
A escola, em qualquer momento da vida, será sempre uma experiência inesquecível. Eu estive nela quase toda a minha vida. Recentemente, a ela retornei. Penso que a procuramos porque desejamos dar continuidade também à nossa formação, ou seja, desejamos mais.
Ontem, pude ver dois grupos amigos apresentarem seminários em sala de aula. Um deles falava da obra Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. Poderia ter sido uma tarefa escolar no sentido chão do que possa isso parecer. Mas uma aluna/leitora, em especial, revelou-nos ser também professora e daquelas que se encantam com a obra de um eminente pedagogo. Sim, nesse momento seu legado reviveu, uma vez que ela, por sua vez, viveu a leitura da obra e dela nos deu notícia impar.
Depois, um outro grupo especial de alunos (falo de alunos de um curso de pós-graduação da PUC, em São Paulo) apresentou-nos sua leitura de Antonio Gramsci. Teórico difícil porque sua obra foi toda escrita no cárcere, mas o que havia de liberdade em seus escritos nos foi apresentado. E isso foi feito no cotejo com uma obra de arte magnífica, o filme Os Companheiros (I compagni Itália/França, 1963), do diretor italiano Mario Monicelli (quem nunca viu ou ouviu falar deve buscar conhecer!) E, então, esses bravos alunos levaram às lágrimas mais de um colega em sala de aula.
A escola pode estar entre muros, mas é lá que alguma coisa surpreendente acontece, sobretudo quando nos redime de toda mágoa e nos ensina: o desejo é de liberdade e esse é um desejo humano e é o melhor que podemos desejar em qualquer circunstância, dentro e fora da escola.