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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Paris, o filme


Sexta-feira passada, fui ao cinema, após o meu expediente no jornal. Ao chegar no HSBC Belas Artes ainda não sabia o que veria. Devido ao horário, eu tinha poucas opções... Uma delas era a de um filme chamado Paris (2008), de Cédric Klapisch.
Oui, eu não podia deixar de ver um filme chamado Paris!
O filme conta a história de um rapaz, Pierre (Romain Duris) que é um dançarino profissional e que descobre precisar fazer um transplante do coração e que pode morrer. Ele procura o apoio da irmã nesse momento delicado: Élise (Juliette Binoche). Assim, acompanhamos o que se passa com esse rapaz, que sabe que pode morrer, mas que não se desespera, pelo contrário, a partir de então, ele irá ver a vida como algo realmente precioso.
Juliette Binoche, como sempre, está uma graça, naquela sua delicadeza de traços e de expressão.
Paris, a cidade, como poucas vezes no cinema, é mostrada de um modo mais verdadeiro, ou seja, menos idealizada. Descobrimos que ela é também uma cidade da vida real, onde as pessoas trabalham, sofrem e se divertem, como em qualquer outro lugar.
Gostei de ver os tipos franceses populares, como o grupo de feirantes que aparece no filme. Eles são tão parecidos com outros tantos tipos que conhecemos também por aqui (no Brasil) ou por ali (qualquer outro lugar dessa aldeia global). Mas os do filme possuem o plus de serem comoventes.
Um amigo que também já viu o filme percebeu (como eu também percebi) que há falhas de roteiro e até mesmo um tanto graves. ;-p Afinal, algumas personagens são abandonadas ou suas histórias não se sustentam em relação ao veio principal da trama e que é a situação de Pierre. Isso, contudo, não chega a comprometer de todo o filme. É um filme bonito, em sua nítida mensagem de que a vida continua e continuará sempre para os que ainda estão vivos e, isso, apesar de tudo.
Querem saber o que é muito bom mesmo, nesse filme? Nele, como em quase todo filme francês, os diálogos são absolutamente inteligentes. Há uma cena em que Pierre e Élise decidem contar para as crianças (os pequenos filhos de Élise) o que está acontecendo com o tio. Eles simplesmente dizem: O tio de vocês está muito doente e pode vir a morrer. Uma das crianças pergunta: Por que vocês estão nos contanto isso? A resposta: Simplesmente porque é a verdade, e não é nada demais, todo mundo vai morrer um dia.
Adoro esse modo de ser, direto, dos franceses!
Também fiquei sabendo, pelo meu amigo, que esse é o filme mais caro de toda a cinematografia francesa. O que nos pareceu incrível, afinal ele é quase todo rodado em interiores: apartamentos, uma boulangerie... O que teria saído tão caro? As muitas tomadas aéreas de Paris e também uma animação de computador, ou o fato de ter no seu elenco uma estrela de grandeza incostestável, a Binoche? Mas esses atributos seriam suficientes para alçá-lo a esse status?
C'est increable, vraiment!