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quinta-feira, 10 de outubro de 2013
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Bom escandalosamente bom
Ontem, eu fui ao boteco de uma amiga e que fica bem perto da minha casa. Essa minha amiga faz um curso de Pedagogia e pede para eu ajudá-la em algumas atividades da Faculdade. Lemos os textos juntos, eu corrijo seus textos, etc. Isso acontece só quando ela e o marido fecham o bar, o que, aos domingos, ocorre por volta das 21 h. No boteco da minha amiga, a clientela é a da sua vizinhança. Gente boa na sua maioria e absolutamente despojada. Ontem, uma mulher que alcançou a sua própria década de 50 dançava ao som de Zeca Pagodinho. Tratava-se de uma negra com samba no pé, então, olhar sua expressão corporal, enquanto dançava, emocionou-me. Como é bonito uma mulata de escola de samba dançando em qualquer tempo e lugar!
Já anteontem, eu corversava com um senhor homossexual de 70 e poucos anos, e lembrava-lhe o quanto me emocionara sua narrativa acerca do tempo da sua infância e que ele viveu em pleno início da década de 40 e nos arredores de Veneza, na Itália. Ele contara-me, em determinada ocasião, que na grande casa da família, na zona rural, eles escondiam os soldados americanos no lugar da casa que era uma espécie de celeiro e que suas primas se apaixonaram e se casaram com dois desses soldados. Contudo, o mais incrível, segundo ele, era ver os refugiados de guerra chegando: as mulheres e crianças fugindo, fugindo, desesperados. Observava que sua mãe e sua avó mesmo sem entenderem a língua das senhoras polonesas, por exemplo, isso não as impedia de que fossem solidárias: aquelas podiam oferecer para essas seus cestos de palha ou outros produtos de artesanato, pedindo em troca um pouco de fubá e isso para que pudessem alimentar seus filhos. Quão emocionante foi ouvir da boca daquele senhor essa narrativa da vivência de um bastidor desse período tão trágico da nossa história!
A vida é mesmo assim: toda boa surpresa vem de onde não esperamos. É preciso estar de olhos e ouvidos bem abertos e, então, ela acontece. Como nessa passagem de Desvario (vide post anterior) de David Grossman:
...às vezes, nos momentos de insuportável comoção, dá mesmo vontade de morrer, pois como é possível suportar todo esse bom sem razão de ser, esse bom escandalosamente bom.
Já anteontem, eu corversava com um senhor homossexual de 70 e poucos anos, e lembrava-lhe o quanto me emocionara sua narrativa acerca do tempo da sua infância e que ele viveu em pleno início da década de 40 e nos arredores de Veneza, na Itália. Ele contara-me, em determinada ocasião, que na grande casa da família, na zona rural, eles escondiam os soldados americanos no lugar da casa que era uma espécie de celeiro e que suas primas se apaixonaram e se casaram com dois desses soldados. Contudo, o mais incrível, segundo ele, era ver os refugiados de guerra chegando: as mulheres e crianças fugindo, fugindo, desesperados. Observava que sua mãe e sua avó mesmo sem entenderem a língua das senhoras polonesas, por exemplo, isso não as impedia de que fossem solidárias: aquelas podiam oferecer para essas seus cestos de palha ou outros produtos de artesanato, pedindo em troca um pouco de fubá e isso para que pudessem alimentar seus filhos. Quão emocionante foi ouvir da boca daquele senhor essa narrativa da vivência de um bastidor desse período tão trágico da nossa história!
A vida é mesmo assim: toda boa surpresa vem de onde não esperamos. É preciso estar de olhos e ouvidos bem abertos e, então, ela acontece. Como nessa passagem de Desvario (vide post anterior) de David Grossman:
...às vezes, nos momentos de insuportável comoção, dá mesmo vontade de morrer, pois como é possível suportar todo esse bom sem razão de ser, esse bom escandalosamente bom.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Loas à teceloa

Hoje, vi em um telejornal imagens que mostravam o resgate de uma senhora de 98 anos dos escombros de sua casa, era mais uma vítima do terremoto na Itália. Apenas vi as imagens, no restaurante barulhento não era possível ouvir a reportagem. No entanto, pelas imagens era possível ver que ela estava bem e que era muito linda. De qualquer modo, era comovente vê-la nos braços dos homens da equipe de resgate.
Aliás, como esse tipo de tragédia é deveras comovente, uma vez que fica exposta nossa pequenez e fragilidade, sobretudo diante do imponderável. A mim, comove-me também ver aqueles excelentes cães farejadores tentando encontrar vítimas em meio aos escombros, quando sabemos que as chances de encontrar sobreviventes diminuem com os dias.
Depois, li no jornal que aquela senhora de 98 anos foi resgatada ontem pelas equipes de socorro, na cidade de Áquila, e que se chama María D’Antuono, tendo sido encontrada depois de 30 horas presa sob os escombros de sua casa. Segundo os médicos, ela foi encontrada em bom estado de saúde, apesar de ter passado mais de um dia presa. Indagada, pelo repórter de uma emissora de televisão local, a respeito de como fez o tempo passar até a chegada de ajuda, ela respondeu: "Eu comecei a tecer." Loas à teceloa de Áquila!
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