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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mademoiselle Maurice

Ontem, por um acaso, eu encontrei esse trabalho de Mademoiselle Maurice na web, assistindo a esse vídeo em que ela vai colando seus origamis em uma parede ao pé da escadaria que sobe para a Basílica de Sacré Coeur, em Paris. Aqui, suas dobraduras vão formando um triângulo que surge no meio de uma espécie de arco-íris feito de papéis nas cores características.
A partir do contato com essa demonstração de criatividade, fiquei pensando nessa delicadeza necessária ao se fazer Origami, portanto, de se ir dobrando pacientemente cada pedacinho de papel até alcançar a forma que se pretenda: um flor, um pássaro, em diferentes tamanhos.
E no caso de Maurice, depois, pregá-los onde ela queira, seja em uma rua de Paris ou de Hong Kong. Ela, então, com seu trabalho persistente, forma o painel que projetou: sempre na rua para qualquer um poder admirar e, diante desse generoso presente, também refletir.
Evidentemente, tal trabalho chama a atenção por sua beleza, pelo tamanho da figura na parede ou muro, pela delicadeza de ela ser formada por tantas dobraduras e contendo as cores do arco-íris. Tais cores remetem, necessariamente, a tantas causas do bem, não é mesmo? Por exemplo, desde as ações do greenpeace à bandeira dos movimentos da galera GLBT etc.
Há ainda uma bonita convicção na proposta de Maurice: seu rigor em relação ao que é da ordem do efêmero. Trata-se de papel, portanto, de um material que se desmancha e sem degradar o meio em que foi instalado.

Se você visitar o site de Mademoiselle Maurice verá que ela trabalha também em outras frentes como a da fotografia. 
Estátua de Sadako Sasaki

Por lá é que fiquei sabendo do conceito por trás de suas instalações utilizando o Origami e que se espalham pelas ruas. 
Ela conta que morou no japão, onde conheceu e aprendeu a técnica. Na verdade, o projeto nasceu quando ela decidiu participar de uma homenagem para Sadako Sasaki.


Sadako foi uma garotinha que viveu o horror da bomba de Hiroshima em suas trágicas consequências. Alguns anos depois, ela começou a ficar doente por conta do evento atômico de 1945. Então uma amiga foi visitá-la levando um Guindaste em Origami e lhe contou sobre a lenda japonesa dos mil Guindastes: de que uma pessoa, para obter um desejo impossível, deveria dobrar 1000 Guindastes de papel.
Guindastes são pássaros grandes com pernas e pescoços longos, que pertencem à ordem dos Gruiformes, família Gruidae. São conhecidos por sua beleza e espetacular dança de acasalamento. Na mitologia japonesa,  o Guindaste (ou "Tancho") é um animal místico ou santo (assim como o dragão e a tartaruga). Para o japonês, ele é "o pássaro da felicidade" ou "Honorável Senhor Crane". Ver dois guindastes juntos é sinônimo de boa sorte. Além disso, acredita-se que uma grua pode viver mil anos.








Evidentemente, o desejo  de Sadako era o de ser curada de sua doença. Mas, ela morreu, aos doze anos de idade, depois de dobrar apenas 644 Guindastes.
A morte de Sadako Sasaki causou profunda comoção e crianças de todo o Japão e do mundo enviaram para Hiroshima, suas Gruas de papel, em memória da garotinha. Um memorial foi criado para ela e nele se mantém a mensagem: Este é o nosso grito, esta é a nossa oração: Paz na Terra.
Mademoiselle Maurice morou no japão em 2011, época do fatídico tsunami, que, além de tudo, desdobrou-se em suas consequências nucleares. Foi também por essa razão que ela decidiu iniciar seu projeto em torno do Origami, o qual dedica ao povo japonês e a todas as vítimas de catástrofes nucleares.










segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Knitta Please

Magda Sayeg é fundadora da Knitta Please, uma ação que começou tomando o mundo com a arte do tricô: fora de casa e nas ruas. A simples justaposição desse material, tecido e inserido dentro de um ambiente urbano, terminou por inspirar uma nova geração de tricoteiras, que trabalham tendo em vista não mais um único propósito para o tricô. Trata-se de uma nova abordagem para a confecção de malhas, para além dos pressupostos de uma tradição. Além disso, ela adiciona uma nova leitura para um material que não fora utilizado anteriormente no mundo da arte de rua.
No seu site ficamos sabendo que, quando Magda Sayeg começou a Knitta Please, em 2005, essa era o que seria sua resposta ao processo de desumanização do ambiente urbano. Ao inserir a arte feita à mão em uma paisagem de concreto e aço, por exemplo, ela adiciona uma qualidade humana que raramente existiria ali, de outro modo. Lá no seu site, ela nos sugere que Knitta Please representa uma energia presente, vinda do tricô e mais amplamente da tecelagem, e ainda dando um aceno para a poderosa história dessa arte. Seu trabalho tem sido reconhecido por ser influente tanto para a arte de rua, como para o artesanato de tricô.

Magda Sayeg vive em Austin, Texas.

Além do site oficial, o blog da garota é uma delícia de visitar. Eu trouxe para cá imagens de ambos. Mas não deixe de conhecê-los.
Eu penso que é uma contribuição ao mundo muito delicada, sobretudo por que envolve (literalmente) os objetos desse mundo não apenas com a lã e a linha mas também com carinho, tecendo, assim, aquilo que podemos chamar de talento, beleza, simplicidade, paciência e amor: todas as qualidades e sentimentos humanos de que carecemos. ;-)






sexta-feira, 2 de julho de 2010

Nina Pandolfo

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Hoje, a partir das 19h, será a abertura, na Galeria Leme, da exposição Desafiando Sonhos (muito sugestivo o nome, não é mesmo?) da artista plástica Nina Pandolfo. Nina é uma grafiteira, como tantos outros que admiro. Aqui ela retoma o trabalho com pincéis, mas também utiliza o spray.
No release que recebi, comentam que a artista amadureceu, e um sinal desse amadurecimento seria o fato de que o entorno entre as figuras não remetem mais ao universo infantil, tão intensamente, como no passado. Nessas imagens a gente até percebe que isso aconteceu, mas vale para elas o mesmo que vale para nós outros, todos: a criança continua dentro. ;-D
Fiquei curioso para conhecer uma instalação que também integra o conjunto da exposição. Nela teremos um quadro elíptico que, justamente por sua forma, teve que ser realizado em ferro e que apresenta camadas de pintura, feitas em vidro, e que são sobrepostas e, dentro, graças à ação de motores, plumas voam entre as imagens. Já posso imaginar a sensação que isso deve nos dar! \o/. Não lhes parece que tudo isso é de muito bom gosto?
Para quem não conhece a artista é importante saber que ela tem muito prestígio (e merecido).
Nina Pandolfo participou de diversas exposições nacionais e internacionais, entre elas: Life´s Flavour, Carmichael Gallery of Contemporary Art, Los Angeles, EUA (2010); Re-Criation II, Ogilvy & Mather New York, EUA (2010); Graffiti Gone Global, Miami Beach, EUA (2009); Between Us, Gallery Maskara, Mumbai, Índia (2008); The graffiti Project - pintura da fachada do Castelo de Kelburn, Glasgow, Escócia (2007), entre outras.

Nina Pandolfo nasceu em Tupã, São Paulo, em 1977. Atualmente, vive e trabalha em São Paulo.

Abertura: 1º de julho – 19h
Até 7 de agosto 2010

Rua Agostinho Cantu, 88
São Paulo - Brasil
Seg - Sex 10 - 19h
Sab 10 - 17h
Tel.: 11 3814.8184
info@galerialeme.com
http://www.galerialeme.com/

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Keith Haring Selected Works

Eu recebi uma informação preciosa essa manhã by e-mail. Teremos uma exposição de Keith Haring, com trabalhos inéditos no Brasil, e que marca os 20 anos da morte do artista.
Eu sou fã confesso de Keith Haring e admiro imensamente toda a sua trajetória. Estou tão emocionado em saber da exposição que nem posso dizer mais nada! ;-o
Assim sendo, para os fãs absolutos de Haring, como eu, a excelente notícia:
A partir de 31 de julho teremos a exposição KEITH HARING - Selected Works, com 94 obras de Keith Haring (1958-1990) nunca vistas no Brasil. Sua obra, que até os nossos dias influencia a arte urbana, ficará em cartaz até 5 de setembro, na Caixa Cultural São Paulo. Depois, seguirá para o Rio de Janeiro, de 28 de setembro a 14 de novembro, na Caixa Cultural Rio de Janeiro.

Selected Works revelará a obra do artista ícone da cultura underground da Nova Iorque dos anos 80 por meio de: 55 serigrafias, 9 gravuras, 29 litografias e 1 xilogravura.
A exposição percorrerá dois estados e tem curadoria da americana Sharon Battat, responsável por projetos relacionados à arte, moda e publicidade. Ela nos diz que foram selecionados trabalhos do Keith Haring que nunca foram vistos por aqui e que ele tinha uma estreita ligação com o Brasil. Além disso, serão expostos artigos pessoais como seu passaporte, skates desenvolvidos por ele, fotos e vídeos pessoais de Haring no Brasil e até seus pares de tênis. ;-D 
Haring participou da Bienal de São Paulo de 1983, mas também esteve no Brasil em outras ocasiões. Ele costumava frequentar a casa de um amigo em Ilhéus (BA), o também artista Kenny Scharf.. Durante a exposição serão exibidos dois documentários: The Universe of Keith Haring (direção de Chistina Clausen) e Drawing the line (direção de Elisabeth Aubert).
Segundo a assessoria de imprensa, há chance de a exposição chegar a outras cidades, principalmente em Salvador. Na capital baiana existem, aliás, dois raros painéis de Haring. Um deles deverá ser restaurado, de acordo com um programa da própria exposição.
A produtora do evento, a Litmedia Productions também busca parceiros para viabilizar uma série de workshops de pinturas e desenhos para crianças, com artistas locais e amigos de Keith, como Kenny Scharf, assim como palestrantes convidados.
Haring era um artista que tinha uma grande atuação em prol dos direitos civis, de hospitais, creches e orfanatos. Sua natural propensão à caridade fez com que ele elaborasse muitos murais públicos voltados a essas causas. Em 1989, Haring foi diagnosticado com HIV e, no ano seguinte, fundou a Keith Haring Foundation, para apoiar campanhas de prevenção do HIV e programas infantis. Os responsáveis pela exposição estarão também organizando programas educacionais sobre prevenção do HIV, em parceria com a ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e APTA (Associação para Prevenção e Tratamento da Aids), além de outras instituições.

Caixa Cultural São Paulo: 31 de Julho a 5 de setembro
Condomínio Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2.073, São Paulo – SP
Telefone: (11) 3321-4400
Horário: Terça-feira a sábado, das 9h às 21h/domingo das 10h às 21h
Censura: Livre
Grátis \o/

terça-feira, 27 de abril de 2010

Um fotógrafo que também curte grafite




Eu gosto de street art, gosto de grafite. E isso já é paixão antiga. Desde a minha adolescência eu ficava siderado quando vinha ao centro da cidade, ou na região da Paulista, e via os grafites do artista plástico Alex Vallauri e, tempos depois, do Maurício Villaça.











Além de mim, Graças!, tem muito mais gente que gosta desse tipo de manifestação. Um exemplo de aficionado por grafite, e que acabo de descobrir, é o  carioca que vive em NY, o jovem fotógrafo Gabriel Mendes, idealizador do projeto Urban Puns. Ele produz uma série de imagens sui generis, nos cenários da street art,em várias cidades. Sua ideia foi a de fotografar desconhecidos, transeuntes, mas cujo resultado revela uma simbiose entre as pessoas e os murais de grafite clicados.

Trouxe para cá as imagens que mais apreciei, mas lá no seu site tem muito mais.




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 10 de março de 2010

Uma Galeria Gentil com o povo do Saara, no Rio de Janeiro

É uma surpresa boa visitar o site de A Gentil Carioca. Foi o que fiz ontem. Ali, descobri um projeto que considerei muito apropriado para uma galeria de arte e ainda mais quando ela se localiza em um dos bairros mais populares do Rio de Janeiro, ou seja, a região denominada Saara, na Praça Tiradentes, Centro do Rio. O projeto, propriamente, é o Parede Gentil. De tempos em tempos, eles convidam os artistas que expõem na galeria para criar uma obra que tome a parede do lado de fora, na rua. No site, eles não dizem qual projeto está sendo pensado para agora, mas esse foi o mais recente e ficou até o final do último janeiro:


Em "Se essa rua fosse minha", Carla Zaccagnini compilou os nomes de ruas dos arredores e eles foram reunidos em toda a extensão da parede, algumas sílabas desses nomes são ressaltadas, sugerindo novos nomes e que nascem a partir do nome próprio da rua. Assim, a Rua Luiz de Camões pode sugerir a palavra Razões, por exemplo.  

Os responsáveis pela galeria, os artistas Laura Lima, Márcio Botner e Ernesto Neto dizem, no site, que a GENTIL já nasceu misturada para captar e difundir a diversidade da arte no Brasil e no mundo. Crê que cada obra de arte é um cadinho cultural com potência de irradiar cultura e educação. Assim como pensar, fazer, documentar e transformar a história, a GENTIL é um lugar para revitalizar contextos, sejam artísticos ou políticos. Seu endereço fixo toma lugar de concentração e irradiação da voz de diferentes artistas e idéias. A GENTIL também preconiza a ampliação do campo de ação potencial da arte ao estimular a rede de colecionadores e amantes da arte em geral. A GENTIL CARIOCA quer potencializar novas formas de convivência com a arte e intensificar o debate crítico-artístico, atento às inúmeras delicadezas de seu pensar, sua sagacidade, seu sentido criador e transformador.

Outras paredes:







17 de Setembro de 2005
Artista: Julia Csekö
Título: Parque de diversão para a cabeça
Patrocinador: Paulo Vieira















4 de Fevereiro de 2006
Artista: Dane Mitchell
Título: Abrigo
Patrocinador: Gilberto Chateaubriand
















19 de Agosto de 2006
Artista: Marinho
Título: Sem título
Patrocinador: Ted Decker












25 de Novembro de 2006
Artista: Botner e Pedro
Título: Parede Cega
Patrocinadores: Andréa e José Olympio Pereira

















28 de Abril de 2007
Artista: Guga Ferraz
Título: Cidade Dormitório
Patrocinador: Felipe Wright













28 de agosto de 2007
Artista: Carlos Contente
Título: Hit Parede
Patrocinador: Mariano Marcondes Ferraz












26 de janeiro de 2008
Artista: Fernando de La Rocque
Título: Colônias
Patrocinador: Guilherme Magalhães Pinto Gonçalves


Detalhe






28 de junho de 2008
Artista: Carlos Garaicoa
Título: Abstrações(aconteceu em outro lugar)
Patrocinador: Luiz Augusto Teixeira de Freitas











Depois de tudo isso, eu estou decidido a visitar A Gentil Galeria, na próxima vez que eu for ao Rio de Janeiro.

terça-feira, 9 de março de 2010

Tem gente que é assim: pura luz na noite

Essa descoberta devemos ao Leonardo Pastor do blog Visceras Literárias. Ele falou-nos de uma intervenção artística e urbana que aconteceu em New York, organizada pelo coletivo de arte anônimo Luzinterruptus que leva a cabo instalações em espaços públicos e usam a luz como matéria-prima e a noite como tela.

Leonardo ressaltou esse trabalho com livros e luz em uma das ruas da big apple, a que chamaram Literatura versus Tráfego. Mas eles já passaram, iluminando, em outros lugares:




Visitando o site dos caras (estou falando no masculino, mas nem sei se há alguma mulher no grupo: eles são anônimos...), descobri que o Luzinterruptus é um coletivo cujo time é composto de três membros e eles vêm de diferentes formações como arte, iluminação e fotografia. Dizem que querem empregar a criatividade que possuem em uma ação comum, deixando luzes como um protesto, para que, então, as outras pessoas apaguem-nas.

Eles também dizem que o nome deles tem muito a ver com o método do trabalho que empregam, uma vez que "Luzinterruptus" significa Luz interrompida: que é o que acontece com as lâmpadas instaladas, logo após elas terem sido deixadas nas ruas.


Essa intervenção aconteceu nos arredores de Madri. A idéia era levar os barquinhos de luz ao mar, via linha férrea.
Chiquíssimos! \o/