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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Barulhinho bom



Essa coisa de sermos muito barulhentos, a maioria de nós, é a causa de uma grande dificuldade que temos: a de sintonizarmos com nós mesmos ou, inclusive, com qualquer coisa para além de nós.

Eu voltei ao trabalho na cidade de São Paulo e, coincidentemente, uma equipe do sistema de computação da casa está instalando aparelhos complicadíssimos e que fazem muito barulho no ambiente da editoração. 

Graças a Deus, eu consigo me desligar desse estresse, afinal, não há motivo para ficar alimentando o incômodo ainda mais, e que por si só já é suficiente. Como, por exemplo, com uma reação aborrecida por demais...

Contudo, essa experiência imediata só me fez valorizar o tipo de silêncio com o qual eu tive contato lá no povoado que visitei nas minhas férias e que tive oportunidade de citar por aqui na postagem passada. Trata-se de fato de uma experiência a se valorizar.

Pois, em meio à natureza, até o que seria barulho é silêncio: o canto de pássaros, o zumbido de besouros, o coaxar dos sapos ou o farfalhar da folhagem na vegetação. E, então, a alma fala de si mesma para si mesma. Sem esse exercício que sugere uma busca de um conhecimento mais profundo acerca do que se vive, do que pode ser sentido em termos de paisagem interior, não podemos prosseguir.

De qualquer modo, ao menos assim, a partir desse exercício, poderemos prosseguir menos ruidosos e talvez mais eloquentes por conta disso mesmo. 

É quando a presença silenciosa já diz de si. E assim, quiça, a palavra serena possa dizer o que é desejável que seja audível. ;-)




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A senhora da janela


No mês passado, este blog ficou sem nenhuma postagem. 

O blogueiro estava de férias! \o/

Durante esse período, eu fui conhecer  Catuni da Estrada,  um povoado de Jaguarari, cidade serrana que fica entre Juazeiro e Senhor do Bonfim, no norte da Bahia, na região nordeste do Brasil. 

Trata-se da terra natal de meu pai e de sua família. Uma das coisas que eu mais curti fazer foi passear pelo lugar e conhecer os arredores. 

Passando em um povoado vizinho chamado Estiva, encontrei uma senhora na janela de sua casa e tive com ela o seguinte diálogo:



- Posso tirar uma foto da senhora?
- Pra quê?
- Para eu mostrar para os meus amigos e dizer que achei tão poético vê-la tranquila na janela...
- Mas eu tenho noventa e três anos e meio...
- Mas isso torna tudo ainda mais precioso, então. é tanta história que a senhora já viveu.
- Ah, tem mesmo muita história...
- Graças a Deus!
- Graças a Deus, meu filho!

Imediatamente, enviei a foto ao facebook com a descrição do diálogo referido. A reação foi tão espontânea e imediata! A postagem chegou a ter 212 curtidas, 36 comentários e 12 compartilhamentos.


Depois, fiquei pensando no porquê dessa comoção. A verdade é que todos nós sabemos o quanto a vida é bela e, portanto, bem-vinda sua longevidade, sobretudo por nos permitir tanto aprendermos por meio de toda essa história que se vive e, sim, todos nós, ainda que intuitivamente, sabemos que devemos agradecer a uma entidade superior por este conjunto de dádivas.

Uma amiga minha aqui de São Paulo, uma outra senhora, com cerca de 60 anos de vida, quando eu lhe contei o episódio, me disse que talvez a senhora de 90 e tantos anos tivesse achado que eu pudesse estar lhe paquerando e daí a surpresa e a declaração da idade.

Eu não tinha pensado nisso! Mas isto também é maravilhoso: chegar aos 90 anos e imaginar-se, mesmo que surpreendentemente, alvo de paquera.