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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Uma foto


Ontem, quando cheguei em casa, minha mãe, que tem 72 anos e é uma mulher que nunca frequentou os bancos escolares, comentou que ouvira, em uma rádio, que o Obama tinha elogiado o Lula e ela completou dizendo-me: "Eu acho que as pessoas que insistem em não gostar do Lula devem estar com inveja do prestígio que ele alcançou."
Foi assim que fiquei sabendo, em primeira mão, a notícia que estampa hoje todos os jornais e que diz respeito à fala de Barack Obama sobre o presidente brasileiro: "Eu adoro esse cara... Ele é o político mais popular da Terra... Isso é porque ele é boa pinta." Já ouvi quem questionasse a sinceridade da declaração, teria sido uma "piada" do presidente norte-americano. No entanto, não é o que vejo nas fotos que emolduram as reportagens sobre o tema: Obama não tem cara de gente falsa. E, assim, será que minha mãe não tem razão?

Já ontem, a foto que estampava os mesmos jornais mundo afora era a foto oficial da reunião de cúpula do G20. Nela, vemos os líderes das principais economias do mundo todos reunidos em pose para a foto. Uma amiga perguntou-me se ela era de verdade ou era uma montagem. Por quê? Era difícil acreditar na imagem do presidente do Brasil - sobretudo porque esse presidente é o Lula que todos nós tão bem conhecemos a trajetória - sentado à direita (de quem vê a foto) da Rainha da Inglaterra e tendo o presidente dos EUA logo atrás de si, de pé. No entanto, parece-me que está tudo certo na foto. Lula está lá no lugar que lhe deu cada voto dos seus eleitores para seu segundo mandato, do mesmo modo que também podem estar lá a maioria de todos os outros. Menos a rainha, que não precisou dos votos: ela já nasceu rainha.

A verdade é que, no fundo, achei a foto comovente e por dois motivos:

Esses líderes todos são apenas pessoas, humanas e mortais, como todos nós outros. Aliás, a foto pareceu-me aquelas fotos de turma de colégio, que a gente tirava junto à professora, quando éramos crianças. Creio mesmo que é preciso compreender que todos ali são crianças (trazem cada qual sua criança dentro de si) e, isso, em um momento em que o mundo precisa de adultos e sérios, ou seja, o que esperamos que os bem intencionados ali pretendam ser.

Outro motivo: Além da rainha, há outras duas mulheres, Merkel e Cristina - quando sabemos que em um tempo próximo passado não haveria nenhuma (quiça uma outra Elisabeth) - há também o negro que entrou para a história e, ainda, o ex-operário metalúrgico do ABC paulista. E é uma cúpula e importantíssima. Alguma coisa está mesmo diferente nessa foto, e isso para além da emergência da reunião graças à fragilidade econômica do mundo.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A crise e o bombom

Não se fala em outra coisa, ao menos nos meios de comunicação. Eles vivem nos aterrorizando com a crise econômica mundial. Assim, temos o problema do estancar do crescimento dos países emergentes e também o da economia dos países europeus, ou o da potência Chinesa e, sobretudo, o da América de Obama. Isso tudo somado ao fantasma terrível do desemprego em massa e o da volta de uma inflação galopante no lugar da que estivera antes estacionada, e por aí vai.
Eu até acredito que as coisas vão mesmo piorar. Tudo aponta para o pior. Mas nada disso deve ser motivo para cortamos os pulsos. Não, não, não.
Confesso que, às vezes, leio o horóscopo de jornal. Hoje, o li no Estadão e ali Quiroga dizia para mim que sou do signo de sagitário: Mais do que nunca todas as pessoas querem se dar bem, mas ao mesmo tempo, as condições do mundo ficaram limitadas. A ansiedade aumenta de tamanho e desorienta a maioria das pessoas, especialmente as que carecem de coragem.
Aliás, Quiroga também falava, em sua coluna, que a graça da crise atual do mundo financeiro é essa: "nos jogar na cara o resgate do potencial criativo que aguardou pacientemente pelo renascimento."
Já, anteontem, houve uma pane nos computadores da empresa onde eu trabalho. Senti que todos os funcionários entraram em estado de ansiedade, automaticamente, quando se viram cada qual sem sua máquina. Sim, havia ali uma ansiedade coletiva e que acredito parecia ser muito pior por um simples motivo e que apontava para além de uma inação forçada. Tal inação somara-se ao assombro de uma descoberta: não é mais possível trabalhar sem Internet.
Comigo não foi diferente, até que veio ao meu socorro um ato de compaixão: alguém colocara um bombom italiano sobre a minha mesa e, quando retornei, pude saboreá-lo. O pequeno gesto em suas magníficas consequencias revestiu minha ansiedade, pois agora eu tão somente precisava descobrir quem fora o autor daquele gesto e, evidentemente, precisava agradecer. Acho que também é assim com todo o resto. Precisamos descobrir a quem agradecer nossa coragem ou nosso potencial criativo e que nos permitirão renascer, ainda que das cinzas.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Pacote imobiliário de Obama ajudará 9 milhões de famílias

Essa foi a manchete de hoje do Estadão. Eu a vi estampando o jornal dependurado em uma Banca de Jornais, no final da XV de Novembro. Segundo as palavras do próprio presidente americano: "Esse plano não vai salvar todos os lares, mas vai dar a milhões de famílias fadadas à ruína uma chance de se recuperar".
Manchetes e declarações como essa são particularmente emocionantes, ainda mais porque eu, como muitos no mundo, torci pela eleição de Obama e, ao contrário do que dizem os opositores e invejosos de plantão, não espero (como imagino que não esperamos) que ele seja um super-homem, mas apenas o homem e bom governante que sempre desejamos que sejam aqueles que se lançam na vida pública e na defesa verdadeira da democracia.
Em tempo: eu temia que a forma do horrendo Bush governar imperasse por lá, em suas desastrosas consequências pelo mundo afora, então, durante a campanha presidencial americana, rezei muito e o pedido era um único: que Barack Obama vença as eleições, meu Deus! Até aprendi a rezar o Pai Nosso em inglês! Com ênfase para o seu final: Deliver us from evil. Amen. Parece que Ele ouviu minhas preces...