Estou apaixonado pela literatura israelense contemporânea.
Depois de ter lido algumas das excelentes obras de Amós Oz, agora estou lendo Desvario, de David Grossman. A Obra traz duas novelas: a primeira que dá título a essa edição, Desvario, apresenta dois personagens no interior de um automóvel e o clima lembra muito o daqueles road movies do cinema independente americano. No banco de trás do automóvel e com a perna quebrada, Shaul Krauss, um intelectual israelense de 55 anos, conta à cunhada Ester, que dirige o automóvel, detalhes do verdadeiro drama de seu amor pela esposa, Elisheva: ela há dez anos tem um caso amoroso com um artista russo chamado Paul. Trata-se de um autêntico tratado sobre o ciúmes e nele comungamos com a imaginação delirante e repleta de desvarios de todos os personagens construídos. Aliás, como leitores, também participamos desse jogo. Afinal, o que acontecerá quando chegarem ao destino dessa viagem?
Já a segunda novela trata da dificílima espécie de reconciliação de uma mãe moribunda com sua filha mais velha. No presente da narrativa, a filha lê para a mãe, deitada no leito de morte, uma narrativa que escreveu: a história de um amor proibido entre uma professora de Yoga (personagem inspirada na sua própria mãe), e que tem cerca de 40 anos, e um menino de apenas quinze anos. Aqui eu vejo a narrativa como do tipo iniciática, há muito de os mistérios da alma sendo desvendados.
Selecionei-lhes alguns trechos para despertar em cada um, espero, o possível desejo de leitura dessa obra magnífica. Eles pertencem à segunda novela, No corpo eu entendo:
É assim que eu capto as coisas, tudo é intuição para mim, ela explica, com um dar de ombros, a si própria e àqueles que lhe são caros, reconheço na vidência, não conheço na evidência...
Já a segunda novela trata da dificílima espécie de reconciliação de uma mãe moribunda com sua filha mais velha. No presente da narrativa, a filha lê para a mãe, deitada no leito de morte, uma narrativa que escreveu: a história de um amor proibido entre uma professora de Yoga (personagem inspirada na sua própria mãe), e que tem cerca de 40 anos, e um menino de apenas quinze anos. Aqui eu vejo a narrativa como do tipo iniciática, há muito de os mistérios da alma sendo desvendados.
Selecionei-lhes alguns trechos para despertar em cada um, espero, o possível desejo de leitura dessa obra magnífica. Eles pertencem à segunda novela, No corpo eu entendo:
É assim que eu capto as coisas, tudo é intuição para mim, ela explica, com um dar de ombros, a si própria e àqueles que lhe são caros, reconheço na vidência, não conheço na evidência...
...quando eu faço eu entendo. No corpo eu entendo.
E ela, como de hábito, ouviu meu silêncio, e, em vez de responder ficou repetindo, insistindo em me ensinar como cuidar de mim, e como não permitir que a tristeza do mundo, ou qualquer outra coisa, penetrasse no meu lugar interior. Nem mesmo seu gosto pela vida, enfatizou reiteradas vezes, e naquela época eu não tinha nem uma única alma no mundo para amar. Nem mesmo o seu maior maior maior amor - não deixe entrar lá. E então sorriu, seu sorriso encantador, sedutor: nem mesmo eu, não me deixe entrar.
Preciso agradecer de Público à minha amiga Paula, por ter apresentado ambos a mim, ou seja, Amós Oz e David Grossman. O que seria de nós sem nossos amigos também apaixonados pelos livros, pela leitura?