quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cineclube Belas Artes

Eu continuo dando meu apoio incondicional ao Cine Belas Artes. Afinal, continuamos todos torcendo os dedinhos para que as negociações com o novo patrocinador sejam favoráveis e para que, em breve, possamos dizer que a sombra do seu possível fechamento esvaiu-se...
Assim sendo, aproveito para divulgar a programação do seu Cineclube, uma oportunidade que o tradicional cinema proporciona a todos os seus frequentadores, que, assim, podem rever na telona grandes filmes, dos melhores diretores.

Vejam só o informativo que recebi by e-mail e que reproduzo, na íntegra, abaixo:

Conjunto da Obra - Quentin Tarantino

Depois do sucesso de Bastardos Inglórios, o Cineclube apresenta, de 21 de maio a 17 de junho, um ciclo para matar a saudade de pelo menos quatro dos trabalhos anteriores de Quentin Tarantino. Serão exibidos os seguintes títulos: Cães de Aluguel (1992), Jackie Brown (1997), Kill Bill: Vol. 1 (2003) e Kill Bill: Vol. 2 (2004).
O cineasta norte-americano Quentin Tarantino nasceu no estado do Tenessee em 27 de março de 1963. O seu prenome deriva do nome de um personagem que Burt Reynolds interpretava na série televisiva Gunsmoke (1962-1965). Apaixonado por filmes desde a infância, ou seja, desde que se mudou com a família para Los Angeles, onde teve acesso a muitas salas de cinema, ele passou a ter maior intimidade com o assunto quando, aos 22 anos, foi trabalhar numa videolocadora. Esse emprego lhe serviu como uma grande escola, já que passava a maior parte do tempo assistindo aos filmes ali disponíveis e discutindo-os com o seu colega de balcão. Em 1986 realizou seu primeiro filme, um curta-metragem chamado O Aniversário do Meu Melhor Amigo, no qual acumulou as funções de diretor, ator, produtor, montador e co-roteirista. Nessa época ele fazia curso de interpretação e, para aumentar suas chances nas seleções de elenco de Hollywood, chegou a elaborar um falso currículo, no qual incluiu até uma participação em Rei Lear, dirigido pelo francês Jean-Luc Godard. Uma farsa que ele sustentou acreditando que ninguém que viesse a entrevistá-lo conheceria o filme ou mesmo seu realizador. A verdade é que depois de Cães de Aluguel, a obra que o consagrou mundialmente, Tarantino jamais precisou de qualquer tipo de currículo para conseguir o que quisesse. Impulsionado por esse inesperado reconhecimento, ele logo começou a trabalhar no roteiro do seu filme seguinte, Pulp Fiction, o que lhe deu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1994, além do Oscar de roteiro original, em meio a outras seis indicações. Pouco antes, ainda no rastro da boa repercussão do primeiro longa, ele viu serem levadas às telas duas histórias suas, até então engavetadas: Amor à Queima Roupa e Assassinos por Natureza, com direção de Tony Scott e Oliver Stone, respectivamente.
Após dirigir um dos quatro episódios do fraco Grande Hotel, Tarantino apresentava Jackie Brown, outro êxito, responsável por colocar novamente em evidência a musa negra Pam Grier, ícone dos filmes de ação da década de 70.
Seis anos mais tarde ele emplacou Kill Bill: Vol. 1 seguido de Kill Bill: Vol. 2, e mais recentemente deixou o mundo extasiado com Bastardos Inglórios. Enquanto aguardamos o já anunciado Kill Bill: Vol. 3, poderemos conferir o mais discreto À Prova de Morte, concluído dois anos antes de Bastardos Inglórios, com estréia marcada para junho.
Cada filme será apresentado por uma semana, diariamente, em sessão única.
(Os horários podem variar de filme para filme, entre 19h e 19h30)

21 a 27 de maio
CÃES DE ALUGUEL
(Reservoir Dogs)
EUA, 1992, cor, 99 min., 14 anos.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Harvey Keitel, Tim Roth e Quentin Tarantino.

Um experiente criminoso reúne seis bandidos desconhecidos entre si, para um grande roubo de diamantes. Porém, durante o assalto algo deu errado, pois a policia os aguardava no local, o que da a entender que algum membro da quadrilha seja um tira disfarçado.

Primeiro longa-metragem dirigido por Tarantino.

28 de maio a 03 de junho

JACKIE BROWN
(Jackie Brown)
EUA, 1997, cor, 154 min., 14 anos.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Pam Grier, Samuel L. Jackson e Robert De Niro.

Comissária de bordo trafica dinheiro para os Estados Unidos, a mando de um comerciante de armas. Quando dois policiais oferecem um acordo para que ela entregue o bandido, a mulher decide dar a volta em todos os envolvidos, com um olho na liberdade e outro numa mala cheia de dinheiro.

04 a 10 de junho
KILL BILL: VOL. 1
(Kill Bill: Vol. 1)
EUA, 2003, cor, 111 min., 14 anos.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Uma Thurman, Lucy Liu e David Carradine.

Uma bela e perigosa assassina trabalha em um grupo composto principalmente por mulheres, sob a liderança de Bill, de quem ela está grávida. Prestes a se casar com outro, ela acaba como vítima de uma tocaia encomendada pelo próprio Bill. Cinco anos depois, ao despertar do coma, ela só tem um desejo: vingança.
11 a 17 de junho

KILL BILL: VOL. 2
(Kill Bill: Vol. 2)
EUA, 2004, cor, 136 min., 14 anos.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Uma Thurman, Lucy Liu e David Carradine.

Após exterminar a maior parte daqueles que quase a mataram no dia de seu casamento, a "Noiva" segue firme em sua sede de justiça. Na lista dos que ainda restam para eliminar, está Bill, o seu antigo mestre e agora inimigo maior.

Cine Belas Artes
Rua da Consolação, 2423
Cerqueira César
São Paulo - SP
Tel.: 3258-4092

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Anna Garforth

Essa artista eu conheci através de um blog muito muito bacana e que você deve conhecer. Trata-se do Follow the colours.

A Carol e a Taís, do Follow the colours, acham que a inglesa Anna Garforth é uma artista sustentável e talentosa. Eu concordo plenamente.

Achei extraordinário o fato de que ela atua em muitas frentes. Fica visível, lá no seu site, que ela não perde tempo: onde ela puder fazer uma intervenção ela simplesmente irá fazer. Além disso, trabalha também como ilustradora. Nem sei do que mais gostei: acho que foi desse projeto a que ela chamou Head Gardner.







Embora, tudo faça muito sentido, sobretudo ao primar pela singeleza e atitude sustentável, como no projeto Rethink ou ainda nesse outro: o Leafcut.


Afinal, convenhamos, o que mais poderíamos esperar de alguém que se define como uma Guerilla gardner, Urban land artist ou Green grafitti extrodinaire?

Vida longa à artista! \o/

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dia Internacional do Museu

Hoje é o Dia Internacional do Museu. A data foi criada pelo Conselho Internacional de Museus, ligado à UNESCO. Isso me faz pensar que o primeiro museu que conheci foi o Museu Paulista, sim sou mais um que só foi ao Museu do Ipiranga quando criança. rsrsrs
Depois, no início da década de 90, eu fui vizinho de um museu, o MAC (Museu de Arte Contemporânea) da USP, quando morei no CRUSP. Essa data também me faz lembrar de todas as vezes que visitei, assiduamente durante a década de 80, o Museu Lasar Segall, na Vila Mariana. Esse Museu foi decisivo na lenta conquista da minha bagagem intelectual, cultural. Ainda adolescente, quanta coisa aprendi ali!
Também me lembro da primeira vez que fui ao MASP (Museu de Arte de São Paulo). Quanta emoção esse museu nos reserva. Lembro-me ainda do quanto vibrei com a reinauguração da Pinacoteca, após a incrível reforma. Gosto tanto do MAM (Museu de Arte Moderna), no Ibirapuera, quanto gosto do MIS (Museu da Imagem e do Som), na Av. Europa. Quantos filmes incríveis pude assistir nesse último!
Estou em dívida com o Museu da Língua Portuguesa. Nunca fui conhecê-lo, ao contrário dos mais de 30 mil visitantes que esse Museu recebe todo mês.
Já ouvi quem falasse mal de museu em geral. Quem ache, por exemplo, que em qualquer museu as coisas ficam meio que mortas ao estarem lá expostas e intocáveis. Nesse caso, é preciso considerar que o conceito de museu, assim tão estático já mudou e muito, nos últimos anos. E mesmo que assim  ainda fosse, ou seja, que o museu estivesse preso ao ideário de que participou quando de sua invenção: o de preservar. Não é isso o que se propaga agora mesmo e já faz alguns anos, em relação à própria natureza? Sim! A mera noção de que é preciso preservar... No entanto, penso que a preservação pode também participar de uma certa dinâmica. Afinal, preservamos aquilo que é significativo e, assim sendo, para que possamos melhor contemplar a vida futura. Trata-se, em verdade, do desejo do perene que habita toda alma.
Hoje, se eu não estivesse aqui trabalhando, eu iria visitar o MASP que, aliás, às terças-feiras, não cobra pela entrada. Alegria! \o/\o/\o/
Então, eu faria como a garotinha do livro de Maísa Zakzuk, Meu Museu. O livro narra, de maneira inteligente e divertida, a primeira visita dessa garotinha ao MASP. A personagem é levada pelos pais e faz aquela descoberta de que eu falava aqui, justamente quando ela perguntava se um museu não é aquele lugar que só tem coisas velhas... Pois bem, visitando o MASP, ela descobre que a resposta é sim e não. Esse é o tipo de descoberta que a gente só pode se permitir conhecendo a esses lugares mágicos que são os museus. Hoje, no Dia Internacional do Museu, ou em qualquer outro dia. Enjoy it too!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Jen Corace



Jen Corace é uma artista e ilustradora freelance que vive e trabalha em Providence, Rhode Island, EUA. Natural de New Jersey, é graduada em Ilustração pela Rhode Island School of Design.
Achei esse seu trabalho encantador. Lembrou-me um pouco o de Elsa Mora de quem já falei aqui. Sobretudo, há qualquer coisa mesmo é de surreal nessas atmosferas em que tais personagens doces e meigas e infantis estão como que mergulhadas no que está fora do mundo imediatamente real. Claro que o mundo é assim mesmo como Jen Corace nos mostra, ou seja, e só na aparência que ele é, vá lá, um tanto concreto.
Lá no site da artista você encontra, além de uma mostra riquíssima da versatilidade do seu trabalho, também um link para dois joguinhos que eu acho a maior curtição: jogar paciência (com as cartas que ela desenhou) e vestir as bonequinhas (como alguns de nós brincamos quando crianças)





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Have a nice weekend

Ontem, alguém me disse que um outro alguém lhe dissera que eu teria dito algo sobre um terceiro alguém. No entanto, o que se verificou entre esses últimos participantes de tal conluio é que, muito provavelmente, aquela fala não teria sido a minha. E mesmo que eu dissera algo semelhante, eu não me lembrava, e, ainda, não poderia ter sido e-xa-ta-men-te aquilo que disseram que eu disse, e, tampouco, eu teria dito para esse alguém, que dissera para esse outro, isso que se afirmava ter sido dito por mim.

Fiquei pensando qual seria a lição do ocorrido e como eu postaria about. Sim, porque essas ocorrências do cotidiano podem nos servir ao menos para um exercício de reflexão e podemos delas tirar uma nota de felicidade. A felicidade do que se aprende quando somos nós mesmos o alvo da maledicência.
É verdade que, ao menos inicialmente, não há como ser diferente: ficamos chocados com o fato que se desnuda à nossa frente, a saber, o da sua ocorrência à nossa revelia. Então, é isso: eu posso ser a personagem de uma ficção criada por outros! Esse primeiro aprendizado é bastante salutar, ou seja, o de que não podemos controlar o fluxo das ficções das quais participamos, de qualquer modo. Assim, podemos extrair dessa constatação a verdade da impotência a que estamos condenados vivendo no mundo. Por exemplo, a de que não controlamos esse tipo de acontecimento. Se por um lado a constatação é da ordem da impotência, por outro, percebo que isso gera uma nova potência, ligada à consciência de que somos inocentes frente a trama armada. E ainda que eu não fosse assim tão inocente (e se, de fato, eu dei o start do telefone sem fio?), tampouco seria culpado. Afinal, é essa a dialética de todo neurótico (já nos dizia Lacan)  e a grande descoberta que o divã nos propicia: a de que não somos culpados, mas também não somos inocentes.
Ao menos, em casos semelhantes, não é preciso chamar os advogados. Quero crer que evitamos muitos aborrecimentos, tão somente, seguindo o conselho que já ouvimos outrora: É preciso evitar o mal sempre. Nós devemos ser a Parada Terminal da Fofoca.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Alain Resnais: há 3 anos em cartaz no Belas Artes

Em agosto do ano passado, eu falei desse filme no post O meu cinema é francês.



Agora, essa obra-prima de Alain Resnais completou 3 anos em cartaz em São Paulo!


O programa Vitrine da TV Cultura foi procurar entender o fenômeno e os meus amigos, do cinema mais bacana de São Paulo, ajudam a compreendê-lo. 


Andrew Holder

No seu site ficamos sabendo tão somente sobre esse artista que ele nasceu em ST. Augustine, na Flórida, e que cresceu e viveu a maior parte do tempo em San Diego. É graduado em Ilustração pela Art Center College of Design. Atualmente, vive e trabalha em Pasadena, na Califórnia. Profissionalmente, ele tem importantes clientes, dentre eles a National Geographic e seus trabalhos estão ou estiveram nas galerias Giant Robot, Junc Gallery, Hibbleton, Subtext, The Happening e Abacot Gallery.
Eu achei curioso que eu o tenha descoberto hoje, pois percebi que ele tem qualquer coisa em comum com aquela jovem escocesa que mora em Londres e da qual falei aqui ainda ontem. Ele também gosta dos animais da montanha e os retrata com muita paixão, nesse traçado simples e multicolor. A mim me encanta.























 
 
 
 
 
 
 
 
  

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Susie Q and the Owls




Susie Wright também conhecida como Susie Q and the Owls trabalha com diferentes suportes: pintura em tela, tipografia e 3D. Seu patrimônio escocês, com suas paisagens, animais e plantas, a influenciou, enormemente, como ilustradora. É o que caracteriza fortemente o corpo do seu trabalho. Ela vê tal característica  como um modo que encontrou de estar mais perto das paisagens das regiões montanhosas, e isso possibilitou que ela experimentasse um significativo crescimento. Enquanto ela se inspirava nessa fonte de criatividade abundante ela deu de cara com Londres, em seu contraste, que ela vê como um contraste entre o meio ambiente armado da vida em Londres e a dispersão das construções e da gente nas montanhas. Suzy refere-se aos seus desenhos como um ‘coping mechanism’ (ao pé da letra: mecanismo de cumeeira ou de crista de muro), por ela estar tão distante de casa.

Trouxe essas informações e imagens lá do seu site (ao visitarem o sítio de Suzy, aproveitem e leiam o texto original, em inglês, e corrijam-me, caso eu tenha cometido algum equívoco na minha adaptação para o português. Ok?)
O que mais posso dizer? Penso que esse tipo de trabalho tem muito valor porque ela está buscando algo que possa chamar de seu, tais elementos têm valor porque é por eles que ela, por fim, se reconhece e, convenhamos, isso é sempre muito bonito de se ver! ;-D









 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


terça-feira, 11 de maio de 2010

Luzes na Escuridão

O cinema está vivo! Fiquei muito feliz ao constatar isso, ontem, na sessão de Luzes na Escuridão de Aki Kaurismaki (em cartaz na Sala Oscar Niemeyer, do Belas Artes). Quem quiser saber, com profundidade, acerca da importância dos irmãos Kaurismaki para o cinema contemporâneo e para o conhecimento que o mundo passou a ter do cinema Finlandês: leia a crítica de Luiz Carlos Merten, no Estadão.


Eu, aqui, só poderei falar das minhas impressões muito pessoais em relação ao filme. ;-D



Quando o filme começou, compreendi que o protagonista e todos os outros personagens não iam falar muito e que, portanto, nós veríamos um filme paradigma de Cinema, ou seja, em que o que importa é o que podemos ver e ler na obra, a partir dos recursos que constituem propriamente essa arte: as tomadas, a luz, a fotografia, a direção e atuação dos atores, tudo isso amalgamado no que o roteiro e a montagem permitem entrever da história que se conta e que, por isso mesmo, por essa felicidade que constitui a obra cinematográfica como um todo, é que ela terá repercussão direta no nosso coração.
Quando o filme resulta de toda essa miríade de recursos bem empregados e, portanto, funcionando perfeitamente bem, não é preciso saber, tecnicamente, acerca de nada disso, mas tão somente emocionar-se com o resultado: se você é uma alma sensível à arte que ali se impõe.
Outro aspecto em Luzes na Escuridão que alegra quem viveu boa parte de sua vida na escuridão das salas de cinema e já viu nelas muita luz: esse é um filme contemporâneo, mas que remete diretamente ao cinema dos grandes diretores. Por exemplo, também percebi que o filme era, inclusive, um filme noir. Para mim isso remeteu, em muitas passagens, à atmosfera de uma espécie particular de noir: aquela que já vimos nos filmes de Fassbinder, por exemplo. Além disso, notei que havia também qualquer coisa de Cabíria naquela personagem central. Por exemplo, no modo frágil como ele se deixa arrastar pela vilã. A cara dele, parafraseando Caetano, não deixa de ser ela também um coração de Jesus...
Lembrei-me até mesmo de Win Wenders, quando ele nos sugeria que as pessoas comuns têm qualquer coisa de anjo, assim como esses têm qualquer coisa de gente comum, principalmente se essa gente é pária nesse mundo. É o caso, por exemplo, do garotinho negro que cuida do cachorro e, ao fim, até mesmo do segurança, a personagem central.
Por fim, há uma coisa ainda mais importante em Luzes na Escuridão e incomensurável em todo bom cinema: ele é um filme que fala do amor. O filme nos ensina que o amor é uma conquista lenta e que, estando nesse mundo socialmente injusto em que vivemos, ainda que possamos ser vítimas das circunstâncias as mais incontroláveis, mais intensamente o seremos, enquanto não compreendermos os nossos limites (sobretudo no campo material) e também que o nosso isolamento e a falta de amor próprio, tais circunstâncias, nos impedem de aceitar que sejamos amados por quem tão somente nos quer estender a mão.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Divina

No último dia 7, muitos lembraram que faz 20 anos que não temos mais a presença física de Eliseth Cardoso entre nós. Por exemplo, a Rolling Stone, que fala do relançamento de um importante livro que é a biografia da cantora.

A Folha de hoje, por sua vez, fala de um musical que estreia amanhã, no Frei Caneca, centrado nessa grande personagem da nossa música.
Ela foi uma cantora que quase completou 70 anos de carreira e as novas gerações mal ouviram falar na sua existência! Eliseth era eclética e cantou de tudo, mas foi o samba o gênero em que se fixou, de um modo como ninguém mais pode fazê-lo. Ela era única. Tamanha personalidade resultou que a chamavam por diferentes epítetos. Acho todos lindos:

A Noiva do Samba-Canção,

Lady do Samba (pelo seu donaire ao cantar),

ou ainda, Machado de Assis da Seresta.

Mulata Maior (esse, eu acho maravilhoso).

A Magnífica (apelido dado por Mister Eco), e

A Enluarada (por Hermínio Bello de Carvalho).
O mais adorável, no entanto, foi o criado por Haroldo Costa e que é aquele que permaneceu para sempre ligado ao nome da cantora –
A Divina.

A Divina Eliseth Cardoso faleceu em 07 de Maio de 1990 e, como tudo que é da ordem do Divino, merece um eterno tributo.






Sei lá, Mangueira
(Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho)

Mangueira
Teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou...

Vista assim do alto
Mais parece um céu no chão
Sei lá
Em Mangueira a poesia
Feito um mar se alastrou
E a beleza do lugar
Pra se entender
Tem que se achar
Que a vida não é só isso que se vê
É um pouco mais
Que os olhos não conseguem perceber
E as mãos não ousam tocar
E os pés recusam pisar
Sei lá não sei
Sei lá não sei

Não sei se toda a beleza
De que lhes falo
Sai tão somente do meu coração
Em Mangueira a poesia
Num sobe-desce constante
Anda descalça ensinando
Um modo novo da gente viver
De pensar e sonhar, de sofrer
Sei lá não sei
Sei lá não sei não

A Mangueira é tão grande
Que nem cabe explicação

Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá não sei
Sei lá ...