu vou na bubuia, eu vou 

subo o rio no contrafluxo à margem da loucura
na fé que a vida após a morte continua
eu vou na bubuia, eu vou 

entoa uma toada em dia de noite escura,
na sequência, na cadência, na fissura,
eu vou na bubuia, eu vou suave bebendo água na cuia
olho aberto, papo reto o peito como o samba
nenhum receio do lado negro da lua, que me guia,
na bubuia eu vou, na bubuia, eu vou..

o destino é um mar onde vou me desfazer
com o pente a deslizar na correnteza do viver
na bubuia eu vou... eu vou na bubuia eu vou...


domingo, 10 de janeiro de 2010

Katia Guerreiro e Ney Matogrosso

Desde quarta-feira não atualizo meu blog. Fico tão triste quando isso acontece! Mas o que fazer? Tomei chuva na quinta-feira e desde sexta passada estou amargando um resfriado desagradável que retirou minhas forças. Como esse blog só se alimenta de coisas boas que me acontecem, não pude trazer nada para compartilhar. :-(
Uma coisa linda, no entanto, que me aconteceu, foi que um amigo, o blogueiro Enric, de Benicarló (Catalunha), do blog Bosphorus 2, apresentou-me uma fadista magnífica. Não é todo dia que somos apresentados a uma fadista, convenhamos. Assim sendo, penso que é fundamental compartilhar esse conhecimento.
Procurando no Youtube algo dela que eu pudesse trazer para cá, encontrei o registro de um encontro que deve ter sido mais do que memorável, a fadista portuguesa (vejam, uma redundância) e o divino brasileiro Ney Matogrosso cantando juntos! É uma pena que a pessoa que postou o registro não o tivesse filmado. São tão somente imagens intercaladas do encontro (para quem conhece a cada um, separadamente, já dá para imaginar o que deve ter sido esse espetáculo).
O problema é que como algumas pessoas do Youtube tem o hábito de fazer, o registro traz umas imagens outras... Penso que isso se deve ao fato de que há pessoas para as quais as metáforas de uma canção precisam ser concretizadas. rsrsrs Assim, vocês também verão lábios, mel, abelha e flor, o planeta azul, etc. Coisas absolutamente dispensáveis, na minha opinião. Perdão “requeijão” [é como se chama a pessoa que postou o clip], eu acho que são imagens de gosto duvidoso, mas agradeço pela iniciativa, of course. De qualquer modo, está valendo, fiquemos, então, com a canção e com as imagens dos intérpretes, o que já está de bom tamanho. Enjoy it!


Meu amor quando me beija
Vejo o mundo revirar
Vejo o céu aqui na terra
E a terra no ar.

Os seus lábios tem o mel
Que a abelha tira da flor
E eu sou pobre, pobre, pobre
Mas é meu o seu amor.

Quem tem amor peça a Deus
Pro seu bem lhe amar de verdade
Para mais tarde não ter desengano
E chorar de saudade.

Quem foi na vida que teve um amor
E esse amor sem razão o deixou
Que até hoje não guarde no peito
a marca da dor?

Meu amor quando me beija
Vejo o mundo revirar.
Vejo o céu aqui na terra
E a terra no ar.

Os seus lábios tem o mel
Que a abelha tira da flor
E eu sou pobre, pobre, pobre
Mas é meu o seu amor.

Quem tem amor peça a Deus
Pro seu bem o amar de verdade
Para mais tarde não ter desengano
E chorar de saudade.

Quem foi na vida que teve um amor
E esse amor sem razão lhe deixou
Que até hoje não guarde no peito
a marca da dor?


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O poder da gata

Às vezes, fico incomodado por parecer que sou sempre o último a saber das novidades, como, por exemplo, do que há de melhor para se ouvir na atualidade. Ontem, fui visitar um amigo e ele estava ouvindo uma cantora que eu nunca ouvira antes, ou sequer ouvira falar de. Quando perguntei quem cantava, ele disse-me se tratar de Cat Power. Eu não acreditei que alguém poderia chamar-se a si mesma Cat Power. Não é o máximo? Quando entramos no Youtube , vi que a moça é linda e que o seu som é mesmo delicioso. Uma voz contida, um som intimista e uma performance extremamente charmosa.

Também vi um trecho de sua participação em um dos últimos filmes de Wong Kar Wai [o must do cinema contemporâneo!, sem dúvida.] My Blueberry Nights. A ponta que ela faz é uma cena de pura sedução, na companhia do também charmoso Jude Law.

Vejam vocês mesmos o clip da canção Lived in Bars e o trecho do filme. Importante: quem postou o trecho do filme no Youtube , em que Cat Power aparece, editou tal trecho com uma canção da própria Cat Power ao fundo, o que não acontece no filme originalmente. Eu gostei muito de ver e ouvir tudo isso e espero que vocês também apreciem.

we've lived in bars
and danced on the tables
hotels trains and ships that sail
we swim with sharks
and fly with aeroplanes in the air

send in the trumpets
the marching wheelchairs
open the blankets and give them some air
swords and arches bones and cement
the lights and the dark of the innocent of men

we know your house so very well
and we will wake you once we've walked up
all your stairs

there's nothing like living in a bottle
and nothing like ending it all for the world
we're so glad you will come back
every living lion will lay in your lap
the kid has a homecoming the champion the horse
who's gonna play drums guitar or organ with chorus
as far as we've walked from both of ends of the sand
never have we caught a glimpse of this man

we know your house so very well
and we will bust down your door if you're not there

we've lived in bars
and danced on tables
hotels trains and ships that sail
we swim with sharks
and fly with aeroplanes out of here
out of here