Mostrando postagens com marcador Cine Belas Artes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cine Belas Artes. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Você vai conhecer o homem dos seus sonhos

Acabo de chegar do Cine Belas Artes. Fui à pré-estreia de Você vai conhecer o homem dos seus sonhos, de Woody Allen. Todas as outras pessoas da cidade tiveram a mesma ideia e aproveitaram o feriado para conferir o novo filme do diretor a estreiar por essas paragens.
A sorte é que o pessoal bacana do Belas Artes mudou o filme de sala para abrigar a multidão. A sessão era única, às 17 horas.
Eu e uma amiga querida ficamos super felizes. Ver um filme de Woody Allen para quem sempre gostou do diretor é uma esperança renovada.
Uma característica extremamente difícil de se conquistar, mas na qual ele está se tornando cada vez mais um mestre é a de poder falar de coisas muito complexas de uma maneira muito simples. Por exemplo, da espiritualidade humana. Eu notei isso desde o filme anterior. Allen está se permitindo pensar que há um mundo invisível que influencia o visível. Nem sei se isso é consciente, mas é magnífico e emocionante de se ver em um homem da estatura de Woody Allen.
E ele faz isso de maneira discreta, delicada, apenas sendo o grande diretor de cinema que sempre foi.
A direção dos atores é de uma riqueza sem igual. Banderas está tão bem no filme que eu nem notei que era o Bandeiras. Ele é um dos homens dos seus sonhos, of course! Mas não é o único nesse filme não, não se engane...
Vou dizer bem resumidamente o que eu aprendi com o filme:
Que não podemos ser egoistas e tampouco orgulhosos (se assim acontecer a vida dará conta de devolver-nos os frutos desse horrível comportamento!)
Que não podemos sentir culpa, demasiadamente;
Que não podemos ser preguiçosos;
Que temos que nos permitir amar a nós mesmos e que, então, o amor aos outros vai acontecendo junto;
Que é uma grande bobagem temer a velhice e, portanto, temer a morte;
Que você pode acreditar em Espíritos, se quiser e puder;
Que você pode acreditar em reencarnação, idem;
Que mentir para os outros é muito, muito feio e que mentir para si mesmo, então, é horrível!
Que sempre há um futuro;
Que nós estamos construindo esse mesmo futuro o tempo todo: na teia das relações.
Ah, também não devemos ter nenhum tipo de preconceito (quem aprender todas essas lições, não terá preconceitos. rsrsrs)
Obrigado mestre Woody Allen pela alegria de aprender com seus filmes a ser mais gente e, portanto, a amar do modo como podemos amar, por ora. Em qualquer tempo e idade!

Vejam o trailer, sobretudo, vejam o filme!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vamos (re)ver Bergman

Sinto-me na obrigação de divulgar essa programação do Cineclube Belas Artes. Claro, porque desejamos que o Belas Artes continue a ter vida longa! ;-D
E também porque Bergman é o tipo de cineasta que forma o espírito e o caráter. É pura boa educação.
Faz 3 anos que ele nos deixou, no entanto, nós não precisamos deixá-lo jamais.


apresenta

Conjunto da Obra: Ingmar Bergman

Julho reúne duas datas muito importantes no calendário cinematográfico: o aniversário de nascimento e também de morte de Ingmar Bergman. Ele que completaria 92 anos no dia 14, faleceu no dia 30 desse mesmo mês, há três anos.
Para lembrar esse duplo acontecimento, o Cineclube apresentará quatro filmes de sua admirável filmografia, de 16 de julho a 12 de agosto, destacando dois clássicos antigos mais dois exemplares representantes das décadas de 70 e 80. São eles: O Sétimo Selo (1957), A Fonte da Donzela (1960), O Ovo da Serpente (1977) e Da Vida das Marionetes (1980).
O Sétimo Selo é o clássico absoluto, indispensável em qualquer retrospectiva do cineasta. O famoso duelo entre o personagem de Max Von Sydow e a horripilante figura da Morte é momento antológico, digno de eterna apreciação. Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1957, acabou levando o Prêmio Especial do Júri. O filme e o próprio Bergman, aliás, foram lindamente homenageados por Wim Wendres em Palermo Shooting, de 2008, que também faz claras citações à obra de outro mestre, Michelangelo Antonioni, por coincidência morto no mesmo dia em que o diretor sueco.
O filme que vem na seqüência, A Fonte da Donzela, foi o grande vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1961. Inspirado em uma lenda sueca, esse é um dos poucos filmes de Bargman cujo roteiro não foi escrito por ele mesmo, mas sim pela romancista Ulla Isaksson.
Dando um salto no tempo, a programação segue em cores, contrastando com o belo preto e branco dos dois filmes citados acima, desta vez com o polêmico O Ovo da Serpente, uma produção americana com diálogos em inglês e alemão. Tido como um dos filmes menos pessoais de Bergman, essa é uma obra que merece reconsiderações. Ambientado numa Berlim ainda arrasada pelos efeitos da Primeira Guerra, o filme faz uma impecável reconstituição da época retratada, e ainda conta com as extraordinárias atuações de Liv Ullmann e David Carradine, num dos momentos mais marcantes de sua carreira.
Feito originalmente para a TV, Da Vida das Marionetes tem como personagens principais Peter e Katarina, um casal criado em outro filme de Bergman, Cenas de Um Casamento, de 1973. A história desenvolvida, porém, nada tem em comum com a do filme anterior, assim como os atores também não são os mesmos.
Um detalhe predominante nessa seleção é a direção de fotografia que, com exceção de O Sétimo Selo, que tem a assinatura de Gunnar Fischer, os outros três trazem a marca genial de Sven Nykvist, grande parceiro de Bergman na maioria de seus trabalhos, uma união que por duas vezes foi consagrada com o Oscar para Nykvist, a primeira por Gritos e Sussurros (1974) e a segunda por Fanny e Alexander (1984).

Cada filme será apresentado por uma semana, diariamente, em sessão única.
(os horários podem variar de filme para filme, entre 19h e 19h30)

Programação:
O Sétimo Selo: de 16 a 22 de julho;
A Fonte da Donzela: de 23 a 29 de julho;
O Ovo da Serpente: de 30 de julho a 05 de agosto;
Da Vida das Marionetes: de 06 a 12 de agosto.

O SÉTIMO SELO
(Det Sjunde Inseglet)
Suécia, 1957, 35mm, pb, 96 min.
Elenco: Max Von Sydow, Bibi Andersson e Gunnar Björnstrand.

Um cavaleiro sueco retorna ao seu país após lutar nas Cruzadas, durante a Idade Média. Ao ver tanto sofrimento e destruição a sua volta, ele tem dúvidas sobre a existência de Deus e se pergunta porque Ele não dá um sinal de Sua presença. Porém, em suas andanças, ele acaba encontrando a personificação da morte que o convida para uma decisiva partida de xadrez, cujo resultado poderá lhe valer a vida.

Este filme, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, é considerado uma das principais obras-primas de Bergman e também um dos melhores filmes da história do cinema.

A FONTE DA DONZELA
(Jungfrukällan)
Suécia, 1960, 35mm, pb, 89 min.
Elenco: Max Von Sydow, Birgitta Valberg e Birgitta Pettersson.

Ainda fascinado pela Idade Média, Bergman retorna ao clima de O Sétimo Selo ao narrar a lenda de uma jovem, filha de cristãos fervorosos, violentada e morta por pastores, cujo local do crime teria se tornado uma nascente de águas milagrosas.
Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

O OVO DA SERPENTE
(The Serpent's Egg)
Estados Unidos/Alemanha, 1977, 35mm, cor, 120 min.
Elenco: David Carradine, Liv Ullmann e Isolde Barth.

Na Berlim devastada pela Primeira Guerra Mundial, um americano desempregado consegue refúgio no apartamento de um cientista, que também lhe dá emprego. Porém, enquanto trabalha como trapezista ele acaba se apaixonando por uma cantora de cabaré e, aos poucos, descobrirá a verdade sobre um fato terrível que o afetou no passado.

DA VIDA DAS MARIONETES
(Aus dem Leben der Marionetten)
Suécia/Alemanha, 1980, 35mm, pb/cor, 104 min.
Elenco: Robert Atzorn, Heinz Bennent e Toni Berger.

Filmado durante o exílio de Bergman na Alemanha, o filme mostra a sufocante trajetória de um homem que assassina uma prostituta. Utilizando-se de fotografia em preto e branco, com exceção da cena do assassinato e o final que são mostrados em cores, o diretor realizou uma das obras mais sombrias e complexas de toda a sua carreira.


BELAS ARTES
Rua da Consolação, 2423
Cerqueira César
São Paulo – SP
Tel.: (11) 3258-4092

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Feliz Aniversário Noitão! \o/

Quando eu era adolescente eu frequentava o Cineclube Oscarito na Praça Roosevelt. Cheguei a trabalhar na portaria do Cineclube. Esse Cineclube foi o precursor de um estilo único de assistir a filmes, para os cinéfilos paulistanos: a prática do Noitão. Isso mesmo, ficar a noite inteira assistindo filmes magníficos dentro de uma sala de cinema. Entrávamos no cinema à Meia-Noite e saíamos com o dia raiando. Uma maratona para gente forte, feliz e cinéfila! Apenas notívagos muito especiais topam a parada.
Pois bem, hoje faz seis anos que o Cine Belas Artes retomou essa prática. Os noitões do Belas Artes proporcionam aos cinéfilos da nova geração isso que nós fazíamos lá na década de 80. E deu muito certo. Como o cinema é muito maior, em alguns noitões cerca de 800 a 1000 pessoas lotam as 6 salas da casa.

Hoje o noitão do Belas Artes faz aniversário - Happy Birthday! - e é véspera do dia dos namorados. Um programa para o par perfeito e os filmes resgatam essa temática.
Vejam o release que eu recebi dos meus amigos do Belas:

Noitão "Seis Anos de Namoro"

Sexta-feira (11/06), a partir das 23h50, comemoração de seis anos do evento, com seis filmes em homenagem ao Dia dos Namorados: os inéditos Brilho de Uma Paixão (de Jane Campion) e A Jovem Rainha Vitória (de Jean-Marc Vallée); a reprise Corações Livres (de Susanne Bier); Truques da Paquera (de Jim Fall) e Amigas de Colégio (de Lukas Moodysson), ambos voltados para a diversidade sexual; mais um filme-surpresa.
O Noitão, que nasceu em 12 de junho de 2004, reuniu três filmes em sua programação inaugural batizada de "Odeio o Dia dos Namorados". Como o próprio tema indicava, não eram filmes muito leves, pelo contrário, eram romances bem conturbados e até violentos. Os filmes? Ah, sim, eram Monster, aquele com Charlize Theron, horrorosa e possessiva, fazendo par lésbico com Christina Ricci; Corações Livres, uma história de amor muito cruel, mas lindamente filmada pela dinamarquesa Susanne Bier: e o agridoce Estação Doçura, de Percy Adlon, como filme-surpresa.
Desta vez a seleção parece mais suave, mas é melhor que ninguém se iluda muito com isso.
Brilho de Uma Paixão aborda um fato verídico, o relacionamento entre o poeta inglês John Keats e sua jovem vizinha Fanny Brawne. Esse amor, que tinha tudo para ser longo e intenso, acabou antes da hora por causa da morte precoce de um dos dois. O roteiro, baseado em poemas de Keats e em cartas trocadas entre ele e Fanny, contou ainda com o apoio de Andrew Mation, biógrafo do poeta.
A Jovem Rainha Vitória também nasceu de um acontecimento verdadeiro, iniciado quando, em 1837, uma jovem de apenas 17 anos já se preparava para ocupar o trono do Rei Guilherme IV, prestes a morrer. Mas não se trata apenas de uma história de ambição e poder. Em meio a tudo isso existia também uma grande paixão que se eternizou entre Vitória e o Príncipe Albert. O filme, dirigido pelo mesmo realizador de C. R. A . Z. Y., foi produzido por Martin Scorsese e Sarah Ferguson, tataraneta da Rainha Vitória. A cuidadosa direção de arte contou com locações no Castelo de Belvoir, e a cama vista nas cenas da lua-de-mel foi de fato utilizada pela rainha verdadeira. O figurino levou um merecido Oscar.
Bem, como costuma acontecer em todas as edições comemorativas do Noitão, há sempre um ou mais filmes reapresentados como "ícones" de noitões passados. Desta vez serão dois.
Corações Livres, que para quem não se lembra é aquele sobre os noivos que deixam de se casar porque o rapaz sofre um acidente e fica paralítico. Mas, como se isso não fosse o bastante, ele ainda vê a amada se envolver com o seu médico que, por sua vez, é um homem casado.
A outra reprise é Amigas de Colégio, um cult indispensável, cheio de vida, do qual o público do Noitão jamais se cansará. A questão da homossexualidade entre as garotas colegiais é tratada com grande delicadeza e devida naturalidade. Algo típico de Lukas Moodysson, um diretor que sabe abordar qualquer assunto com poesia e elegância, mesmo quando passa perto da escatologia ou da pieguice. Aqueles que acompanham sua filmografia já devem ter percebido isso.
Truques da Paquera é um filme que há um bom tempo não é exibido no cinema, mas é, certamente, uma boa lembrança incluí-lo nesta programação. A história é sobre um rapaz bonzinho e trabalhador, mas que sofre demais sem merecer. Sua vida é uma chatice. Ele mora com um cara grosso que não o respeita e sua carreira como compositor de peças musicais não está decolando. Ainda bem que ele tem pelo menos uma amiga, uma jovem e excêntrica atriz de talento duvidoso, mas que sempre lhe dá a maior força. Como alguma coisa tinha que acontecer um dia, certa noite o garoto resolve ir tomar umas biritas numa boate e, mesmo tímido, encara um flerte com um go-go boy gostosão. É quando ele percebe que a vida vai muito além daquele mundinho no qual ele está acostumado a se encolher, fazendo papel de coitado. O que acontece depois da balada só mesmo vendo o filme. O ator principal, Christian Campbell, é irmão da atriz Neve Campbell, e quem interpreta a melhor amiga é Tori Spelling, que ficou famosa como a Donna de Barrados no Baile.
O filme-surpresa é um misto de coisas boas e ruins que uma relação pode ter: sexo, romance, fantasia, desconfiança e traição. Vale destacar a beleza do trio principal. Os olhos agradecem!
Por mais que os seis filmes sejam tentadores, ao comprar o ingresso o espectador deve saber que só é possível assistir a três deles, e então fazer as suas opções.
Para completar a diversão, nos intervalos entre os filmes todos os espectadores participam de sorteios de brindes: convites exclusivos do Belas Artes, camisetas e filmes em DVD, entre outros mimos.
Após o final da última sessão, por volta das seis da manhã do sábado, o cinema oferece um café da manhã para todos os "sobreviventes" da maratona.

BRILHO DE UMA PAIXÃO
(Bright Star)
Reino Unido/Austrália/França, 2009, cor, 119 min., 14 anos.
Direção: Jane Campion
Elenco: Abbie Cornish, Ben Whishaw e Thomas Sangster.

Em Londres, no ano de 1818, o poeta John Keats, aos 23 anos, inicia um romance secreto com sua bela vizinha Fanny Brawne, uma estudante de moda. Mas, o relacionamento dura apenas três anos, sendo subitamente interrompido por uma tragédia. Uma história de amor real, narrada sob o ponto de vista da jovem Fanny. Filme dirigido por Jane Campion, a mesma de O Piano.

A JOVEM RAINHA VITÓRIA
(The Young Victoria)
Inglaterra/EUA, 2009, cor, 105 min., 10 anos.
Direção: Jean-Marc Vallée
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend e Paul Bettany.

Os primeiros e turbulentos anos do domínio da Rainha Victoria - o mais longo do Reino Unido e que entrou para a história como a Era Vitoriana - e seu eterno romance com o Príncipe Albert. A história, iniciada em 1837, acompanha Victoria desde os seus 17 anos, quando o seu tio, o Rei Guilherme IV, está para morrer e ela é a herdeira do trono. Este filme, produzido por Martin Scorsese e dirigido pelo mesmo realizador de C. R. A. Z.Y, ganhou o Oscar de melhor figurino.

CORAÇÕES LIVRES
(Open Hearts/Elsker Dig for Evigt)
Dinamarca, 2002, cor, 113 min., 14 anos.
Direção: Suzanne Bier
Elenco: Nikolai Lie Kaas, Sonja Richter e Mads Mikkelsen.

Um casal às vésperas do casamento é surpreendido por um atropelamento que deixa o noivo imobilizado no hospital e condenado a ficar paralítico. As juras de amor de antes são substituídas pela agressividade do rapaz que agora incentiva a sua noiva a deixá-lo e seguir sua própria vida. Arrasada e carente ela acaba se apaixonando pelo médico que os atende, casado com a mulher que causou o acidente.

AMIGAS DE COLÉGIO
(Fucking Amäl)
Suécia, 1999, cor, 89 min., 14 anos.
Direção: Lukas Moodysson
Elenco: Alexandra Dahlström, Rebecka Liljeberg e Mathias Rust.

A história de duas adolescentes muito diferentes entre si e que se descobrem apaixonadas uma pela outra, mas não sabem como assumir a relação em meio às demais garotas do colégio onde estudam, na pacata cidade de Amal, interior da Suécia.

TRUQUES DA PAQUERA
(Trick)
EUA, 1999, cor, 90 min, 14 anos.
Direção: Jim Fall
Elenco: Christian Campbell, Jean Paul Pitoc e Tori Spelling.

A vida de Gabriel está pra lá de sem graça. O rapaz não tem nem mais inspiração para seguir em sua carreira, a de compositor de trilhas para o teatro. Para piorar, divide um minúsculo apartamento com um amigo heterossexual que sempre que leva alguém para transar o deixa do lado de fora. Ele tem como única amiga uma jovem atriz canastrona que o apóia em tudo o que faz. Mas numa noite, quando Gabriel decide afogar as mágoas numa boate, acaba conhecendo um atraente go-go boy. Estimulados pelos drinks e pela música alta, os dois embarcam numa gostosa jornada repleta de descobertas e surpresas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cineclube Belas Artes

Eu continuo dando meu apoio incondicional ao Cine Belas Artes. Afinal, continuamos todos torcendo os dedinhos para que as negociações com o novo patrocinador sejam favoráveis e para que, em breve, possamos dizer que a sombra do seu possível fechamento esvaiu-se...
Assim sendo, aproveito para divulgar a programação do seu Cineclube, uma oportunidade que o tradicional cinema proporciona a todos os seus frequentadores, que, assim, podem rever na telona grandes filmes, dos melhores diretores.

Vejam só o informativo que recebi by e-mail e que reproduzo, na íntegra, abaixo:

Conjunto da Obra - Quentin Tarantino

Depois do sucesso de Bastardos Inglórios, o Cineclube apresenta, de 21 de maio a 17 de junho, um ciclo para matar a saudade de pelo menos quatro dos trabalhos anteriores de Quentin Tarantino. Serão exibidos os seguintes títulos: Cães de Aluguel (1992), Jackie Brown (1997), Kill Bill: Vol. 1 (2003) e Kill Bill: Vol. 2 (2004).
O cineasta norte-americano Quentin Tarantino nasceu no estado do Tenessee em 27 de março de 1963. O seu prenome deriva do nome de um personagem que Burt Reynolds interpretava na série televisiva Gunsmoke (1962-1965). Apaixonado por filmes desde a infância, ou seja, desde que se mudou com a família para Los Angeles, onde teve acesso a muitas salas de cinema, ele passou a ter maior intimidade com o assunto quando, aos 22 anos, foi trabalhar numa videolocadora. Esse emprego lhe serviu como uma grande escola, já que passava a maior parte do tempo assistindo aos filmes ali disponíveis e discutindo-os com o seu colega de balcão. Em 1986 realizou seu primeiro filme, um curta-metragem chamado O Aniversário do Meu Melhor Amigo, no qual acumulou as funções de diretor, ator, produtor, montador e co-roteirista. Nessa época ele fazia curso de interpretação e, para aumentar suas chances nas seleções de elenco de Hollywood, chegou a elaborar um falso currículo, no qual incluiu até uma participação em Rei Lear, dirigido pelo francês Jean-Luc Godard. Uma farsa que ele sustentou acreditando que ninguém que viesse a entrevistá-lo conheceria o filme ou mesmo seu realizador. A verdade é que depois de Cães de Aluguel, a obra que o consagrou mundialmente, Tarantino jamais precisou de qualquer tipo de currículo para conseguir o que quisesse. Impulsionado por esse inesperado reconhecimento, ele logo começou a trabalhar no roteiro do seu filme seguinte, Pulp Fiction, o que lhe deu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1994, além do Oscar de roteiro original, em meio a outras seis indicações. Pouco antes, ainda no rastro da boa repercussão do primeiro longa, ele viu serem levadas às telas duas histórias suas, até então engavetadas: Amor à Queima Roupa e Assassinos por Natureza, com direção de Tony Scott e Oliver Stone, respectivamente.
Após dirigir um dos quatro episódios do fraco Grande Hotel, Tarantino apresentava Jackie Brown, outro êxito, responsável por colocar novamente em evidência a musa negra Pam Grier, ícone dos filmes de ação da década de 70.
Seis anos mais tarde ele emplacou Kill Bill: Vol. 1 seguido de Kill Bill: Vol. 2, e mais recentemente deixou o mundo extasiado com Bastardos Inglórios. Enquanto aguardamos o já anunciado Kill Bill: Vol. 3, poderemos conferir o mais discreto À Prova de Morte, concluído dois anos antes de Bastardos Inglórios, com estréia marcada para junho.
Cada filme será apresentado por uma semana, diariamente, em sessão única.
(Os horários podem variar de filme para filme, entre 19h e 19h30)

21 a 27 de maio
CÃES DE ALUGUEL
(Reservoir Dogs)
EUA, 1992, cor, 99 min., 14 anos.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Harvey Keitel, Tim Roth e Quentin Tarantino.

Um experiente criminoso reúne seis bandidos desconhecidos entre si, para um grande roubo de diamantes. Porém, durante o assalto algo deu errado, pois a policia os aguardava no local, o que da a entender que algum membro da quadrilha seja um tira disfarçado.

Primeiro longa-metragem dirigido por Tarantino.

28 de maio a 03 de junho

JACKIE BROWN
(Jackie Brown)
EUA, 1997, cor, 154 min., 14 anos.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Pam Grier, Samuel L. Jackson e Robert De Niro.

Comissária de bordo trafica dinheiro para os Estados Unidos, a mando de um comerciante de armas. Quando dois policiais oferecem um acordo para que ela entregue o bandido, a mulher decide dar a volta em todos os envolvidos, com um olho na liberdade e outro numa mala cheia de dinheiro.

04 a 10 de junho
KILL BILL: VOL. 1
(Kill Bill: Vol. 1)
EUA, 2003, cor, 111 min., 14 anos.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Uma Thurman, Lucy Liu e David Carradine.

Uma bela e perigosa assassina trabalha em um grupo composto principalmente por mulheres, sob a liderança de Bill, de quem ela está grávida. Prestes a se casar com outro, ela acaba como vítima de uma tocaia encomendada pelo próprio Bill. Cinco anos depois, ao despertar do coma, ela só tem um desejo: vingança.
11 a 17 de junho

KILL BILL: VOL. 2
(Kill Bill: Vol. 2)
EUA, 2004, cor, 136 min., 14 anos.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Uma Thurman, Lucy Liu e David Carradine.

Após exterminar a maior parte daqueles que quase a mataram no dia de seu casamento, a "Noiva" segue firme em sua sede de justiça. Na lista dos que ainda restam para eliminar, está Bill, o seu antigo mestre e agora inimigo maior.

Cine Belas Artes
Rua da Consolação, 2423
Cerqueira César
São Paulo - SP
Tel.: 3258-4092

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Alain Resnais: há 3 anos em cartaz no Belas Artes

Em agosto do ano passado, eu falei desse filme no post O meu cinema é francês.



Agora, essa obra-prima de Alain Resnais completou 3 anos em cartaz em São Paulo!


O programa Vitrine da TV Cultura foi procurar entender o fenômeno e os meus amigos, do cinema mais bacana de São Paulo, ajudam a compreendê-lo. 


terça-feira, 11 de maio de 2010

Luzes na Escuridão

O cinema está vivo! Fiquei muito feliz ao constatar isso, ontem, na sessão de Luzes na Escuridão de Aki Kaurismaki (em cartaz na Sala Oscar Niemeyer, do Belas Artes). Quem quiser saber, com profundidade, acerca da importância dos irmãos Kaurismaki para o cinema contemporâneo e para o conhecimento que o mundo passou a ter do cinema Finlandês: leia a crítica de Luiz Carlos Merten, no Estadão.


Eu, aqui, só poderei falar das minhas impressões muito pessoais em relação ao filme. ;-D



Quando o filme começou, compreendi que o protagonista e todos os outros personagens não iam falar muito e que, portanto, nós veríamos um filme paradigma de Cinema, ou seja, em que o que importa é o que podemos ver e ler na obra, a partir dos recursos que constituem propriamente essa arte: as tomadas, a luz, a fotografia, a direção e atuação dos atores, tudo isso amalgamado no que o roteiro e a montagem permitem entrever da história que se conta e que, por isso mesmo, por essa felicidade que constitui a obra cinematográfica como um todo, é que ela terá repercussão direta no nosso coração.
Quando o filme resulta de toda essa miríade de recursos bem empregados e, portanto, funcionando perfeitamente bem, não é preciso saber, tecnicamente, acerca de nada disso, mas tão somente emocionar-se com o resultado: se você é uma alma sensível à arte que ali se impõe.
Outro aspecto em Luzes na Escuridão que alegra quem viveu boa parte de sua vida na escuridão das salas de cinema e já viu nelas muita luz: esse é um filme contemporâneo, mas que remete diretamente ao cinema dos grandes diretores. Por exemplo, também percebi que o filme era, inclusive, um filme noir. Para mim isso remeteu, em muitas passagens, à atmosfera de uma espécie particular de noir: aquela que já vimos nos filmes de Fassbinder, por exemplo. Além disso, notei que havia também qualquer coisa de Cabíria naquela personagem central. Por exemplo, no modo frágil como ele se deixa arrastar pela vilã. A cara dele, parafraseando Caetano, não deixa de ser ela também um coração de Jesus...
Lembrei-me até mesmo de Win Wenders, quando ele nos sugeria que as pessoas comuns têm qualquer coisa de anjo, assim como esses têm qualquer coisa de gente comum, principalmente se essa gente é pária nesse mundo. É o caso, por exemplo, do garotinho negro que cuida do cachorro e, ao fim, até mesmo do segurança, a personagem central.
Por fim, há uma coisa ainda mais importante em Luzes na Escuridão e incomensurável em todo bom cinema: ele é um filme que fala do amor. O filme nos ensina que o amor é uma conquista lenta e que, estando nesse mundo socialmente injusto em que vivemos, ainda que possamos ser vítimas das circunstâncias as mais incontroláveis, mais intensamente o seremos, enquanto não compreendermos os nossos limites (sobretudo no campo material) e também que o nosso isolamento e a falta de amor próprio, tais circunstâncias, nos impedem de aceitar que sejamos amados por quem tão somente nos quer estender a mão.

domingo, 2 de maio de 2010

Whatever works

Quem não gosta de Woody Allen é porque ainda não pode gostar. E tudo bem. Ontem, na sala Candido Portinari do Belas Artes, lotada, todo mundo ali demonstrou que já podia gostar e mesmo quem não gostou está no caminho: afinal, foi assistir ao filme Whatever Works, o mais recente lançamento, em São Paulo, do Diretor genial.
Sim, Woody Allen, nós podemos ser tão inteligentes a ponto de compreender tudo e achar que nada disso faz sentido: a randow event nossa existência! Então, nós também podemos nos lançar do alto do edifício. E podemos não morrer, por isso mesmo.
Além disso, mesmo achando todos inferiores e mergulhados no nosso narcisismo absoluto, estenderemos a mão, num gesto de caridade. E ainda que não saibamos, nesse momento, estaremos sendo caridosos com o humano em nós.
Podemos nos encantar com a simplicidade que se se reveste em atenção e carinho e cuidados. Sobretudo, com a simplicidade desse gesto, compreendendo, assim, que fora só uma passagem, enfim, whatever works. E quando, achando que perdemos mais uma vez, com tal experiência, podemos novamente nos lançar no abismo para, então, encontrarmos outra seara. Ou seja, ainda o que só podemos chamar, por ora, Whatever works.
Woody Allen é verdade! Nova York (eu acho que São Paulo também...) pode ser o lugar de elaboração profunda do ser: o lugar de passagem onde, por exemplo, um casal careta e já separado possa encontrar as novas possibilidades, enfim, a experiência necessária que sempre acontece, ou seja, Whatever works.

E caríssimo: sim, eles nos assistem, mesmo que aqueles que nos rodeiam não acreditem nisso. Eu entendi que tal alusão não era tão somente metalinguagem no seu filme. Obrigado por essa experiência amorosa, feliz e genial de cinema e de vida.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Amor de mãe no cinema

Hoje eu recebi um e-mail do pessoal do Cine Belas Artes, divulgando os filmes que estarão no seu Cineclube. São todos excelentes reprises. Eu assisti a todos e recomendo vivamente. Achei hilária a ironia do título dessa programação, afinal todas as mães desses filmes são louquíssimas, sem exceção. Mas mãe é mãe e, nesse caso, também está valendo a máxima: toda forma de amar vale a pena. Não é mesmo? rsrsrs

Esse é o excelente texto que recebi por e-mail:

Coletânea: Amor de Mãe

No período de 23 de abril a 20 de maio, para celebrar o mês das mães, o Cineclube preparou uma coletânea com quatro obras que destacam a figura materna.
Essas mães, cheias de encantos e defeitos, estarão nos filmes Belíssima (1951), de Luchino Visconti; Os Imorais (1990), de Stephen Frears; Um Dia Para Não Esquecer (1991), de Jean-Louis Bertuccelli; e Betty Fisher e Outras Histórias (2001), de Claude Miller.

Se os filmes são ótimos, boa parte dos seus méritos se deve às performances das atrizes Anna Magnani, Angelica Huston, Giulietta Masina, Nicole Garcia, Sandrine Kiberlain e Mathilde Segnier, todas maravilhosas.
Em Belíssima, o clássico desta coletânea, Anna Magnani, que anos mais tarde encarnou a Mamma Roma, de Pasolini, está magnífica. A história, atualíssima, é sobre uma mulher que acredita que a sua pequena filha, vista por ela como a criança mais bela da Itália, seja a candidata perfeita para ocupar uma vaga no elenco de um filme que está sendo produzido na Cinecittà. O fato é que a garota, infelizmente, não agrada nem um pouco aos olhos dos responsáveis pela seleção, e logo será motivo de piadas nos bastidores. Mas, é claro que a tempestuosa Maddalena, a personagem de Magnani, não deixará isso por menos.
A atração seguinte, Os Imorais, é um filme que retrata as relações familiares de uma maneira bem torta. O trio protagonista é composto por mãe, filho e a namorada deste. Todos bandidos. São golpistas de luxo que se amam e se odeiam sem se preocuparem com limites ou escrúpulos. Numa determinada cena o contato físico entre Angelica Huston e John Cusack deixa claro que o sentimento da mãe pelo filho, pelo menos naquele momento, vai muito além do que se pode chamar de afeto maternal.
Para os saudosos de Giulietta Masina, Um Dia Para Não Esquecer é programa imperdível. Trata-se do último trabalho dela, que faleceu em 1994, seis meses depois de seu marido, Federico Fellini. Neste filme Masina interpreta uma matriarca que resolve vender a casa da família, mas antes oferece um almoço de despedida para os filhos, noras e netos. No entanto, o filho que ela mais aguarda, desaparecido há 15 anos, ninguém sabe se está vivo ou morto.
A trama de Betty Fisher, na realidade apresenta três mães. Inicialmente são uma mãe e uma avó. A mais velha é Nicole Garcia e a mais jovem Sandrine Kiberlain. Esta última dá vida a uma escritora que acabou de perder tragicamente o único filho. Mas a sua mãe logo aparece para lhe reconfortar e não tarda em arranjar uma maneira de amenizar a dor. Ela rapta um garoto da mesma idade daquele que morreu e o leva para a casa da filha. Não deixemos de avisar que o menino roubado também tem uma mãe biológica. É quando entra em cena Mathilde Segnier representando uma figura barra pesada, capaz de colocar Paris de cabeça para baixo até descobrir o paradeiro da sua cria.

Cada filme será apresentado por uma semana, diariamente, em sessão única.
(os horários podem variar de filme para filme, entre 19h e 19h30)

23 a 29 de abril

BELÍSSIMA (Bellissima)
Itália, 1951, p/b, 108 min., 12 anos.
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Anna Magnani, Walter Chiari e Tina Apicella.

Um diretor de cinema está realizando testes com atrizes mirins, pois precisará de uma menina para o filme que rodará na Cinecittà, em Roma. Atendendo a um anúncio, uma mãe cinéfila leva sua pequena filha para disputar o papel. Porém os produtores acham a garota feia e fazem piadas sobre isso, despertando a ira da mãe.

30 de abril a 06 de maio


OS IMORAIS (The Grifters)
EUA, 1990, cor, 119 min., 14 anos.
Direção: Stephen Frears
Elenco: Angelica Huston, John Cusack e Annette Benning.

A relação de um homem e duas mulheres, uma delas é sua mãe e a outra sua namorada. Eles são três golpistas que se amam, se odeiam, nutrem sentimentos incestuosos e não medem escrúpulos quando o assunto é dinheiro.

07 de 13 de maio

UM DIA PARA NÃO ESQUECER (Aujourd'Hui Peut-Être)
França, 1991, cor, 90 min., 12 anos.
Direção: Jean-Louis Bertuccelli
Elenco: Giulietta Masina, Eva Darlan e Jean-Paul Muel.

Neste último filme da atriz Giulietta Masina, ela interpreta uma matriarca que resolve vender a casa onde sempre viveu, mas antes reúne a família para um almoço de despedida. Entre conversas e doces recordações ela espera ansiosamente pela chegada de seu filho favorito, que há 15 anos não aparece.



14 a 20 de maio

BETTY FISHER E OUTRAS HISTÓRIAS (Betty Fisher et Autres Histories)
França, 2001, cor, 101 min., 14 anos.
Direção: Claude Miller
Elenco: Sandrine Keberlain, Nicole Garcia e Mathilde Seigner.

Duas mulheres, dois mundos. Betty Fisher é uma jovem escritora de talento que descobre o prazer do amor maternal com seu filho de quatro anos. Ao mesmo tempo uma garçonete, cuja vida não é um mar de rosas, também tem um filho a quem trata grosseiramente. Uma terceira mulher, a mãe de Betty, irá juntar essas diferentes realidades de maneira inesperada.