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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Amanda McCavour

Amanda McCavour é uma artista canadense que utiliza a máquina de costura no seu trabalho.

O mais interessante é que ela cria seus desenhos e instalações usando como base um tecido que se dissolve na água. Então, ela costura com fios repetidamente sobre esse tecido até que se forme a imagem desejada, por justaposição desse entretecido de fios. Após a dissolução do tecido, resta apenas a estrutura do emaranhado de fios, o que nos dá um efeito de algo efêmero ou prestes a se dissolver, mas que na realidade já é sólido o bastante enquanto estrutura aparente.

Ela diz estar interessada justamente nessa vulnerabilidade dos fios, e em sua capacidade de desvendar o aparente, bem como na força do entretecido na costura. Portanto, nessa conexão entre processos e materiais e do modo como isso se relaciona com imagens e espaços.

Assim, traçando ações e ambientes, através de um processo de repetição, tradução e dissolução, a artista espera marcar o movimento da ausência, em um processo de retomada, de rastreamento, preservando a memória do que se foi ou do que lentamente se desintegra.








terça-feira, 25 de outubro de 2011

Era uma casa cheia de sons


Josafá Crisóstomo ouve no Banheiro
 Eu queria tanto ter escrito aqui antes about essa experiência. Mas só deu para escrever agora!
Há duas semanas fui visitar a instalação da artista Renata Roman, Memória da Casa – Instalação Sonora.

Trata-se de uma casa vazia. No entanto, ocupada por paisagens sonoras.

Ao chegarmos, a artista nos recebe como em sua casa, ela apenas nos faz este pedido: Enquanto estiverem em um dos cômodos mantenham as portas fechadas e apenas ouçam.

Trata-se de um exercício de educação do ouvido de fato. Quando entramos, por exemplo, na sala vazia, vindo de uma pequena caixa de som, instalada em uma simples tomada na parede, ouvimos o ecoar de sons característicos de uma sala habitada. Por exemplo, o som de um piano que toca ou um telefone...

Há uma sequência que podemos ouvir até ela se reiniciar, quando passamos para outro cômodo -  como em uma narrativa - e vamos percebendo tal sequência de sons como se ela ocorrera em uma casa habitada, cujo memorial, então, se descortina.

Aliás, esse foi o conceito de que partiu a artista: Em cada cômodo, narrativas sonoras específicas indicam a vida transcorrendo como outrora. Algo que um dia ali esteve, ali retorna. A realidade tenta se reconstruir através de seus cotidianos que remetem ao tempo em que o espaço foi ocupado.

Quando falei sobre essa experiência para uma amiga ela me perguntou: Mas a “memória” é a dessa casa, a qual a instalação ocupa? São os sons que ocorriam ali mesmo, quando ela era habitada?

Eu respondi que não é o caso, pois trata-se, na verdade, de uma memória arquetípica. A casa física apenas empresta o espaço, o abrigo, bem como essa sugestão dos nomes/espaços das partes de uma casa: sala, cozinha, quarto e banheiro... Afinal, toda casa possui essa toponímia.

O que o trabalho de Renata faz é preencher a casa com os possíveis sons comuns de serem encontrados em cada um desses espaços que a constituem, portanto, sons possíveis ali, o que estou chamando de sons arquetípicos, ou seja, para que se construa em nós a memória afetiva que temos de todos eles, afinal, eles ocorrem nos espaços que de um modo ou de outro já ocupamos em uma casa, seja na nossa própria vida, seja naquela que sonhamos.É essa paisagem sonora também onírica que se funde, portanto, com as sequências de narrativas sonoras dessa memória da casa de Renata Roman.

Por exemplo, quando entrei no quarto ouvi sons de uma intimidade muito reveladora da natureza humana, ouvi até uma canção de ninar... E, afinal, quem não tem essa memória afetiva de sons tão característicos do abrigo humano e, portanto, prenhes de significação?


Paula Cunha ouvindo
a memória da cozinha
 Assim, todos nós somos solicitados a recordar, nessa casa, que o abrigo humano abriga tesouros incalculáveis, os quais na fluidez dos dias se perdem... nas ondas do ar.

Obrigado Renata Roman por conter essa riqueza nessa casa, e que tão gentilmente você nos convidou a adentrar para nela nos reconhecer!

Quer experimentar essa sensação sem igual? Visite a instalação sonora Memória da Casa, nessa última semana do evento:
Sexta-feira (28/10), sábado (29/10) e domingo(30/10)
das 14h às 18h
Rua Imbó, 293 – Água Rasa – São Paulo- SP
Mais informações: http://www.amemoriadacasa.blogspot.com/


quarta-feira, 4 de maio de 2011

As flores de metal não morrem

Em 2010, o artista Michael Kalish  apresentou uma exposição muito bem sucedida, na Califórnia, cujo tema era a Rosa.
A Rosa aparecia retratada de um modo totalmente inusitado, fosse uma rosa isolada no centro de um quadro ou mesmo um conjunto, em buquês, todas elas foram feitas com o metal das carrocerias de automóveis resgatados de ferros-velhos.
Eu achei um trabalho sui generis, porque ele desconstrói a utilidade do carro. Os carros que, em geral, são como cápsulas protetoras, mas também uma extensão de seus motoristas/proprietários, de repente, tornam-se matéria-prima para retratar um objeto singelo e delicado como a flor!
Esse trabalho entra na categoria Power Flower, que eu tanto curto!
Além disso, há um olhar para o cotidiano das pessoas e que, ao ver esse mesmo cotidiano, o transcende.
Tive a oportunidade de ler uma entrevista [infelizmente, não me lembro onde] em que Kalish conta que desde cedo conviveu com artistas, sua mãe entre eles. Ele também nos diz que sempre se interessou por arte. No entanto, como é daltônico, não podia ser pintor, daí sua pesquisa por novas matérias-primas com as quais trabalhar e, assim, revelar sua expressão, o que faz com que ele se concentre, sobretudo, no campo da escultura.
Lá no seu site, você irá encontrar outros trabalhos e que se comunicam diretamente com a Pop Art de um Warhol. Ele vem expondo em vários galerias dos EUA, mas também na Inglaterra, Suécia e, atualmente, está acontecendo uma exposição sua em Genebra, Suíça.

Além disso, um trabalho em que ele colaborou com a Oyler Wu Collaborative foi apresentado, recentemente, e se concentra em torno do personalidade de Muhammad Ali, ou seja, uma homenagem ao pugilista. Sem dúvida, uma instalação impactante por conta dos 1.300 sacos de boxe que, somente quando vistos de um ponto de vista único, formam uma imagem pixelizada do rosto de Muhammad Ali. Essa instalação você pode conferir no vídeo abaixo e sobre ela você obterá mais informações no site ReALIze.















sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Lágrimas de São Pedro


...é como se tivéssemos o poder de pausar a chuva, uma chuva de gotas grandes,
limpas, transparentes, leves, para com isso podermos contemplar sua beleza,
seu poder, seu símbolo, sua necessidade.

No catálogo da exposição dessa instalação, lemos o depoimento acima e somos informados que Vinicius S.A. é um artista jovem, nascido em 1983, e que é soteropolitano: ele nasceu em Salvador, capital do estado da Bahia.
O artista tem uma carreira de prestígio na sua terra natal, desde que ingressou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, pois, apenas um ano depois do seu ingresso na universidade, sua primeira exposição foi essa instalação Lágrimas de São Pedro – acalento ao sertão nordestino, que lhe valeu uma menção especial do Salão Regional de Artes Visuais da Bahia, em Feira de Santana. Desde então, essa instalação já ocorreu em Salvador, Brasília, Curitiba e, agora, chega a São Paulo.


No mesmo catálogo, também somos informados que tal projeto é uma reminiscência do sertão nordestino, origem de sua mãe, que nasceu na Chapada Diamantina. O artista entende que o morador da zona rural nordestina tem uma relação sagrada com a chuva, o que, evidentemente, todos nós podemos compreender.
Desde criança, Vinicius estava acostumado a construir objetos para recreação, utilizando-se de descartes de empreendimentos de construções mobiliárias num bairro em expansão de Salvador, onde fora viver na companhia do pai. E, então, temos nessa instalação essa síntese belíssima, em que lâmpadas descartadas, “queimadas”, são reaproveitadas e transformam-se nas gotas da chuva que se estende do alto do vão octogonal do Mezanino da Galeria da Caixa Cultural São Paulo, até próxima ao chão.
Sempre admirei esses artistas que conseguem na simplicidade de um árduo trabalho nos proporcionar uma síntese poética do seu modo de entender os milagres do mundo!

Não perca. A exposição fica em cartaz até o dia 20 de fevereiro do próximo ano.
A Caixa Cultural São Paulo fica na Praça da Sé, 111.

terça-feira, 9 de março de 2010

Tem gente que é assim: pura luz na noite

Essa descoberta devemos ao Leonardo Pastor do blog Visceras Literárias. Ele falou-nos de uma intervenção artística e urbana que aconteceu em New York, organizada pelo coletivo de arte anônimo Luzinterruptus que leva a cabo instalações em espaços públicos e usam a luz como matéria-prima e a noite como tela.

Leonardo ressaltou esse trabalho com livros e luz em uma das ruas da big apple, a que chamaram Literatura versus Tráfego. Mas eles já passaram, iluminando, em outros lugares:




Visitando o site dos caras (estou falando no masculino, mas nem sei se há alguma mulher no grupo: eles são anônimos...), descobri que o Luzinterruptus é um coletivo cujo time é composto de três membros e eles vêm de diferentes formações como arte, iluminação e fotografia. Dizem que querem empregar a criatividade que possuem em uma ação comum, deixando luzes como um protesto, para que, então, as outras pessoas apaguem-nas.

Eles também dizem que o nome deles tem muito a ver com o método do trabalho que empregam, uma vez que "Luzinterruptus" significa Luz interrompida: que é o que acontece com as lâmpadas instaladas, logo após elas terem sido deixadas nas ruas.


Essa intervenção aconteceu nos arredores de Madri. A idéia era levar os barquinhos de luz ao mar, via linha férrea.
Chiquíssimos! \o/

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Mai Fujimoto

Sabe quando você está muito muito cansado, com sono e desejando paz e silêncio? Eu estou assim, agora mesmo. As demandas físicas a que me referi são insistentes, mas terão de permanecer ainda por algumas horas sem serem saciadas, portanto, a paz e o silêncio do meu quarto devo encontrar somente mais tarde. Ossos do ofício, of course. Não estou triste e nem aborrecido com esse dia trabalhoso que acabei por ter, é tão somente fadiga. Diga-se de passagem que nesse estado, quase de letargia, não poderia  postar nada que pedisse muita reflexão, ou raciocínio. Assim, fui em busca de algo suave para compartilhar com todos que visitam esse sítio.
Vejam que surpresa boa: estou encantado com essas imagens que encontrei no artreview  Essa artista conquistou-me com seu trabalho. Pode haver algo mais suave e pleno de significado? Trata-se de Mai Fujimoto, ela é uma artista de Santo André - SP. É possivel notar nessas imagens um evidente acento oriental. No entanto, mais do que isso, percebo que se trata de um trabalho que, verdadeiramente, intriga por sua simplicidade e seu aspecto contemplativo... Creio que se trata de algo que tão somente se alcança a partir de um refinamento interior, ou seja, algo que não poderia ser alcançado por  qualquer um, não é mesmo?


Sinto-me mais descansado e em paz, sem dúvida.