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domingo, 10 de julho de 2011

Dez motivos para querermos ver o filme Meia-noite em Paris de Woody Allen

      1. Nesse filme é possível entender Paris como a sala de visitas da humanidade. Ela não é apenas bela naquilo que lhe garante ser um cartão-postal. Ela é uma pintura viva, onde a vida pulsa e, muito especialmente, pelo menos desde o final do XIX (Belle Époque).
      2. O filme é também uma história de amor. É tão romântico como costumam ser os filmes americanos que se passam em Paris, ao menos a partir de uma tradição que ocorre desde musicais como Sinfonia em Paris, de Vincente Minnelli. No entanto, esse é mais denso e, em resumo, nos ensina que não devemos nos enganar no amor, por exemplo, você não deve se casar devido às circunstâncias fortuitas (como dinheiro, estabilidade, hábito etc.)
     3. É uma homenagem sincera a todos os grandes gênios no mundo das artes que circularam pela Paris da década de 20 do século passado (e que gravitavam em torno da figura de Gertrude Stein). Homenagem a essa época de ouro e àquela que a precedeu, ou seja, também à Belle Époque. Isso tudo na mesma cidade, que nos legou seus grandes artistas. Apesar de tais homenagens, fica-nos, contudo, a sábia lição: É ilusão querer viver da nostalgia de um passado de glória, em qualquer circunstância e lugar.
4. O personagem central é um homem doce e sincero. Possui as qualidades necessárias a todo homem de bem. É também um idealista. E nosso cinema contemporâneo carece de personagens assim, que ainda conseguem nos alertar para a beleza e o amor! Owen Wilson, nesse papel, lembrou-me o que Caetano dizia de Giulietta Masina como Cabíria: “aquela cara é o coração de Jesus”.

5. A personagem feminina e que encarna a protagonista da história, a mocinha do casal romântico, é também doce, mas daquela doçura que encanta nas mulheres: etérea e vaporosa. Aliás, Marion Cotillard é perfeita para o papel.
6. O diretor do filme, Woody Allen, demonstra que está envelhecendo bem, o que vale dizer está atingindo um altíssimo grau de sabedoria. Suas últimas produções, aliás, espelham exatamente esse apogeu e esplendor.
7. A trilha sonora do filme resgata a época que o protagonista revisita em seus passeios noturnos por Paris. Cole Porter é a estrela sonora do filme. Nesse sentido, o filme resgata algo que Allen já fizera no filme A Era do Rádio: a qualidade da pesquisa.
8. As cenas em que aparecem os personagens do escritor Ernest Hemingway e do pintor Salvador Dalí são mesmo impagáveis. Os atores encarnam as ilustres figuras sem necessidade de recorrer aos estereótipos e, assim, eles parecem ser gente como a gente, mesmo com suas excentricidades.
9. Ver Toulouse Lautrec no Moulin Rouge também é um momento absolutamente encantador.
10. O filme tem uma mistura muito equilibrada de Bom Humor e Melancolia, e é assim que ele nos convida a entender que a vida é compreender que quem sai na chuva é para se molhar! Isso pode ser tomado tão somente como o exercício muito natural de quem vive mergulhado naquilo que os franceses chamam de joie de vivre. E, voilá, quando isso acontece em Paris, então, isso pode ser mesmo uma Festa!


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Noite que Fica

Amanhã, teremos um acontecimento muito especial. O Belas Artes no seu endereço tradicional terá o seu último Noitão. Vamos todos celebrar o Cinema! Cinemão de Arte! Cinemão Independente! Cinemão Cult! Cinemão. ;-)

Vejam que programação bacana os meus amigos do Belas Artes prepararam. Vou reproduzir o release tal como eu o recebi da assessoria de imprensa da Pandora Filmes.

Eu estarei lá. Vamos todos? ;-)

BELAS ARTES
apresenta
Noitão
A Noite que Fica

Como já é de conhecimento público, o Belas Artes deixará o seu tradicional endereço, na famosa esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, mantendo a promessa de reabrir em outro lugar.

Com isso o Noitão, evento que teve a sua primeira edição em junho de 2004, chega à sua 80ª edição em tom de despedida temporária. Sim, pois tão logo o Belas Artes ganhe novas instalações, a maratona voltará para a alegria de milhares de cinéfilos e notívagos, que ao longo desse tempo assistiram a mais de 200 filmes na calada da noite.

E a programação preparada para fechar as cortinas tem gosto especial. Nesta sexta, 14 de janeiro, a partir das 23h50, serão exibidos cinco filmes que marcaram o Noitão ao longo desses anos de intensa atividade, incluindo um filme-surpresa. Seleção: Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas Del Monton, de Pedro Almodóvar; Nikita, de Luc Besson; Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino; A Festa Nunca Termina, de Michael Winterbottom. O filme-surpresa também é um cult.

Cada espectador poderá assistir a três filmes, é só escolher a sua seleção na hora de comprar o ingresso.

Entre as sessões do Noitão, todos os espectadores participam de sorteios de brindes e ao final da última sessão é oferecido um café da manhã para todos os "sobreviventes".

PEPI, LUCI, BOM Y OTRAS CHICAS DEL MONTON
Espanha, 1980, cor, 85 min., 14 anos.
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Carmen Maura, Eva Siva e Julieta Serrano.

Uma jovem que vive sozinha em Madri dedica-se a uma pequena plantação de maconha na varanda de seu apartamento. Um dia um vizinho policial percebe algo errado e resolve ir até lá verificar a infração e acaba por violentar a moça que, inconformada, pede para que os seus amigos roqueiros preparem uma terrível vingança.

NIKITA
(Nikita)
França, 1990, cor, 98 min.
Direção: Luc Besson
Elenco: Anne Parillaud, Jean Reno e Jeanne Moreau.

A jovem Nikita é presa por assassinato e uso de drogas, porém o Estado decide utilizá-la como assassina profissional, devido a sua grande coragem e habilidade em empunhar armas.

CÃES DE ALUGUEL

(Reservoir Dogs)
EUA, 1992, cor, 100 min., 14 anos.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Harvey Keitel, Tim Roth e Chris Penn.

Um bando, formado por seis elementos, planeja um roubo de diamantes, cada um deles usando um pseudônimo associado a uma cor. Porém, na hora H algo sai errado e todos eles mais um policial passam horas de tensão e desespero em meio a sessões de tortura, num galpão abandonado.

A FESTA NUNCA TERMINA
(24 Hour Party People)
Inglaterra, 2002, cor, 115 min., 14 anos.
Direção: Michael Winterbottom
Elenco: Steve Coogan, Shirley Henderson e Paddy Considine.

Inspirado pelo sucesso dos Sex Pistols, um grupo de amigos montam um selo musical que acaba contando com alguns dos principais grupos musicais em surgimento do momento, entre eles Joy Division e Happy Mondays.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

José e Pilar

Na última sexta-feira, tive uma experiência como diria um amigo meu Catalão, “comovedora” de cinema. Fui assistir ao filme José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes.

Era uma exibição especial, com a presença do diretor português e também do diretor brasileiro Fernando Meireles, que representava a O2 Filmes, a co-produtora do documentário.
O filme, embora seja um documentário que registra o cotidiano do casal José Saramago e Pilar del Rio, sua companheira, não se parece em quase nada com um documentário. Há, na verdade, a história dos últimos anos do prêmio nobel, de suas inúmeras andanças pelo mundo e do cotidiano de amor do casal, seu dia a dia em Lanzarote, onde viviam. A ilha, aliás, é incrível, muito surreal, um lugar de isolamento quase que completo. Uma paisagem árida e eu diria que até mesmo inóspita. Mas, ali eles viviam bastante bem, bem com o lugar e, sobretudo, bem um com o outro.
O diretor, muitíssimo simpático, é um jovem muito verdadeiro e simples. Ele nos falou que a sua intenção ao rodar o filme era tão somente estar perto do grande escritor, o filme foi uma desculpa para isso! Eu achei essa sua fala absolutamente sincera, ora pois.
Além disso, ele também nos falou que foram mais de 400 horas de filmagem e que transformar isso tudo em 2 horas de filme foi um trabalho tão árduo que ele não deseja o mesmo nem para o seu pior inimigo. rsrsrs

E que 2 horas preciosas ele nos legou! Nelas assistimos a um Saramago muito coerente até o fim, nas suas convicções, sobretudo em uma das principais delas que era a de ele ser ateu.
Eu fiquei um pouco penalizado, porque não sou ateu... Sinto sempre uma compaixão por quem não consegue acreditar em Deus, mas ao contrário das pessoas que professam suas religiões com ardor e fanatismo, eu não consigo julgar os ateus. Eles apenas me comovem. Deve ser tristíssimo, doloroso mesmo, viver uma vida inteira crendo que após a morte só restarão as cinzas do corpo físico e o espírito, simplesmente, deixará de existir. Era assim que Saramago pensava e no caso dele, como de tantos outros, isso é absolutamente respeitável. Afinal, Saramago é o autor que me comoveu com a sua prosa absolutamente poética e ele é quem escreveu O Evangelho segundo Jesus Cristo, um livro que, quando eu terminei de ler, me fez exclamar: Foi Jesus Cristo mesmo quem escreveu esse livro! Esse é o verdadeiro evangelho! ;-)
No filme, tudo é intenso. Os últimos anos da vida desse homem foram demaseado intensos! Um prêmio nobel é um pop star! O assédio, as viagens intermináveis e as homenagens, tudo muito desgastante, mas Saramago queria viver muito tudo isso! E viveu!
E Pilar: que mulher incrível! A melhor parte da sua atuação, ao menos para mim, é quando dando uma entrevista para um repórter português ela foi absolutamente assertiva, o que ao que parece é mesmo uma característica da brava gente de Espanha, no caso, da gente Basca!
Os homossexuais não poderem se casar em Espanha [antes disso ser permitido por lei] era um deficit democrático, meu Senhor!
É possível ver nessa história os ensaios entre José Saramago e o ator Gael García Bernal para a estreia da leitura a duas vozes das “Intermitências da morte”; o casamento de José e Pilar, que aconteceu em Castril, Espanha; o momento em que o Fernando Meireles foi mostrar a José Saramago, em Lisboa, o seu filme Ensaio Sobre a Cegueira. É ainda bastante emocionante quando o filme mostra o momento em que José Saramago adoeceu gravemente e também sua recuperação, o que possibilitou que ele pudesse concluir o livro A Viagem do Elefante, vindo depois a São Paulo, para o lançamento mundial da obra.
Miguel Mendes nos explicou que as falas de Saramago no filme e que surgem em diversas passagens, são gravações de trechos do Caderno de Lanzarote, as quais o diretor selecionou e pediu para Saramago ler e gravar. Ele nos disse que procurou selecionar trechos dessa obra que fossem os mais universais e atemporais. É exatamente por isso que elas combinam tão bem com as passagens do filme em que aparecem. E, assim sendo, o filme tornou-se uma história também ficcional da “verdadeira” vida de uma grande homem e de uma grande mulher, e, sobretudo, de um amor. Mas, sendo a questão da morte muito cara ao diretor, ele é ainda, sobretudo no meu modo de compreender esse recorte temático, uma profunda reflexão sobre a imortalidade da alma, coisa que, sabemos, Saramago não acreditava e tampouco o diretor!

Eu, de minha parte, agora, rezo todos os dias pelo espírito de José Saramago e peço também para que esse jovem diretor continue nos proporcionando, no futuro, tanta emoção nas telas. ;-)
Ah, o diretor pediu que divulguemos o filme, ele precisa desesperadamente de público, e eu espero que todos que leiam essa postagem possam ir aos cinemas e, principalmente, queiram conferir esse trabalho que o público considerou o melhor documentário nacional da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

13 homens e um segredo revelado por Tatiana Issa e Raphael Alvarez


Ontem, fui ao Belas Artes conferir o documentário de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, Dzi Croquettes. O que essa moça fez foi um imenso favor a todos nós: ela resgatou a história do sensacional grupo e que ela acompanhou desde pequenina, pois o pai dela conviveu com o mesmo, ele trabalhava com a cenografia. Tal resgate era muitíssimo necessário, pois se até eu, que nasci em 1967, não me lembrava desse fenômeno brasileiro, e que estreou em 1972, como poderiam conhecê-lo as novas gerações? Essas jamais teriam ouvido falar nessa gente brilhante (literalmente, de corpos brilhantes, purpurinados) se não fosse nessa oportunidade.
Graças aos céus, a sala menor do cinema estava lotada e eu ouvi dizer que o boca a boca é tão intenso que tem sido assim sempre: as exibições do documentário têm tido um público considerável, em praticamente todas as sessões.
Essa gente absolutamente de teatro, que eram os Dzi Croquettes, foi um verdadeiro furor na época, com suas performances irreverentes e figurinos totalmente extravagantes. Eles interpretam, cantam, dançam, e desafiam todas as convenções, durante aqueles anos, no Brasil, e em plena ditadura militar. Foi o maior fenômeno que tivemos de contracultura, de power flower, de gay power. Eram homens entusiasmados, talentosos, inteligentes e, muitos deles, poliglotas (o que auxiliou bastante no sucesso internacional do grupo).
O humor era pungente, tocante e, sendo fruto de uma essência de verdade e alegria, que animava cada um dos 13 integrantes da "família", não puderam deixar indiferentes aqueles que os conheceram. É o que reiteram os depoimentos de Liza Minelli, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Elke Maravilha, Betty Faria, Marília Pêra, de ex-integrantes das Frenéticas, dentre outros do Brasil, que conviveram com os artistas, bem como de alguns franceses contactados e que também conheceram o grupo, quando eles passaram pela França e deixaram boquiaberto o público parisiense, que contava na plateia com gente como Catherine Deneuve, Jeanne Moreau e Josephine Baker.
Tatiana mostra imagens dela própria, muito linda e ainda pequenina, ou seja, de quando conviveu com os Dzi Croquettes. Ela nos diz que não podendo compreender tudo o que se passava ao seu redor, apenas os via como seus "palhacinhos", aqueles homens de enormes cílios postiços, e que lhe sugeriam que ela apenas fechasse os olhinhos quando sentisse medo. Eles eram cheios de bondade e mesmo o modo trágico como muitos deles morreram não poderia macular tanta bondade e talento: o ofício de artista, com que cada um deles pôde situar-se nessa comovente história, remete-os diretamente para a glória que sempre alcança quem pode amar.
Era esse amor que atraia tanto o público. Aliás, há uma passagem no filme em que vemos a cena de estreia de um espetáculo deles em uma cabaret do Rio de Janeiro: havia 600 pessoas dentro do teatro (a capacidade de público da casa) e 1200 pessoas do lado de fora do teatro desejando entrar e batendo na porta... Isso não foi demais?!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Feliz Aniversário Noitão! \o/

Quando eu era adolescente eu frequentava o Cineclube Oscarito na Praça Roosevelt. Cheguei a trabalhar na portaria do Cineclube. Esse Cineclube foi o precursor de um estilo único de assistir a filmes, para os cinéfilos paulistanos: a prática do Noitão. Isso mesmo, ficar a noite inteira assistindo filmes magníficos dentro de uma sala de cinema. Entrávamos no cinema à Meia-Noite e saíamos com o dia raiando. Uma maratona para gente forte, feliz e cinéfila! Apenas notívagos muito especiais topam a parada.
Pois bem, hoje faz seis anos que o Cine Belas Artes retomou essa prática. Os noitões do Belas Artes proporcionam aos cinéfilos da nova geração isso que nós fazíamos lá na década de 80. E deu muito certo. Como o cinema é muito maior, em alguns noitões cerca de 800 a 1000 pessoas lotam as 6 salas da casa.

Hoje o noitão do Belas Artes faz aniversário - Happy Birthday! - e é véspera do dia dos namorados. Um programa para o par perfeito e os filmes resgatam essa temática.
Vejam o release que eu recebi dos meus amigos do Belas:

Noitão "Seis Anos de Namoro"

Sexta-feira (11/06), a partir das 23h50, comemoração de seis anos do evento, com seis filmes em homenagem ao Dia dos Namorados: os inéditos Brilho de Uma Paixão (de Jane Campion) e A Jovem Rainha Vitória (de Jean-Marc Vallée); a reprise Corações Livres (de Susanne Bier); Truques da Paquera (de Jim Fall) e Amigas de Colégio (de Lukas Moodysson), ambos voltados para a diversidade sexual; mais um filme-surpresa.
O Noitão, que nasceu em 12 de junho de 2004, reuniu três filmes em sua programação inaugural batizada de "Odeio o Dia dos Namorados". Como o próprio tema indicava, não eram filmes muito leves, pelo contrário, eram romances bem conturbados e até violentos. Os filmes? Ah, sim, eram Monster, aquele com Charlize Theron, horrorosa e possessiva, fazendo par lésbico com Christina Ricci; Corações Livres, uma história de amor muito cruel, mas lindamente filmada pela dinamarquesa Susanne Bier: e o agridoce Estação Doçura, de Percy Adlon, como filme-surpresa.
Desta vez a seleção parece mais suave, mas é melhor que ninguém se iluda muito com isso.
Brilho de Uma Paixão aborda um fato verídico, o relacionamento entre o poeta inglês John Keats e sua jovem vizinha Fanny Brawne. Esse amor, que tinha tudo para ser longo e intenso, acabou antes da hora por causa da morte precoce de um dos dois. O roteiro, baseado em poemas de Keats e em cartas trocadas entre ele e Fanny, contou ainda com o apoio de Andrew Mation, biógrafo do poeta.
A Jovem Rainha Vitória também nasceu de um acontecimento verdadeiro, iniciado quando, em 1837, uma jovem de apenas 17 anos já se preparava para ocupar o trono do Rei Guilherme IV, prestes a morrer. Mas não se trata apenas de uma história de ambição e poder. Em meio a tudo isso existia também uma grande paixão que se eternizou entre Vitória e o Príncipe Albert. O filme, dirigido pelo mesmo realizador de C. R. A . Z. Y., foi produzido por Martin Scorsese e Sarah Ferguson, tataraneta da Rainha Vitória. A cuidadosa direção de arte contou com locações no Castelo de Belvoir, e a cama vista nas cenas da lua-de-mel foi de fato utilizada pela rainha verdadeira. O figurino levou um merecido Oscar.
Bem, como costuma acontecer em todas as edições comemorativas do Noitão, há sempre um ou mais filmes reapresentados como "ícones" de noitões passados. Desta vez serão dois.
Corações Livres, que para quem não se lembra é aquele sobre os noivos que deixam de se casar porque o rapaz sofre um acidente e fica paralítico. Mas, como se isso não fosse o bastante, ele ainda vê a amada se envolver com o seu médico que, por sua vez, é um homem casado.
A outra reprise é Amigas de Colégio, um cult indispensável, cheio de vida, do qual o público do Noitão jamais se cansará. A questão da homossexualidade entre as garotas colegiais é tratada com grande delicadeza e devida naturalidade. Algo típico de Lukas Moodysson, um diretor que sabe abordar qualquer assunto com poesia e elegância, mesmo quando passa perto da escatologia ou da pieguice. Aqueles que acompanham sua filmografia já devem ter percebido isso.
Truques da Paquera é um filme que há um bom tempo não é exibido no cinema, mas é, certamente, uma boa lembrança incluí-lo nesta programação. A história é sobre um rapaz bonzinho e trabalhador, mas que sofre demais sem merecer. Sua vida é uma chatice. Ele mora com um cara grosso que não o respeita e sua carreira como compositor de peças musicais não está decolando. Ainda bem que ele tem pelo menos uma amiga, uma jovem e excêntrica atriz de talento duvidoso, mas que sempre lhe dá a maior força. Como alguma coisa tinha que acontecer um dia, certa noite o garoto resolve ir tomar umas biritas numa boate e, mesmo tímido, encara um flerte com um go-go boy gostosão. É quando ele percebe que a vida vai muito além daquele mundinho no qual ele está acostumado a se encolher, fazendo papel de coitado. O que acontece depois da balada só mesmo vendo o filme. O ator principal, Christian Campbell, é irmão da atriz Neve Campbell, e quem interpreta a melhor amiga é Tori Spelling, que ficou famosa como a Donna de Barrados no Baile.
O filme-surpresa é um misto de coisas boas e ruins que uma relação pode ter: sexo, romance, fantasia, desconfiança e traição. Vale destacar a beleza do trio principal. Os olhos agradecem!
Por mais que os seis filmes sejam tentadores, ao comprar o ingresso o espectador deve saber que só é possível assistir a três deles, e então fazer as suas opções.
Para completar a diversão, nos intervalos entre os filmes todos os espectadores participam de sorteios de brindes: convites exclusivos do Belas Artes, camisetas e filmes em DVD, entre outros mimos.
Após o final da última sessão, por volta das seis da manhã do sábado, o cinema oferece um café da manhã para todos os "sobreviventes" da maratona.

BRILHO DE UMA PAIXÃO
(Bright Star)
Reino Unido/Austrália/França, 2009, cor, 119 min., 14 anos.
Direção: Jane Campion
Elenco: Abbie Cornish, Ben Whishaw e Thomas Sangster.

Em Londres, no ano de 1818, o poeta John Keats, aos 23 anos, inicia um romance secreto com sua bela vizinha Fanny Brawne, uma estudante de moda. Mas, o relacionamento dura apenas três anos, sendo subitamente interrompido por uma tragédia. Uma história de amor real, narrada sob o ponto de vista da jovem Fanny. Filme dirigido por Jane Campion, a mesma de O Piano.

A JOVEM RAINHA VITÓRIA
(The Young Victoria)
Inglaterra/EUA, 2009, cor, 105 min., 10 anos.
Direção: Jean-Marc Vallée
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend e Paul Bettany.

Os primeiros e turbulentos anos do domínio da Rainha Victoria - o mais longo do Reino Unido e que entrou para a história como a Era Vitoriana - e seu eterno romance com o Príncipe Albert. A história, iniciada em 1837, acompanha Victoria desde os seus 17 anos, quando o seu tio, o Rei Guilherme IV, está para morrer e ela é a herdeira do trono. Este filme, produzido por Martin Scorsese e dirigido pelo mesmo realizador de C. R. A. Z.Y, ganhou o Oscar de melhor figurino.

CORAÇÕES LIVRES
(Open Hearts/Elsker Dig for Evigt)
Dinamarca, 2002, cor, 113 min., 14 anos.
Direção: Suzanne Bier
Elenco: Nikolai Lie Kaas, Sonja Richter e Mads Mikkelsen.

Um casal às vésperas do casamento é surpreendido por um atropelamento que deixa o noivo imobilizado no hospital e condenado a ficar paralítico. As juras de amor de antes são substituídas pela agressividade do rapaz que agora incentiva a sua noiva a deixá-lo e seguir sua própria vida. Arrasada e carente ela acaba se apaixonando pelo médico que os atende, casado com a mulher que causou o acidente.

AMIGAS DE COLÉGIO
(Fucking Amäl)
Suécia, 1999, cor, 89 min., 14 anos.
Direção: Lukas Moodysson
Elenco: Alexandra Dahlström, Rebecka Liljeberg e Mathias Rust.

A história de duas adolescentes muito diferentes entre si e que se descobrem apaixonadas uma pela outra, mas não sabem como assumir a relação em meio às demais garotas do colégio onde estudam, na pacata cidade de Amal, interior da Suécia.

TRUQUES DA PAQUERA
(Trick)
EUA, 1999, cor, 90 min, 14 anos.
Direção: Jim Fall
Elenco: Christian Campbell, Jean Paul Pitoc e Tori Spelling.

A vida de Gabriel está pra lá de sem graça. O rapaz não tem nem mais inspiração para seguir em sua carreira, a de compositor de trilhas para o teatro. Para piorar, divide um minúsculo apartamento com um amigo heterossexual que sempre que leva alguém para transar o deixa do lado de fora. Ele tem como única amiga uma jovem atriz canastrona que o apóia em tudo o que faz. Mas numa noite, quando Gabriel decide afogar as mágoas numa boate, acaba conhecendo um atraente go-go boy. Estimulados pelos drinks e pela música alta, os dois embarcam numa gostosa jornada repleta de descobertas e surpresas.