Nesse dia D, remeto os leitores desse blog a um outro e que nos situa lindamente em relação ao poeta homenageado: Carlos Drummond de Andrade. ;-)
Leiam e apreciem a postagem intitulada Drummond no blog Semióticas, de José Antônio Orlando.
Poema da purificação
Carlos Drummond de Andrade
Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
As águas ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.
Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.
Mostrando postagens com marcador Carlos Drummond de Andrade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carlos Drummond de Andrade. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Entre penas e pedras
Todos nós temos muita dificuldade em nos tornarmos mais civilizados, não é mesmo? Eu acho que quando Freud elabora seu pensamento em direção a entender a civilização como o que nos propicia um mal-estar ele está mesmo coberto de razão. No entanto, é chocante perceber essa dificuldade também porque, bem ou mal, há constructos da civilização que já estão consolidados até como conquistas propriamente e ponto final!
Nesta semana, por exemplo, um dos assuntos que o Brasil inteiro se deteve a acompanhar foi o julgamento de um jovem que assassinara sua namorada ainda adolescente. Esse foi o assunto preferido da chamada opinião pública: falou-se dele em todos os lugares, desde o ponto de ônibus até... o facebook. Ontem, enfim, depois de umas atitudes, parece que equivocadas, da advogada de defesa, o tal rapaz foi condenado a mais de 90 anos de prisão... ok. Tudo bem, não estou aqui contestando o veredicto, peloamordeDeus!
Na verdade, eu sequer acompanhei a história toda, tudo o que sei se resume ao que acabei de comentar acima, e apenas estou me reportando a esse fato porque diversas pessoas a minha volta formularam uma cena discursiva mais ou menos como esta: “Ah, no Brasil, essa pena nunca será cumprida, porque bom comportamento e outras ‘desculpas’ vão reduzindo a pena até ele estar livre novamente para cometer outro crime parecido.”
Pois bem, quando ouço esse tipo de manifestação, afinal uma espécie de lugar comum, sempre penso, dentre outras coisas:
- Tal pessoa não considera o avanço do Direito algo válido, sobretudo, porque ele alcança desassistidos de um modo geral, como é o caso desse infeliz assassino.
- Essa mesma pessoa pensa que o Brasil é mais atrasado do que supostos países de “primeiro mundo” (aliás, vamos combinar que essa classificação já está defasada em mais de um sentido...) porque em alguns desses países ainda é aceita a barbárie da pena de morte.
Penso essas coisas, mas não as exponho a tais pessoas, pois não é o caso de fazê-lo. Em geral, elas têm uma opinião tão acirrada a respeito desses assuntos que fica impossível dialogar. Quando, no passado, eu me dava ao trabalho de tentar um diálogo a esse respeito ouvia a opinião peremptória de alguém favorável à pena de morte e que ainda insistia que eu também o seria se o mesmo [um assassinato] acontecesse com um (a) filho (a) meu (minha). Evidentemente, também não passa pela cabeça de algumas pessoas que outras não possam ter filhos, por diversos motivos. rsrsrs
Como aqui é um blog pessoal e nele eu posso dizer o que penso a esse respeito, vou dizê-lo com todas as letras: se uma desgraça do tipo acontecesse com um filho meu (se eu por um acaso pudesse ou quisesse ter um filho), evidentemente, a única diferença em relação ao que acontece aos outros é que isso teria acontecido com um filho meu e não com o de outra pessoa!
Eu sofreria evidentemente, lamentaria dentro de limites, e procuraria consolo, na graça divina, para entender o ocorrido dentro do suposto mistério que nos cerca e que permite que estejamos sujeitos a todo tipo de tragédia nessa vida. No entanto, mais do que tudo isso, eu continuaria, com toda certeza, acreditando no que diz uma amiga minha: se a lei do “olho por olho, dente por dente” fosse ainda a única existente nesse mundo, teríamos apenas caolhos e banguelas a nossa volta. Vamos combinar que seria um mundo bem triste e feio de se ver...
Ainda bem que não é apenas isso o que vemos no mundo, nele há, por exemplo, pessoas como Adrian Gray que nos apresenta a sua incrível arte: a Stone Balancing Art. Isso, sim, nos dá o que pensar e também nos sugere uma atitude bem diferente nessa vida, ao invés de agirmos como pessoas de coração de pedra podemos procurar entender o equilíbrio que essas pedras apresentam.
Por sinal, isso me lembrou de uma outra coisa, um poema de Carlos Drummond e que uma amiga do facebook postou ainda ontem. Compartilhei por lá, mas vou trazê-lo também para fechar essa postagem com poesia e sua reflexão em 2º grau, afinal, o que mais precisamos na vida:
Unidade
As plantas sofrem como nós sofremos.
Por que não sofreriam
se esta é a chave da unidade do mundo?
A flor sofre, tocada
por mão inconsciente.
Há uma queixa abafada
em sua docilidade.
A pedra é sofrimento
paralítico, eterno.
Não temos nós, animais,
sequer o privilégio de sofrer.
Carlos Drummond de Andrade - In Farewell
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
A infância em poesia
Hoje, encontrei, no blog Chronizt.info, essas imagens belíssimas, em uma postagem que dizia o seguinte:
Houve um talentoso artista, de Twillingate, Newfoundland, chamado Randy Hann. Ele podia desenhar um esboço usando apenas um lápis, com resultados fantásticos, de um modo muito realista... como tomadas de câmara fotográfica... Veja alguns exemplos de seu trabalho:
Só faltou o blogueiro dizer que a temática prepoderante no seu trabalho, ao menos na seleção reunida, é a que procura retratar a infância. Não sei o porquê, mas esses retratos de crianças lembraram-me aquele delicioso poema de Carlos Drummond de Andrade:
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras.
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu...Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro...que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Houve um talentoso artista, de Twillingate, Newfoundland, chamado Randy Hann. Ele podia desenhar um esboço usando apenas um lápis, com resultados fantásticos, de um modo muito realista... como tomadas de câmara fotográfica... Veja alguns exemplos de seu trabalho:
Só faltou o blogueiro dizer que a temática prepoderante no seu trabalho, ao menos na seleção reunida, é a que procura retratar a infância. Não sei o porquê, mas esses retratos de crianças lembraram-me aquele delicioso poema de Carlos Drummond de Andrade:
Infância
A Abgar Renault
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras.
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu...Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro...que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Assinar:
Postagens (Atom)





%5B2%5D.jpg)





