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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Recível, a mulher inesquebecca

Duas coincidências fizeram-me desejar ler esse livro. A primeira foi aquela que aconteceu quando eu assistia Saturno em Oposição, de Ferzan Ozpetek. No longa, uma personagem dizia que o ex-companheiro de um dos meninos do par amoroso do filme era como Rebecca: a mulher inesquecível. Uma referência jocosa à obra de Daphne Du Maurier, até mesmo porque esse personagem que fora casado de fato com um dos rapazes, e que ela assim nomeava, não morrera e convivia como amigo do casal. Já Rebecca, embora inesquecível, sempre esteve morta, ou seja, desde o começo do livro. rsrsrs
Na sequência, o CCBB e o Cinesesc fizeram, em São Paulo, a mostra que exibia praticamente toda a obra de Alfred Hitchcock e no dia em que iriam exibir Rebecca, a mulher inesquecível, a adaptação cinematográfica do livro, a la Hitchcock, eu perdi a sessão, de tão concorrida que a mostra estava.
Enfim, fiquei imediatamente desejando ler a obra, posto que, foi possível perceber, Rebecca, como convém à personagem, passara a me perseguir...
Então, uma amiga jornalista, Paula Cunha, que tinha essa edição do livro publicada em 1977, pela Companhia Editora Nacional, na esmerada tradução de Lígia Junqueira Caiuby em parceria com Monteiro Lobato, ela emprestou-me o livro com a seguinte recomendação: tenha todo cuidado, eu ganhei o livro de minha mãe, e que, aliás, dizia tratar-se de um best seller e não de obra séria.
Muitos podem ter a mesma opinião da mãe de minha amiga, contudo, eu achei o livro incrível e, portanto, Hitchcock estava corretíssimo ao querer filmá-lo: a história tem todos os elementos necessários para um thriller, sobretudo o coroamento máximo do que entendemos por aquilo que é o melhor do suspense. Na contracapa dessa edição escreveram algo que temos que concordar: Seria impossível dar, em breves palavras, uma ideia do livro. O leitor tem que sentir a atmosfera de desastre iminente, a deliciosa história de amor com suas emoções acentuadas, pelo drama, pelos imprevistos, pelos momentos magníficos de melodrama. É dessas histórias que fazem muito leitor passar a noite em claro. E vale a pena perder-se o sono por essa causa!
Preciso ainda contar uma coisa ótima e que acontecia enquanto eu lia o livro. Paula Cunha procurava acompanhar minha leitura, muito interessava em saber da minha reação diante dos acontecimentos na mansão.
E aí como está Recível, a mulher inesquebecca! [ela adora trocadilhos e lembrava-se que o antigo jornalista Paulo Francis chamava assim a obra] - perguntava minha amiga.
Eu, então, começava a rir, porque é hilário ouvir o título falado assim ao contrário e depressa...rsrsrs
E, então, dizia Paula Cunha, já descobriu o segredo de Recível, a mulher inesquebecca?
Quando eu descobri o primeiro, eu disse: Sim! Nossa! Eu não acredito!
E a minha amiga: Mas em que parte você está? E eu dizia.
Ah, ela continuava, mas você ainda não descobriu o outro segredo!
Quando eu cheguei a esse outro segredo, ela ainda me disse: Ah, mas você não perde por esperar: há o final! O final...
Ontem, quando eu fechava o livro, estava embasbacado: como a história é impressionante!