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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Nosso céu tem uma estrela

Muitas vezes ouço diferentes pessoas, de variadas idades e em inúmeras circunstâncias (em geral em circunstâncias difíceis, é verdade) falarem que o ser humano não tem mais jeito! Que esse mundo está perdido! Ou ainda que isso e aquilo!

Eu nunca acreditei nesses desabafos das pessoas, mesmo que se tratasse de pessoa proba ou circunstância que ensejasse o desalento!

Que bobagem! Por que tanto pessimismo? Por que tanta tristeza reunida e divulgada aos quatros ventos?

Embora, existam de fato pessoas malconduzidas, se não as compreendermos corremos sempre o risco de parecermos, a nosso turno, malcontentadiços! rsrsrs

Eu procuro ser do tipo que me contento e muito! Fico mesmo muitíssimo feliz, tão somente por saber que estou no mesmo mundo em que estão pessoas como Dona Ivone Lara.

Que pessoa! Hoje ela completa 90 anos de idade. Que glória viver tanto e tão lucidamente. Ela serviu aos seres humanos como enfermeira, inclusive trabalhando em manicômios, isso até a década de 70, quando então se aposentou. Imagino com que bondade ela não desenvolveu sua tarefa até ali...

E depois? Depois, dedicou-se a essa carreira de delicadeza e encantamento, compondo e cantando Samba: seu desejo maior e também o maior motivo de sua felicidade, tão evidente.

Não sei se é verdade, mas uma vez alguém me disse que o poeta Haroldo de Campos teria dito que para ele a maior poeta da língua portuguesa era Dona Ivone Lara por ter escrito esse verso: No meu céu a estrela guia se perdeu.

Eu concordo com o poeta e saúdo a grande poeta! Salve Dona Ivone Lara!



Sonho meu, sonho meu

Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu

Vai mostrar esta saudade, sonho meu
Com a sua liberdade, sonho meu
No meu céu a estrela guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia, sonho meu

Sinto o canto da noite na boca do vento
Fazer a dança das flores no meu pensamento
Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente
O vento vadio embalando a flor, sonho meu

Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um menino de 100 anos

No dia 6 de agosto de 1910 nascia Adoniran Barbosa. Desde criança, ouço as músicas do cantor e compositor (que também foi ator e tinha ainda muitos outros talentos) e elas sempre me emocionam. A delicadeza, a simpatia, a ternura, a ingenuidade e a bondade: para mim, esses são os maiores atributos do artista. Hoje o Diário do Comércio, no DCultura, fez um grande tributo a Adoniran, que vale a pena ler. Vide aqui.
Também ali, fiquei sabendo que, nesse fim de semana, dois eventos irão homenagear Adoniran Barbosa.
Reforço aqui a informação:
Um deles irá acontecer no Centro Cultural São Paulo, na Vergueiro: Adoniran Barbosa - 100 Anos. No Sábado, dia 8, às 19h, cantam Vânia Bastos e Maria Alcina e, no domingo, dia 9, às 18h, Osvaldinho da Cuíca, Fabiana Cozza e Milena. O evento terá entrada franca.
Já no evento Vida Rouca - 100 de Adoniran Barbosa, que acontece no Auditório Ibirapuera, cantam os clássicos de Adoniran: Ná Ozzetti, Swami Jr., Danilo Moraes, Wandi Doratiotto e o Grupo Premê. Será hoje, sexta-feira, dia 6, às 21h. Ingressos: R$ 30.

Eu sou fã confesso de Vânia Bastos e Ná Ozzetti (terei que ir aos dois shows!) e, para sempre serei fã de Adoniran Barbosa. ;-D

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Bom escandalosamente bom

Ontem, eu fui ao boteco de uma amiga e que fica bem perto da minha casa. Essa minha amiga faz um curso de Pedagogia e pede para eu ajudá-la em algumas atividades da Faculdade. Lemos os textos juntos, eu corrijo seus textos, etc. Isso acontece só quando ela e o marido fecham o bar, o que, aos domingos, ocorre por volta das 21 h. No boteco da minha amiga, a clientela é a da sua vizinhança. Gente boa na sua maioria e absolutamente despojada. Ontem, uma mulher que alcançou a sua própria década de 50 dançava ao som de Zeca Pagodinho. Tratava-se de uma negra com samba no pé, então, olhar sua expressão corporal, enquanto dançava, emocionou-me. Como é bonito uma mulata de escola de samba dançando em qualquer tempo e lugar!
Já anteontem, eu corversava com um senhor homossexual de 70 e poucos anos, e lembrava-lhe o quanto me emocionara sua narrativa acerca do tempo da sua infância e que ele viveu em pleno início da década de 40 e nos arredores de Veneza, na Itália. Ele contara-me, em determinada ocasião, que na grande casa da família, na zona rural, eles escondiam os soldados americanos no lugar da casa que era uma espécie de celeiro e que suas primas se apaixonaram e se casaram com dois desses soldados. Contudo, o mais incrível, segundo ele, era ver os refugiados de guerra chegando: as mulheres e crianças fugindo, fugindo, desesperados. Observava que sua mãe e sua avó mesmo sem entenderem a língua das senhoras polonesas, por exemplo, isso não as impedia de que fossem solidárias: aquelas podiam oferecer para essas seus cestos de palha ou outros produtos de artesanato, pedindo em troca um pouco de fubá e isso para que pudessem alimentar seus filhos. Quão emocionante foi ouvir da boca daquele senhor essa narrativa da vivência de um bastidor desse período tão trágico da nossa história!
A vida é mesmo assim: toda boa surpresa vem de onde não esperamos. É preciso estar de olhos e ouvidos bem abertos e, então, ela acontece. Como nessa passagem de Desvario (vide post anterior) de David Grossman:
...às vezes, nos momentos de insuportável comoção, dá mesmo vontade de morrer, pois como é possível suportar todo esse bom sem razão de ser, esse bom escandalosamente bom.