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domingo, 11 de março de 2012

Bonsais e a arte de Takanori Aiba


Outro dia eu estava na casa de uma amiga que tem um bonsai e eu precisei tirar essa foto em que ele aparece na janela, com a vista da cidade de São Paulo ao fundo. Amo esse contraste que observamos entre as arvorezinhas minúsculas e seu entorno, então, agigantado. Também curto esse transporte a que somos remetidos como que para um mundo de liliputianos, quando em contato com esse ser vivo e pequenino que é um bonsai.
É como se tal mundo minúsculo e belo pudesse ser maior que o mundo comum e feio que, no entanto, é onde precisamos viver de qualquer modo! rsrsrs
Talvez, o contato com ambas as realidades externas - o mundo feio e agigantado e o mundo pequenino e belo - possa nos auxiliar na nossa sinceridade em relação ao que é belo e reside dentro de cada um de nós.
Assim, ainda que isso nos pareça minúsculo, tal beleza interna e que possa se propagar na nossa atitude no mundo, isso tudo poderá, de qualquer modo, ser impactante naquilo que representa em termos dessa relação de transformação do mundo exterior, onde estamos mergulhados. ;-)

Por falar em beleza impactante, vejam o que ainda noutro dia uma amiga postou no facebook: esse bonsai super florido e com o qual eu fiquei extasiado!

Já, hoje, uma outra amiga querida postou um link para o trabalho de Takanori Aiba (相 羽 高 徳). O artista de 59 anos, natural de Yokohama, no Japão, é formado em tecelagem tradicional japonesa pela Tóquio Zokei University. Construiu sua carreira primeiro como ilustrador freelancer e seus trabalhos apareceram em uma importante revista japonesa de moda: a Popye.

Ao fundar sua própria companhia, a Graphics and Designing Inc, em 1981, ele expandiu sua carreira, integrando a atividade de diretor de arte para espaços arquitetônicos. Seus principais trabalhos nessa área foram para o Shin Yokohama Chinese Noodle Museum, Muse du Petit Prince de Saint Exupery a Hakone e Ninja Akasaka. Desde 2003, ele tem trabalhado em obras de arte tridimensionais e que combinam seu conhecimento e experiência como ilustrador e arquiteto. Em setembro de 2010, ele teve uma exposição individual, "Aventuras dos olhos", na Kakiden Gallery, em Tóquio.

Kazuko Todate, crítico de arte japonês, disse sobre essa exposição que a imaginação do artista é fantástica e, às vezes, até quimérica. E que, no entanto, tais representações não se parecem com sonhos impossíveis. Na verdade, as pessoas acreditam que eles são edifícios e espaços verdadeiros, porque Aiba representa não apenas o contorno, mas também todos os detalhes elaborados da construção. Mesmo no trabalho de pintura, quando plana e bidimensional, Aiba cria imagens que se expandem para os lados, para trás, e mostra também esse mesmo movimento em relação ao interior dos edifícios. Ele circula seus olhos ao redor, e intencionalmente vaga entre os prédios no espaço: seus olhos são como os de um pássaro ou como os do vento.

É o que você poderá ver ainda mais lá no seu site. Eu trouxe para cá essas construções lindas e absolutamente integradas com os bonsais. Supèrbe!







terça-feira, 27 de setembro de 2011

Jen Stark

Vocês não podem imaginar minha alegria ao descobrir esse trabalho. Para mim, ele reúne tudo que aprecio: o papel, as cores abundantes, a criatividade ímpar, além daquela necessária comunicação com um universo de simbolização que se aproxima do mistério da espiritualidade.

Jen Stark, artista que vive em Miami, constrói objetos tridimensionais de bastante impacto. Ela estudou no Maryland Institute College of Art e nos diz que a geometria, a natureza e a matemática têm tudo em comum. Seu desejo transita no interesse pela replicação e pela ideia de infinito, assim como, naturalmente,  reside no hipnótico, o que explica o pertencimento ao seu trabalho desses desenhos óticos que imitam mandalas e objetos sagrados.

Visite seu site.

Enjoy it!






quarta-feira, 4 de maio de 2011

As flores de metal não morrem

Em 2010, o artista Michael Kalish  apresentou uma exposição muito bem sucedida, na Califórnia, cujo tema era a Rosa.
A Rosa aparecia retratada de um modo totalmente inusitado, fosse uma rosa isolada no centro de um quadro ou mesmo um conjunto, em buquês, todas elas foram feitas com o metal das carrocerias de automóveis resgatados de ferros-velhos.
Eu achei um trabalho sui generis, porque ele desconstrói a utilidade do carro. Os carros que, em geral, são como cápsulas protetoras, mas também uma extensão de seus motoristas/proprietários, de repente, tornam-se matéria-prima para retratar um objeto singelo e delicado como a flor!
Esse trabalho entra na categoria Power Flower, que eu tanto curto!
Além disso, há um olhar para o cotidiano das pessoas e que, ao ver esse mesmo cotidiano, o transcende.
Tive a oportunidade de ler uma entrevista [infelizmente, não me lembro onde] em que Kalish conta que desde cedo conviveu com artistas, sua mãe entre eles. Ele também nos diz que sempre se interessou por arte. No entanto, como é daltônico, não podia ser pintor, daí sua pesquisa por novas matérias-primas com as quais trabalhar e, assim, revelar sua expressão, o que faz com que ele se concentre, sobretudo, no campo da escultura.
Lá no seu site, você irá encontrar outros trabalhos e que se comunicam diretamente com a Pop Art de um Warhol. Ele vem expondo em vários galerias dos EUA, mas também na Inglaterra, Suécia e, atualmente, está acontecendo uma exposição sua em Genebra, Suíça.

Além disso, um trabalho em que ele colaborou com a Oyler Wu Collaborative foi apresentado, recentemente, e se concentra em torno do personalidade de Muhammad Ali, ou seja, uma homenagem ao pugilista. Sem dúvida, uma instalação impactante por conta dos 1.300 sacos de boxe que, somente quando vistos de um ponto de vista único, formam uma imagem pixelizada do rosto de Muhammad Ali. Essa instalação você pode conferir no vídeo abaixo e sobre ela você obterá mais informações no site ReALIze.















quarta-feira, 2 de março de 2011

Obsessões da forma

Eu sei que eu deveria estar escondido dentro de casa full time. E estou mesmo assim, a maior parte do tempo. Acontece que, ontem, eu precisei sair para pagar uma conta. Eu tinha que pagar a tal conta na loja, não podia ser via internet bank, não. Se a lojinha receber o dinheiro, pessoalmente, ela mais rapidamente deixa eu continuar usando o cartão e, hoje, iremos ao supermercado usá-lo. Assim sendo, fui a uma filial da tal loja, lá na Av. Paulista, bem perto do Masp. Pensei: se pretendo ir a um lugar público, que seja um no qual as pessoas não precisem ficar exatamente do meu lado.

Quer lugar mais livre do que um lugar que tem um vão livre? rsrsrs

E, então, tudo aconteceu. Além de aproveitar a terça-feira em que a entrada no Masp é gratuita e, depois de rever pela milésima e querida vez os clássicos do acervo, lá em cima, ou seja, os quadros: Monets, Renoirs, Picassos, Modiglianis etc., desci ao subsolo do Masp para conferir a exposição Obsessões da forma.
E, então, estava em um céu em que a vida se divide em 7 núcleos temáticos: Guerreiros, Nus, Casais, Dança, Abstração, Animais e Bustos. Muito comovente ver o acervo de escultura do Museu assim, tão delicadamente distribuído. E que acervo!

No primeiro núcleo de Guerreiros, somos recebidos por dois guerreiros chineses muito distantes no tempo e muito vivos na expressão. A bailarina de Degas sempre me comove, além da delicadeza da composição, talvez o que mais me comova é saber que o tecido esgarçado de sua saia tem mais de 100 anos... A Eterna primavera, de Rodin, também é comovente, absurdamente, a começar pelo título e que justifica esse beijo apaixonado do casal. Móbiles em geral são minha eterna paixão, e ver um tão delicadamente articulado, posto que pensado por um artista deixa-me completamente estupefato.
Já os nus sempre me lembram do tempo em que trabalhei como modelo vivo...
Mas fiquei mesmo boquiaberto foi diante da cabeça de Greta Garbo. Por que será?

Isso tudo diz respeito apenas ao que pude localizar as imagens e trazê-las para cá. Mas, na verdade, são cerca de 40 peças em exposição. Absolutely amazing!

Se eu fosse você eu iria de qualquer jeito para o Masp. Eu iria agora, mesmo que fosse disfarçado e de óculos escuros, como eu mesmo fui...rsrsrs

Guerreiro Chinês, período Tang, 618-907 d.C.

Bailarina de 14 anos, 1880, Degas.
Eterna Primavera, 1897, Rodin.

Móbile, 1944-48, Alexander Calder.

Nu deitado, 1932, Augusto Zamoyski.

Greta Garbo, 1937, Ernesto de Fiori

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

James Roper

No site desse jovem artista, que nasceu em 1982, na Inglaterra, ficamos sabendo apenas que ele vive e trabalha em Manchester. Já acerca de seu trabalho é possível notar que ele se desdobra em muitas frentes: pintura, desenho, grafismo, escultura, trabalho conceitual, trabalho para a televisão... não lhe falta criatividade.
Também ali somos informados que seus trabalhos foram expostos em mostras e galerias da Inglaterra, dos EUA, Espanha e Itália.

Achei particularmente impressionante esses dois projetos de escultura, abaixo, a que ele chamou, respectivamente, Devotion e Construct.

Imaginem o que deva ser, por exemplo, alguém fazer mais de 1.000 flores, utilizando a técnica do origami. Isso exige, no mínimo muita paciência e, de fato, uma verdadeira devoção: ao menos à própria expressão. ;-)

Já eu, eu quero ser cada vez mais devoto da paciência!
Foi por essa razão que eu não poderia deixar de trazer para cá essas imagens que, ao menos ao que me pareceu, aludem a essa virtude, a da paciência, além de remeterem à virtude de sermos, simultaneamente, devotos e construtores. O que, definitivamente, faz todo o sentido: só construímos algo que faça verdadeiro sentido quando somos devotadamente pacientes. ;-)

Enjoy this beauty!

Conheça ainda o site do rapaz, além do seu blog. Ah, ele também tem uma store. Você vai curtir!








quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Aço Orgânico de Cássio Lázaro

Quando cheguei na minha mesa de trabalho, hoje pela manhã, a primeira coisa que vi foi um catálogo belíssimo, reunindo imagens das esculturas em aço de Cássio Lázaro, e que uma amiga querida me deixara.
Esse artista nascido em Minas Gerais mas radicado, desde muito cedo na vida, em São Paulo, é um escultor e que tem como matéria-prima de seus trabalhos o aço corten ou o aço inox, que ele pode escovar e desenhar a fogo.



Fui informado de que o artista é autodidata e ele mesmo cria as ferramentas que utiliza durante o seu trabalho, como marreta, prensa hidráulica e máquina de jatear para conseguir as curvas e dobras presentes nas peças além de usar, com grande equilíbrio, o envelhecimento artificial e a ferrugem precipitada no aço com fogo do maçarico.

Suas esculturas, podemos observar, são um produto intenso, de muito trabalho, no qual ele alcança leveza, singularidade e beleza.
Podemos ver nessas esculturas formas que foram absolutamente sutilizadas, abstraídas a partir de uma matéria que, sabemos, não se dobra facilmente à vontade do artista.
Sim, é visível que ele travou uma luta lenta, duradoura, delicada, e o resultado emociona o observador.

Então, é isso - dizemos diante dessa beleza - é possível tornar leve e maleável e, aparentemente, frágil o que é pesado e duro e forte.
Segundo o release que recebi, ele afirmou acerca desse trabalho que procurou caminhos que pudessem passar, para o aço, toda a sensibilidade da renda, fibra e tecido.

Portanto, é preciso também ter imaginação para observar essas peças e com elas travar um diálogo. Elas foram oferecidas ao mundo pelo artista para isso mesmo. Então, renda-se às rendas, corais ou o que mais você desejar e puder ver nos objetos plásticos e pleno de sensações, nas esculturas de Cássio Lázaro.









Exposição - Aço Orgânico de Cássio Lázaro

de 14 de setembro a 2 de outubro de 2010
Galeria de Arte André
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1.753
segunda a sexta-feira, das 10h às 20h
sábados, das 10h às 14h

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A Rebelião de Rebecca Horn está acontecendo aqui em Sampa. Não perca!




Hoje, na minha hora do almoço, fui até o CCBB para dar uma olhadinha na exposição Rebelião em Silêncio, de Rebecca Horn.

Na verdade, não vi os trabalhos.rsrsrs ;-p

Acabei por ver apenas o piano que está dependurado de ponta cabeça, no saguão do CCBB, preso a imensos cabos de aço, despejando suas entranhas para fora... Trata-se da obra Concerto para Anarquia. Aliás, o conceito de anarquia parece ser muito caro para a artista. Ela fala bastante disso no vídeo a que assisti no segundo andar. Inicialmente, achei que a conversa dela com Donald Sutherland, no vídeo, estava incompreensível para mim. Mas fiquei calmo, afinal, como a conversa era intermeada com cenas de filmes em que o ator aparece, ainda jovem, e também de vários dos trabalhos da artista, à quisa de ilustração para a conversa, o que inicialmente era um tanto hermético (por conta de eu ter pego o vídeo já iniciado), foi aos poucos se acomodando na minha cabeça. Inclusive a informação de que o cinema também faz parte da carreira da artista, que filmou, em 1990, Buster’s Bedroom, estrelado pelo mesmo Donald Sutherland e Geraldine Chaplin.



Rebecca Horn começou seu trabalho em 1970, quando fazia performances, o que chamou de esculturas corporais. Já, em 1972, ela foi convidada  para participar da 5ª Documenta de Kassel, quando foi a artista mais jovem da mostra. Foi por conta dessa participação que ela começou a filmar suas performances e a se interessar por cinema.


Enquanto eu via a história dessa trajetória, contada no tal vídeo, comecei a perceber a riqueza de seu trabalho e uma luz se acendeu.

De repente, pude compreender muito da poética do trabalho da artista. Isso se deu, quando, no filme, ela fala dos fugitivos de Sarajevo, durante a guerra, e que tomaram as ruas de Viena, buscando um sentido para o que estava acontecendo, em um momento de pura sofreguidão e, quando nada mais podia ser dito. Era o silêncio. Apenas restava o silêncio contrito de quem passou por uma tragédia. Ela, então, criou a obra em que os violinos numa alta torre tocam sozinhos, como a dar sentido para o que restava a essas pessoas viver.

A anarquia de Rebecca é de fato uma Rebelião do Silêncio.

Importante: eu não vi quase nada, estou falando tão somente do pouco que vi e que me emocionou por demais. Devo voltar até lá mais vezes, uma vez que a exposição acontece até Outubro de 2010. ;-D