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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

We are Golden!

Ontem, pela manhã, cheguei em casa, após um sábado animadíssimo!

Primeiro, porque fui a uma festa, no sábado à tarde, e ao sair da festa encontrei uma amiga querida, de Brasília, e fomos juntos ao Planeta Terra Festival 2010. Logo depois de chegar ao PlayCenter, eu e a minha amiga nos perdemos! Um do outro, é claro!

Então, assisti ao show do Mika apenas na companhia de centenas de fâs do pop star britânico.

Fiquei feliz até não poder mais, porque descobri que eu não sou o único fã brasileiro do Mika. Até, então, eu achava que só eu, nesse país, era fã do cara. Afinal, no meio em que eu vivo, toda vez que falo do Mika ninguém o conhece, ninguém sabe de quem se trata e eu fico sem poder explicar para essas pessoas... Até começo a cantar as canções, mas não funciona porque as canções do Mika só ele mesmo é quem pode cantar e dançar animadamente.
Ou... as centenas de pessoas que cantaram e dançaram no sábado, em sua companhia, aqui em São Paulo.
Fiquei emocionado, como já era de se esperar. Um cantor, quando profissional e verdadeiro, em um show, é pura doação: ele doa o seu trabalho, aquilo que pôde produzir, as letras das canções. Ele doa energia, espontaneidade. Mas isso só acontece, sobretudo se ele tem amor para dar.
Li uma reportagem, hoje, dizendo que o show do Mika foi o melhor do Festival. E, embora eu não tenha ficado para ver as outras bandas (rsrsrs), acho que só pode ter sido mesmo. Também li, que o público do Mika era um público devoto. E foi exatamente isso o que eu senti. As pessoas todas dançavam e cantavam suas músicas.
Eu já falei aqui que eu acho que, por trás da aparente simplicidade e descontração das letras do Mika, há uma mensagem seríssima. Basta prestar atenção em Blame it on the girls, por exemplo:

Blame it on the girls who know what to do
Blame it on the boys who keep hitting on you
Blame it on your mother for the things she said
Blame it on your father but you know he's dead

Quantos de nós não desejamos apenas achar o culpado? Quando, em geral, está nas nossas mãos reverter qualquer quadro de desamor!

Penso que o pop sobrevive de pessoas que conseguem ser groovie e, ser isso, ao menos para mim, é conseguir com animação, positividade, dizer o que as pessoas mais precisam ouvir, uma vez que no nosso cotidiano apressado não podemos, muitas vezes, dizer, naturalmente, para as outras pessoas, por exemplo:

Relax! Take it easy!


You are beautiful!


I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?

Say love, say love!


We are not what you think we are
We are golden, we are golden.

No domingo, pós-show, senti um certo vazio: aquele típico do dia seguinte a uma grande festa. rsrsrs Vocês acreditam que eu estava quase ficando triste!?
Então, alguém chamava no portão da minha casa e quando eu fui atender, era um jovem dizendo:
- Moço, eu preciso de ajuda. Eu estou desempregado. Eu não vou pedir dinheiro, só preciso de um pouco de feijão para alimentar meus filhos.
Eu disse:

- Claro, só um instante!

Voltei com um quilo de feijão.

- Deus lhe pague! (ele me disse sorrindo, feliz. Sim, ele ficou feliz!)
- Amém.

Depois que ele se foi, eu chorei um pouquinho, o suficiente para limpar qualquer tristesa do coração e, então, entendi que o que acontecera era um momento Golden! Eu, o rapaz necessitado, os anjos que nos aproximaram: éramos todos Golden!

Penso isso mesmo: que podemos ser para os outros aquilo que eles gostariam, sim, que fôssemos, sobretudo quando minimamente generosos: como quem ajuda a matar a fome de quem pede a sua porta; e, também, como quem faz o melhor show em um Parque de Diversões.
Ao menos para mim, isso tudo é o que deveríamos querer dizer quando dizemos: We are Golden! ou Love!


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Aluno atarefado

Estou ocupadíssimo essa semana e, então, meu blog querido ficou navegando no mar da web abandonado por quatro dias! O mais engraçado é que isso tem a ver com a aproximação das festas de fim de ano: onde trabalho, elas são motivo de agitação.

Além disso, estou também no final do semestre escolar. E preparo dois trabalhos, para duas diferentes disciplinas. Uma delas trata da Psicologia da Educação. Como nossa professora trabalhou conceitos da psicanálise e fez uma introdução acerca de Freud, nesse trabalho, que irei apresentar para a disciplina, devo utilizar tais conceitos na análise e leitura que eu promover acerca de um tema. A professora sugeriu que ficássemos livres para trabalhar e escolher uma obra literária ou do mundo de cinema, por exemplo.

Ao decidir-me acerca do que eu ia fazer, lembrei-me que certa vez um amigo ficou "bravo" comigo porque eu consegui estabelecer uma relação de sentido entre O ser e o Tempo, de Heidegger e uma música, um hit na verdade, do conjunto brasileiro de roque chamado Sepultura. rsrsrs

Ainda no sábado, eu dizia em um sarau, que tinha ouvido uma canção do Mika, um pop star britânico, que me lembrara uma importante lição da psicanálise: a de que o sofrimento de nossa neurose leva-nos ao divã, onde muito simplesmente descobrimos que não somos culpados, mas que tampouco somos inocentes e, portanto, a questão toda está apenas em como viver com isso.

A canção do Mika que me despertou a associação é Blame it on the girls. rsrsrs

No meu trabalho para aquela disciplina, não vou utilizar essa canção, claro! Vou fazer um ensaio em que aproximo o que Freud diz no Capítulo V de O mal-estar da civilização e o que Baudelaire nos sugere em seu poema L'Irréparable (O irreparável), que pertence à obra As Flores do Mal.

Vou partilhar aqui meu primeiro parágrafo desse ensaio e que ainda estou escrevendo:

Em O mal-estar da civilização, Freud afirma: "O trabalho psicanalítico nos mostrou que as frustrações da vida sexual são precisamente aquelas que as pessoas conhecidas como neuróticas não podem tolerar." A primeira reação que um leitor comum terá diante dessa afirmação - e estou pensando em alguém que jamais tenha ouvido falar em psicanálise e, portanto, não saiba que a teoria psicanalítica afirma que somos todos ao menos neuróticos - será necessariamente, ou muito provavelmente, uma reação de perplexidade. Sim, pois como pessoa neurótica que é, ela terá que concordar com o fato das frustrações da vida sexual serem intoleráveis, e simultaneamente irá descobrir-se, portanto, como fazendo parte desse grupo de pessoas que a psicanálise diz conhecer como neuróticas.