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quinta-feira, 25 de março de 2010

Quando a televisão acerta na programação

Esse filme é de 2007 e, no Brasil, todo mundo deve ter assistido quando estreou por aqui, no começo de 2008. Menos eu e minha mãe que o vimos, ontem, quando chegou à TV aberta. Adoro esse tipo de coisa que acontece tão raramente na televisão brasileira: programação de qualidade. Quando terminou a Soap Opera preferida de minha mãe, eu estava chegando e, imediatamente, o filme começou. Logo vi que poderia ser um filme para mãe e filho assistirem juntos.
Eu lembro-me, perfeitamente, de ter lido críticas elogiosas a esse filme, quando ele esteve em cartaz nos cinemas.




Aliás, eu assisti quando a roteirista ganhou o Oscar por esse trabalho, naquele ano. Como diz uma amiga minha, às vezes o Oscar acerta. rsrsrs A cena do Oscar foi essa mesma e sabem por que, na minha opinião, Diablo Cody mereceu o prêmio? Porque ela fez minha mãe e eu rirmos juntos ao ouvir as falas inusitadas da adolescente gravidíssima do filme. E que coisa boa a ausência de clichês! Nós, mal acostumados, ficamos de prontidão esperando os clichês possíveis. Por exemplo, a garota apaixonar-se pelo marido do casal que adotaria a criança que ela resolveu entregar para a adoção. Ou que a madrasta não fosse gente boa, fosse do tipo megera ou, ou... Nada disso aconteceu, o roteiro e as falas extraordinárias das personagens conduziram tudo para a felicidade possível diante de uma situação inesperada e que pode acontecer com qualquer um: engravidar na primeira transa, aos 16 anos.
Achei sensacional a garota descobrir que é amada de verdade, quando vê a relação do casal de futuros pais adotivos ruir. Ela diz uma coisa linda para o garoto: eu sei que você gosta de mim porque quando você fala comigo você não fica olhando para a minha barriga, mas para os meus olhos. Simples assim.
Hoje, uma amiga contou-me que uma das críticas negativas que fizeram ao filme, na época de seu lançamento, trazia a opinião de que não existe, na vida real, adolescentes inteligentes como a protagonista. Essa minha amiga (e eu faço coro com ela) não pensa assim: nós é que nos acostumamos a ver o cinema americano construindo adolescentes estúpidos, ao ponto de não reconhecermos uma garota bacana como a do filme.
Eu, como confio na inteligência humana, achei comovente tudo e, sim, o filme mereceu a repercussão que teve na época e que ainda tem, como se comprovou ontem na sua exibição pela televisão. Nem preciso dizer a quem ainda não assistiu ao filme para que corra para uma locadora, não é mesmo?