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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Little Princess

Faz pouco tempo, eu descobri um outro livro de Frances Hodgson Burnett, A Little Princess. Ela é a mesma autora do livro The Secret Garden do qual eu já tive o prazer de falar a respeito aqui. Fiquei superfeliz de descobrir que eu poderia novamente adentrar nesse universo sofisticado de uma infância mágica e delicada, que a autora traz à tona, quando os bons sentimentos são exercitados com todo o frescor e vigor de uma vida quintessenciada: mais espiritualizada, portanto.

Pois bem, comprei pela internet essa versão do romance (graças a uma dica de um amigo do facebook, aliás, dois amigos sofisticados que tenho por ali conheciam a obra e fizeram coro comigo de que ela merecia ser lida!) Tal versão, na verdade, é uma adaptação assinada por Eliza Warren. Não achei, portanto, a versão originalíssima. Mas, creio que tal adaptação foi feita para aproximar essa história da linguagem das crianças de nossos dias, posto que a autora escrevia entre o final do XIX e começo do XX. A ver.

Pois saibam que eu passei um pouco de vergonha com esse livro nas mãos, durante as viagens que faço do trabalho para casa, de metrô e de trem. É que ele é tão emocionante que a gente não se furta a derramar lágrimas.

Vejam vocês se eu não tenho razão!

Trouxe abaixo um excerto de uma passagem memorável do romance. Ah, é sempre bom lembrar que a vida pode mesmo apresentar tais circunstâncias e, sim, devemos então aprender, com tais percalços, a arte de bem viver, fazendo o bem sempre! Essa é a principal lição de Mrs Burnett, of course!


As he looked across the street, he saw Sara standing on the wet pavement looking at him wistfully. He thought her eyes looked hungry because she had had nothing to eat for a long time. What Sara was really hungry for was the happy home life Guy Clarence enjoyed with his family.

However, Guy Clarence knew only that this poor girl had big eyes, a thin face and legs, and shabby clothes. So Guy put his hand in his pocket and walked right up to her.

“Here, poor little girl,” he Said. “Here is a sixpence. I would like give it to you.”

All at once Sara realized how long it had been since her father had died and Miss Minghin had banished her to the attic. She realized that she now looked exactly like the poor children she used to see in the London streets, straining for a glimpse of her, as she got into her own fancy carriage. Her face turned red and then pale. For a second she felt as if she could not accept the coin.

“Oh no!” she said. “Oh, no, thank you. I couldn’t take that.”

Her voice was so unlike that of an ordinary street child and her manner so like that of a well brought-up girl that Veronica Eustacia (whose real name was Janet) and Rosalind Gladys (who was really called Nora) leaned forward in the carriage to listen.

Guy Clarence would not take no for an aswer. Immediately, He shoved the sixpence into Sara’s hand. “Yes, you must take it,” He insisted. “You can buy a lot to eat with this. It’s a whole sixpence.”

“Thank you,” she said.  “You are very kind.”

As he scrambled happily back into his carriage, Sara went on her way, trying to smile, although she felt tears welling in her eyes. She had thought she might look Odd and disheveled, but she’s lost track of how long she’d been living up in the attic of Miss Minchin’s. Until now she hadn’t realized that she’d come to look like a beggar.

[Quando o olhar dele cruzou a rua, viu Sara em pé na calçada molhada, olhando-o melancolicamente. Ele achou que seus olhos pareciam famintos, porque ela não comia há muito. Sara, no entanto, estava realmente faminta era daquela vida feliz em um lar e que Guy Clarence desfrutava com sua família.
No entanto, Guy Clarence apenas sabia que esta pobre menina tinha olhos grandes, um rosto fino, assim como suas pernas, e roupas surradas. Então, Guy colocou a mão no bolso e caminhou até ela.

"Aqui, pobre menina," disse ele. “tenho seis tostões e quero dá-los a você.”

De repente, Sara compreendeu quão longo tempo se passara desde que seu pai tinha falecido e a senhorita Minghin a tinha banido para o sotão. Esforçando-se por vislumbrar a si, transportando-se como se vestisse uma fantasia de si mesma, ela percebeu que agora se parecia exatamente como as crianças pobres que ela costumava ver nas ruas de Londres, e que buscavam vislumbrá-la enquanto ela tomava sua própria sofisticada carruagem. Seu rosto ficou vermelho e depois pálido. Por um segundo, ela sentiu como se não pudesse aceitar a moeda.

"Oh, não!" disse. "Oh, não, obrigada. Eu não poderia aceitar."

Sua voz era tão diferente daquela comum a uma criança de rua e seu jeito tão parecido com o de uma menina bem nascida que Verônica Eustácia (cujo nome verdadeiro era Janet) e Rosalind Gladys (que na verdade era chamada de Nora) a fim de ouvi-la se inclinaram para a frente no carro.

Guy Clarence não aceitaria um não como resposta. Imediatamente, ele empurrou a moeda na mão de Sara. "Sim, você deve aceitar", insistiu. "Você pode comprar um monte de comida com isso. São seis tostões!"

“Obrigada,” disse ela. “Você é muito gentil.”

Assim como ele ao voltar para a carruagem, Sara seguiu seu caminho mexida, tentando sorrir, embora sentisse as lágrimas brotando em seus olhos. Ela achava que pudesse parecer estranha, despenteada, mas perdera a noção de quanto tempo já vivia no sótão da senhorita Minghin. Até então, não tinha percebido que pudesse ser vista como uma mendiga.]

Liesel Matthews is Sara Crewe in A Little Princess (1995)
directed by Alfonso Cuarón




sexta-feira, 29 de junho de 2012

Segredos de infância




Como sabem, eu estou lendo The Secret Garden by Frances Hodgson Burnett. E estou encantado com o livro e, claro, muito emocionado. Pois há passagens que são verdadeiras pérolas de espontaneidade infantil.

Lendo uma delas mergulhei tão fundo no sentido da descoberta ali expressa que, então, cheguei a pensar que sempre que me vejo muito empolgado, com literatura infantil ou com o universo da criança, sinto-me um pouco envergonhado com esse tipo de emoção que sinto, ou seja, por meio dessa identificação com a pureza expontânea que há na infância.

Explico-me melhor: o que primeiro me vem à mente é que tendo a achar que eu não deveria me emocionar tanto assim ou ser o alvo de uma identificação tão plena com essa mimesis da infância, na literatura ou na arte, e isso devido ao simples fato de que sou um adulto.

Por outro lado, tal vergonha logo passa, quando noto que há tanta coisa mais vergonhosa nas atitudes de um adulto, nas minhas próprias atitudes (ainda hoje e que são muito mais concretas!) do que a mera identificação com o que de puro e infantil sobrevive em mim e que, convenhamos, apenas comunga com um certo exagero de expressão. kkkkk

Sobretudo, quando a infância está em júbilo como nesta "cena" de O Jardim Secreto. Nela, as crianças veem a primavera chegar pela primeira vez.
Pois então, sim, Mary Lennox e Colin Craven, podemos ouvir com agradável surpresa soarem os trompetes dourados. Abram as janelas!

'It's so beautiful!' she said, a little breathless with her speed. 'You never saw anything so beautiful! It has come! I thought it had come that other morning, but it was only coming. It is here now! It has come, the Spring! Dickon says so!'
'Has it?' cried Colin, and thought he really knew nothing about it he felt his heart beat. He actually sat up in bed.
'Open the window!' He added, laughing half with joyful excitement and half at his own fancy. 'Perhaps we may hear golden trumpets!'






quinta-feira, 31 de maio de 2012

The Secret Garden by Frances Hodgson Burnett

O tema da infância no abandono tem sido recorrente para mim nos últimos tempos.

Por exemplo, eu pude ver e escrever a respeito do filme Adorável Pivellina e foi tocante conhecer a personagem que encontrou uma pobre menina de 2 anos abandonada em um balanço de playground e vê-la sendo obrigada a fazer companhia e distrair uma criança perdida, portanto, a imagem mais flagrante da inocência, quando aguardam, ambas, por um longo tempo, uma mãe que não aparece.

E hoje eu estava nessa livraria e vi um exemplar muito charmoso de um livro que é um clássico da literatura infantil inglesa: The Secret Garden, de Frances Hodgson Burnett.

Eu não leio em língua inglesa mais amiúde como gostaria, embora consiga fazê-lo bastante bem, sem precisar recorrer ao dicionário a cada palavra desconhecida do meu vocabulário individual naquela língua. Contudo, nunca é tão fácil ler em outro idioma, e, ainda assim, quando comecei a ler esse livro não consegui parar, pois é também essa, como foi assistir aquele filme, uma experiência adorável.

Já li dois capítulos do livro e foi igualmente comovente ver a protagonista, Mary Lennox, uma garotinha de apenas 9 anos de idade e que, no começo da história, vive na Índia, ela também abandonada pelos pais, mesmo que ainda morando com os mesmos! É que ambos mal conversam com ela e a deixam todo o tempo aos cuidados de uma aia. Assistimos ainda, logo nesse começo da história, todos os adultos da casa morrerem de cólera, quando, então, ela é encontrada sozinha no bangalô.

Eu não cheguei, portanto, a conhecer o tal jardim do título da obra, mas já sei que será um jardim de maravilhas, como costuma ser o que é do plano redentor de todo sofrimento. ;-)

De qualquer modo, importa aqui registrar essa minha solidariedade em relação ao abandono de um modo geral, que é realmente uma das realidades mais tristes na infância, para não falarmos na realidade ainda mais triste do abandono de pais na velhice (na verdade, não dá para pensar no que seja pior entre ambas circunstâncias). Essa última, entretanto, é mais comum do que imaginamos... São nesses dois extremos da vida, quando as pessoas mais precisariam de cuidados, que, muitas vezes, elas são abandonadas.

Tais expressões dessa dolorosa realidade humana, quando desenvolvidas em obras de arte, podem até nos chocar, mas ao mesmo tempo nesse contexto nos consolam, porque ali já há a elaboração da experiência em um grau superior e que nos permite imaginar uma saída mais honrosa para tanta tristeza. Pois, então, ela geralmente se revela pela solidariedade dos justos: o que nem sempre encontramos na vida real, lamentavelmente.

Que esses modelos exemplares, idealizados na arte, possam nutrir mais esperança para o nosso plano comum, a saber: o da realidade cotidiana. Oxalá!