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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Henri Matisse & Celeste Boursier-Mougenot






Na última sexta-feira (4 de setembro), fui à abertura da exposição Matisse Hoje / Aujourd'hui, na Pinacoteca.
Esses coquetéis de abertura de exposição, ainda mais quando o de uma de tanto prestígio, são curiosos porque as autoridades todas estão presentes e à côté os burocratas do funcionalismo público: esses parecem estar no evento apenas para aplaudir aos discursos daqueles. No entanto, o mais aplaudido foi o diretor da Pinacoteca, além dos franceses responsáveis pela organização de todo o ano da França no Brasil, contudo, em tais casos pareceu-me que as palmas vinham dos inúmeros artistas também presentes.
Como a vernissage foi muito concorrida, foi organizada a entrada para a exposição, propriamente, tão somente para grupos pequenos de espectadores, a cada vez. Eu estive entre os primeiros, afinal eu tinha ido lá para ver Matisse!
A exposição está belíssima. É possível percorrer as diferentes fases do artista e emocionar-nos enormemente. Afinal, como não nos emocionarmos ao ver os originais dessas duas peças acima, por exemplo, se tudo o que víamos há anos eram tão somente as reproduções infinitas que se fizeram desses trabalhos em livros, postais, etc, etc?
Em cada sala, na parede em frente àquela em que estão as obras de Matisse encontramos também as dos demais artistas franceses contemporâneos e que foram convidados a criar obras que dialogassem com as de Matisse. Com exceção de dois trabalhos, achei tudo muito aquém do homenageado. E pensei que talvez isso tenha ocorrido, porque há uma erro de interpretação da obra matissiana, comum ao observador leigo em geral, mas que também pode ter acometido aos artistas, pourquoi pas? A saber: o de achar que o trabalho de Matisse é fácil, ou seja, como tudo nele é criação tendo como ponto de partida e de chegada cores básicas e formas muito simples há uma falsa aparência de facilidade em sua criação. No entanto, penso que não é nada disso, o que é simples nem sempre é fácil de alcançar, se assim o fora ele não estaria sendo cultuado durante os últimos cem anos praticamente.
Naquela noite, um outro momento que achei emocionante foi deparar-me com o artista francês Celeste Boursier-Mougenot. Simpático, ele estava lá ao lado de sua instalação: Variação. O trabalho dele é muito delicado. Como ele é um músico, trabalha na fronteira entre a música e o objeto plástico.
Variação consiste em um conjunto de três pequenas piscinas azuis instaladas no piso de uma sala, as águas são correntes e boiam na sua superfície tigelas de porcelana de diferentes tamanhos que, estando em movimento na água, esbarram umas nas outras, aleatoriamente e, com isso, produzem sons que nos lembram sinos.
Devo voltar, porque espero encontrar a Pinacoteca mais silenciosa do que nessa última ocasião e, assim, apreciar com mais vagar esse trabalho.
Na mesma noite, conversei muito com dois artistas plásticos radicados em Campinas e dos quais pretendo conhecer os trabalhos. Se forem tão bons como são seus criadores, falarei deles por aqui.








quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Matisse Hoje



Eu fiquei imensamente feliz quando, na década de 90, pude ver as obras de Rodin, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Foi uma grande e importante exposição aquela. Naquele tempo, eu dava aulas para um grupo lindo e imenso de meninas (havia também alguns poucos meninos), que faziam o Ensino Médio, o Curso de Magistério, no extinto Projeto CEFAM (Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério) do Governo do Estado de São Paulo. Portanto, era uma escola pública e que ficava no Itaim Bibi. (um tempo depois, aquela escola foi demolida para a ampliação da Av. Faria Lima. :p) Foi um momento bastante importante para mim, o dessa experiência de levar tais alunos para a Pinacoteca, a fim de vermos a exposição de Rodin.
A verdade é que sinto saudades desse momento mágico de levar alunos para um Museu, acredito que ele é sempre profícuo no que concerne à arte-educação. É importante frequentar museus, sim. Isso sempre me aconteceu, quando eu próprio era criança e depois, já adulto, atuando como professor e, portanto, possibilitando o mesmo às demais gerações. Tanto falamos das obras desses geniais artistas, que, assim sendo, o momento de estar diante de um original de um grande pintor ou escultor é impar para os alunos. Sobretudo, porque esses originais, em geral, estão sempre expostos em museus, aos quais não conseguimos jamais chegar, ou mesmo em coleções particulares, ou seja, protegidos pelas redomas de seus colecionadores.
Na minha honesta e modestíssima opinião, essas exposições deveriam ocorrer mais vezes. Na verdade, deveriam ocorrer o tempo todo, em todos os lugares. As obras desses artistas deveriam estar em constante movimento itinerante, em uma verdadeira marcha de quadros e esculturas e desenhos e instalações de arte lembrando às crianças, aos jovens, adultos e idosos, enfim, a todas as gerações, o que importa lembrar: que a vida é criação.
Dispersei-me um tanto, mas o que de fato queria dizer aqui é que estou novamente tomado de contentamento. Agora é a vez de Matisse, que eu idolatro desde há muito, ser visto na mesma Pinacoteca, em São Paulo.
Vejam a introdução do release que me encaminharam:
A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta, pela primeira vez no Brasil, exposição individual de Henri Matisse (Le Cateau-Cambrésis, França, 1869 – Nice, França, 1954), um dos mais destacados artistas do século XX. A mostra exibe cerca de 80 obras que integram importantes coleções públicas e privadas, da França e do Brasil. Entre elas o Musée National d’Art Moderne – Centre Pompidou (Paris), a Biblioteca Nacional da França e o Musée Matisse (Le Cateau-Cambrésis - França). Além das obras de Matisse, a exposição será acompanhada por trabalhos de cinco artistas da cena francesa contemporânea que dialogam com a obra do artista. Com curadoria de Emilie Ovaere, curadora adjunta do Musée Matisse, e assistência de Regina Teixeira de Barros, do corpo técnico da Pinacoteca do Estado. Esta exposição faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil, organizado, no Brasil, pelo Comissariado Geral Brasileiro, e pelos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores. Na França, pelo Comissariado Geral Francês, pelos Ministérios das Relações Exteriores e Européias e da Cultura e da Comunicação, e por CulturesFrance. Exposição realizada com o apoio excepcional da Biblioteca Nacional da França.
Abertura dia 05 de setembro, sábado, a partir das 11h.
Em cartaz até 01 de novembro de 2009.
Penso que essa exposição vá render outros posts ainda. Eu não consigo não me emocionar com esse artista. Importante: precisaremos também ficar atentos para os franceses contemporâneos que dialogam com Matisse, ou seja, Cécile Bart, Christophe Cuzin, Frédérique Lucien, Pierre Mabille e Philippe Richard. Estarão todos participando da exposição aussi.



terça-feira, 28 de julho de 2009

Henri Matisse

Acerca de um ano, o Eduardo Garofalo, do blog Coletivo 308, postou o que ele chamou de um "Belo texto do Henri Matisse".
Ele tem toda a razão, uma vez que, logo no começo do texto, Matisse irá nos dizer:
O desenho é a possessão. A cada linha deve corresponder outra linha que faça um contrapeso, da mesma forma que se abraça, que se possui com dois braços. A vontade de possessão é mais ou menos forte segundo cada ser; há quem deseja frouxamente.
E ainda mais:
Criar é próprio do artista; onde não há criação, a arte não existe. Mas seria enganoso atribuir este poder criador a um dom inato. Em matéria de arte, o criador autêntico não é apenas um ser dotado; é um homem que soube ordenar para sua finalidade todo um facho de atividades cujo resultado é a obra de arte. É assim que para o artista, a criação começa na visão. Ver, isso já é uma operação criadora, que exige esforço. Tudo o que vemos na vida diária sofre mais ou menos a deformação produzida pelos hábitos adquiridos, e o fato é talvez mais sensível numa época como a nossa, onde o cinema, a publicidade e as revistas nos impõem cotidianamente um fluxo de imagens prontas que são um pouco, na ordem da visão, o que é o preconceito na ordem da inteligência.
Fiquei muito satisfeito de ter a certeza de que além de apreciar as obras, eu comungo plenamente com as ideias de Matisse.
Para ilustrar esse post, trouxe O Abraço, de Henri Matisse, que como pode se ver tem duas peculiaridades: é um Matisse PB e é também très érotique.
Para ler o texto na íntegra: